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A Gestão e a Imagem Ambiental do Grupo Cosan

4.2 O Grupo Cosan

4.2.1 A Gestão e a Imagem Ambiental do Grupo Cosan

No website do Grupo Cosan e também da joint venture Raízen estão divulgada a Gestão Ambiental e suas ações através deste texto:

O crescimento sustentável dos negócios depende de uma relação equilibrada com o meio ambiente. A Cosan tem como um dos pilares a responsabilidade ambiental e desenvolve trabalhos que buscam a sustentabilidade e a melhoria contínua dos processos.

Todas as ações de caráter ambiental desenvolvidas pela Cosan são implementadas de acordo com a legislação vigente e as políticas internas da Companhia.

As ações da Cosan visam ainda à conscientização de seus colaboradores, suas famílias e a comunidade de uma forma geral sobre a importância da redução, reutilização e reciclagem de itens que serão descartados, além de reforçar a utilização racional e consciente dos recursos naturais.

Pioneira na aderência ao Protocolo Agroambiental, assinado junto às Secretarias de Meio Ambiente e Agricultura, a Cosan vem atendendo as diretivas técnicas estabelecidas, inclusive quanto aos prazos para a eliminação da queima da palha da cana-de-açúcar. (COSAN, 2011).

Atualmente o Grupo adotou como divulgação a Gestão ambiental inserida no conceito de sustentabilidade utilizando o modelo de relatório de sustentabilidade GRI. O grupo tem 3 Relatórios de Sustentabilidade publicados 2010, 2011 e 2012:

Nosso modelo de gestão inclui práticas responsáveis, que a posiciona como um agente transformador na busca de soluções que equilibrem as relações com a sociedade e o meio ambiente [...] Seguindo este caminho, publicamos pelo segundo ano consecutivo nosso relatório de sustentabilidade, que reforça nosso compromisso com a transparência na condução deste tema. Ele está de acordo com as diretrizes da versão G3 da GRI (Global Reporting Initiative), padrão internacional utilizado por mais de 3 mil organizações em todo o mundo (COSAN, 2012).

O grupo Cosan possui diversas empresas, cada uma delas mantêm uma estratégia de comunicação e publicidade diferentes. Os relatórios de sustentabilidade 2010 e 2011 trazem informações da Cosan S.A. Indústria e Comércio, que inclui a Cosan Açúcar e Álcool, a Cosan Alimentos, a Cosan Combustíveis e Lubrificantes, a Rumo Logística e Radar Propriedades Agrícolas.

Nesta dissertação, trouxemos informações dos relatórios 2010 e 2011 relacionados à produção do etanol.

As críticas ambientais e sociais recebidas pelo setor sucroenergético também atingem o Grupo Cosan que as responde. Ao mesmo tempo em que passa por denúncias e mostra uma Gestão ambiental reativa, o Grupo Cosan parece esforçar- se para reconstruir sua imagem, atestar boas práticas e parecer proativo.

Em relação à expansão da cultura da cana-de-açúcar, em seu documento Cosan Day 2011, citando como fonte a UNICA, a Raízen traz possíveis áreas para expansão do cultivo de cana-de-açúcar no Brasil, contabilizando 114,18 milhões de hectares de terras disponíveis para o cultivo. Notamos no mapa, áreas muito próximas à floresta amazônica.

Figura 7 - Mapa de possíveis áreas para expansão do cultivo da cana-de-açúcar. Fonte: Cosan (2011)

Diante da preocupação com a expansão do cultivo de cana-de-açúcar e com os impactos associados, Jorma Olila, presidente do Conselho da Shell, integrante da

Joint Venture Raízen, declarou: "O único investimento em etanol de primeira

geração que autorizamos é no Brasil, onde não irá interferir com a produção de alimentos ou afetar a integridade das florestas" (UNICA, 2011, p. 6).

Em seus relatórios de Sustentabilidade 2010 e 2011 a Cosan diz seguir o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, porém questiona o zoneamento no que diz respeito à restrição da expansão do plantio para algumas áreas agrícolas e de pasto já estabelecidas. E traz como dado que a pecuária ocupa no Brasil uma

área equivalente a cerca de 40% das terras agricultáveis, e a produção de cana-de- açúcar ocupa cerca de apenas 2%. A Cosan entende que o pasto, no País, será menos extensivo em terras, possibilitando assim a expansão do cultivo de cana-de- açúcar nestas áreas (COSAN, 2010, p. 27; 2011 p. 50). Cabe destacar que a empresa Radar Propriedades Agrícolas, integrante do Grupo Cosan, visa adquirir, administrar e monitorar por meio de sistema de geomonitoramento, terras produtivas, estando atenta à procura e a valorização das terras agricultáveis no Brasil.

