1 REFERENCIAL TEÓRICO
1.3. A HISTÓRIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL NO BRASIL
O verbo orientar pode ser sinônimo de guiar, nortear, encaminhar, direcionar, além de aconselhar, estimular, ensinar e instruir. De acordo com Santos (1980) a Orientação Educacional pode ser compreendida como um conjunto de estratégias que considera a pessoa que será orientada em sua totalidade o que exige conhecimento sobre a pessoa, sobre sua realidade geográfica e sócio histórica além de um arcabouço teórico de diferentes áreas do conhecimento, ou seja, um conhecimento interdisciplinar.
No Brasil a Orientação Educacional teve origem na década de 1930 com o advento das escolas técnicas a partir dos referenciais norte-americanos de orientação profissional (PIMENTA, 1988). Roberto Mange, engenheiro suíço, iniciou a Orientação Educacional em 1924. Ele criou o serviço de seleção e orientação profissional para os alunos do curso de mecânica. Em 1931, Lourenço Filho criou, em São Paulo, o primeiro serviço público de orientação profissional no Brasil.
Para Pimenta (1988) como a Orientação Educacional nas décadas de 1930-40 incluía a ajuda na escolha profissional do adolescente, esta
possibilitou uma ajuda na ordenação da sociedade brasileira. Ainda segundo a autora as Leis Orgânicas do Ensino referentes ao período de 1942 a 1946 citam a Orientação Educacional, porém não havia cursos especiais para sua formação, este era apenas considerado um cargo técnico dentro da educação. A primeira menção a cargos de orientador nas escolas estaduais se deu pelo Decreto n. 17.698, de 1947, referente às Escolas Técnicas e Industriais.
Em 1958, o MEC regulamentou de forma provisória a função e o registro de Orientação Educacional, pela Portaria n. 105, de março de 1958, tendo ela permanecido provisória até 1961, quando a LDB 4.024 veio regulamentar a formação do Orientação Educacional, cujo artigo primeiro afirmava que a
Orientação Educacional se destina a assistir ao educando, individualmente ou em grupo, no âmbito das escolas e sistemas escolares de nível médio e primário,
No ano de 1971, já durante o período de ditadura militar, a LDB 5.692/71, institui que a obrigatoriedade da Orientação Educacional, mas esta não com caráter de formação integral do aluno é sim de orientação vocacional para verificação das aptidões dos adolescentes visando sua profissionalização (PIMENTA, 1981). Além disso, a atuação do OE era focada no atendimento ao aluno, às suas queixas, à sua família, aos seus comportamentos desajustados na escola, de modo que seu trabalho estava centrado no ajustamento ou prevenção dos ditos alunos problemas.
A partir dos anos de 1980 o Orientador Educacional passa a participar em todas as esferas da escola: discussão sobre as questões curriculares - objetivos educacionais, procedimentos, critérios avaliativos, estratégias de ensino, ou seja, não só questões relacionadas com o ajustamento, mas com os alunos e processo de aprendizagem (BALESTRO, 2005).
Nesta mudança de concepção da Orientação Educacional Millet (1987) propõe que alguns conhecimentos e diretrizes sobre a atuação da OE, priorizando as relações entre os atores escolares e estas relações como sendo fonte para a compreensão das questões escolares. Assim, as queixas não podem ser tratadas de fora isolada sem levar em consideração o contexto sócio histórico e cultural destes atores escolares, ou seja, deve ser levar em consideração todo contexto institucional no qual os problemas e queixas escolares estão inseridos e influenciam a instituição e por ela são influenciados.
Na década de 1990, com a publicação LDB 9394/96, cujo artigo 64 afirma que a formação de profissionais de educação para a orientação educacional poderá ser feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós- graduação, a critério da instituição de ensino, ou seja, não existe obrigatoriedade.
Em suma, de acordo com Grinspun (2012) pode-se separar didaticamente em períodos as fases de orientação no Brasil;
Período Implementador: de 1920 a 1941 – A orientação educacional está intimamente ligada à orientação profissional com foco no trabalho de seleção e escolha profissional.
