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A FORMAÇÃO DAS MÁXIMAS E O USO DA PRUDÊNCIA

No documento A prudência na filosofia prática de Kant (páginas 119-147)

Nesta seção, analisamos como a prudência e a máxima estão estreitamente relacionadas, e como isso repercute na forma como o sujeito formula as máximas que serão julgadas pela lei moral, e que são fundamentais para orientar e promover a vida moral do sujeito. Em (1), observamos que a compreensão sobre o julgamento prático das ações deve ter em conta os componentes apontados por Kant sobre a ação prática. Entre tais componentes encontramos a máxima, que descreve e estrutura a ação dos sujeitos. Discutimos que o princípio do amor

de si, princípio determinante que impele o homem a buscar por sua felicidade, é acolhido na

máxima que constituirá a base para sua ação e que ele não se baseia numa consciência do agrado da vida meramente fugaz, mas numa consciência do agrado ao longo de toda a existência do sujeito, que como tal deve repercutir sobre quais máximas o sujeito adota para alcançar fins verdadeiros e duradouros. Tendo em vista isto, veremos que quaisquer interpretações de uma teoria da ação em Kant, não apenas deve atentar para o aspecto temporal do princípio do amor de si, mas deve ter em conta o papel que a prudência desempenha na formulação de máximas duradouras, que constituirão as ações ao longo da existência do sujeito e repercutirão de algum modo em sua vida moral. Em (2), mostramos porque os conselhos de prudência não fazem parte ou não devem ser reduzidos às prescrições técnicas, mas devem antes serem tidos como máximas independentes. Mostramos ainda, porque a prudência em Kant não é um mero componente da máxima, mas atua na formulação de máximas, ou ainda, das máximas de prudência. Analisamos também, que algumas formulações da máxima podem ser traduzidas em esquemas, como o esquema (S →H), que melhor reflete a formulação das máximas de prudência, de modo a compreender porque a prudência ao formulá-las, se volta para as circunstâncias e para a experiência. Notamos que, quando entendemos a formulação das máximas não apenas por meio do esquema (H→ Z), mas também do (S→ H), estamos em melhores condições de entender a amplitude do sentido que a prudência tem em Kant, mas também em condição de compreender como o julgamento prático baseado na experiência é capaz de poder auxiliar na formulação de máximas para o cumprimento do dever. Em (3), discutimos que a própria formulação das máximas, sua elaboração, é um passo importante para

o processo de julgamento moral das mesmas. O imperativo categórico realiza o teste das máximas as quais são forjadas a partir de situações muito particulares. O modo como formulamos estas máximas, que depois são submetidas ao teste, deve ser levado aqui em consideração, pois tal modo reflete os contextos particulares que afetará a responsividade moral, a forma como responderemos moralmente a tais máximas. Mas a formulação das máximas deve implicar também o julgamento empírico entre os meios e os fins, pois as máximas em seu conteúdo refletem os interesses do sujeito numa situação particular, bem como os meios através dos quais ele realizará seus objetivos. Por essa razão, mostramos porque uma avaliação prudencial pode auxiliar como um pré-teste na formulação de máximas específicas, ajudando a formular máximas que tenham melhor responsividade moral. Por fim, em (4), analisamos a distinção entre propósitos e máximas, e sobre isso destacamos a perspectiva de que máximas são produtos da experiência de vida do sujeito, que diferente dos propósitos, o sujeito leva consigo ao longo da vida, sem abandonar tais máximas por qualquer eventualidade. O fato de valerem ao longo da vida e para a totalidade da vida, e de sabermos disso por meio da experiência, nos permite entender que elas surgem a partir da própria prudência, a qual busca formular máximas com propósitos duradouros. Notamos também, que tais máximas precisam de uma capacidade de julgar, capaz de nos dizer como agir em cada caso. Pensamos que a prudência formula tais máximas, assim como avalia como aplicá-las, máximas que se aproximam do caráter de lei objetiva, e isto, devido ao seu aspecto de serem quistas e adotadas ao longo de toda vida.

