1.4. Importância da existência de uma estratégia de Gestão Integrada das Zonas
1.4.2. A Gestão Integrada das Zonas Costeiras (GIZC)
1.4.2.1. As várias interpretações do que deve ser a GIZC
A boa gestão das zonas costeiras pode assumir múltiplas formas e variadas interpretações. Assim, passemos a analisar várias visões sobre o que é ou deve ser, a Gestão Integrada das Zonas Costeiras.
De acordo com Martins (1997), quando falamos em Gestão Integrada das Zonas Costeiras, estamos a referir-nos a um processo:
• Que promove o desenvolvimento e uso sustentado das zonas costeiras;
• Dinâmico na medida em que é capaz de reagir a todas as mudanças esperadas ou não;
• Que pretende fornecer uma estrutura de actividades de planeamento que devem ser postas em prática continuadamente de forma a poder atingir-se uma correcta e adequada gestão costeira;
Capítulo 1 – Riscos associados às zonas costeiras
37 • No qual as populações e as autarquias locais têm um papel muito importante na medida em que conhecem muito bem o “terreno” e as necessidades de quem aí reside;
• Que deve ser sujeito a monitorização de forma a permitir analisar a forma como está a decorrer a sua implementação, ou seja, para ver se tudo está a correr de acordo com as expectativas e poderem ser efectuados os ajustes necessários.
Conforme a Estratégia Europeia de Gestão Integrada das Zonas Costeiras (1999), a GIZC deve ser um método genérico que:
• Promova a gestão sustentável das zonas costeiras, isto é, que vise atingir o máximo bem possível, a longo prazo, para a sociedade, contendo preocupações de várias naturezas;
• Fomente a justiça social, preocupando-se em conseguir uma distribuição, o mais justa possível, das oportunidades quer para a população presente quer para as gerações vindouras;
• Procure equilibrar os benefícios:
Do desenvolvimento económico e das utilizações humanas da zona costeira; Que advêm da protecção, preservação e restauração das zonas costeiras; Da minimização da perda de vidas humanas e de bens;
Do acesso e usufruto públicos das zonas costeiras mas, tendo em atenção os limites impostos pela dinâmica e capacidade de carga naturais;
• Seja integrado no sentido de promover a incorporação de todas as áreas envolvidas no processo em causa;
• Envolva todo o ciclo de recolha de informação, planeamento, tomada de decisões, gestão e acompanhamento da execução;
Segundo o Parecer do Comité das Regiões (2000), a Gestão Integrada das Zonas Costeiras é um processo:
• Contínuo pelo qual se procura, através de uma gestão eficiente e integrada:
Manter e estabelecer a utilização e desenvolvimento sustentável dos recursos costeiros, de forma a melhorar a qualidade de vida das populações que deles dependem;
Manter a biodiversidade e a produtividade dos ecossistemas costeiros e melhorar a qualidade do ambiente costeiro;
De coordenação e cooperação entre todos os intervenientes nas zonas costeiras, desde o Estado até às populações locais;
Cujas soluções variam de zona para zona, de acordo com as especificidades de cada uma delas, apesar de os seus problemas poderem ser comuns; Cujo nível de gestão deve reflectir a importância dessas zonas; Que exige recursos para poder ser implementada.
Na perspectiva de Monteiro e Lopes (2000), a GIZC justifica-se perante a necessidade de conciliar a salvaguarda e protecção dos valores e dos recursos naturais com a respectiva utilização pública mas, respeitando o equilíbrio ecológico costeiro. A intervenção no litoral deve:
• Abranger a conservação dos recursos;
• Abarcar o desenvolvimento deste espaço e do território envolvente; • Conter todos os factores e recursos que interagem nesse espaço. É deste modo que, segundo os autores, se deve analisar a gestão integrada.
De acordo com o Centro de Desenvolvimento Sustentável para as Zonas Costeiras (2004), a implementação da GIZC deve ter em conta três aspectos essenciais:
Capítulo 1 – Riscos associados às zonas costeiras
39 • Participação de todos os intervenientes na zona costeira quer sejam do sector
público ou privado;
• Coordenação entre os objectivos das diferentes entidades que intervêm nesta zona, de forma a evitar que cada uma actue por si;
• Integração dos interesses dos vários intervenientes de modo a que o desenvolvimento seja só um.
A Gestão Integrada das Zonas Costeiras implica a realização de trabalho a vários níveis: • À administração central cabe a definição e coordenação dos programas;
• À administração regional cabe a realização dos programas de acção; • À administração local cabe a implementação dos programas no terreno.
Em suma, a GIZC deve ser um processo evolutivo, não só capaz de resolver os problemas presentes, mas suficientemente flexível para se adaptar aos problemas que possam surgir de forma imprevista, num futuro incerto. Um grande desafio poderá decorrer do risco provocado pelas alterações climáticas que certamente causarão novos problemas às áreas costeiras e trarão mais dificuldades na sua gestão (Comissão Europeia, 2001).
1.4.2.2. Os objectivos da GIZC
Os grandes objectivos da GIZC podem, segundo o Centro de Desenvolvimento para as Zonas Costeiras (2004), definir-se da seguinte forma:
• Reforço do conhecimento sobre o funcionamento dos sistemas que envolvem recursos naturais e que são únicos nas zonas costeiras, bem como a sua sustentabilidade dentro do contexto de uma grande variedade de actividades humanas;
• Optimização do uso múltiplo dos recursos naturais dos sistemas costeiros através da integração de informação sobre aspectos ecológicos, sociais e económicos;
• Promoção de abordagens interdisciplinares, cooperação e coordenação intersectorial na abordagem de problemas de desenvolvimento complexos e na formulação de estratégias integradas para a expansão e diversificação de actividades económicas;
• Promoção do princípio do desenvolvimento sustentável e protecção da biodiversidade como parte do mesmo binómio;
• Promoção do princípio da igualdade de direito de acesso aos recursos naturais, em especial por parte de quem deles depende na totalidade, na geração presente, e promoção da equidade entre gerações;
• Assistir os governos e decisores a melhorar a eficiência e aproveitamento do investimento de capital, assim como dos recursos humanos e naturais, em atingir os seus objectivos económicos, sociais e ambientais, assim como cumprir as obrigações internacionais respeitantes ao ambiente marinho e costeiro.