Período Institucional: de 1942 a 1960 - Ocorre a exigência legal da OE nos estabelecimentos de ensino e nos cursos de formação. Este período pode ser dividido também em funcional e instrumental.
Período Transformador: de 1961 a 1970 - a OE é caracterizada como educativa, ressaltando a formação do orientador Lei n.402461. Sendo que na década de 60 a OE tinha um intuito preventivo, pois a educação era vista como a propulsora do desenvolvimento do país.
A orientação era responsável por conter os conflitos dentro dos muros da escola por meio de atividades em grupos ou individuais muitos destes conflitos decorrentes de mudanças significativas no currículo, programas e métodos de ensino e materiais didáticos.
Não havia grêmios nas escolas, qualquer mobilização de alunos era vista como uma ameaça dentro e fora das escolas e a orientação era responsável por abafar as manifestações dos alunos dentro dos muros da escola.
Período Disciplinador: de 1971 a 1980 - A OE se torna obrigatória nas escolas Lei n. 5692/71 que inclui o aconselhamento educacional. A orientação passa também a trabalhar com o currículo escolar, embora as diretrizes da Orientação apontar para uma vertente mais sociológica, os profissionais da área têm atribuições e funções do campo da Psicologia.
O Decreto 72.846/73 regulamenta a Lei nº 5.564, de 21 de dezembro de 1968, que provê sobre o exercício da profissão de orientador educacional. Aborda o exercício profissional do OE disciplinando a atuação deste profissional em contraponto com as teorias pedagógicas dos anos de 1970 que apontavam a escola como reprodutora do sistema social. Começa –se questionar o que a escola faz e a quem serve os serviços escolares. A Orientação Educacional volta a ter o foco na orientação profissional e tenta problematizar de maneira muito
incipiente que a estrutura interna da escola influencia no desempenho dos alunos.
Período Questionador: de 1980 a 1990 – Neste período passe a se questionar o papel do orientador educacional como também sua formação. O Orientador passa a participar do planejamento escolar, procurando discutir objetivos, procedimentos, estratégias, critérios de avaliação. O OE discute suas práticas, seus valores, o aluno e a realidade em seu meio social.
Profissionais da orientação educacional passam a discutir também suas próprias funções nos campos de consultoria, assessoria e coordenação.
Período Orientador: a partir de 1990 - OE volta-se para a "construção" do aluno- cidadão comprometido com seu tempo, trabalhando a subjetividade e a intersubjetividade, obtidas através de diálogo. A orientação passa a ser compreendida como mediadora entre a realidade do aluno e as demandas da escola.
Neste contexto o OE deve compreender a realidade do aluno para que esta dentro da escola possibilite melhor condições para o desenvolvimento emocional e intelectual do aluno, e não mais para ajusta-lo dentro dos paradigmas socialmente estabelecidos.
1.4. A PROFISSÃO DE ORIENTADOR EDUCACIONAL
A profissão de Orientador Educacional foi regulamentada pelo Decreto nº 72.846, de 26 de setembro de 1973 regulamentado a Lei nº 5.564, de 21 de dezembro de 1968, que provê sobre o Exercício da Profissão de Orientador Educacional, sendo que por este Decreto as principais atividades do OE são: Planejar e coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação
Coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-o ao processo educativo global.
Coordenar o processo de sondagem de interesses, aptidões e habilidades do educando.
Coordenar o processo de informação educacional e profissional com vista à orientação vocacional.
Sistematizar o processo de intercâmbio das informações necessárias ao conhecimento global do educando.
Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistência especial.
Sistematizar o processo de acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas aqueles que exigirem assistência especial.
Participar no processo de caracterização da clientela escola
Participar na composição caracterização e acompanhamento das turmas e grupos
Participar da avaliação e recuperação dos alunos.
Participar no processo de integração escola-família-comunidade.
Em novembro de 1978, foi elaborado um código de ética, que tem por finalidade estabelecer normas de conduta profissional para os Orientadores Educacionais.
TÍTULO I – DAS RESPONSABILIDADES GERAIS CAPÍTULO I DOS DEVERES