1.

Quando discutimos sobre a prudência e tendemos a ver a mesma como uma modalidade de julgamento prático, não podemos deixar de notar que toda essa discussão está articulada a outros elementos fundamentais para compreender uma ação prática, conceitos que são os de interesse, máxima e fim. Antes, toda a ação causada por um sujeito, é uma ação estruturada num interesse, numa máxima e num fim. Mas a ação depende também de uma avaliação, de um julgamento feito pelo sujeito. Por máxima, Kant entende em sua GMS, “o princípio subjetivo para agir [...] contém a regra prática que a razão determina em conformidade com as condições do sujeito [...] e é, portanto, o princípio segundo o qual o sujeito age” (GMS, AA 04: 421). Por interesse, devemos prestar atenção à Metafísica dos Costumes, pois “a ligação

do prazer com a faculdade de apetição se chama interesse” (MS, AA 06: 212); e o fim, estaria relacionado ao arbítrio, sendo “a matéria deste, ou seja, o fim que cada um tem em vista com o objeto que quer” (MS, AA 06: 230) ou ainda, “Fim é um objeto do livre-arbítrio, cuja representação determina este a uma ação (pela qual aquele é produzido)” (MS, AA 06: 384). Observamos também, que nem a máxima, nem o interesse e nem o fim se confundem com o móbil enquanto elemento de natureza sensível presente na maioria das ações e que é o fator relacionado com aquilo que propriamente move o homem a agir orientado por uma certa máxima, por certo fim, etc. A ação humana, segundo Kant, não é desprovida de regularidade e mesmo de necessidade, mas pelo contrário, ela admite tipos de necessidade e foge a qualquer aleatoriedade. Além disso a ação tem um componente judicativo que jaz em relação tanto ao móbil, quanto ao interesse e a máxima. Para entendermos isto, tentemos compreender aquilo que Grenberg escreve sobre estes três conceitos e sua relação com o julgamento:

As máximas podem ser assim claramente distinguidas da reflexão ética, aquela leva ao desenvolvimento dos interesses e fins. Interesses, fins e máximas são todos aspectos da ação o qual se apoiam na capacidade racional do agente de julgar e descrever alguma coisa sobre o agente ou sua atividade a qual toma como uma regra geral. Em um interesse, alguém julga sobre o status e o valor dos estados afetivos e desejantes [desiring] da própria pessoa; na configuração de um fim, o agente julga o valor de certos estados de coisa; na máxima, um agente julga a diretriz em que ele age em várias situações (GRENBERG, 2001, p. 175).109

Notemos que a ação de julgar se encontra presente tanto na máxima, como no interesse, bem como relacionado também ao fim visado pelo sujeito. Se a ação está relacionada a estes três elementos, e estes três elementos são sustentados pela capacidade de julgar, toda ação em última instância depende não apenas do móbil, mas também da capacidade de julgar. Embora todos estes três termos estejam ligados à ação, agir não é só adotar uma máxima, pois como Kant diz em A Religião dentro dos limites da simples razão, a ação está relacionada tanto a máxima quanto ao móbil, pois “a liberdade do arbítrio tem a qualidade inteiramente peculiar de ele não poder ser determinado a uma ação por móbil algum a não ser apenas enquanto o

109 “Maxims may thus be clearly distinguished from the principled reflection that leads to the development of

interests and ends. Interests, ends and maxims are all aspects of action which rely on the rational capacity of the agent to judge and describe something about the agent or her activity which holds as a general rule. In an interest, one judges about the status and value of one's affective and desiring states; in the setting of an end, the agent judges the value of certain objects or states of affairs; in a maxim, an agent judges the rational policy upon which she acts in various situations.” (GRENBERG, 2001, p.175) (Kant-Studien. Philosophische Zeitschrift der Kant- Gesellschaft . 92 . Jahrgang . Heft 2 . 2001/ Walter de Gruyter . Berlin . New York / Feeling, Desire and Interest in Kant's Theory of Action / Jeanine M. Grenberg).

homem admitiu na sua máxima (o transformou para si em regra universal de acordo com a qual

se quer comportar)” (RGV, AA 06: 24).