Dentro do contexto de expansão da cana-de-açúcar, o Grupo Cosan foi acusado pelo Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul em 2010 de adquirir cana-de-açúcar cultivada de forma ilegal em terras indígenas. Neste mesmo ano, a

Cosan, de acordo com a notícia “PARCERIA Shell - Cosan desiste de comprar cana

de terras indígenas” publicada pelo Jornal Estadão, negou ser proprietária das lavouras nestas terras, mas admitiu que comprava cana destes locais desde 2008 de um fornecedor da região de Dourados, a Nova América S.A. Agrícola. Também em 2010, ainda segundo a mesma notícia, a ONG Survival International criticou a Joint

Venture com a Shell, alegando que esta fusão iria agravar a situação em que se

encontravam as terras indígenas. Para a ONG quase todas as terras dos índios guaranis foram roubadas para dar lugar a criações de gado e plantações de soja e de cana-de-açúcar, ainda segundo a ONG, os índios sofrem ataques cada vez que tentam voltar a suas terras e tem seus líderes assassinados por pistoleiros.

Em 2011, foi lançado o documentário “À sombra de um delírio verde”, o filme foi realizado em parceria entre Argentina, Bélgica e Brasil e retrata o povo indígena Guarani-Kaiowá, no estado do Mato Grosso do Sul. Relata o contexto de trabalho escravo e ampliação do agronegócio, e do agronegócio da cana-de-açúcar e disputas por terra e liberdade (BLOG DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, 2012).

Em 2012, a então Raízen assinou um Termo de Compromisso de Cooperação com o Ministério Público Federal em conjunto com a Fundação

Nacional do Índio–FUNAI, comprometendo-se a:

a) suspender, em caráter definitivo, até o prazo máximo de 25 de novembro de 2012, a aquisição, para sua unidade produtora (usina) situada no Município de Caarapó, estado do Mato Grosso do Sul, de cana-de-açúcar oriunda de áreas já declaradas, por meio deportaria do Ministro de Estado da Justiça, como terra indígena, nos termos do art. 2°, §10, I do Decreto n.o 1775/96, bem como se abster de promover a utilização, nessa mesma unidade produtora, de cana-de-açúcar oriunda de áreas que, de igual modo, ainda venham a receber a mesma qualificação; e

b) estipular, nos contratos que venha a celebrar com vistas à aquisição de cana-de-açúcar para sua unidade produtora (usina) situada no Município de Caarapó, condições que obriguem suas contratadas a respeitar os direitos das comunidades indígenas, especialmente aqueles consagrados na Constituição federal, na Lei no. 6.001, de 19 de abril de 1973 (Estatuto do índio) e na Convenção no169 da Organização Internacional do Trabalho (promulgada no Brasil pelo Decreto no 5.051, de 19 de abril de 2004), objetivando-se a garantia do atendimento dos requisitos necessários à proteção e promoção dos direitos das comunidades indígenas. (TCC-MS, 2012).

Após a assinatura deste termo, segundo a notícia “PARCERIA Shell-Cosan

desiste de comprar cana de terras indígenas” publicada pelo Jornal on line Estadão, a ONG Survival International considerou a ação da Raízen como "histórica", “excelente” e “exemplo” para outras empresas.

Com relação ao desmatamento, destruição de mata ciliar e uso da água, de acordo com a notícia “COSAN começa a desfazer drenos na região das represas” publicada pelo Jornal Diário de Santa Bárbara d´Oeste, empresas do Grupo foram denunciadas em 2003 ao Ministério Público pela Associação Pró Ambiente de Santa Bárbara d’Oeste - SP e por proprietários rurais que as acusavam de ter construído drenos em rios e lagoas a fim de aumentar sua área de plantio. Após cinco anos de processo, órgãos como o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) e o Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais (DEPRN), apontaram consequências graves causadas pelos drenos e determinaram a necessidade de sua destruição.

