• Nenhum resultado encontrado

As florestas brasileiras, em especial a Mata Atlântica, estão perdendo sua biodiversidade, devido a vários fatores, tais como: a destruição de habitats para a ocupação humana, lavoura, pastagem e extração de madeira e outros produtos, a exploração comercial excessiva (como a caça indiscriminada), a poluição e a introdução de espécies exóticas (que não estavam presentes em um ecossistema) vêm provocando não só a fragmentação da floresta, como também uma alta taxa de extinção das espécies, muitas talvez nem descritas.

Com a extinção de uma espécie, perdem-se suas informações genéticas, sua utilidade. Desaparecem também as chances de se conhecer melhor a natureza.

Além disso, muitas dessas espécies são essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas que sustentam a vida na terra (MARINI; GARCIA, 2005).

Deste modo, estamos perdendo o nosso mais valioso patrimônio natural, além da extrema exploração das florestas que tem como conseqüência uma perda da qualidade de vida da população, que sofre com problemas relacionados a poluição (ar, água, solo...), sem contar que um ecossistema desequilibrado pode ocasionar inúmeras doenças, antes controladas, pois na falta de habitat ou alimentos os animais passam a conviver nas áreas urbanizadas e conseqüentemente tornam-se vetores de doenças.

Também deve-se considerar o grande potencial de substâncias químicas orgânicas com propriedades medicamentosas ou nutritivas existente nas espécies selvagens, muitas ainda não foram estudadas pelos cientistas.

Pelos motivos apresentados, em toda a parte do mundo, inclusive no Brasil, estão sendo criados projetos de manejo e recuperação de áreas degradadas e/ou para conservação e manutenção dos ecossistemas.

Os custos dos projetos de recuperação e reflorestamento de áreas são muito altos quando feitos pelo próprio homem, ou seja, no sentido de pagar pela mão-de-obra empregada e pelo preparo de mudas e solo (OLIVEIRA, 1998). As aves apresentam um grande potencial na recuperação de áreas abertas, através da dispersão de sementes de espécies de vegetação primárias que se desenvolvem e geram condições favoráveis de sombreamento, umidade e qualidade do solo ao aparecimento e estabelecimento de novas espécies vegetais garantindo assim o processo de sucessão (OLIVEIRA, 1998). Além da importante função de semeadores naturais algumas aves endêmicas, que somente se desenvolvem, se alimentam e se reproduzem em determinadas áreas, são elementos importantes na indicação da qualidade do ambiente, por serem sensíveis às alterações do ambiente sendo facilmente observáveis nas variações de quantidade e qualidade das espécies de aves (MARTERER, 1996).

Hoje em dia é comum nos projetos a utilização de poleiros artificiais como forma de garantir um pouso para as aves e conseqüentemente esperar que as mesmas depositem as sementes no local, por meio de evacuações, regurgitações ou mesmo casualmente durante a alimentação (ASSUNÇÃO, 2006). Tendo por objetivo a germinação dessas sementes na presente área como forma de garantir os primeiros estágios sucessionais, com isso a instalação de novas comunidades animais e vegetais, no intuito de recuperar a área através da instalação da comunidade clímax (REIS et al. (2003 apud ASSUNÇÃO, 2006)).

A utilização de aves nos processos de recuperação e conservação de áreas da Mata Atlântica garante não só a sucessão gradual e estável das comunidades animais e vegetais, como também são de baixo custo, pois essas espécies atuam como polinizadores e semeadores naturais, dispensando, em determinados momentos, o trabalho humano (HOWE (1984 apud FRANCISCO;

GALETTI, 2001)).

A preservação da Mata Atlântica ainda é viável, porém não basta apenas

a criação, aplicação e fiscalização de leis nacionais que visem a segurança de nossa floresta, a consciência ambiental, deve estar acima da legislação, ou seja, deve partir de cada um de nós, através do uso racional dos recursos naturais, é na verdade o que chamamos de desenvolvimento sustentável, isso garantirá a manutenção das florestas e recursos e uma vida mais saudável, não só a esta geração, mas principalmente das gerações futuras.