A ação se dá, entre outras condições, quando o homem admitiu em sua máxima um móbil. Mas para entendermos esta frase, deveríamos seguir a pista de Grenberg, quando fala sobre interesse, máxima e fim, pois como ele sugere “a mais básica distinção a ser extraída entre interesses, fins e máximas é assim a seguinte: enquanto um interesse faz uma afirmação sobre quem eu sou, um fim faz uma afirmação sobre o que eu avalio, e uma máxima identifica

como eu atuo” (GRENBERG, 2001, p. 175).110 É tendo em vista estas três perguntas, que Grenberg questiona o que significa um móbil ser incorporado numa máxima. Sua interpretação pretende explicar que o móbil para ser incorporado na máxima demandaria que o afeto e o objeto tivessem de ser incorporados à máxima, de modo que ele afirma o seguinte:

Um tal desejo ou interesse é, primeiro, uma afirmação sobre os estados afetivos do agente. Mas além disso, tanto o desejo e o interesse apontam para um objeto da situação [...]. Se este objeto tem sido racionalmente refletido e avaliado, é considerado um “fim”, caso contrário, é um mero objeto de desejo. Na incorporação, o fim ou o objeto do desejo fornece a base para o desenvolvimento de uma máxima específica da ação encaminhada para este fim (GRENBERG, 2001, p.177)111

A incorporação do móbil na máxima depende do interesse que diz respeito aos estados e a natureza afetiva e desejante do sujeito, que afinal não deixa de avaliar seus estados afetivos e desejantes. Depois, estes estados levarão o sujeito a buscar um fim ou um objeto, que também não deixa de ser avaliado pelo sujeito, e que somente na incorporação o fim possibilita a formulação da máxima. Não há máxima sem fim, assim como não há fim sem interesse, sem um estado afetivo; no entanto, ocorre que se a incorporação fosse apenas a inclusão de um fim na máxima, Kant não teria a necessidade de falar da incorporação de um móbil à máxima. No entanto, Grenberg ainda explica que “o fim segundo o qual um agente gera uma máxima deve assim ser um para o qual ele está conectado através de uma influência sensível do sentimento segundo sua faculdade de desejar” (GRENBERG, 2001, p.178).112

110 “The most basic distinction to be drawn among interests, ends and maxims is thus the following: while an

interest makes a claim about who I am, an end makes a claim about what I value, and a maxim identifies how I

act”. (GRENBERG, 2001, p.175)

111 “Such a desire or interest is, first, a statement about the affective state of the agent. But further, both the desire

and the interest point toward an object of state of affairs […]. If this object has been rationally reflected upon and valued, it is considered an "end"; otherwise, it is a mere object of desire. In incorporation, the end or object of desire provides the basis for the development of a specific maxim of action keyed toward that end” (GRENBERG, 2001, p.177).

112 “The end on which an agent generates a maxim must thus be one to which she is connected through a sensible

Neste sentido, todo fim está conectado à faculdade de desejar, de modo que a interpretação de Grenberg já parte da ideia de que “para Kant, toda ação de um sujeito racional finito, envolve seres impelidos [angetrieben] a agir por meio de móbiles [Triebfedern], isto é, por influências sensíveis dos sentimentos segundo a faculdade de desejar” (GRENBERG, 2001, p.155).113 Assim, é em razão do papel da faculdade de desejar, mas também de sua relação com os sentimentos (sentimento de prazer ou de desprazer), que se pode explicar como o móbil é incorporado na máxima, pois: “O sujeito é ‘motivado’ a agir não apenas no sentido de que ele gera o princípio de ação baseado em algum objeto ou estado de coisas em que ele avalia. Além disso, porque o objeto de incorporação está em si mesmo conectado ao agente através de um sentimento de prazer, o móbil incorporado é a fonte da força motriz em direção a ação representada pela máxima” (GRENBERG, 2001, p.178).114

