QUADRO BIOGEOFÍSICO DO CONCELHO
2. CONTEXTO GEOMORFOLÓGICO
2.3 A Geologia do Concelho
As mais antigas referências à constituição geológica do concelho de Gondomar, datam do séc. XIX, mais concretamente quando o alemão Barão de Eschwege (1833) se refere ao estudo da zona carbonífera de S. Pedro da Cova, indicando a sucessão dos terrenos desde a Foz até à Serra de Santa Justa1.
Toda a área do Norte de Portugal, da qual faz parte o concelho de Gondomar, se integra no Maciço Hespérico, isto é, numa área constituída por rochas consolidadas,
1 Serviços Geológicos de Portugal (1957) - Notícia Explicativa da Folha 9C - Porto, Carta Geológica de
Fonte: Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar. Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar (Dez. 2006). Caderno II – Informação de Base, p. 38.
Figura 42 – Modelo digital do Terreno do concelho de Gondomar.
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Fonte: Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar. Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar (Dez. 2006). Caderno II – Informação de Base, p. 39.
Figura 43 – Carta de declives do concelho de Gondomar.
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Fonte: Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar. Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar (Dez. 2006). Caderno II – Informação de Base, p. 40.
Figura 44 – Carta de Exposição Solar do concelho de Gondomar.
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Fonte: Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar. Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios do Município de Gondomar (Dez. 2006). Caderno II – Informação de Base, p. 41.
Figura 45 – Carta hidrográfica do concelho de Gondomar.
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Fonte: Soares, L. (2008) – A importância das formações superficiais no âmbito dos processos de erosão hídrica e movimentos de vertente no NW de Portugal.
Fig. 46 – Esboço simplificado das cristas quartzíticas de Valongo, salientando-se a influência da tectónica no traçado do meandro de Melres do rio Douro.
essencialmente, durante a orogenia Hercínica, cujos últimos impulsos tectónicos devem ter sucedido há cerca de três centenas de milhões de anos. Tal facto significa que, no essencial, as litologias presentes são pouco variadas e resumem-se, praticamente, a xistos, grauvaques e granitos, podendo ainda encontrar-se quartzitos que ajudam a definir alguns relevos como, por exemplo, as cristas quartzíticas das Serras de Valongo. Estas cristas devem a sua importância, não só, à sua dureza, como também ao facto de constituírem blocos soerguidos a partir de falhas situadas ao longo dos contactos litológicos (X. M. S. González, 1999).
O concelho de Gondomar é constituído, em quase toda a sua extensão, por terrenos, provavelmente, do Câmbrico Inferior, período em que ocorre a deposição de sedimentos do Caledónico, dando origem ao Complexo Xisto-grauváquico (L. Soares, 2008). A fig. 47, que se pretendeu simplificada mostrando apenas as formações principais, evidencia a predominância neste concelho, do Complexo xisto-grauváquico, ante-ordivícico e séries matamórficas derivadas. Os sistemas Silúrico, Ordovícico e Carbónico estão presentes na parte oriental do concelho e as formações graníticas a Noroeste, ladeadas pelo complexo xisto-grauváquico e por alguns depósitos de terraços fluviais. Estas mesmas formações, juntamente com as formações de areias e cascalheiras de praia e formações aluvionares, aparecem-nos junto dos principais cursos de água que atravessam e delimitam o concelho, respectivamente, rios Ferreira e Sousa e rio Douro.
As Formações aluvionares que incluem aluviões actuais e depósitos areno- argilosos de fundo de vales, ocupam, como já se referiu, uma área reduzida do concelho, destacando-se as extensas acumulações areno-argilosas ao longo dos vales dos rios Ferreira e Sousa, bem como, os “areinhos do Douro”, por vezes de grande extensão, situados quer em Melres, quer na Lomba.
As manchas correspondentes aos Depósitos de praias antigas e de terraços fluviais, não são abundantes na região e destacam-se pelas altitudes que apresentam. Os depósitos de 15-20 metros, encontram-se no Rodolho (Melres); Areiro (Lomba); Gramido (Valbom); Fontelhas (Fânzeres); Conchadas (Covelo) e em Portela do Carvalhal de Além, nas margens do rio Ferreira. A Norte de Covelo, nas margens do rio Sousa, aparece-nos um depósito de terraços com uma altitude de 30-40 metros.
Os depósitos de terraços de 80-90 metros estão representados pelas manchas de Valbom e da Cumeeira e por um pequeno retalho em Zebreiros (Foz do Sousa), enquanto que os que se encontram a uma altitude de 100-130 metros aparecem-nos na região da Foz do Sousa, mais precisamente no lugar da Fisga, Esposade e Ribeira de Baixo, em Sante (Lomba), e, um dos mais importantes, na Gandra (S. Cosme). Segundo A. Araújo (2004) este depósito apresenta elementos muito grosseiros e um intenso encouraçamento. Está rodeado, sobretudo, por granitos, de onde se destaca o relevo
Bagim do Monte Rio Tinto Fânzeres Valbom Gondomar (São Cosme) Jovim Foz do Sousa São Pedro da Cova
Covelo
Medas
Lomba Melres
Fonte: Estrutura Ecológica da Área Metropolitana do Porto. ICETA- Instituto de Ciências e Tecnologias Agrárias e Agro- alimentares, Porto, 2004 (Adaptado).
