1. Aporte Teórico
4.2 Percepção Ambiental
4.2.3 A Identidade da Floresta Amazônica.
A questão: O que é para você a Floresta Amazônica? Propôs verificar como os universitários expressam sua avaliação sobre este ambiente natural, ou seja, consiste na expressão de valores culturais, sociais e de grupo, da identificação de atributos ambientais e de como julga a situação específica (Del Rio, 1991, 1996).
Avaliação ambiental é um dos processos da percepção ambiental e, ocorre após a criação de imagens mentais sobre um determinado ambiente. Segundo Ittelson et al (1974) os valores (avaliação ambiental) e atitudes (conduta) estão ancorados na cognição (imagens mentais).
Esta etapa do processo é fundamental na formação da conduta do indivíduo em forma de atitudes manifestas, ou seja, para formação de opiniões, ou, para uma ação manifesta sobre o meio ambiente (Del Rio, 1991, 1996).
Os valores ecológicos correspondem parte dos valores humanos e, visam o equilíbrio e à sustentabilidade das relações entre os ecossistemas ou ambientes (Pato & Campos, 2011). Assim, a frequência dos temas identificados nesta questão encaminham respostas para que a Floresta Amazônica possa atingir um nível de equilíbrio e desenvolvimento sustentável.
Os valores ecológicos fazem parte dos valores humanos, a dimensão funcional deste último pode ser de ordem social, central e pessoal. Assim, essas três possibilidades consistem no tipo de orientação. A segunda dimensão funcional é do tipo de motivador, e podem ser valores materialistas (pragmáticos), estes, estão relacionados a ideias práticas e indica metas específicas e regras normativas, e valores humanitários (idealistas), estão baseados em ideais e princípios mais abstratos (Pato & Campos, 2011; Medeiros et al, 2012; Gouveia et al, 2009).
O cruzamento das duas dimensões, orientação e motivador, criam seis subfunções valorativas básicas: social-materialista (normativa), social-idealista (interativa), central- materialista (existência), central-idealista (suprapessoal), pessoal-materialista (realização) e pessoal-idealista (experimentação). Ainda, as seis subfunções são distribuídas de forma equitativa em relação aos critérios de orientação: social (interativa e normativa), central (suprapessoal e existência) e pessoal (experimentação e realização) (Medeiros et al, 2012; Gouveia et al, 2009).
Conforme os resultados, os universitários enquadram-se na subfunção valorativa do tipo social-idealista (interativa), ou seja, possuem uma orientação de ordem social e
motivador do tipo humanitário. Assim, valores humanitários e sociais guiam os indivíduos para atitudes de preservação (Coelho, 2009).
Segundo Santos (2012), a hipercultura influencia nos valores das pessoas. Assim, os resultados mostram que os itens mostram associação significativa em função da hipercultura.
A partir de como os universitários avaliaram a Floresta Ambiental, foi possível constatar a presença de valores ecológicos e, a influência da hipercultura para tais valores. Foi possível verificar que tanto Manaus quanto Recife apresentam estes resultados, o que mostra que a distância de um determinado ambiente não significa ausência de valores ecológicos.
Considerações Finais
O objetivo deste estudo foi investigar a percepção ambiental dos universitários de Manaus e Recife sobre a Floresta Amazônica. A princípio o estudo parecia ser inviável, mas a literatura mostrou ser possível estudar a percepção ambiental sem o contato direto de um população com um determinado ambiente (Del Rio, 1991, 1996; Tuan, 1983; Machado, 1996; Piaget; Piaget & Inhelder, 1993, 1993a).
O estudo iniciou com a verificação de como os universitários se encontram frente às questões ambientais. Foram identificadas três dimensões de consciência ambiental dos participantes de Manaus e Recife: Consumo Consciente, Preocupação com Poluição e Militância.
A partir de análises estatísticas, foi possível verificar que as respostas encontravam- se mais próxima das primeiras dimensões da consciência. Assim, os universitários não atingiram o patamar da consciência ambiental, que é do tipo Militância, já que este, expressa as ações de cuidado do homem para com o meio ambiente.
Ainda, foi identificada uma correlação com o acesso e uso da internet com as três dimensões da consciência ambiental, ou seja, existe a presença de uma hipercultura (Souza & Roazzi, 2002; Souza, 2004, 2006) entre os universitários associada com a consciência ambiental.
A hipercultura consiste na interação que o homem estabelece com os dispositivos computacionais e/ou de telecomunicações, repercutindo em mudanças em seu pensamento. Isto é, a internet como um meio de comunicação em massa, veicula “n” informações sobre qualquer assunto, inclusive de jornalismo ambiental, a fim de desencadear uma sensibilização na população acerca dos problemas socioambientais.
Frente a estes resultados, questiona-se se a hipercultura é capaz de gerar mudanças não apenas no pensamento do homem, mas também em ações sustentáveis. Já que nos dias atuais, as pessoas estão cada vez mais “conectadas” com a internet e expostas a receber informações de cunho ambiental e repercutir em mudanças em seu cotidiano em prol do meio ambiente.