Toda esta discussão sobre as partes constituintes da ação é aqui importante, não apenas para compreendermos o papel da atividade judicativa do sujeito sobre a ação, como lembra a comentadora, mas também para melhor situar o lugar que a prudência tem nesta discussão. Contudo, devemos complementar para qualquer teoria da ação, e mesmo na explicação de Grenberg, que a ação é produto de outros fatores determinantes, como infelizmente deixou de notar. Por exemplo, Kant diz: “Ser feliz é necessariamente o anelo de todo o ser racional, mas finito, e é, por conseguinte, um inevitável princípio determinante da sua faculdade de desejar” (KpV, AA 05: 45). Notemos, antes de mais nada, que Kant parte de um fator determinante que nem sempre deve se atribuir inicialmente à faculdade de desejar e nem ao sentimento de prazer, pois notamos que há um estado, referido como “ser feliz”, o qual é sem dúvida um elemento importante para despertar a faculdade de desejar e o sentimento de prazer.

Notamos também que o estado de “ser feliz” é aquilo que determina a faculdade de desejar, e que o princípio do amor de si é aquele princípio material que coloca a causa determinante do livre-arbítrio no prazer ou desprazer que o indivíduo tem com relação aos objetos. Depois, atentemos para duas outras observações feitas por Kant, uma quando ele diz: (1) “a consciência que um ser racional tem do agrado da vida, [agrado] que acompanha ininterruptamente toda sua existência, é a felicidade [Gluckseligkeit], e o princípio de fazer

113 “[...] for Kant, all action of finite rational agents involves being impelled [angetrieben] to action by drives

[Triebfedern], that is by the sensible influence of feeling on the faculty of desire” (GRENBERG, 2001, p.155)

114The agent is “motivated” to act not only in the sense that she generates a principie of action on the basis of

some object or state of affairs which she values. Further, because that object of incorporation is itself connected to the agent through a feeling of pleasure, the incorporated drive is the source of the motive force toward the action represented by the maxim” (GRENBERG, 2001, p. 178).

desta felicidade o supremo princípio determinante é o princípio do amor de si” (KpV, AA 05: 40); e a outra quando ele afirma: (2) “princípios do amor de si podem, sem dúvida, conter regras universais de habilidade (para descobrir meios para fins)” (KpV, AA 05: 47). Kant não explica o que significa um princípio poder conter regras, ele simplesmente afirma que as prescrições se fundam naquele tipo de princípio, prescrições estas que são as máximas adotadas pelos sujeitos e que como regras descrevem a ação.

Assim, embora Kant diga na RGV que a máxima deve incorporar o móbil para poder resultar numa ação, na Crítica da Razão Prática ressaltamos que Kant diz que: (1) o desejo (fator afetivo) oriundo do estado de “ser feliz” e (2) “a consciência que um ser racional tem do agrado da vida que acompanha toda a sua existência sem interrupção” (fator cognitivo), são o que constitui o princípio do amor de si, princípio que pode conter regras (máximas), regras para descobrir meios para fins. O princípio do amor de si não apenas é impelido e tem por causa um fator desejante, como também se estrutura numa consciência sem interrupção de um sujeito que é racional. Assim, buscamos durante toda vida e continuamente, meios para fins; e isto, não só porque temos desejo, mas isto por causa de uma consciência contínua ao longo da existência, consciência que jaz no princípio do amor de si, princípio este que contém regras para descobrir meios para fins.

A questão não é apenas que as máximas admitem um móbil, mas as máximas também estão sujeitas a uma noção de felicidade que é antes regida por uma consciência que o próprio sujeito deve ter ao longo de sua existência e sem interrupção do agrado da vida. Este é um elemento importante que atua na ação do sujeito em todo momento e em qualquer circunstância, porque é isto que constitui um elemento importante para a constituição e a determinação do princípio do amor de si. Se bem interpretado, o princípio do amor de si não deve atuar contra si mesmo, não deve agir contra seu próprio interesse ou propósito, pois uma consciência do estado de “agrado da vida”, sem interrupção ao longo da existência, não deve admitir conflitos e interrupções ao longo da existência de um sujeito racional, mas sim, deve admitir ações que visem a melhor harmonia possível sem interrupção ou qualquer tipo de ruptura ao longo da existência do ser racional.

