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A fotografia digital: um documento eletrônico, uma nova realidade

ANEXO I – Arquivo de aço de quatro gavetas

3.3 A fotografia digital: um documento eletrônico, uma nova realidade

As características da fotografia digital são abordadas em um item específico devido ao fato de que a atualmente, desde 2002, o arquivo fotográfico da UFSM recolhe apenas imagens gravadas em disco óptico (CD-R). Também o processo descritivo realizado na pesquisa contém imagens digitalizadas e todo esse acervo está aguardando tratamento arquivístico adequado ao documento eletrônico, especialmente no que se refere à sua preservação. A redação desse item tem como referencial a coleção CPBA, em especial o artigo de Sherelyn Ogden (volume 44-47: Reformatação), Conway (volume 52: Preservação no universo digital).

Não se pode deixar de mencionar a existência de um número cada vez maior de imagens eletrônicas. Provenientes da digitalização de uma imagem fotográfica convencional ou produzida originariamente em meio eletrônico, a evolução tecnológica coloca os profissionais da área de preservação em estado de alerta quanto à segurança e preservação em longo prazo desses novos suportes.

O processo de digitalizar imagens é um meio de coletar e armazenar imagens a partir de originais em papel. A coleta da imagem pode se dar por meio da utilização de uma câmara

digital ou scanner. Neste último caso, será necessário um scanner para converter a imagem, um computador para processá-la e armazená-la e um monitor ou uma impressora para visualizá-la. Em seu nível mais básico o processo de digitalização assemelha-se ao de microfilmagem, onde a imagem armazenada no computador seria equivalente a um negativo matriz, a partir do qual podem ser tiradas inúmeras cópias. A imagem produzida originalmente em meio eletrônico é facilmente obtida a partir das câmeras fotográficas digitais, e, com menos qualidade, inclusive as câmeras disponíveis em alguns modelos de aparelhos de telefone celular.

O documento digital é definido pelo Dicionário brasileiro de terminologia arquivística (DBTA) como um “documento codificado em dígitos binários, acessível por meio de sistema computacional” (BRASIL, 2005, p.75). O mesmo dicionário (2005, p.75) traz a definição de documento eletrônico como “gênero documental integrado por documentos em meio eletrônico ou somente acessíveis por equipamentos eletrônicos, como cartões perfurados, disquetes e documentos digitais” (BRASIL, 2005, p.75). A definição da terminologia empregada nesta pesquisa considera a fotografia (documento) digital (codificado em dígitos binários, acessível por meio de sistema computacional) como sendo um documento eletrônico (gênero documental). A fotografia, enquanto um “documento arquivístico digital” é definida pelo e-Arq como “um documento arquivístico codificado em dígitos binários, produzido, tramitado e armazenado por sistema computacional” (CONARQ, 2006, p. 4). São exemplos de documentos arquivísticos digitais: textos, imagens fixas, imagens em movimento, gravações sonoras, mensagens de correio eletrônico, páginas web, bases de dados, dentre outras possibilidades de um vasto repertório de diversidade crescente.

Ogden (2001, p. 7-10) explica que a preservação em longo prazo dos materiais originais em meio eletrônico é dependente da tecnologia digital. O documento digital apresenta especificidades que podem comprometer sua autenticidade, uma vez que é suscetível à degradação física dos seus suportes, à obsolescência tecnológica de hardware, software e de formatos e a intervenções não autorizadas, que podem ocasionar adulteração e destruição. Somente com procedimentos de gestão arquivística é possível assegurar a autenticidade dos documentos arquivísticos digitais. As imagens digitais são legíveis por máquinas digitais. Por isso, é possível acessa-las e recupera-las automaticamente, seja localmente no computador onde está armazenada ou à distância, através de uma linha telefônica ou de uma rede de computadores. Por estarem digitalizadas, as imagens podem ser copiadas sem que haja uma diminuição da sua qualidade. Uma cópia legível por máquina, corretamente reproduzida a partir de uma imagem digital, e considerando a definição dos

equipamentos utilizados no processo, poderá ser sempre tão boa quanto a imagem digital original. Além da correção total na duplicação a imagem digital é facilmente editável. Manchas, fundos escuros e outras alterações são prontamente removidas de imagens digitalizadas. A informação digital é simplesmente uma corrente de zeros e uns, inexorável, indiferenciada e, essencialmente, sem sentido. Não é nem remotamente legível pelo olho humano, requer um esforço industrial internacional que é altamente competitiva e orientada por forças de mercado que solicitam continuamente maiores capacidades de armazenamento e processamento. Neste mercado, as necessidades dos arquivos e bibliotecas são totalmente irrelevantes. A tecnologia que lê o documento hoje será certamente substituída por outra. A informação digital tem que ser traduzida para ser entendida. Depois que um computador recupera a informação que comprime a imagem digital, ele precisa descomprimir a informação. Isto requer o conhecimento de como ela foi comprimida inicialmente para que o processo possa ser revertido. Uma vez descomprimida a imagem precisa ser traduzida para o monitor do computador ou para uma impressora. A linguagem de tradução de cada uma dessas etapas pode variar de uma linguagem digital para outra. A menos que se saiba a linguagem de tradução, a informação digital será sem sentido e inútil. A atual indefinição da sobrevida do disco ótico onde se encontra a informação digital é outro motivo de preocupação.

Para Conway (2001, p. 14-20) “preservação é a aquisição, organização e distribuição de recursos a fim de que venham a impedir posterior deterioração ou renovar a possibilidade de utilização de um seleto grupo de materiais”. O autor apresenta nove conceitos que formam a estrutura para uma abrangente perspectiva de preservação. Esses conceitos dizem respeito à: custódia, importância social, estrutura, cooperação, longevidade, escolha, qualidade, integridade e acesso. Conway (2001, p.22-28) diz que o conceito de preservação assumiu três novos significados à medida que bibliotecários e arquivistas vêm experimentando as possibilidades das tecnologias de formação da imagem digital: possibilitar o uso, proteger o item original, manter os objetos digitais.

Esse assunto não será aprofundado, já que o escopo desta pesquisa não é o tratamento da documentação eletrônica. O item 4.3 que trata do Projeto InterPARES complementa as questões de preservação do documento digital já apresentadas.