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SEÇÃO 2 – PERCURSO METODOLÓGICO

2.1 A imersão na pesquisa qualitativa

A imersão na pesquisa qualitativa nos ajudou a refletir acerca de quais métodos e estratégias de investigação (FLICK, 2009) nos apropriaríamos para o desenvolver da pesquisa, auxiliando-nos na seleção cuidadosa dos mesmos, visto que

os aspectos essenciais da pesquisa qualitativa consistem na escolha adequada de métodos e teorias convenientes; no reconhecimento e na análise de diferentes perspectivas; nas reflexões dos pesquisadores a respeito de suas pesquisas como parte do processo de produção de conhecimento; e na variedade de abordagens e métodos (FLICK, 2009, p. 23).

Nesta perspectiva, a pesquisa qualitativa permitiu que nos aproximássemos do fenômeno investigado com cautela e possibilitou a relação do objeto de estudo com o método de investigação. Assim sendo, seguimos com o olhar curioso de pesquisadora com o intuito de utilizar as contribuições da investigação qualitativa para o estudo da didática da leitura na EJA.

A curiosidade sobre o tema/problema surgiu devido ao interesse em analisar a didática da leitura na 3ª fase no I segmento da EJA, em uma escola municipal de Maceió, buscando observar como se materializava a mediação didática de ensino da leitura na 3ª fase da EJA.

Através de leituras24 realizadas e observações25 a salas de aula da EJA, durante a graduação26, percebi que muitos educadores(as) desconsideravam que os sujeitos desta

24 Realizei as seguintes leituras: MOURA, Tania Maria de Melo. Alfabetização e letramento(s) de jovens e adultos. In: Proposta de formação de alfabetizadores em EJA : referenciais teórico-metodológicos. Maceió: MEC e UFAL, 2007a. FREITAS, Marinaide Queiroz. CAVALCANTE, Valéria Campos. Leitura na Educação de Jovens e Adultos e a formação de leitores. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br. Entre outras.

PORCARO, Rosa Cristina. A história da Educação de Jovens e Adultos no Brasil. Disponível em: http:www.dpe.ufv.br. Acesso em: 22 jan. 2011.

25 As referidas observações foram realizadas durante a minha graduação em Pedagogia na disciplina Estágio Supervisionado, na qual fomos para escolas que ofertavam a EJA observar a prática pedagógica das professoras que atuavam nessa modalidade.

modalidade possuem conhecimentos de mundo (FREIRE, 1989), os quais foram adquiridos ao longo de sua vida, a exemplo, experiências profissionais, entre outras vivências. Além do mais, os referidos alunos possuem uma cultura muito rica a qual abrange diversos conhecimentos, como já relatamos no capítulo anterior. Compreende-se assim que, esse desinteresse pelos saberes prévios dos alunos, por parte dos professores, faz com que, nas aulas de leitura, os professores trabalhem com textos desconexos a vida social do aluno, fazendo com que eles sintam-se desmotivados podendo ocasionar uma baixa estima.

Considerando esse contexto, sentiu-se a necessidade de aprofundar-se na temática a respeito da didática de ensino da leitura nas aulas da EJA, objetivando, através da divulgação da dissertação, fazer com que os professores compreendam que os alunos da mencionada modalidade são dotados de conhecimentos, e que estes devem ser considerados nas referidas aulas.

O professor precisa entender que o aluno desta modalidade é e sempre será um sujeito que traz para escola saberes que implicam uma série de conteúdos, histórias de vida que necessitam ser consideradas para o processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, precisam promover uma didática da leitura, eventos e práticas pedagógicas de leitura, que dialoguem com o contexto sociocultural dos alunos, proporcionando a interação social.

Nesse intuito, a investigação teve por objetivo, de forma geral, analisar a didática da leitura nas aulas da 3ª fase do I segmento da Educação de Jovens e Adultos, observando como acontece a mediação docente promotora, ou não, da interação autor-texto-leitor. Nossos objetivos específicos foram:

a) Analisar a didática da leitura, de uma professora, na 3ª fase do I segmento da EJA, considerando as concepções de leitura;

b) Compreender como acontecem as práticas de leitura na 3ª fase da EJA;

c) Refletir sobre as práticas de leitura da professora e suas implicações na interação autor-texto-leitor.

26 Iniciei minha graduação em Pedagogia no ano de 2007 e conclui o curso em 2011. Durante este percurso cursei a disciplina Estágio Supervisionado na qual fomos para escolas que ofertam a EJA observar os encaminhamentos didáticos das professoras da referida modalidade nas diversas disciplinas.

Desse modo, problematizamos: Como se materializa a mediação didática de ensino da leitura na 3ª fase da EJA, promovendo ou não a interação autor-texto-leitor? Em diálogo com Flick (2009, p. 102), compreendemos que:

a reflexão e a reformulação da questão de pesquisa constituem pontos centrais de referência para a avaliação da apropriabilidade das decisões tomadas pelo pesquisador em vários momentos, tornando-se relevante na decisão sobre o(s) métodos para a coleta de dados, a conceitualização de programas de entrevistas, mas também para a conceitualização da interpretação, ou seja, do método empregado e do material selecionado.

Assim sendo, a contribuição da pesquisa qualitativa foi essencial para a construção da nossa questão problematizadora e para nossa reflexão acerca de como se materializa a mediação didática de ensino da leitura na 3ª fase da EJA, considerando a promoção da interação autor-texto-leitor.

Entendemos e defendemos, nesta dissertação, que “é a interação com o professor e com os colegas durante o processo de elaboração do significado [...] que deveria permitir aos alunos avançar além do seu nível real de leitura naquele momento” (COLOMER; CAMPS, 2002, p. 74-75). Assim, a didática da leitura precisa possibilitar a mediação que permita a interação social, na qual o diálogo crítico e reflexivo permeie o processo ensino-aprendizagem do ato da leitura, como veremos mais adiante.