O conceito de felicidade tal como formulado na segunda crítica em (KpV, AA 5: 40), parece antes ser um avanço de Kant com relação à sua formulação sobre este mesmo conceito em sua GMS. Kant se mostra nesta obra, bem mais preocupado com o caráter digamos que epistemológico do conceito de felicidade.115 Por outro lado, a noção de felicidade na

115 Esta preocupação pode ser entendida quando Kant diz: “o conceito da felicidade é um conceito tão

segunda crítica parece contribuir muito mais para a formulação do princípio material orientador da ação humana, ou seja, o princípio do amor de si, princípio que atua a todo momento e que abarca o conhecimento das regras (máximas) universais de habilidade, que visam descobrir os meios e os fins.

Neste sentido, discutir o papel do julgamento na esfera de conceitos tais como máxima, interesse e fins, tal como Grenberg discute, e compreender por um lado, como o objeto e o afeto estão implicados na máxima, incorporado nela, de modo a poder determinar nossas ações, isto não deve deixar de investigar, numa outra perspectiva, como a máxima envolve a relação entre meios e fins, e mesmo a ponderação ou avaliação que está contida no princípio

do amor de si. Toda teoria da ação necessita atentar também para o fato de que a ação humana

está orientada, segundo Kant, por um princípio que não se orienta por meio de um estado de agrado meramente fugaz, mas sim por uma consciência de um estado que perdura ao longo da existência do sujeito. Este princípio orientador de nossas ações deve estar presente e orientar os homens em cada máxima, se concedermos que nossos atos são motivados pela capacidade de desejar e que tal como Kant declarou, o “ser feliz é o anelo de todo ser racional”, portanto, o fator determinante maior de nossa capacidade de desejar.

Se o princípio do amor de si contem regras, dado que como declara Kant “os princípios do amor de si podem, sem dúvida, conter regras universais de habilidade (para descobrir meios para fins)” (KpV, AA 05: 47), subjaz então a este princípio uma capacidade de julgar meios para realizar fins, subjaz à ação humana uma razão prudencial para identificar as regras. Toda ação é orientada por aquela consciência do agrado da vida, que se estende ao longo da existência do sujeito, ou seja, por uma razão prudencial orientada pelo princípio de que as ações humanas não devem apenas resultar num efeito momentâneo, mas devem ressoar e repercutir ao longo da existência. Este é um aspecto da ação humana que deve ser considerado na teoria da ação, e que atravessa aqueles três elementos da teoria: interesse, máxima e fim. O homem age para que sua ação repercuta ao longo da existência. Lembremos que Kant afirma na KpV, que a prudência deve ser requerida para se obter vantagem duradoura e verdadeira, pois como está escrito:

Mas o que proporciona uma vantagem verdadeira e duradoura, se tal vantagem houver de se estender a toda a existência, está sempre envolvido em trevas impenetráveis e requer muita prudência para adaptar a regra prática

em harmonia consigo mesmo o que ele propriamente deseja e quer” (GMS, AA 04: 418), e ainda “em suma, ele não é capaz de determinar com plena certeza, segundo um princípio qualquer, o que verdadeiramente há de fazê- lo feliz, porque para isso seria preciso omnisciência” (GMS, AA 04: 418).

correspondente, graças a excepções hábeis e mesmo que só de modo suportável, aos fins da vida (KpV, AA 05: 64).

Quando ressaltamos que a ação humana é orientada pela consciência do agrado da vida, por um agrado que se estende ao longo da existência, ainda acrescentamos que é preciso uma capacidade de julgar que decida sobre que máximas adotar, quais regras selecionar. A ação

No documento A prudência na filosofia prática de Kant (páginas 119-147)

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