Para este questionamento, é necessário estudos, a fim aprofundar essa questão entre hipercultura e ações sustentáveis. Assim, frente às constatações, é possível que a hipercultura possa ser utilizada como uma ferramenta de mudanças de comportamentos.
A hipercultura, também, apresentou uma associação com a percepção ambiental dos universitários sobre a Floresta Amazônica. Foi constatado estatisticamente a relação deste com os itens que compõe as imagens mentais, conhecimento ambiental e valores ecológicos.
A frequência das imagens mentais sobre a Floresta Amazônica foi: Biodiversidade, Desmatamento, Vegetação, Proteção, Fauna, Rios, Área Grande, Flora e Beleza. Apresentou diferença estatisticamente entre as cidades apenas Desmatamento, Vegetação e Proteção.
Quando os universitários descreveram como imaginam a Floresta Amazônica, as frequências das imagens mentais foram: Biodiversidade, Grande, Rios, Vegetação, Beleza, Clima, Desmatamento, Diversidade de fauna e Vegetação. Apenas os itens Vegetação e Diversidade de Fauna apresentaram diferenças significativas entre Manaus e Recife.
A produção de conhecimento entre os universitários de Manaus e Recife são: Biodiversidade, Grande, Desmatamento, Rios, Equilíbrio Ambiental, Proteção, Ação Predatória, Cobiça e Recursos Naturais. Foi possível verificar que este conhecimento ambiental veio acompanhado de uma sensibilização ambiental em relação à degradação ambiental.
Ainda, foi constatada a presença de valores ecológicos, os quais consistem na busca do equilíbrio e da sustentabilidade sobre o meio ambiente. A frequência dos itens: Patrimônio, Equilíbrio Ambiental, Biodiversidade e Proteção, Vida, Beleza, Pulmão e Fonte Recursos Naturais, direciona para esta visão.
O estudo presente verificou que mesmo os participantes de Recife não terem em seu cotidiano a presença da Floresta Amazônica, apresentam resultados semelhantes aos participantes de Manaus, o que mostra a habilidade cognitiva, especificamente as imagens mentais, como fator primordial no processo da percepção ambiental.
A imagem mental como base cognitiva do processo da percepção ambiental, permite a pessoa evocar imagens de objetos, situações e do ambiente, independe de ter ou não presenciado. Contudo, acredita-se que a hipercultura facilitou a formação dessas imagens, pois morar próximo ou distante de um determinado ambiente, não significa que a pessoa terá uma percepção ambiental superior às pessoas que não tem esse contato direto, pois, há experiências de ordem indireta, como o acesso e uso à internet possibilita a pessoa desenvolver suas imagens mentais e dar significados para as informações recebidas.
Assim, este estudo amplia a visão de que a percepção ambiental só acontece com a interação direta com o determinado ambiente. Pelo contrário, os estudos da percepção devem ampliar esta visão, a fim de verificar a percepção de outras populações sobre um determinado ambiente, pois a habilidade cognitiva está presente no processo e permite o ser humano criar, recriar, organizar, registrar, atribuir significados, desenvolver valores ecológicos sobre qualquer ambiente de ordem natural ou construído.
Contudo, cabe ressaltar que para acontecer esse processo, informações de um determinado ambiente devem ser disseminadas numa proporção maior, como neste estudo a Floresta Amazônica, que possui uma repercussão a nível nacional e internacional. E
ainda, é necessário que as pessoas tenham o acesso e uso da internet para receber as informações.
Acredita-se que este estudo, abre espaço para refletirmos a respeito de que o meio ambiente não é somente aquilo que está próximo do indivíduo. Por exemplo, atividades de educação ambiental realizadas em Manaus, podem estar limitadas apenas sobre a questão do desflorestamento da Amazônia, excluindo os problemas da seca da Região do Nordeste, por levantarem a ideia de que tal conteúdo não irá repercutir nas pessoas.
Assim, atividades de educação ambiental não pode se limitar em apresentar os problemas e soluções socioambientais a partir do lugar, da cidade, do estado, da região, em que as atividades acontecem, e sim, disseminar uma visão macro do cenário socioambiental.
Os resultados encontrados neste estudo é apenas o início na busca incansável para trazer melhorias para as questões socioambientais. Mudanças de comportamento, valores e crenças em relação ao meio ambiente é um desafio para qualquer pesquisador da Psicologia Ambiental. Mas, a o diálogo desta área com a Psicologia Cognitiva pode contribuir com a inovação de conceitos, ideias e técnicas que busque reinventar a relação das pessoas com o meio ambiente.
Espera-se que este estudo desperte o interesse em investigar cada vez mais as habilidades cognitivas do ser humano relacionadas com temas socioambientais. Seria este diálogo, a criação de uma nova escola da Psicologia? A pergunta fica, neste momento, sem resposta, mas com esperança de que novos estudos irão construir um caminho sólido para resolução das crises socioambientais.
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Instrumento da pesquisa 1