Capítulo 4 Discussão, conclusões e recomendações.
4.1.7. A importância da responsabilidade socioambiental
Sabendo-se que a responsabilidade socioambiental é um compromisso ético que a empresa deve ter para com a sociedade, em respeito aos direitos sociais e humanos, não se pode afirmar que o setor calçadista do Ceará, seja um exemplo a ser seguido.
Uma minoria entre as empresas investigadas participam ou financiam programas socioambientais ou exigem dos demais integrantes da cadeia produtiva ações voltadas ao combate da poluição e a conservação ambiental (Tabela 3.50) e (Tabela 3.51). As atitudes verificadas são tímidas, limitando-se a obtenção do licenciamento ambiental e o cumprimento da legislação pertinente (Tabela 3.53).
O incipiente grau de iniciativa voluntária de preservação da natureza e de ações sociais não é condizente com um setor que já alcançou maturidade econômica, mas que fica distante de obter um desenvolvimento sustentável. Este se conquista com comportamento orientado para a eqüidade social e a prudência ecológica ao mesmo tempo em que demanda a eficiência econômica.
A sustentabilidade empresarial é obtida quando os fatores ambientais, financeiros e sociais se integram de forma harmônica e se conjugam em suas respectivas características: i) ao cuidar do planeta (proteção ambiental, recursos renováveis, ecoeficiência, gestão de resíduos e gestão de riscos); ii) ao assegurar a prosperidade (resultado econômico, direito dos acionistas, competitividade e relação entre clientes e fornecedores); e iii) ao promover a dignidade humana (direitos humanos, direito dos trabalhadores, envolvimento com a comunidade, transparência e postura ética), conforme Figura 1.8.
4.2. Conclusões
O cenário mundial tem sido palco para intensas e profundas mutações geopolíticas, econômicas e socioambientais para a humanidade provocadas pela busca da competitividade e da necessidade de desenvolvimento das organizações e das nações.
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O estudo em tela abrange empresas industriais do Setor Calçadista do Estado do Ceará, região Nordeste do Brasil compreendendo: micros, pequenas, médias e grandes empresas, respectivamente identificadas em função da quantidade de funcionários que empregam, a saber: micro até 19 pessoas; pequena de 20 a 99 pessoas; média de 100 a 499 pessoas e grande: acima de 500 pessoas, segundo classificação do SEBRAE – Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas e do Ministério do Trabalho e Emprego.
A investigação alcançou todos os tipos de calçados abrangidos pela NCM (Normas Comuns do MERCOSUL), a saber: cabedal injetado, cabedal sintético, cabedal de couro natural, cabedal têxtil, compreendendo calçados masculinos, femininos, infantis, de segurança, ortopédicos e esportivos, destinados ao mercado doméstico e ao mercado internacional.
Algumas empresas de grande porte localizadas nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo têm gradualmente migrado para outros estados considerados emergentes, especialmente o Ceará.
O estado do Ceará, impulsionado pelas vantagens comparativas: proximidade geográfica com os principais mercados importadores como EUA e Europa, mão-de-obra capacitada, custos menores, proximidade da fonte de matéria prima (couro) e outros insumos, tecnologia disponível, infra-estrutura energética, de transporte e de comunicação eficientes, tem evoluído significativamente no setor calçadista, chegando atualmente a se constituir no segundo maior produtor, posição também conquistada em valores monetários nas exportações.
A expressividade do estado do Ceará no cenário calçadista brasileiro começou com um plano estratégico bem concebido e aplicado pelas autoridades governamentais da década de 1980 ao contemplarem uma série de providências estruturantes como: ajuste das contas públicas; melhoria da infra-estrutura; qualificação de mão-de-obra; subvenção fiscal; incentivos fiscais e governamentais; facilidade de financiamentos, enfim criando todo um ambiente sedutor para atrair grandes empresas manufatureiras a migrarem suas plantas para o estado. Aquelas que necessitavam de eficiência e competitividade, em nível de criar valor à cadeia produtiva quanto às exportações,
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encontraram as forças que permitiram a aproximação dos principais mercados consumidores internacionais: reais e potenciais.
O governo estadual visando à implantação de um modelo de desenvolvimento descentralizado quanto ao aspecto territorial, contemplou na política de incentivos fiscais maiores benefícios às empresas que se instalassem no interior do estado, e mapeou o território calçadista para a instalação em três pólos: Região Metropolitana de Fortaleza; Região do Cariri e Região de Sobral.
Os resultados da iniciativa governamental têm sido auspiciosos no que pese as dificuldades conjunturais mais recentes provocadas pela queda das importações norte- americana e argentina e a valorização cambial da moeda brasileira frete ao dólar.
A investigação das estratégias competitivas e competências das empresas calçadistas cearenses com vistas à garantia da sobrevivência e o desenvolvimento sustentável no mercado global, revelou através das técnicas: bibliográfica, documental, levantamento empírico com empresas e com especialista do setor; que as teorias orientadoras do estudo estão presentes nas ações empresariais que dinamizam as atividades do setor permitindo alcançar o objetivo final e os intermediários do estudo.
Antes da apresentação de qualquer detalhamento conclusivo é importante ressaltar duas características do estudo realizado: i) todo o setor foi abordado considerando as particularidades dos quatros tamanhos de empresas e ii) aos quatro principais tipos de calçados fabricados. Para o item (i) convencionou-se tratar em grupos distintos as empresas quanto ao tamanho, primeiro face as suas características próprias, e segundo, devido os diferentes aspectos tratados do ponto de vista da legislação brasileira. Assim temos o „grupo das micro/pequenas‟ e o „grupo das média/grandes‟. Quanto ao item (ii) se aborda a produção do „calçado natural‟ (couro e têxtil) e do „calçado sintético‟ (Eva e plástico). Tal procedimento permite entender melhor a distinção entre matéria-prima utilizada, processos, comercialização e mercados.
A fabricação de tipos de calçados por tipos de empresas é muito pulverizada, além do que algumas empresas costumam ter linhas de produção para mais de um tipo de calçado.
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