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A importância da auditoria num contexto de controlo interno

3. O sistema de controlo Interno

3.4 A importância da auditoria num contexto de controlo interno

O sistema de controlo interno tem ganho cada vez mais importância quer para a organização das empresas quer para o desempenho das funções dos auditores e, apesar de controlo interno e auditoria interna não serem sinónimos, são conceitos que podem estar interligados (Fadzil et al., 2005). Enquanto por auditoria interna se entende uma atividade capaz de avaliar o desempenho das operações de uma empresa, o controlo interno é mais abrangente na medida em que engloba um conjunto de sistemas de controlos a vários níveis organizacionais. Pode dizer-se que a auditoria interna representa o controlo dos controlos (Spira e Page, 2003) e que a sua existência é um dos pontos importantes para o controlo do risco, podendo desempenhar um importante suporte às decisões da gestão e mesmo à empresa de auditoria externa. Um sistema de controlo interno deve ser capaz de estipular diretrizes que orientem a auditoria interna no planeamento e execução dos seus procedimentos de auditoria. Os auditores internos devem ser das pessoas que melhor percebem toda a estrutura e organização de uma empresa e, subsequentemente, os mecanismos existentes ou desejáveis no âmbito do controlo interno, podendo esta ser uma competência importante a desenvolver dentro de uma organização. Nesse sentido, a existêmcia de auditores internos pode contribuir para a redução dos riscos a que uma empresa está exposta e, consequentemente, apoiar uma gestão mais eficiente e eficaz capaz de promover a melhoria dos processos organizacionais e aumentar o seu valor para os acionistas (Marais, 2004).

A noção de auditoria interna tem evoluído ao longo do tempo assumindo-se como um contributo vital e cada vez mais importante numa organização (Fadzil et al., 2005). Segundo o Instituto de Auditores Internos (IIA) (2000), um dos objetivos da auditoria interna é auxiliar os membros da administração fornecendo-lhes análises, avaliações, recomendações e comentários pertinentes relativamente às atividades auditadas (Fadzil

et al., 2005). O papel dos auditores internos passa por determinar se os sistemas

a cumprir com os requisitos apropriados, se os resultados são consistentes com os objetivos estabelecidos e se as operações são realizadas conforme o planeado (Fadzil et

al., 2005). Nesse sentido, os auditores internos devem avaliar a extensão do

cumprimento das políticas estabelecidas, planos, procedimentos, leis e regulamentos, que podem ter um impacto significativo nas operações da empresa, avaliando a forma como os diversos recursos são utilizados. Outra das tarefas dos auditores internos passa pela revisão das divulgações financeiras e operacionais no sentido de averiguar se os registros e relatórios contêm informações precisas e confiáveis. No entanto, segundo Billing (2002) a responsabilidade dos auditores em matéria de derivados, no contexto de averiguação das demonstrações financeiras, deve estar limitada a verificar a congruência das afirmações dos órgãos da direção com os aspetos relacionados com os derivados e com a legislação, regulamentos e normas contabilísticas aplicáveis pelo que os auditores não têm a responsabilidade de oferecer garantias sobre a adequação da gestão de risco da entidade ou dos controles sobre essas atividades.

Uma das práticas de auditoria interna deve assim passar por avaliar a eficácia dos sistemas de controlo interno assim como o desempenho dos funcionários envolvidos no processo. O propósito dessa análise da adequação da auditoria interna é verificar se o sistema instituído fornece garantia razoável de que os objetivos da organização e metas serão atingidos de forma eficiente e económica. No entanto, a eficácia é difícil de quantificar e, em última análise acaba por ser determinada pela perceção da própria entidade (Fadzil et al., 2005). A auditoria interna constitui uma parte essencial da função de controlo de risco que permite analisar e avaliar os procedimentos de controlo relativos à utilização de derivados, através de, por exemplo, testes de controlo para aferir a sua eficácia (Billing, 2002).

Em suma, pode salientar-se que a atuação dos auditores internos é relevante ao nível da revisão da eficiência dos procedimentos, dos sistemas contabilísticos ou outros usados nos processos de transação de derivados bem como da avaliação, identificação e gestão de novos riscos relativos às atividades (operacionais e de financiamento) da empresa. É também importante que sejam capazes de avaliar os procedimentos contabilísticos seguidos, isto é se a contabilidade dos derivados está de acordo com as normas e regras contabilísticas e em consonância com a política de gestão de risco definida.

II – Metodologia

Conforme referido anteriormente, com a presente dissertação pretende-se investigar sobre qual o papel de um sistema de controlo aplicado à gestão de riscos financeiros, nomeadamente, no que respeita à utilização de instrumentos derivados e, de que forma, pode uma grande empresa desenvolver uma estrutura interna de controlo capaz de gerir as operações vinculadas à sua utilização. Uma vez que estudo está relacionado com a realização de um estágio curricular numa grande instituição portuguesa, de carácter não financeiro, e tendo em conta que a mesma não apresenta qualquer tipo de processo de controlo das atividades com derivados, pretende-se apresentar um conjunto de sugestões para um modelo de controlo interno aplicável a um caso real, não obstante, tendo em conta todas as limitações inerentes à realização de um estudo deste tipo, nomeadamente no que concerne à garantia de confidencialidade das informações obtidas e divulgadas no presente trabalho.

O desenho de um sistema de controlo interno deve ser ajustado a cada empresa e pensado para caso concreto. No entanto, existem linhas gerais de modelos existentes que podem ser transversais a várias empresas no âmbito dos derivados. Assim e, com o intuito de concretizar o presente estudo, foi escolhido um processo metodológico que se pode subdividir em duas etapas principais.

Numa primeira parte (ponto 4), são apresentados os modelos de controlo com maior enfase na literatura consultada, sobretudo o modelo desenvolvido pelo COSO, com o intuito de analisar quais os aspetos que os mesmos apresentam que mais de adequam aos princípios e aos objetivos da empresa em questão.

Numa segunda fase, uma vez que a empresa apresar de não ter implementado um sistema de controlo já transaciona produtos derivados, optou-se por uma abordagem sob a forma de estudo de caso, com o intuito de aferir a situação atual da empresa no que concerne à monitorização das atividades subjacentes às transações com derivados. Para tal, foi recolhida informação junto de responsáveis por diversas áreas diretamente relacionadas com a utilização de derivados através da realização de entrevistas presenciais (detalhado no ponto 5).

Visto a empresa não apresentar qualquer tipo de sistema de controlo institucionalizado, as entrevistas foram conduzidas segundo uma lógica de perguntas de resposta aberta, que permitisse o desenvolvimento de apreciações por parte dos entrevistados, não limitando, dessa forma, as suas respostas. Assim, foi possível, para além de perceber o funcionamento atual da empresa no que respeita às transações com derivados, observar a sua motivação para a implementação de um sistema de controlo interno e recolher algumas sugestões por parte dos mesmos para a sua concretização.

Com base na informação recolhida e no modelo apresentado pelo COSO, a par de considerações relevantes apresentadas na revisão da literatura sistematizam-se, no ponto 6, alguns procedimentos que se consideram relevantes para o desenho de um sistema de controlo interno na empresa em estudo. O modelo proposto não deve ser considerado como uma estrutura final mas antes como um suporte que a própria empresa deverá adaptar de acordo com as suas necessidades e adaptando-o da forma que considere mais adequada à sua realidade.

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