6 JUSTIFICATIVA/OBJETIVO

Existem diversos levantamentos da avifauna e estudos isolados da frugivoria em espécies de plantas individuais para a Mata Atlântica, no entanto são publicações específicas que dificultam a compreensão da complexidade dessa interação entre aves e plantas zoocóricas. Diante da indisponibilidade de estudos que reúnam dados sobre esta relação de mutualismo entre aves dispersoras de sementes das espécies arbóreas da Mata Atlântica na região de São Paulo à Rio Grande do sul, objetivou-se na presente pesquisa reunir informações existentes sobre tais interações por meio de revisão bibliográfica em estudos publicados e livros, com o intuito de fornecer em um único trabalho as relações descritas entre aves frugívoras e plantas zoocóricas neste Bioma, servindo de subsídio para projetos de recuperação de áreas degradadas.

7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E ANÁLISE DE DADOS

O método científico é forma de pesquisa que transparece credibilidade e assim instiga os pesquisadores a buscar cada vez mais o conhecimento com eficiência e utilidade não só para a comunidade científica como também para a sociedade.

Para a realização de um estudo é necessário o estabelecimento de uma metodologia a qual deve ser seguida durante todo o desenvolvimento da pesquisa.

No presente trabalho encontra-se abordados os estudos feitos sobre a interação entre fauna e flora, contemplando a relação das aves dispersoras de sementes das florestas pertencentes à vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica dos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O desenvolvimento da pesquisa deu-se primeiramente pela busca de informações na literatura por meio de artigos e/ ou periódicos científicos, livros, monografias e dissertações, ressaltando a não inclusão de informações presentes em resumos de congressos.

A partir dessas referências realizou-se uma catalogação dos dados publicados, utilizando-se para isto a produção de uma tabela, na qual estão expressos os seguintes dados: espécies vegetais zoocóricas e as espécies de aves registradas, alimentando-se dos frutos; e outra tabela com os dados inversos (espécies de aves e quais as espécies vegetais utilizadas para alimentação).

A nomenclatura das plantas e das aves nas tabelas no presente trabalho segue a adotada pelos respectivos autores das referências bibliográficas que citam as interações, sendo que as mesmas não foram atualizadas segundo as novas regras de nomenclatura (APG II 2003 e CBRO, 2007, respectivamente).

Mediante a produção das tabelas e reunião das referências sobre o assunto foi possível destacar quais as espécies-chave de plantas na alimentação de grande parte das aves dispersoras de sementes. Assim este estudo contribui fortemente na facilitação e eficiência de dados para a elaboração e desenvolvimento de projetos de manejo e recuperação de áreas degradadas e desmatadas.

Nesse contexto, entende-se que a pesquisa realizada foi qualiquantitativa, pois pesquisou-se não só a importância das plantas para as aves mas também quantas aves se alimentam de determinadas plantas e vice-versa.

Com a análise das referências consultadas obteve-se dados para a construção de duas tabelas que serão analisadas e discutidas nos parágrafos que seguem.

Nas referências consultadas para este estudo, foram encontrados registros de 104 espécies de aves em 67 espécies zoocóricas (Tab. 1). Entre as espécies vegetais destacaram-se três no que diz respeito ao número de espécies de aves registradas: Cabralea canjerana (Meliaceae) com registro de 39 diferentes espécies de aves, Rapanea ferruginea (Myrsinaceae), freqüentadas por 25 de espécies e Talauma ovata (Magnoliaceae) na qual foram observadas, no total, 24 espécies de aves se alimentaram dos frutos (Tab. 1).

Segundo LORENZI (2002), Cabralea canjerana (Meliaceae) é uma planta que mede de 20 a 30 metros de altura, com folhas compostas e frutos que se apresentam em forma de cápsula globosa com 3-5 sementes grandes. Sua distribuição vai de MG, MS até o RS, na mata pluvial da encosta Atlântica, floresta semidecídua de altitude.

Esta espécie apresenta-se como uma planta decídua, heliófita, encontrada em quase todas as formações vegetais, apesar de ser mais comum na floresta primária, pode ser encontrada também como planta pioneira e secundária nas capoeiras e capoeirões, tem preferência por solos argilosos e úmidos de encostas, sendo rara em terrenos secos (FERREIRA; PIZO, 1994).

