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CAPÍTULO 1 A IMAGEM DO LUGAR

1.4. A Imagem Turística Veiculada

Esta seção discutirá as abordagens relevantes para a compreensão da análise da imagem turística veiculada de Maceió-Al. Os enfoques aqui apresentados deverão auxiliar no entendimento dos significados dos elementos de força da imagem que, evocados através de signos, poderão estruturar as categorias valorativas da mesma. Trata-se de um esforço interdisciplinar, pois abordará, sobretudo, a lógica peirciana e a fenomenologia da imaginação de Bachelard, numa tentativa de demonstrar que signos, significados e lógica, construídos e comunicados, apresentam uma resposta ao desafio da representação veiculada que obriga o sujeito a retrabalhar todas as informações assimiladas, tanto pela sua história pessoal como coletiva.

Com a progressiva evolução das cidades turísticas são identificadas as melhores oportunidades de mercado. E, assim, os profissionais envolvidos nessa área de atuação se reúnem ao redor do produto (lugar turístico), para descobrir ou inventar a melhor maneira de

22 vendê-lo. A produção é, portanto, a geração de bens ou serviços, promovida pelo homem ou pela natureza que oferece os produtos a serem comercializados. Observando aquilo que é existente na natureza, os veiculadores da imagem de um semeiam vantagens competitivas no processo de decidir o que, como e onde oferecer o seu produto.

Ao contemplar o lugar turístico em busca de oportunidades para exploração, os envolvidos com o turismo, as empresas, percebem que não existem apenas consumidores, mas todo um conjunto de forças atuantes que poderão obstaculizar seus negócios, como a economia, a tecnologia, a legislação, os canais de vendas e outros intermediários entre a produção e o consumo, os fornecedores de insumos e outros recursos, os competidores e diferentes grupos de pressão (a imprensa, as organizações ambientalistas etc.).

A imagem veiculada é, portanto, uma construção realizada através da imprensa e da propaganda boca a boca promovida pelos próprios turistas. O turista sempre volta para o seu lugar de origem levando alguma coisa, seja uma fotografia para mostrar aos amigos, seja uma história ou um comentário favorável ou desfavorável, e essa imagem que ele leva em sua bagagem pode ser de extraordinária importância para a construção da imagem veiculada do lugar a ser visitado.

Nesta perspectiva, a partir da montagem de portfólios diversificados de lugares de maior retorno, vai-se transmitindo uma imagem do lugar turístico, de maneira a atender as mais variadas aspirações daqueles que a consumirão

Outros produtos de consumo são levados até o consumidor através da rede de distinção atacadista e varejista. O consumidor pode encontrá-los em qualquer esquina e usufruir deles ali mesmo, podendo até ser entregues em seu domicílio. Mas o lugar turístico, enquanto produto de consumo, não pode ser levado até o consumidor, mas sim a transmissão de sua imagem, possibilidade de ser visto e comprado em qualquer lugar. E, nessa perspectiva, os canais formais de comunicação veiculam uma imagem positiva do produto a ser consumido de forma a agradar e garantir o seu consumo.

Esta imagem deve ser analisada através de uma lógica estrutural de signos reconhecíveis e identificáveis. A ênfase maior é assinalada através dos elementos de força explicitados através dos valores de sonho, aspirações e desejos que o sujeito mantém com o lugar escolhido para sua visita.

Embora as qualidades valorativas não sejam de modo algum a única categoria importante no estudo da imagem do lugar, a sua relevância na construção da mesma adquire significado especial quando se observam as preferências por alguns lugares.

É claro que o produto a ser consumido, através da veiculação de sua imagem, requer uma completa representação do objeto (lugar), através de palavras, símbolos, sinais, ícones, emblemas, como instrumentos necessários à sua transmissão.

Nesta vaga elementos o campo da Arquitetura e Urbanismo, a linha de estudos tornou-se popular nos anos 60, fundamentando-se seja nas teorias do filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce, seja nas teorias européias do lingüista Ferdinand de Saussure e dos semiólogos Roland Barthes e Umberto Eco (1971).

O norte-americano Peirce (1839-1914) dedicou-se ao estudo da lógica, preocupado em elaborar uma doutrina formal, elementos o sentido de propiciar condições para que um discurso pudesse fazer sentido. Para ele, lógica e semiótica se confundem:

[...] Em seu sentido geral, a lógica é apenas um outro nome para semiótica, a quase necessária doutrina dos signos. Descrevendo a doutrina como “quase necessária”, ou formal, quero dizer que observamos os caracteres de tais signos e, a partir dessa observação, por um processo que não objetarei de chamar de Abstração, somos levados a observações, eminentemente falíveis e por isso, num certo sentido, de modo algum necessários, a respeito do que devem ser os caracteres de todos os signos utilizados por uma inteligência científica, isto é, por uma inteligência capaz de aprender através da experiência (PEIRCE, 1977: 45).

Um aspecto importante o original da doutrina peirceana é a própria definição de signo, indissociável do conceito de semiosis, que deve ser entendida como uma relação entre três termos, de tal modo que em momento algum esta relação triádica possa ser resolvida na base de uma relação entre dois elementos apenas. Para ele, a ciência semiológica se divide em três partes diferentes: 1 – A pragmática, que trata da relação entre os signos e seus interpretantes; 2 – A semântica, que trata das relações entre os signos e os objetos que eles designam, e 3 – A sintaxe, que trata das operações formais operadas entre os signos.

Outro importante aspecto da obra de Peirce é o esboço de uma tipologia dos diversos gêneros de signos e o estabelecimento do esquema triádico, pelo qual se identificam três categorias fundamentais de signos: o ícone, o índice e o símbolo. Estas categorias servem de suporte teórico para a análise pragmática e semântica da imagem turística veiculada de Maceió, sobretudo por se tratar de relações que independem do contato sujeito e objeto (lugar).

O ícone opera, para Peirce, antes de tudo, pela semelhança entre o significante e o significado, isto é, pela relação entre um determinado objeto e sua representação fotográfica. Por exemplo: em Maceió, um coqueiro (Gogó da Ema), embora já não exista mais, facilita a

24 identificação através de mensagens resgatadas pela memória. Uma idéia de tranqüilidade pode ser indicada por um postal, onde figura a imagem de uma praia deserta.

O índice opera pela contigüidade material efetiva entre o significante e o significado: um elemento autoriza a suposição da necessária existência de outro elemento, que pode não estar presente. A inferência de que “onde há praia há água” é a interpretação de um índice. A natureza está repleta de índices e faz parte da cultura popular percebê-los: um grupo de coqueiros inclinados todos na mesma direção indica o rumo dos ventos predominantes.

E, por fim, o símbolo se caracteriza pela contigüidade convencional, como por