residual do Monte Crastro no Granito de Gondomar. Na margem do rio Ferreira, mais precisamente no lugar da Barraca (Jovim), também nos aparecem depósitos a uma altitude de 140-150 m. Por último, e a uma maior altitude, 150-170 metros, aparecem- nos dois depósitos de terraços no Outeiro da Igreja (Medas) que constituem o nível mais elevado dos terraços do Douro no concelho. Segundo A. Araújo (2004) e de acordo com J. Cabral (1995), os depósitos considerados mais altos (acima dos 100 m) deverão ser, em princípio, os mais antigos e os que estarão a sofrer movimentação há mais tempo, devido a esta área estar sujeita a um soerguimento mais ou menos contínuo. Constituirão os depósitos que A. Araújo (2004) considera da Fase I, pertencentes, provavelmente, ao Pliocénio. Já os depósitos de altitude inferior, corresponderão a depósitos da Fase II (transição do Pliocénio-Pleistocénico) e, a má calibragem e a existência de elementos de grande calibre nestes depósitos, citando como exemplo o depósito de Pedrinha (Valbom), levam a supor estarem os mesmos relacionados com um clima com tendência para a aridez, facto que originou, provavelmente, a torrencialidade destes depósitos (A. Araújo, 2004).
As Formações Graníticas são escassas e surgem-nos a NW do concelho. Na freguesia de Rio Tinto, rodeado por formações do complexo xisto-grauváquico, aparece-nos uma mancha que ainda pertence ao designado granito do Porto. É um granito alcalino, de grão médio a grosseiro, leucocrata e de duas micas. No lugar da Triana (Rio Tinto) este mesmo granito mostra-se um pouco porfiróide. Nas freguesias de Valbom e Jovim, também nos aparece uma mancha alongada de granito alcalino, este de grão fino a médio, mesocrata e de duas micas que se encontra parcialmente coberto pelo terraço da Gandra. Entre Gondomar e Lourinha (Rio Tinto) encontra-se uma faixa extensa, em forma de meia-lua, de um granito gneissico alcalino e granatífero. Esta rocha raramente se apresenta sã. Finalmente, ocupando o centro da cidade de Gondomar e, por isso mesmo, designado por granito de Gondomar, surge-nos um granito alcalino, de grão grosseiro e turmalínico. É neste tipo de granito que se constitui o relevo residual do Monte Crasto.
As Formações do Carbónico Continental e Eo-Devónico estão representadas no concelho por uma estreita faixa onde predominam os conglomerados, arcoses, xistos carbonosos e xistos amarelo-arroxeados com fósseis, quartzitos e grés friáveis intercalados. A faixa carbonífera que atravessa Gondomar pertence à extensa mancha da
Bacia Carbonífera do Norte de Portugal, que apresenta uma orientação NNW-SSE desde S. Pedro Fins (Maia), onde se inicia, até à Lomba (Gondomar), onde é interrompida, seguindo depois uma orientação, sensivelmente, WNW-ESE desde o Pejão (Castelo de Paiva) até Covas do Rio (S. Pedro Sul). A faixa carbonífera no concelho de Gondomar apresenta uma possança extremamente variável, com alargamentos e estrangulamentos sucessivos, variando entre os 350 metros em S. Pedro da Cova e apenas alguns metros em Belói. Alarga em Midões, atravessa o rio Sousa aparecendo na freguesia do Covelo, e estende-se com uma largura quase constante até à povoação da Lomba, depois de atravessar o rio Douro.
As camadas carboníferas repousam a Ocidente, sobre rochas do complexo xisto- grauváquico, enquanto que a Leste contactam com as Formações xistentas do Silúrico e do Ordovícico (fig. 47). Convém referir, a este propósito, que relativamente a esta faixa carbonífera do concelho, apresentamos uma leitura mais pormenorizada quando, no capítulo posterior, nos referirmos, concretamente, às minas de Gondomar. De qualquer forma e porque neste momento procedemos a uma caracterização geral, assinala-se que a série de conglomerados, por vezes em bancadas muito espessas, de arcoses e de xistos argilosos, inclui leitos de carvão antracitoso, que foi explorado em diversas minas no concelho de Gondomar, com particular destaque para as minas de S. Pedro da Cova e de Midões, actualmente inactivas.
As Formações xistentas do Silúrico aparecem no anticlinal deformado e falhado, ao longo do eixo, com estiramento de camadas. Aparecem camadas silúricas entre as formações xistentas do Carbónico continental e Eo-Devónico e as Formações xistentas do Ordovícico (fig. 47). Estas Formações do Ordovícico aparecem, por sua vez, no centro do anticlinal que é ocupado pelos xistos argilosos finos, escuros, ardosíferos, vulgarmente designados por xistos de Valongo.
As rochas do Complexo xisto-grauváquico ante-ordovícico e séries metamórficas derivadas, encontram-se, na sua maioria, profundamente metamorfizadas, sobretudo pela acção da granitização que originou os diversos tipos de granitos alcalinos. Já se referiu que esta mancha ocupa a maior parte da área do concelho de Gondomar (fig. 47). É constituída por xistos e grauvaques, que sofreram intensa metamorfização provocada pelos “granitos do Porto”, transformando-os em xistos
luzentes, micaxistos, gneisses, migmatitos, etc. Entre Fânzeres e S. Pedro da Cova, a metamorfização atenua-se, predominando, nesta área, os xistos argilosos e os grauvaques finos, que sucedem aos xistos estaurolíticos de Fânzeres (xistos de Fânzeres) e contêm assentadas de conglomerados interpostas. Os xistos de Fânzeres encontram-se na Serra de Fânzeres, Vale de Ferreiros, Formiga e Rapadas e as assentadas de conglomerados mais notáveis ocorrem na área da antiga mina de Montalto (Covelo) e em Tardariz (S. Pedro da Cova).
As características pedológicas referentes ao concelho que a seguir de analisam, estão, obviamente, relacionadas quer com a morfologia, quer com as características geológicas acabadas de analisar.