Floresce em mais de uma época do ano, porém com maior intensidade em setembro-outubro, junto com o surgimento das novas folhas. Os frutos, em conseqüência, também amadurecem em mais de uma época, predominando os meses de agosto-novembro (LORENZI, 2002)

Com o arilo suculento que envolve a semente Cabralea canjerana se torna uma preferência de várias espécies de pássaros, confirmando sua inclusão importante e indispensável na composição de reflorestamentos heterogêneos em áreas destinadas à restauração ou à preservação permanente.

Rapanea ferruginea (Myrcinaceae) é uma árvore perenifólia, heliófila, higrófila e pioneira, característica de formações secundárias, como capoeiras e capoeirões, mas prefere encostas e beiras de córregos. Em determinado estágio da sucessão secundária da encosta atlântica, a canela-azeitona chega a ser espécie predominante (LORENZI, 2002). Ocorre em todo o país, em quase todas as formações vegetais, sendo particularmente freqüente na floresta pluvial da encosta atlântica. Floresce duas vezes ao ano, podendo a mesma estar com flores e frutos maduros na mesma árvore. Os frutos são pequenos, globosos e de coloração negro-arroxeada quando maduros, possuindo uma única semente e um pericarpo delgado (LORENZI, 2002).

Segundo Pinisch (1990), espécies desse gênero representam uma considerável fonte alimentar para variadas espécies de aves. Este elevado consumo de diásporos de Rapanea ferruginea pode se dar tanto pela fartura de frutos, que são pequenos e envoltos por um delgado pericarpo, como por estarem localizados nas extremidades dos galhos, desprovidos de folhas facilitando para as aves que

coletam rapidamente. O que pode determinar números para o consumo de diásporos não é a abundância de uma dada espécie de ave, mas um conjunto de outros fatores, como a preferência alimentar das aves e a oferta de outros alimentares na estação (PASCOTTO, 2007). R. ferruginea oferece frutos por um longo período durante o ano, diminuindo a competição entre as aves e aumentando a possibilidade de dispersão de suas sementes por maior abundância de espécies de aves, especialistas ou não (PASCOTTO, 2007).

Espécies arbóreas de sucessão secundária, como a Rapanea ferruginea estão adaptadas a preencher lacunas como, por exemplo, em clareiras e bordas, produzindo grandes quantidades de frutos com pequenas sementes, aumentando suas possibilidades de fixação e desenvolvimento em áreas abertas disponíveis, comumente, de ambientes em fases iniciais e intermediárias de sucessão (FRANCISCO; GALETTI, 2001). Portanto é uma espécie de grande importância em desenvolvimento de projetos de recuperação de áreas degradadas.

Conforme Lorenzi (2002), Talauma ovata é uma planta com aproximadamente 20 a 30 m de altura, que ocorre do Sul de minas Gerais até o Norte do Rio Grande do Sul, sendo particularmente comum na mata pluvial Atlântica e em ambientes de cerrado associadas às matas de galeria ou brejosos. Floresce a partir do final de outubro, prolongando-se até dezembro. A maturação dos frutos ocorre durante os meses de agosto-setembro. Os frutos são deiscentes, e quando abertos expõem as sementes que se encontram envoltas por um arilo vermelho (LORENZI, 2002). Apesar de que a espécie produzir poucos frutos, num único fruto ela disponibiliza muitos diásporos que, possivelmente, são ricos em lipídios, assim como os frutos de diversas espécies da família Meliaceae (CAZETTA et al., 2002).

Além disso, ainda segundo estes autores, o elevado número de espécies de aves que consomem os frutos desta planta mantém sua dispersão garantida até em áreas onde os frugívoros especialistas já tenham se tornados extintos, estabelece uma importante fonte alimentar para as aves.

Constitui uma das espécies mais importantes em áreas permanentemente alagadas por ser tolerante a esta condição, e apresenta alta capacidade de recrutamento, tornando-se um importante elemento de projetos de reflorestamento de matas ciliares (LORENZI, 2002).

