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A HISTÓRIA DO CONHECIMENTO COMO RECURSO PARA

2 GESTÃO DO CONHECIMENTO

2.1 A HISTÓRIA DO CONHECIMENTO COMO RECURSO PARA

O estudo do conhecimento humano é antigo sendo tema da filosofia e da epistemologia desde o período grego, começando a receber maior atenção, em décadas mais recentes, de áreas como a social, a econômica, a industrial, a tecnológica e a da estratégia gerencial e teoria organizacional.

Autores proeminentes como Alvin Toffler, James Brian Quinn, Robert Reich e Peter Drucker estão dentre os pioneiros que alertaram para a chegada de uma “nova onda” econômica e social, onde o conhecimento passa a ter maior importância como fator de produção e de gestão.

A distinção da “sociedade do conhecimento” anunciada por Drucker (1993) está na percepção do conhecimento como o principal recurso de uma organização, que se sobressai aos tradicionais fatores de produção (trabalho, capital e terra), e onde seus maiores ativos são os “trabalhadores do conhecimento”.

Naquela época, Toffler (1990) anunciava que o conhecimento seria o substituto definitivo de outros recursos, a fonte de poder de mais alta qualidade e a chave para a futura mudança desse poder. Estes pensamentos talvez ajudem a justificar a acirrada disputa pelo controle do conhecimento e dos meios de comunicação no mundo todo nos dias atuais.

Contudo, apesar de todos esses anos de estudo, não há uma definição única do que vem a ser conhecimento. Um conceito muito aceito dentre os filósofos ocidentais foi introduzido por Platão, e diz que

conhecimento é a “crença verdadeira justificada” (PLATO, 1953, apud NONAKA; TAKEUCHI, 1995).

Independentemente de se ter um conceito universal para o que seja conhecimento, assunto este explorado na próxima seção, é indiscutível que este ativo tem moldado as teorias rumo a uma visão da empresa com ênfase no conhecimeto.

Na teoria econômica, Penrose (1959) foi uma das pioneiras a perceber a empresa como um repositório de conhecimento que é gerado por um conjunto de recursos produtivos, tanto humanos como materiais. Para esta pesquisadora, os recursos não devem ser confundidos com os insumos do processo de produção, pois estes primeiros são os geradores dos serviços que são uma função da experiência e do conhecimento acumulado dentro da empresa.

Apostando em uma teoria evolutiva da mudança, integrando economia e tecnologia, Nelson e Winter (1982) adotaram o conhecimento tácito como a base para a competência individual e organizacional, e também visualizaram a empresa como um repositório de conhecimentos específicos, que envolvem particularidades que as distinguem umas das outras, até mesmo as que atuam em um mesmo tipo de negócio.

Na teoria organizacional e da administração, Barnard (1938) está entre os primeiros a reconhecer que o conhecimento consiste não apenas no conteúdo lingüístico, mas também no conteúdo comportamental. Na visão de Barnard, os líderes criam valores, crenças e idéias para manter a consistência do sistema de conhecimento da organização e para administrá-la como uma rede de cooperação.

Posteriormente Simon (1945) introduziu a visão da organização como uma “máquina de processamento de informações” para a tomada de decisões gerenciais. Na teoria de Simon, as pessoas processam informações extraindo “estruturas de significado” a partir da obtenção de dados sensoriais, e armazena-os sob a forma de novos conhecimentos para decidirem suas ações.

As teorias no campo da administração se diferenciaram das teorias do campo da economia por seus esforços em introduzir uma visão humanista da organização, considerando aspectos como as relações humanas e a cultura organizacional com a ideia de valores e significados.

Esta diferenciação abriu espaço para o desenvolvimento de conceitos e teorias da “aprendizagem organizacional”, representadas pelas pesquisas de Cyert and March (1963), Argyris e Schön (1978) e Daft e Weick (1984), dentre outros, seguidas pelos estudos de cunhos

mais prescritivos das práticas das “organizações de aprendizagem” de Senge (1990) e De Geus (1988), dentre outros. As particularidades de cada uma destas duas correntes, da aprendizagem organizacional e das organizações de aprendizagem, são discutidas em pesquisas como as de Tsang (1997) e Rebelo e Gomes (2008).

O desenvolvimento da atenção para o conhecimento e para a aprendizagem nas organizações despertou também o surgimento de muitos outros termos associados como, por exemplo, capacidades, habilidades e competências, onde Prahalad e Hamel (1990) introduziram o conceito de “competências essenciais” abrindo caminho para muitas pesquisas correlatas.

Os estudos citados contribuíram para consolidar um paradigma de estratégia empresarial denominado de “abordagem baseada em recursos”, pressupondo que a gestão de recursos valiosos e difíceis de serem imitados confere vantagem competitiva sustentável para as organizações. Na medida em que o elemento conhecimento foi sendo percebido como o recurso mais importante para a vantagem competitiva organizacional, surge a “abordagem baseada no conhecimento”.

Nesta abordagem, e com o foco mais específico na essência da criação do conhecimento, Nonaka e Takeuchi (1995) desenvolveram sua teoria de criação do conhecimento organizacional, que se consolidou como um dos mais aceitos trabalhos desta área e que será discutido nas próximas seções (SORATTO; VARVAKIS, 2007).

Com ênfase mais no conhecimento individual, e em como as empresas integram o conhecimento especializado de seus membros, Grant (1996a,b) introduz sua teoria, onde defende que o papel primeiro de uma organização está mais em aplicar o conhecimento existente do que na sua criação. Para Grant, a visão da empresa baseada em recursos é mais uma tentativa de explicar e predizer porque algumas empresas são capazes de estabelecer posições de vantagem competitiva sustentável.

Corroborando com a abordagem baseada no conhecimento, Stewart (1998) afirma que a riqueza e o crescimento econômico de uma organização estão cada vez menos associados ao seu patrimônio imobiliário e a suas máquinas e vêm migrando cada vez mais para o seu conhecimento.

As ideias apresentadas pelos pioneiros estimulam a percepção da importância do conhecimento para o âmbito organizacional, mais especificamente para a agregação de valor em processos e produtos. No contexto deste trabalho e partindo da abordagem baseada no conhecimento, busca-se registrar a percepção do conhecimento como

um elemento que pode, de certa forma, ser entendido e gerenciado no sentido de melhorar a eficácia do processo de auditoria de sistema de gestão. Isto, contudo, requer um estudo mais aprofundado do elemento conhecimento no ambiente das organizações.