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A IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO GESTOR E O PLANO DE

No documento Os Saberes da Mata do Engenho Uchôa (páginas 88-94)

Mapa 2 Localização da mata e dos bairros circunvizinhos

4 CAMINHANDO PELA MATA E REGISTRANDO SUAS

4.2 A IMPLANTAÇÃO DO CONSELHO GESTOR E O PLANO DE

Conforme apresentadas no capítulo anterior as informações constantes do quadro 1: Produções técnicos se referem à estratégia de criação e implantação do conselho gestor e a elaboração do plano de manejo da Mata e que serão analisados nesta seção.

Com relação ao Plano de Manejo eu já tinha conhecimento de sua existência em razão de ter participado da sua construção, mas com relação ao trabalho de implantação do Conselho Gestor contei com o auxílio da plataforma Google Acadêmico, como já problematizado no capítulo 3, para chegar até ele. Aqui recorri à análise documental como procedimento metodológico que consiste na recolha de dados em documentos, como elementos de prova ou produção de conhecimento histórico (SOUZA, 2011). Os documentos analisados foram os que estão relacionados no quadro 4, conforme segue:

Quadro 4 - Trabalhos de natureza técnica

Título Autor Ano de

publicação

Estratégia para criação e implantação dos conselhos gestores.

PERNAMBUCO, Governo do Estado.

2012 Plano de Manejo do Refúgio de Vida Silvestre

Mata do Engenho Uchôa.

PERNAMBUCO. Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. 2013 Fonte: O autor (2017)

Passando a analisar os documentos, vi que o trabalho técnico intitulado “Estratégia para criação e implantação dos conselhos gestores das Unidades de Conservação (UCs) de Pernambuco” (PERNAMBUCO, 2012) é uma publicação conjunta do Comitê Executivo para Criação e Implantação de Unidades de Conservação de Pernambuco (criado pelo Decreto nº 36.627/2011), e do Governo do Estado de Pernambuco por meio da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

O referido trabalho define as estratégias para criação e implantação dos conselhos gestores para as 68 Unidades de Conservação do Estado de

Pernambuco, das quais 32 são de Proteção Integral e 36 de Uso Sustentável mas apenas 2 (duas) delas (dados de 2012) possuem Plano de Manejo (PM).

Importante registrar que em atendimento ao disposto na Lei Estadual nº 13.787, de 08 de junho de 2009, que estabelece o Sistema Estadual de Unidades de Conservação da Natureza (SEUC), o Governo de Pernambuco partiu para a elaboração de três planos de manejos cuja proposta foi testada e validada em três áreas pilotos: Reserva de Floresta Urbana Mata de Passarinho, Refúgio de Vida Silvestre da Mata do Engenho Uchôa e Parque Estadual Mata da Pimenteira. A proposta é dar continuidade a este processo com a elaboração dos Planos de Manejo para todas as UCs estaduais localizadas na Região Metropolitana do Recife que possuem conselhos gestores instituídos32.

Dados de 2013, segundo CPRH33, indicam que o estado de Pernambuco possui 81 Unidades de Conservação, sendo 40 de proteção integral e 41 de uso sustentável. Atualmente, porém, dados publicado em jornal local34 indicam que em 2017, o estado somava 82 Unidades de Conservação das quais 10 (dez) delas já possuíam seu Plano de Manejo.

O próprio documento (PERNAMBUCO, 2012), estabelece a criação de Unidades de Conservação do Bioma Caatinga, a Criação dos Conselhos Gestores das UCs Estaduais, a elaboração dos seus Planos de Manejo e a implantação de estruturas administrativas.

Em razão do grande número de Unidades de Conservação o comitê definiu as etapas para criação e implantação dos conselhos gestores:

1ª Etapa: Agrupamento das UCs por elementos comuns. Inicialmente, elas foram divididas em Unidades da Caatinga e Unidades da Região Metropolitana do Recife (RMR). Na sequência, para otimizar os trabalhos de criação dos conselhos da UCs da RMR, elas foram agrupadas de acordo com a sua proximidade e semelhança de cenário em 8 grupos, conforme quadro 5 a seguir:

32

Conforme Edital nº 02/2013 de chamamento público para seleção de projetos para elaboração de Planos de Manejo de Unidades de Conservação de Pernambuco. Disponível em: http://www.cprh.pe.gov.br/ARQUIVOS_ANEXO/EDITAL%20UCs%20MUNICIPAIS%20FINAL.pdf Acesso em 09.08.2018, às 20h22min.