Conforme Cazetta et al. (2002) perceberem em seu estudo, o fato de T.

ovata ter sido eficientemente dispersa nos diferentes tipos fitofisionômicos e mesmo

em áreas fragmentadas, vem sugerir que essa espécie é provavelmente pouco afetada pela redução da diversidade de aves em ambientes alterados pelo homem.

Este fato se dá, possivelmente, pelo fenômeno da evolução para um sistema de dispersão generalista, no qual pequenos diásporos com produção em abundância, se disponibilizam para uma grande variedade de aves, permitindo a distribuição desta espécie em ambientes diversificados.

Em relação às demais 64 das 67 espécies zoocóricas observou-se que 77% possuem menos do que dez registros de espécies de aves e aproximadamente 60% possuem registro de apenas uma espécie de ave encontrada na literatura consultada (Fig. 1), mostrando que existe uma grande lacuna no conhecimento sobre as interações das plantas zoocóricas e as aves consumidoras de seus frutos para a maioria das espécies vegetais da Mata Atlântica.

0

Tabela 1. Interações entre plantas zoocóricas e aves, encontradas na pesquisa de referências sobre o tema, ordenadas de forma decrescente pelo número total de interações registradas.

Espécie de Aves

Rapanea ferruginea (Ruiz &

Pav.) Mez

Talauma ovata (St. Hil)

Magnoliaceae

Lauraceae 26-29

43-47-48-49 62 75 86

94-95-96-97-99-100 15 Trichilia catingua (C. DC.)

Meliaceae 13 24-30 34-40 48 58 70 80

86-89-90

87-97-99 15

Trichilia clausenii (C. DC.)

Meliaceae 14

24-26-29 32-33 48

73-79-80

84-86-90 92-103 15

Continuação...

Trema micrantha (L.) Blume

Ulmaceae 20

Trichilia elegans (A. Juss)

Meliaceae 13-14 26 32-36 45 70 73 89-90 10

Continuação...

Myrciaria cuspidata (O. Berg.)

Myrtaceae

Continuação... (Aubl.), Dcne. et Planch Araliaceae

Cordia axillaris (I. M. Johnst)

Boraginaceae 58 01

Caesalpiniaceae 58 01

Cecropia glaziouii (Sneth.)

Cecropiaceae 58 01

Davilla elíptica (St. Hil.)

Dilleniaceae 58 01

Endlicheria paniculata (Spreng.)

Lauraceae

58 01

Continuação...

Melastomataceae 58 01

Miconia discolor (DC.)

Melastomataceae 58 01

Miconia pusilliflora (Beurl.)

Melastomataceae 58 01

Guarea kunthiana (A. Juss.)

Meliaceae 58 01

Fícus guaranítica (Chodat.)

Moraceae 58 01

Fícus insípida (Willd.)

Moraceae 58 01

Maclura tictoria (L.) D. Don.

Steud.

Continuação...

Geophila repens (L.) I.M.

Johnst.

Allophyllus edulis (St. Hill.) Radik

Sapindaceae

58 01

Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engl.

Sapotaceae

58 01

Continuação...

Espécies de aves Espécie de Planta

Família 01-10 11-20 21-30 31-40 41-50 51-60 61-70 71-80 81-90 91-105

N° de Interações Cestrum amictum (Schltdl.)

Solaceae 58 01

Solanum australe (C.V.

Morton) Solaceae

58 01

Citharexylum solanaceum (Cham.)

Verbenaceae

58 01

Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg.

Euphorbiaceae

58 01

Ocotea silvestris (Vatt.)

Lauraceae 58 01

1. Antilophia galeata (Lichtenstein, 1823); 2. Aratinga leucophthalmus (Müller, 1776); 3. Attila phoenicurus (Pelzeln, 1868); 4. Attila rufus (Vieillot, 1819);

5. Baillonius bailloni (Vieillot, 1819); 6. Baryphthengus ruficapillus (Vieillot, 1818); 7. Brotogeris tirica (Gmelin, 1788); 8. Cacicus chrysopteus (Vigors, 1825); 9. Cacicus haemorrhous (Linnaeus, 1766); 10. Camptostoma obsoletum (Temminck, 1824); 11. Carpornis cucullata (Swainson, 1821); 12.