Ainda de acordo com a notícia, além do fechamento dos drenos, a Justiça determinou em setembro de 2008 também o prazo de 180 dias para medição, demarcação e averbação da reserva florestal legal de 20% da área dos imóveis rurais atingidos e prazo de 60 dias para apresentação ao DAEE e DEPRN de projeto de recuperação ambiental, considerando o mapa da área de inundação futura com a proposta de recuperação da área de preservação permanente. As empresas então teriam dois anos para a recomposição da cobertura florestal das áreas de preservação permanente e da reserva legal das fazendas.

Na época a empresa recorreu e no acórdão de agravo de Instrumento n° 823.58 6-5/2-00 a jurisprudência não foi favorável à empresa, no acórdão consta que

a Cosan “e suas alegações deixam claro que se opõem à redução da área de cultivo

áreas inundáveis e às vegetações de preservação permanente” (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO, 2008, p. 4).

O Grupo havia indicado áreas em outras cidades para implementar medidas de compensação dos impactos ambientais provocados pelo plantio de cana-de- açúcar em Santa Bárbara d´Oeste-SP, porém isto não foi aceito pela justiça e a empresa foi obrigada, em 2011, a elaborar um novo projeto contemplando uma reserva legal de 20% da área das fazendas Areia Branca e São Luiz, onde mantém plantio. O plano deve ser aprovado pelo DEPRN, além de ter que passar por análise pela promotoria do Meio Ambiente de Santa Bárbara d´Oeste -SP (DUARTE, 2011, p. 1).

Em seu relatório de sustentabilidade 2011, a Cosan afirma seu compromisso com a preservação de mata ciliar dizendo que esta preocupação pode ser

demonstrada pela “superação das metas de recuperação de matas ciliares das

nascentes em áreas próprias da empresa” (COSAN, 2011, p. 50).

Em 2010, a Cosan firmou parceria com a Prefeitura Municipal de São Pedro- SP para recuperação de nascentes no município, o projeto reflorestou duas nascentes em uma área de 4,4 hectares, sendo 5 mil mudas de árvores plantadas e áreas de preservação permanente cercadas. O objetivo do projeto era reflorestar mais três nascentes e transformar 3,3 hectares em área de preservação permanente em uma ação de plantio e educação ambiental, que envolveu os alunos da rede municipal de ensino de São Pedro-SP (PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PEDRO- SP, 2010).

O relatório de sustentabilidade 2010 p.27 aponta que na safra 2009/2010 a Cosan havia atingido 48,72 ha de mata ciliar de nascentes recuperados superando a meta determinada pelo Protocolo Agroambiental de 13,20 ha. Ainda segundo o relatório a Cosan, entre 2004 e 2010, plantou 1,1milhão de mudas de árvores e investiu cerca de R$ 12,5 milhões em ações de preservação, bem como elaborou em conjunto com pesquisadores e consultoria uma metodologia de levantamento de fauna e flora para demarcação de reserva legal. Aqui percebemos que o relatório tem a preocupação em atestar a melhoria contínua das ações ambientais da Cosan.

Ao mesmo tempo em que divulga dados de preservação, o Grupo é denunciado por destruição a áreas de preservação permanente. Em 2010, a organização não governamental Econg enviou a Procuradoria Regional de Justiça de Araçatuba, denúncias contra a Cosan unidade Andradina-SP. Para a ONG a

usina peca pela falta de segurança na queima dos canaviais, destruindo área de preservação permanente próximo à cidade de Castilho-SP. A ONG denuncia ainda que, após a queima, a usina ao invés de colher a cana com trabalhadores e corte manual, colheu a cana com máquinas colheitadeiras (ECONG, 2010, p. 1).

Na safra 2009/2010, o Grupo Cosan pagou R$ 1,8 milhão em multas referentes a queimadas ocorridas em lavouras próprias e de terceiros. A Cosan justificou estas ocorrências alegando que muitos destes canaviais estão próximos a

áreas urbanas e rodovias, deste modo para a empresa “a brasa de um cigarro ou um

caco de vidro pode ser suficiente para iniciar o fogo em palha seca, em especial se

houver baixo nível de umidade do ar” (COSAN, 2010, p. 29).

Em relação à realização da queima da palha, a Cosan em seu relatório de sustentabilidade 2011 declara que estabeleceu metas mais desafiadoras do que propõe o Protocolo Agroambiental, o grupo se compromete que até 2014, em 100% das áreas de cana de sua propriedade cuja declividade seja de até 12%, a colheita deverá ser feita sem a queima da palha. No ano-safra 2010/11, o Grupo atingiu 79% de colheita mecanizada, ou seja, acima da meta do protocolo que previa 70% até 2011(COSAN, 2011, p. 27).