33

http://www.cprh.pe.gov.br/Unidades_de_Conservacao/descricao_das_unidades/41788%3B48981% 3B5001%3B0%3B0.asp. Acesso em 09.08.2018, às 20h44min.

34

https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2017/03/21/NWS,21724,70,449,NOTICIAS,21 90-UCS-DEZ-TEM-PLANO-MANEJO.aspx. Acesso em 09.08.2018, às 20h55min.

Quadro 5: Lista de unidades de conservação por grupo.

GRUPO UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

G1 – Suape

PqE Mata do Zumbi PqE Mata de Duas Lagoas

FURB Mata de Camaçari G2 - Aldeia Beberibe

APA Aldeia Beberibe RVS Mata da Usina São José

RVS Mata de Quizanga RVS Mata de Miritiba

G3 – Urbano

FURB Mata do Passarinho FURB Mata de Dois Unidos FURB Mata do Engenho Uchôa

FURB Mata do Janga FURB Mata de Jaguarana FURB Mata de São Bento

G4 – Gurjaú

RVS Matas do Sistema Gurjaú RVS Mata do Engenho Salgadinho

RVS Mata do Conta-açude RVS Mata de Bom Jardim

RVS Mata de Caraúna

G5 – Jaboatão

RVS Mata do Curado RVS Mata de Mussaíba RVS Mata de São João da Várzea

FURB Mata de Jangadinha FURB Mata de Manassú

G6 – Tapacurá

RVS Mata de Camucim RVS Mata de Tapacurá RVS Mata do Outeiro do Pedro

RVS Mata do Toró

RVS Mata do Engenho Tapacurá RVS Mata do Engenho Moreninho G7 – Serras

RVS Mata do Urucu RVS Mata do Cumaru RVS Mata da Serra do Cotovelo

G8 – Santa Cruz

APA de Santa Cruz RVS Mata do Lanço dos Cações

RVS Mata de Jaguaribe RVS Mata do Amparo RVS Mata do Engenho Macaxeira

RVS Mata do Engenho São João RVS Mata de Santa Cruz

Legenda: Parque Estadual: PqE, Reserva de Floresta Urbana: FURB; Área de Proteção Ambiental: APA, Refúgio de Vida Silvestre: RVS.

Fonte: PERNAMBUCO (2012, p. 5). Adaptado pelo autor (2018)

Conforme demonstra o quadro 5, a Mata do Engenho Uchôa está agrupada no G3-Urbano e classificada como Reserva de Floresta Urbana.

2ª Etapa: Mobilização dos Atores: Previu uma reunião preparatória e aberta a toda a sociedade e apresentação da metodologia de trabalho. Depois, reuniões setoriais com representes institucionais (Instituições de ensino superior e pesquisa,

ONGs, Setor Produtivo, Prefeituras e Lideranças Comunitárias, obedecendo a um calendário que teve início aos 29/02/2012 e término em 03/04/2012.

3ª Etapa: Composição e criação dos Conselhos Gestores, cuja composição básica previa representantes de entidades do poder público e da sociedade civil, buscando-se sempre a paridade.

4ª Etapa: Capacitação dos Conselheiros, prevista após a posse dos conselheiros, e por meio partir de oficinas de capacitação, com o intuito de que cada conselho pudesse elaborar seu regimento interno e se apropriar da situação das suas unidades de gestão.

5ª Etapa: Estrutura Administrativa: Ficou a cargo do Governo do Estado, como apoio de prefeituras locais e outras entidade, buscar parcerias para viabilizar estrutura para a administração e desenvolvimento dos trabalhos de gestão das UCs., das quais a Mata do Engenho Uchôa aparece como Unidade de Conservação de Proteção Integral.

Foi a partir da proposição deste trabalho técnico que se tornou possível a construção do plano de manejo para a Mata do Engenho Uchôa, do qual eu participei de algumas reuniões para a sua construção.

O Plano de Manejo do Refúgio de Vida Silvestre Mata do Engenho Uchôa (PERNAMBUCO, 2013), estabelece o seu zoneamento e as normas de utilização e manejo dos recursos naturais. Nele, busca-se explicitar alguns procedimentos imprescindíveis à garantia de uma adequada proteção à diversidade biológica e dos ecossistemas, mediante o estabelecimento de regras para a utilização humana destas unidades de conservação (PERNAMBUCO, 2013).