Celeus flavescens (Gmelin, 1788); 13. Chiroxiphia caudata (Shaw, 1793); 14. Ciclaris gujanensis (Gmelin, 1789); 15. Cissopis leveriana (Gmelin, 1788);

16. Coereba flaveola (Linnaeus, 1758); 17. Colaptes campestris (Vieillot, 1818); 18. Colaptes melanochloros (Gmelin,1788); 19. Columba cayanensis;

20. Columbina talpacoti (Temminck, 1811); 21. Coryphospingus cucullatus (Muller, 1776); 22. Cyanocorax chrysops (Vieillot, 1818); 23. Cyanocorax cristalellus (Temminck, 1823); 24. Dacnis cayana (Linnaeus,1766); 25. Dryocopus lineatus (Linnaeus, 1766); 26. Elaenia flavogaster (Thumberg, 1822); 27. Elaenia mesoleuca (Deppe, 1830); 28. Elaenia obscura (d’ Orbigny e Lafresnaye, 1837); 29. Empidonomus varius (Vieillot, 1818); 30.

Euphonia chlorotica (Linnaeus, 1766); 31. Forpus xanthopterygius (Spix, 1824); 32. Habia rubica (Vieillot, 1817); 33. Hemithraupis ruficapilla (Vieillot1818); 34. Hylophilus amaurocephalus (Nordmann, 1835); 35. Icterus cayanensis (Linnaeus, 1766); 36. Knipolegus cyanirostris (Vieillot, 1818);

37. Legatus leucophaius (Vieillot, 1818); 38. Leptotila rufaxilla; 39. Lipaugus lanioides (Lesson, 1844); 40. Manacus manacus (Linnaeus,1766); 41.

Megarhynchus pitangua (Linnaeus, 1766); 42. Melanerpes flavifrons (Vieillot, 1818); 43. Mimus saturninus (Lichtenstein,1823); 44. Mionectes rufiventris

(Cabanis, 1846); 45. Myiarchus ferox (Gmelin, 1789); 46. Myiarchus swainsoni (Cabanis e Heine,1859); 47. Myiarchus tyrannulus (Statius Muller,1776);

48. Myiodinastes maculatus (Muller, 1776); 49. Myiozetetes similis (Spix, 1825); 50. Myozetetes cayanensis (Linnaeus, 1766); 51. Nemosia pileata (Boddaert, 1783); 52. Orthogonys chloricterus; 53. Oxyruncus cristatus (Swainson, 1821); 54. Pachyramphus polychopteru (Vieillot, 1818); 55.

Pachyramphus validus (Vieillot, 1816); 56. Parula pitiayumi (Vieillot, 1817); 57. Penelope obscura (Temminck, 1815); 58. Penelope superciliaris (Temminck, 1815); 59. Pipile jacutinga; 60. Pipraeidea melanonota (Vieillot, 1819); 61. Piranga flava (Spix, 1825); 62. Pitangus sulphuratus (Linnaeus,1766); 63. Pitylus fuliginosus; 64. Platycichla flavipes (Vieillot, 1818); 65. Procnias nudicollis; 66. Pyroderus scutatus (Shaw, 1792); 67.

Pyrrhura frontalis (Vieillot,1818); 68. Ramphastos dicolorus (Linnaeus, 1766); 69. Ramphastos vitellinus (Lichtenstein, 1823); 70. Ramphocelus carbo (Hellmayr, 1920); 71. Ramphocelus dicolorus; 72. Saltator atricollis (Vieillot, 1817); 73. Saltator similis (d’Orbighy e Lefresnye, 1837); 74. Schiffornis virescens (Lafresnaye, 1838); 75. Schistochlamys ruficapillus (Vieillot, 1817); 76. Selenidera maculirostris (Lichtenstein, 1823); 77. Serpophaga subcristata (Vieillot, 1817); 78. Sirystes sibilator (Vieillot, 1819); 79. Tachyphonus coronatus (Vieillot, 1822); 80. Tangara cayana (Linnaeus 1766); 81.

