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DIAGRAMA 1 – Os passos para elaboração do portfólio

3.1 A FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE PROFESSORES

Durante muito tempo, o ato de ensinar foi assimilado como uma vocação e até mesmo associado a uma maternidade, significando quase sempre uma ocupação pouco valorizada e mal remunerada, em que se exigia pouca formação.

Com as transformações ocorridas na sociedade apontadas por Tardif e Lessard (2009, p. 8), como “a expansão extraordinária dos conhecimentos e a profusão das novas tecnologias da informação e da comunicação, a transformação das estruturas familiares e comunitárias, a ascendência das referências culturais e morais [...] entre tantos outros”, extinguiu-se a época em que bastava conhecer os rudimentos de uma matéria para atuar como professor ou professora.

Nos últimos cinquenta anos, o ensino passou a ser reconhecido como uma ocupação mais estável e mais especializada, exigindo uma formação universitária superior ou equivalente.

Na verdade, sabemos hoje que o trabalho do docente representa uma atividade profissional complexa e de alto nível, que exige conhecimentos e competências em vários campos: cultura geral e conhecimentos disciplinares; psicopedagogia e didática; conhecimento das dificuldades de aprendizagem, do sistema escolar e de suas finalidades; conhecimento das diversas matérias do programa; das novas tecnologias da comunicação e da informação; habilidade na gestão de classe e nas relações humanas etc. (TARDIF; LESSARD, 2009, p. 8)

Assumir a atividade docente nos dias de hoje exige todo um arcabouço de competências e habilidades, que somente uma formação consistente e ampla, seja ela inicial, seja continuada, pode contribuir nessa perspectiva. A profissão docente, conforme posto por Maciel e Shigunov Neto (2004, p. 18), “[...] já não pode mais ser vista como reduzida ao domínio dos conteúdos das disciplinas e à técnica para transmiti-los. É agora exigido do

professor que lide com um conhecimento em construção [...]”, conhecimento hoje facilmente produzido e transformado.

Portanto, a formação do docente deve acontecer preferencialmente dentro dos espaços da universidade, “[...] a universidade é o lugar por excelência da formação dos docentes, principalmente se houver ênfase na sua dimensão reflexiva e na profissionalização do trabalho” (TARDIF; LESSARD, 2009, p. 133), por desenvolver não somente o ensino, mas a pesquisa e a extensão, o que, por sua vez, possibilita uma maior relação entre a teoria e a prática, proporcionando uma formação apropriada (apesar das falhas) para enfrentar os grandes desafios de uma sociedade em constantes transformações.

Nesse contexto, questionamos: qual o papel da formação inicial? E a formação continuada ou permanente, que contribuições oferecem? A formação inicial, como preparação profissional, tem como papel primordial possibilitar que os futuros professores e professoras se apropriem de determinados conhecimentos e possam experimentar, em seu próprio processo de aprendizagem, o desenvolvimento de competências necessárias para atuar nesse novo cenário. Sobre essa temática, Imbernón (2011, p. 67) afirma: “Não se trata, pois, de aprender um ‘oficio’ no qual predominam estereótipos técnicos, e sim de aprender os fundamentos de uma profissão”.

A formação inicial é o alicerce para a compreensão da complexidade do ensino e das situações que emergem da prática, representando a preparação de professores iniciantes para a função docente. Desse modo, não se pode pretender que a formação inicial promova conhecimentos acabados, mas sim compreender que é a primeira etapa de um longo e diferenciado processo de formação profissional. Trata-se do reconhecimento do inacabamento como seres inconclusos em e com uma realidade que, sendo histórica também, é igualmente inacabada (FREIRE, 2014).

No tocante à formação de professores, estudos realizados por Libâneo (2009) apontam como questão-chave ter a prática ao longo do curso, pois a profissão de professor combina sistematicamente elementos teóricos com situações práticas. Nesse caso, Imbernón (2011, p. 63) também menciona que “a estrutura da formação inicial deve possibilitar uma análise global das situações educativas que, devido à carência ou à insuficiência da prática real, se limitam predominantemente a simulações dessas situações”.

Considerando outros elementos da formação inicial, Imbernón (2011) afirma que as instituições ou cursos deveriam promover não somente o conhecimento profissional, mas todos os aspectos da profissão docente. Sobre o currículo, destaca que deveria promover experiências interdisciplinares para permitir que o futuro professor ou professora possa integrar os

conhecimentos e as diversas disciplinas, sendo necessária ainda uma formação flexível, com uma atitude crítica que englobe formas de cooperação e trabalho em equipe, uma vez que a formação inicial pressupõe uma contínua formação durante toda a vida profissional.

A formação continuada é concebida como um processo contínuo e permanente de desenvolvimento profissional do professor. As formações inicial e continuada devem acontecer de maneira Interarticulada, em que a primeira corresponde ao período de aprendizado nas instituições formadoras e a segunda diz respeito à aprendizagem dos professores que estejam no exercício da profissão.

Uma das tendências da formação continuada mais recente é a que concebe o ensino como atividade reflexiva, ou seja, a ideia é que o professor possa desenvolver a capacidade reflexiva sobre sua própria prática – pensamento também presente nas palavras do autor: “A formação deve apoiar-se em uma reflexão dos sujeitos sobre sua prática docente, de modo a lhes permitir examinar suas teorias implícitas, seus esquemas de funcionamento, suas atitudes etc., realizando um processo de autoavalição que oriente seu trabalho” (IMBERNÓN, 2011. p, 57-58).

O movimento da prática reflexiva irá possibilitar ao professor ser sujeito e reconstruir sua ação pedagógica. O próprio Freire (1996, p. 39) corrobora essa afirmação ressaltando que, “[...] na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”, o que significaria a recusa de um professor meramente técnico e centralizador do conhecimento e da ação educativa.

Garcia (1999) se refere à formação continuada utilizando o conceito de desenvolvimento profissional de professores, pois pressupõe uma abordagem que valoriza o caráter contextual, organizacional e orientado para a mudança. Nesses termos, é enfatizada a imagem do professor como investigador, “como uma pessoa capaz de refletir sobre a sua própria atividade docente, que pode identificar e diagnosticar problemas da sua própria prática [...]” (GARCIA, 1999, p. 183).

As rápidas e profundas transformações sociais ocorridas nos últimos anos afetaram também a situação educacional, fazendo-se necessário que o professor seja bem preparado e esteja em constante formação. Esta, por sua vez, não deve ser uma formação aligeirada, simplista ou fragmentada, como é explicitado a seguir:

As mudanças sociais influenciaram na formação dos professores de forma diferente; demandando outros conteúdos formadores baseados em habilidades e atitudes, dando maior importância ao trabalho em equipe e à colegialidade verdadeira, assim como levando em conta os fatores da diversidade da

contextualização como elementos imprescindíveis na formação. (IMBERNÓN, 2010, p. 29)

O que se coloca como necessário e urgente é o desenvolvimento de novas competências profissionais, baseado em conhecimentos pedagógicos, científicos e culturais atualizados. Diante das exigências mencionadas sobre a formação, somos levados a refletir sobre o tipo de formação oferecida para aqueles professores que estão atuando ou ainda irão atuar com a EJA, questões que iremos expor no item seguinte.