Sobre a geração da vinhaça e torta de filtro a Cosan traz em seus relatórios de sustentabilidade que estes produtos não mais são considerados resíduos e são aproveitados integralmente na Fertirrigação, assim como a terra de lavagem de cana e cinza de caldeiras. Traz ainda que está investindo na concentração da vinhaça para maior rendimento, na Usina Costa Pinto (SP) “foram produzidos 65 mil m³ de vinhaça concentrada, o que levou a uma economia de 10 mil toneladas de fertilizantes sintéticos, além do reaproveitamento de 580 mil m³ de água proveniente desse processo” (COSAN, 2011 p. 40). O bagaço de cana é utilizado na cogeração de energia, na safra 2009/2010 foram 11,8 milhões de toneladas geradas e utilizadas na produção de energia (COSAN, 2010, p. 38).

Quanto ao uso de agrotóxicos, a Cosan traz em seu relatório de sustentabilidade 2011 que diminui este uso através do controle biológico de pragas. Em relação à proteção do solo o mesmo relatório afirma que o Grupo segue as diretrizes do Protocolo Agroambiental com um plano técnico para esta proteção.

A Cosan também traz em seu relatório 2011 as multas por ela recebidas na safra 2010/2011, mas não especifica os temas, no total foram R$ 3.097.497,15 em

multas emitidas pela Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN) e pela CETESB, além de nove advertências não monetárias. Neste período a empresa firmou 28 acordos voluntários perante os órgãos ambientais e promotorias de Justiça (COSAN, 2011, p. 49).

Em 2008, a Cosan aumentou seu quadro de funcionários na área ambiental. Em junho de 2009, o grupo divulgou em seu relatório anual de administração e demonstração financeira o intento de certificação ambiental ISO 14001 de suas

operações e a continuação de projetos ambientais já em andamento pelo grupo13.

Em 2011, no Website da Raízen foram listadas normas seguidas pelo Grupo, entre elas a ISO 14001. Também neste ano, a unidade de Maracaí-SP da Raízen foi a primeira a ser certificada BONSUCRO. A empresa pretende até 2018 certificar 100% do volume de cana processada em suas unidades (COSAN, 2011, p. 36). O grupo investiu em saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade R$ 8,8 milhões no primeiro trimestre de exercício social de 2011 (Abril, Maio e Junho de 2010) e R$ 4,1 milhões no primeiro trimestre de exercício social 2012 (Abril, Maio e Junho de 2011).

No primeiro trimestre de exercício social de 2012 a Cosan possuía 940,8 milhões em provisões para demandas judiciais. As principais demandas judiciais são as demandas tributárias como encargos de impostos, trabalhistas como indenização por danos materiais e morais, ações por ex-empregados e empregados de prestadores de serviços que questionam, entre outros, o pagamento de horas extras, adicional noturno e de periculosidade, reintegração de emprego, etc. e ambientais como ações civis públicas para abstenção de queima de palha de cana- de-açúcar e demais execuções de natureza ambiental (COSAN CARTA FINANCEIRA, 2012, p. 33; COSAN INFORMAÇÕES TRIMESTRAIS, 2012, p. 42).

Quanto às críticas sociais e econômicas, em 2012, o controlador do grupo Cosan, Rubens Ometto, recebeu acusação de ter obtido informação privilegiada e então ganhar com operações feitas com as ações da empresa em 2007 (VALENTI, 2012, p. 1).

Em 2005, um trabalhador rural do grupo Cosan morreu durante o trabalho.

Segundo reportagem “A MORTE Cansada”, publicada pelo Jornal Folha de São

Paulo, o Ministério do Trabalho informou que o óbito ocorreu nos períodos de maior

produtividade, com picos alternados. O grupo, no entanto, afirmou que cumpre a legislação trabalhista.

Em janeiro de 2009, de acordo com reportagem publicada pelo Jornal O Estado de São Paulo de autoria de Porto, o grupo foi acusado pelo Ministério Público de irregularidades. A denúncia foi a contratação de empresas de fachada para administrar o corte de cana-de-açúcar em lavouras no interior de São Paulo. Considerada ilícita pelo fato de formar vínculo trabalhista diretamente com o tomador de serviços, sem este arcar com os encargos, a prática visaria controlar a matéria- prima destinada à uma das empresas do grupo. A empresa negou as possíveis irregularidades apontadas (PORTO, 2009, p. 1). Em junho de 2009, o grupo assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho para cessar descontos salariais irregulares (MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO, 2009).