Tangara preciosa (Cabanis, 1850); 82. Tersina viridis (Llliger, 1811); 83. Thamnophilus doliatus (Linnaeus, 1764); 84. Thlypopsis sordida (d'Orbigny &

Lafresnaye, 1837); 85. Thraupis bonariensis (Gmelin, 1789); 86. Thraupis sayaca (Linnaeus, 1766); 87. Tityra cayana (Linnaeus, 1766); 88. Tityra inquisitor (Lichtenstein, 1823); 89. Tolmomyias sulphurescens (Spix, 1825); 90. Trichothraupis melanops (Vieillot, 1818); 91. Trogon rufus; 92. Trogon surrucura (Vieillot, 1817); 93. Trogon viridis (Vieillot1817); 94. Turdus albicollis (Vieillot, 1818); 95. Turdus amaurochalinus (Cabanis, 1850); 96. Turdus leucomelas (Vieillot,1818); 97. Turdus rufiventris (Vieillot,1818); 98. Turdus subalaris (Seebohm, 1887); 99. Tyrannus melancholicus (Vieillot, 1819);

100. Tyrannus savana (Linnaeus, 1766) 101. Veniliornis passerinus (Linnaeus, 1766); 102. Vireo chivi (Hellmayr e Seilern, 1913); 103. Vireo olivaceus (Linnaeus, 1766); 104. Zonotrichia capensis (Statius Muller,1776)

.

Com relação às espécies de aves e suas interações com espécies zoocóricas registradas na revisão bibliográfica, destacam-se Penelope superciliaris (Cracidae) que interagiu com 45 espécies de plantas, Turdus amaurochalinus (Muscicapidae) que foi registrada em 16 espécies e Turdus rufiventris (Turdidae) que foi observada se alimentando de frutos de 15 espécies arbóreas (Tab. 2).

Penelope superciliaris (Cracidae) possui ampla distribuição geográfica entre os Cracidae, do sul dos rios Amazonas e Madeira, pelo Brasil Central, Nordeste e Brasil Merídio-oriental, até o Paraguai e Rio Grande do Sul. Habita em matas, capoeiras, cerrados e caatingas, chegando a medir até 55cm de comprimento (MIKICH, 2002).

Possui uma barbela nua e vermelha, mais proeminente no macho, um topete rudimentar, asas com largas bordas ferrugíneas bem distintas, peito com desenho esbranquiçado e íris vermelha em ambos os sexos (SICK, 1997).

Esta espécie apresenta preferência por áreas florestadas e possui uma grande variedade alimentar, como frutas, sementes, folhas, brotos, insetos e pequenos animais. Apresenta forte apreciação ao fruto do palmiteiro (MIKICH, 2002).

Segundo Mikich (2002), quando passam pelo tubo digestivo dessas aves pode-se constatar que as sementes dessas plantas apresentam altas taxas de germinação o que indica que P. superciliaris pode ser considerada potencial dispersora desta espécie de planta.

Além disso, deve-se destacar a importância desta ave devido ao seu tamanho corporal tanto ao fato de carregar um lastro relativamente grande e depositar estas sementes em outras áreas, quanto ao fato de se alimentaram de frutos com grandes sementes e, assim, garantindo a disseminação e estabelecimento dessas plantas em outras áreas, evitando a extinção (OLIVEIRA, 1998).

Em escala de interação entre as aves e plantas nas próximas colocações se encontram as espécies do gênero Turdus, com T. amaurochalinus e T. rufiventris.

Estas aves habitam florestas, matas abertas, capoeiras, cercas-vivas, áreas urbanas arborizadas. Nas florestas são encontradas com mais frequência no extrato médio e no chão, alimentando-se de várias espécies de frutos carnosos, gostam de laranjas pelo suco desse fruto e se alimentam de alguns insetos, moluscos e minhocas. As espécies deste gênero medem aproximadamente 25cm. Sua distribuição se estende

do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, em estados litorâneos e tem sua concentração, principalmente, no sudeste do Brasil (SICK, 1997).