O documento que, inclusive, inicia com uma abordagem historiográfica sobre a Mata do Engenho Uchôa, resultou do trabalho coletivo de uma equipe técnica, envolvendo gestores e servidores do poder público estadual e municipal, além dos atores sociais que diariamente enfrentam conflitos inerentes à conservação da natureza.

O trabalho está estruturado em 2 partes. Na primeira é feito um estudo sobre a caracterização do Refúgio de Vida Silvestre Mata do Engenho Uchôa, onde é discutida a caracterização do município do Recife; localização do RVS Mata do Engenho Uchôa; estudo dos aspectos físicos (geologia, clima e hidrografia); estudos dos aspectos legais da Mata e estudos dos aspectos biológicos (fauna e flora). Ademais, é feito um estudo da identificação das suas potencialidade e

vulnerabilidades, que podem ser resumidas conforme nos mostra o quadro 6 a seguir:

Quadro 6 - Potencialidades e vulnerabilidades do RVS Mata do Engenho Uchôa Potencialidades

 Mobilização social histórica em defesa da mata

 Existência de um grande número de escolas na região  Representatividade cultural da região

 Atuação positiva do conselho gestor da unidade

 Possibilidade de significativa integração e participação da comunidade local  Potencialidade para o estabelecimento de convênios e parcerias

 O Plano de Manejo

 Capacidade de regeneração natural da mata

 Possibilidade de formação de corredores ecológicos com fragmentos florestais existentes nas proximidades.

Vulnerabilidades

 Ausência de estrutura física operacional para a equipe e equipe insuficiente  Área sujeita a forte especulação imobiliária

 Falta de fiscalização e controle ambientais efetivos  Ausência de sinalização

 Falta de integração com outras unidades de conservação existentes  Degradação da área pela ocorrência de incêndios florestais

 Baixo conhecimento científico ou disponibilidade de pesquisas e estudos  Existência de áreas degradadas

 Saneamento básico precário e insuficiente na área do entorno Fonte: O autor (2017)

No quadro 6, um dos itens que me chamou a atenção foi o baixo conhecimento científico ou disponibilidade de pesquisas e estudos sobre a área. Sobre isto, mostrei no capítulo anterior, que é muito limitado o número de pesquisas científicas que tem a mata do Engenho Uchôa como objeto de investigação.

Na segunda parte do documento é discutido o zoneamento da unidade de conservação, onde são apresentadas as bases conceituais, o zoneamento do refúgio e as normas gerais de uso. O documento também discute a gestão e monitoramento da unidade de conservação, o controle ambiental, a recuperação ambiental, os estudos e pesquisas científicas, a educação ambiental e integração com a comunidade e os recursos econômicos para apoio à gestão.

Da análise desses documentos técnicos produzidos sobre a Mata, vi a preocupação do poder público em estabelecer a criação de Unidades de Conservação (UC’s) e definir o zoneamento e as normas de utilização e manejo dos

recursos naturais, o que, porém, não contempla os anseios da comunidade que deseja a desapropriação da mata e sua transformação um parque.

A Mata do Engenho Uchôa (que é uma Unidade de Conservação) está classificada como Reserva de Floresta Urbana (PERNAMBUCO, 2012) e, ao mesmo tempo, como Refúgio de Vida Silvestre (RVS).

Em síntese, os documentos destacam as características da Mata a partir dos seus aspectos físicos (geologia, clima e hidrografia) e também pelos seus aspectos biológicos (fauna e flora), e as suas potencialidades e vulnerabilidades, mesmo apesar da sua criação em UC, o que aponta para um cuidado especial com este patrimônio, não implicando, todavia, que devem ser implantadas barreiras para o seu uso pela população.

Com estas reflexões, encerro uma análise qualitativa dos trabalhos técnicos de implantação e criação do conselho gestor e Plano de Manejo da mata.

No próximo capítulo farei o registro historiográfico da trajetória da Mata, enquanto terras do Engenho Uchôa, até a sua transformação na APA do Engenho Uchôa Rusinete Taveira Falcão sem, no entanto, entrar no detalhamento das ações, tarefa que será objeto de discussão no capítulo subseqüente.

5 DAS TERRAS DO ENGENHO UCHÔA À ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL

No documento Os Saberes da Mata do Engenho Uchôa (páginas 88-94)