Conforme reportagem da Revista Página 22 “O CASO Walmart e Cosan”, em

janeiro de 2010, o grupo conseguiu liminar para a retirada de seu nome da “lista suja” do Ministério Público do Trabalho. O juiz avaliou que o relatório a respeito das atividades do grupo aponta "indícios" e não "conclusões inequívocas" de prática análoga à escravidão. Considerou, porém, que o grupo corria riscos iminentes de prejuízo, uma vez que o BNDES suspendera as operações de crédito para o grupo e clientes solicitaram esclarecimentos sobre o caso. Mais tarde, a rede de supermercados Walmart disse estar suspendendo as compras de produtos do grupo. O grupo alega que a empresa, que prestava serviços para a usina, era responsável pelos trabalhadores. Diz ainda que, assim que tomou conhecimento do fato, excluiu- a da sua lista de fornecedores (CIRILO JUNIOR, 2010, p. 1).

Em seu relatório de sustentabilidade 2010, a Cosan traz sua versão dos fatos sobre este episódio alegando que recebeu 13 multas em 2007 pelo que chamou de “meras irregularidades trabalhistas” e ressalta que o caso envolvia terceiros e que excluiu estes fornecedores. Alega não ter sido notificada em 2009 a respeito da inclusão na lista suja do Ministério do Trabalho, ressalta ainda que foi excluída desta lista e que assinou dois termos de ajustamento de conduta perante o Ministério

Público do Trabalho referentes a “questões trabalhistas identificadas em anos

anteriores, e arcará com custos da ordem de R$ 3,4 milhões para assegurar que produtores terceirizados, fornecedores de cana, adotem melhores práticas de

Em seu Website a Cosan declara que procurando garantir um trabalho seguro em todas as suas atividades, o grupo possui um Sistema de Segurança, Saúde e Meio Ambiente, que inclui treinamentos e palestras a seus colaboradores e faz uso

dos Equipamentos de Proteção Individual – EPI, análise e controle dos incidentes.

Dispõe também de ginástica laboral, realizada como forma de preparação para a jornada de trabalho, que evita o aparecimento de doenças ocupacionais, melhorando a qualidade de vida dos envolvidos (COSAN, 2009).

Em 2009, a Usina da Barra unidade Cosan em Barra Bonita foi local da manifestação de mulheres da Via Campesina como parte da jornada nacional de lutas “Mulheres camponesas na luta contra o agronegócio, pela Reforma Agrária e

soberania alimentar”. Para o movimento, o grupo Cosan não cumpre seu papel

social e traz impactos para o ambiente, as terras então estariam em desacordo com a Constituição Brasileira, por isso deveriam ser destinadas para a reforma agrária (MST, 2009, p. 1). Nesta manifestação, a Cosan foi ainda acusada de usar violência para a retirada das mulheres em sua reintegração de posse (MST, 2009, p. 1).

Outro capítulo que gera críticas ao Grupo é a Joint Venture Raízen, ao se associar com a petrolífera Shell o grupo encontrou pressão de setores da sociedade. Além das críticas recebidas da ONG Survival International em suas ações com as terras indígenas guaranis em Caarapó- MS, a ONG Greenpeace trouxe em seu blog uma série de opiniões de seus seguidores com a pergunta Cosan + Shell = preocupação. A preocupação foi impulsionada por denúncias sofridas pela Shell que, em 2009, teve que se apresentar diante de um tribunal holandês para se responsabilizar pela poluição de terras agrícolas na Nigéria (STEFANO, 2009, p. 1). A Shell também tem seu nome envolvido em violações de Direitos Humanos na Nigéria, tanto participação na ditadura militar quanto solicitando a intervenção policial e militar aos que se opõem e protestam contra as atividades petrolíferas naquela região. Ativistas ambientais foram presos e muitos deles assassinados (ALIER, 2011, p. 148-154).

Em 2011, a ONG Rede Social de Justiça e Direitos Humanos lançou o documento: “Monopólio da produção no Brasil: a fusão Cosan-Shell”, que faz críticas as ações do grupo Cosan, afirmando que a fusão segue o contexto de latifúndios, beneficiando-se com a não realização de reforma agrária. Afirma ainda que a expansão do monocultivo de cana causa destruição ambiental na medida em que pressiona áreas como Cerrado, Pantanal e Amazônia e causa especulação