Em estudos realizados sobre interações mutualísticas entre espécies arbóreas e aves frugívoras como em Francisco e Galetti (2002) e Scherer; Silva e Baptista (2007), mostram que representantes do gênero Turdus aparecem entre as mais importantes para a dispersão de sementes, confirmando as primeiras colocações, das espécies desse gênero, na escala de interações que são apontadas neste trabalho.

Observou-se com a análise dos dados que das outras 101 espécies de aves, 80% possuem menos do que cinco registros de interação com espécies de plantas e aproximadamente 16% das aves apresentam de cinco a quatorze registros de interações com as plantas encontradas na literatura consultada (Fig. 2).

0

Número de espécies de aves

Fig. 2: Número de interações com aves registradas para as espécies zoocóricas encontradas nas referências bibliográficas consultadas.

.

Tabela 2. Interações entre aves e plantas zoocóricas encontradas na pesquisa de referências sobre o tema, ordenadas de forma decrescente pelo número total de interações registradas.

Espécie de Plantas

Continuação...

Continuação...

Myiozetetes similis (Spix, 1825)

Continuação... Myiarchus ferox (Gmelin,

1789)

ruficapillus (Vieillot, 1817) Thraupidae

Continuação...

Thlypopsis órdida (d’Orbigny & Lafresnaye,

Continuação...

Vireo chivi (Hellmayr e Seilern, 1913)

Habia rubica (Vieillot, 1817)

Piranga flava (Spix, 1825)

Continuação...

Habia rubica (Vieillot, 1817)

Piranga flava (Spix, 1825)

Continuação...

Continuação...

Continuação...

Attila rufus (Vieillot, 1819)

Tyrannidae 05 01

Continuação...

Continuação...

Elaenia obscura (d' Orbigny & Lafresnaye, 1837)

Tyrannidae

12 01

1. Alchornea glandulosa (Poepp.); 2. Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg.; 3. Allophyllus edulis (St. Hill.) Radik; 4. Annona cacans (Warm.); 5.

Cabralea canjerana (Vell.)Mart.; 6. Campomanesia xanthocarpa (Berg.); 7. Cecropia glaziouii (Sneth.); 8. Cecropia pachystachia (Trec.); 9. Cestrum amictum (Schltdl.); 10. Chrysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engl.; 11. Citharexylum solanaceum (Cham.); 12. Copaifera langsdorffii (A. Juss.);

13. Cordia axillaris (I. M. Johnst); 14. Cordia ecalyculata (Vell.); 15. Cytharexyllum myrianthum (Cham.); 16. Davilla elíptica (St. Hil.); 17. Davilla rugosa (Poir.); 18. Dendropanax cuneatum (DC.); 19. Dydimopanax morototoni (Aubl.), Dcne. et Planch; 20. Endlicheria paniculata (Spreng.); 21. Erythroxylum argentinum (O.E. Schulz); 22. Eugenia florida (D.C.); 23. Eugenia hiemalis (Cambess.); 24. Eugenia uruguayensis (Cambess); 25. Euterpe edulis (Mart.); 26. Ficus guaranítica (Chodat.); 27. Ficus insipida (Willd.); 28. Ficus organensis (Miq.); 29. Geophila macropoda (Ruiz & Pav.) DC.; 30.

Geophila repens (L.) I.M. Johnst.; 31. Guapira opposita (Vell.); 32. Guarea kunthiana (A. Juss.); 33. Holocalyx balansae (Mich.); 34. Maclura tinctoria (L.) D. Don. Steud.; 35. Miconia collatata (Wurdack); 36. Miconia discolor (DC.); 37. Miconia pusilliflora (Beurl.); 38. Miconia rubiginosa (Bonpl.) DC.;

