Há de se convir que os planos e projetos educacionais descritos no CONAE – Congresso Nacional de Educação, com a intencionalidade de melhorar a qualidade e valorizar
FUNDAMENTOS DA PESQUISA EM EJA – UM REFERENCIAL TEÓRICO E METODOLÓGICO
4.1.1 A importância da entrevista no objeto de estudos
A pesquisa científica em educação tem como ponto de partida designar o objeto a que se pretenda investigar, sobretudo problematizar refutando a realidade conflitante e perseguir em busca de caminhos que levam ao desvelamento do fenômeno apontado.
FIGURA 8 - As vertentes da pesquisa
FONTE: Elaborado pela pesquisadora
Entretanto, baseando-se nos dados levantados para o encaminhamento do projeto de estudos se faz necessário realizar uma pesquisa bibliográfica relacionada à linha de investigação, no nosso caso, “As iniciativas das políticas públicas para a educação de jovens e adultos no Brasil”, alertado pelo contexto ideológico que configura no sistema educativo brasileiro. É possível, porém obter o material desejável por meio das agendas governamentais, os planos e as iniciativas das políticas públicas voltadas à modalidade da EJA, centrada numa educação ao longo da vida.
Assim como no Brasil podemos buscar um exemplo em Portugal com a educação de adultos – EA, que segue uma relação da história, defendendo sucintamente a ideia da transposição do paradigma da educação permanente para o paradigma da aprendizagem ao longo da vida.
Barros (2013, p. 43) em seu trabalho de pesquisa para o doutorado em políticas de educação de adultos em Portugal, coloca que:
A parte documental da investigação que aqui apresentamos aspira a constituir-se como um contributo num domínio emergente do conhecimento global das ciências sociais que encara a realidade como uma realidade complexa. Isto significa, fundamentalmente, que procurámos aceitar o desafio que o conceito de complexidade implica para pensar as condições gerais de produção do conhecimento, perspectivando a sua incidência na investigação educacional, e em particular numa investigação como esta, que toma o campo da educação de adulto e das políticas educativas deste sector como objeto específico de estudo. É assim que esta investigação aparece inscrita numa racionalidade própria de vaivém entre teoria e prática que procurou, em todas as fases de um percurso desenvolvido em espiral, atender ao desafio derivado das múltiplas contradições que o real suscita, mas sem separar o objeto que aqui se estuda do seu ambiente sociopolítico e contexto histórico, e sem ceder à tentação de proceder a uma disjunção cartesiana entre o mundo do objeto a estudar e o mundo do sujeito que estuda, na medida em que desde a nossa perspectiva o investigador, na sua qualidade praxiológica de sujeito vivo e de ser social, satura inevitavelmente, reiteramos, de subjetividade o real cognoscível.
A fundamentação do trabalho de investigação necessariamente deve ser pautada na relação entre teorias pertinentes ao objeto de estudos racionalizado nas práticas educativas num processo dialógico entre teoria, prática e vozes dos sujeitos da pesquisa. A pesquisa, portanto se torna o caminho a ser percorrido para se chegar à ciência e ao conhecimento.
Segundo Demo (1998, p. 90), a instabilização da ciência tem duas origens:
a) Uma origem lógico-formal, com base na impossibilidade de produzir uma argumentação final para qualquer discurso científico; este reconhecimento ficou ainda mais estabelecido com o teorema de Gödel, e retratado com veemência e grande dose de ironia na tese pós-moderna de Lyotard, segundo a qual a ciência é circular, porque fundada em meta narrativas que não conseguem fundamentar-se a si mesmas; com efeito, toda teoria supõe conceitos prévios, hermeneuticamente válidos, ou seja, em qualquer definição somos obrigados a usar termos não definidos;
b) Uma origem política, porquanto toda pretensão de validade acaba valendo, se puder ser consensuada dentro de um contexto de discussão aberta; em certa medida, democracia do questionamento passa a fazer parte dos critérios de cientificidade, mas em estreita combinação com os lógicos; um discurso será tanto melhor questionável quanto mais bem elaborado for, em termos formais.
Para Demo (1998, p. 90), o conhecimento é inovador, mas é preciso saber inovar, não há como inovar-se permanecendo do mesmo jeito. Também não significa que se deva desconstruir o conhecimento, porque agride a tessitura hermenêutica da história e do ser humano culturalmente plantado. Portanto é preciso inovar-se sem descontruir até certa medida o saber histórico.
Podemos então compreender que há uma dialética na construção científica do conhecimento. A figura abaixo apresenta o que queremos demonstrar, ou, seja uma forma de percorrer o caminho da pesquisa na produção do conhecimento científico.
FIGURA 9
A dialética da construção científica
FONTE: Figura organizada pela pesquisadora
Nessa pesquisa optamos por compreender o objeto do conhecimento científico utilizando instrumentos: documental, referencial teórico e especialmente a entrevista. A entrevista se justifica por ser instrumento facilitador na coleta dos dados e que pode proporcionar um jeito todo especial de dialogar com o entrevistado. É uma das técnicas cada vez mais utilizadas por pesquisadores, pois permite livremente falar sobre o assunto, objeto da pesquisa, especialmente quando se trata de pessoas que possuem em seus trajetos profissionais longa experiência e conhecimento no assunto pesquisado.
Baseado no levantamento da coleta de dados podemos então selecionar a bibliografia que será utilizada na conformidade da pesquisa.
A leitura dos fatos que ocorrem em torno da pesquisa como todo o referencial teórico são elementos que fornecem substância para a elaboração do trabalho. Porém a entrevista se
torna um instrumento de grande importância em se tratando de se poder obter dados que não foram possíveis encontrarem em referenciais teóricos ou em documentos pesquisados. São falas dos sujeitos que de alguma forma transformam o fenômeno pesquisado em diálogos com retorno instantâneo e narração das experiências vividas. Todavia, Brito Junior e Junior (2011, p. 242) ressaltam que a entrevista pode não garantir fidelidade dos dados das informações coletadas, isto porque ela deve compartilhar de um conjunto de outros métodos coletados, para garantir a qualidade do resultado esperado retratando realmente o universo do objeto da pesquisa. Em busca de paradigma que dê sustentabilidade ao objeto, o material teórico se bem selecionado proporciona luz a pesquisa e qualifica o trabalho enquanto um projeto de pesquisa científica.