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D: Discursos; E: Estilos.

2.2.3. A Gramática do Design Visual

Visto o debate nos tópicos anteriores, situamos a imagem como modo de representação semiótica, logo, uma prática discursiva e social, passível de análise sistematizada. Para nós, as imagens “produzem e reproduzem relações sociais, comunicam fatos, divulgam eventos e interagem com seus leitores com uma força semelhante a de um

texto formado por palavras” (FERNANDES e ALMEIDA, 2008, p.11).

Conforme os princípios da Semiótica Social e da LSF, Gunther Kress e Theo van Leeuwen propõem a Gramática do Design Visual (GDV), a fim de demonstrar a organização sintática própria das imagens. Assim como a gramática da linguagem descreve as possíveis combinações verbais, a GDV pauta-se na descrição das maneiras como elementos descontínuos – objetos, pessoas e lugares – podem ser estruturados visualmente, e cuja articulação corrobora para a construção de significados específicos, em um dado contexto de representação visual.

O arcabouço teórico-metodológico proposto na GDV é elaborado segundo a perspectiva multifuncional da linguagem, em que Kress e van Leeuwen (2006) estabelecem os eixos de análise conforme as metafunções sociais:

38 Metafunções Halliday Metafunções Kress e van Leeuwen Descrição:

Ideacional Representacional Refere-se à construção visual dos eventos, objetos, participantes e as

circunstâncias em que ocorrem.

Indica o que nos está sendo mostrado, o que se supõe esteja „ali‟, e quais relações entre os elementos apresentados.

Interpessoal Interativa Refere-se à relação entre os participantes, entre quem vê, e o que é visto.

Textual Composicional Refere-se à estrutura e ao formato do texto, aos significados obtidos através da distribuição da informação ou ênfase relativa entre os elementos da imagem.

Quadro 05: Metafunções;

Fonte: Fernandes e Almeida (2008).

Os autores admitem, logo no início da gramática, os limites impostos às pesquisas em Semiótica Social, em função da natureza do corpus recolhido. Entre as dificuldades eles citam a análise tele-fílmica, sendo esta justamente o foco concernente desta pesquisa. A GDV é uma proposta inicialmente voltada para interpretação crítica de imagens estáticas, mas, os autores ressalvam; isso não significa que suas categorias analíticas não possam ser integradas à análise de imagens em movimento.

Dessa forma, são descritas categorias específicas relativas a cada metafunção; representacional, interativa e composicional, propostas por Kress e van Leeuwen (2006), e sintetizadas por Fernandes e Almeida (2008), como pode ser visto no Quadro 6, ao final deste Capítulo.

Obviamente, trata-se de uma descrição bastante resumida, visto a complexidade de todo o projeto desenvolvido para a GDV. Para descrições mais detalhadas acerca das categorias analíticas, indicamos ver Kress e van Leeuwen (2006), Fernandes e Almeida (2008), Natividade e Pimenta (2009) e Souza (2012).

Reafirmamos que a GDV constitui uma importante ferramenta, tanto para a produção, quanto para a interpretação de textos multimodais, baseada na compreensão de que as imagens, como práticas discursivas e sociais, são espaços e meios de construção de relações e identidades, sistemas de conhecimento, valores e crenças.

39 Metafunção Descrição das categorias referentes a cada metafunção

Ideacional/ Representacional

Narrativa: Refere-se a eventos

sociais, em que os participantes estão inseridos. A relação entre os elementos representados é estabelecida por um ator, e uma meta.

Linguisticamente, essas ações são representadas por verbos, que correspondem a processos diversos.

Imageticamente, essas ações são indicadas por um vetor, o qual direciona o olhar para um determinado ponto da imagem.

Ação:

O participante representado é o ponto de onde parte o vetor, em direção à meta.

Não Transacional:

Apresenta um participante, o ator. Meta não representada.

Transacional:

Apresenta pelo menos dois participantes, ator e meta.

Bidirecional:

Apresenta dois participantes, e ambos são ator e meta.

Reação:

O ator, tido como reator, reage a algum fenômeno.

Não Transacional:

Um reator é representado. Seu olhar dirige-se para fora da imagem.

Transacional:

O olhar do reator dirige-se para o fenômeno, que está na imagem.

Verbal/ Mental: O participante está ligado a um balão,

representando sua fala ou pensamento.

Conversão: A comunicação é apresentada como um

círculo, um ciclo.

Conceituais:

Refere-se à representação de elementos em termos de classe.

Classificacional: Os participantes se relacionam entre si de

forma taxionômica, subordinada.

Analítico: Apresenta o portador e o atributo. Nesse tipo de

representação o atributo identifica o portador.

Interpessoal/ Interativo

Olhar:

Determinado pelo vetor que se forma entre os olhares do participante e o do leitor.

Demanda: O participante olha diretamente para o

observador.

Oferta: O participante não olha para o observador. É

oferecido como objeto a ser contemplado.

Distância Social:

É a exposição do participante perto ou longe do leitor.

Plano Fechado/ Close up: Inclui a cabeça e os ombros do

participante.

Plano Médio: Inclui o participante até a altura dos joelhos. Plano Aberto: Inclui o participante por inteiro.

Perspectiva:

Ângulo em que os participantes são mostrados.

Ângulo frontal: Participante visto de frente.

Ângulo Oblíquo: Participante visto de forma enviesada. Ângulo Vertical: Participante visto de cima, ou de baixo. Modalidade:

Mecanismo de representação da realidade.

Naturalística: Representação próxima ao real. Abstrata: Representação essencial, sem detalhes. Tecnológica: Representação prática.

Sensorial: Representação associada ao efeito de sensações.

Textual/ Composicional

Valor da Informação:

É o local em que o participante ocupa na imagem.

Dado/ Novo: Disposição à esquerda e à direita. Ideal/ Real: Disposição acima e abaixo.

Centro/ Margem: Disposição entre o meio e as laterais. Saliência: Refere-se à ênfase aos participantes, seja por cor, brilho, textura.

Estruturação: Refere-se ao modo como os elementos estão conectados na imagem.

Quadro 06: Metafunções e categorias analíticas da GDV;

Fonte: Kress e van Leeuwen (2006); Fernandes e Almeida (2008).

O próximo capítulo é dedicado à abordagem teórica sobre identidades, desenvolvida no âmbito dos Estudos Culturais, assim como à reflexão de Judith Butler sobre a heteronormatividade.

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Capítulo 3