39. Morus nigra (L.); 40. Myrcia palustris (DC.); 41. Myrciaria cuspidata (O. Berg.); 42. Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez; 43. Ocotea dyospyrifolia (Meissn.) Mez.; 44. Ocotea pulchella (Mart.); 45. Ocotea silvestris (Vatt.); 46. Opuntia monacantha (Willd.) Haw.; 47. Palicourea macrobotrys (Ruiz & Pav.) DC.; 48. Pera glabrata (Schott) Poepp.; 49. Pereskia aculeata (Mill.); 50. Peschiera fuchsiaefolia (Miers.); 51. Prunus sellowii (Koehne); 52. Psychotria carthagenensis (Jacq.); 53. Psychotria leiocarpa (Cham. & Schltdl.); 54. Rapanea ferruginea (Ruiz & Pav.) Mez; 55. Rapanea lancifolia (A.DC.) Mez; 56. Schinus terebinthifolius (Raddi); 57. Solanum australe (C.V. Morton); 58. Solanum inodorum (Vell.); 59. Sorocea bonplandii (Baill.) Burg. Lanj. & Bóer.); 60. Syagrus romanzoffiana (Cham.); 61. Talauma ovata(St. Hil); 62. Trema micrantha (L.) Blume; 63. Trichilia catingua (C.

DC.); 64. Trichilia clausenii (C. DC.); 65. Trichilia elegans (A. Juss); 66. Trichilia pallida (Sw.); 67. Vitex megapotamica (Spreng.).

8 CONCLUSÃO

Por meio desse trabalho, obtiveram-se dados referentes à riqueza e à diversidade das aves que se alimentam dos frutos da vegetação do Bioma Mata Atlântica. A partir desses dados, geraram-se subsídios para projetos de manejo e recomposição da flora e fauna de áreas degradadas, principalmente para a região em que se trata este estudo.

Os dados demonstram que a manutenção de espécies-chave, de aves e plantas, é muito eficiente para aceleração do processo de recuperação ambiental, visto que as copas das árvores, seus frutos e também os poleiros artificiais, atraem agentes dispersores de sementes, gerando condições à germinação e estabelecimento de novas comunidades vegetais, garantindo a manutenção e conseqüente conservação, não só do ecossistema como também de seus recursos naturais.

As aves têm o maior número de espécies frugívoras dos neotrópicos, possuindo famílias altamente dependentes de frutos (eg. Cotingidae, Cracidae) e outras menos dependentes (eg. Emberezidae, Tyrannidae).

Isso resulta num padrão assimétrico das interações ave-planta, segundo o qual poucas aves interagem com muitas plantas enquanto poucas plantas interagem com muitas aves (Jordano, 1987). Portanto, a assimetria de interações e a dependência entre espécies de aves e plantas devem ser consideradas elementos essenciais para determinar a estabilidade dessas comunidades (FADINI; MARCO JUNIOR, p.97, 2004).

Analisando os resultados obtidos entre as interações, pode-se perceber um considerável número de espécies tanto de aves, quanto de plantas, que se relacionam com poucas espécies para se alimentarem ou servirem de alimento, do que grandes números de interações. Com isso, deve-se levar em conta a importância da variedade e riqueza de espécies tanto animais quanto vegetais na manutenção dos ecossistemas, uma vez que a maioria necessita especificamente de alguns indivíduos para se alimentar e estes para dispersarem seus propágulos.

Além disso, observa-se uma lacuna a ser preenchida em relação à falta de estudos que identifiquem as relações entre as plantas e seus dispersores, principalmente na região em que se trata este estudo, o que dificulta a seleção das espécies a serem implantadas em projetos de recuperação e manejo de áreas degradadas.

A recuperação destas áreas se apresenta agora como um desafio, sendo necessário encontrar formas de acelerar ou incrementar a sucessão ecológica.

Considerando-se a extensão da área a ser recuperada, estas formas ou modelos de recuperação deverão ser triviais e de fácil aplicação, a inclusão de espécies arbóreas que atraiam a fauna, principalmente as aves.

Quando implantados pelo próprio ser humano, os custos de um programa de revegetação são muito altos. Existe, portanto, interesse em desenvolver técnicas de recuperação de áreas degradadas que se utilizem dos

Quando implantados pelo próprio ser humano, os custos de um programa de revegetação são muito altos. Existe, portanto, interesse em desenvolver técnicas de recuperação de áreas degradadas que se utilizem dos

Documentos relacionados