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2.2 METODOLOGIAS PARA O PROJETO

2.2.1 A importância das equipes multidisciplinares

As metodologias para o desenvolvimento de sites, ao longo do tempo, estão sen-do moldadas pela Ciência da Computação, pela Interação Humano-computasen-dor, pelo Design e por várias outras disciplinas que juntas permitem a formação de equipes multidisciplinares.

Com abordagem em metodologia de projeto de produto, Back et al. expõem que para alcançar competitividade “o produto deverá ser desenvolvido de uma forma in-tegrada, com competências em múltiplas disciplinas”. Isso signifi ca que não se pen-sa em projetista no singular, mas, em “equipe integrada de profi ssionais de diverpen-sas funções dentro de um ambiente de desenvolvimento de produto [...]”(BACK et al., 2008:7-8).

Na Engenharia de Software, de acordo com a norma ISO 13407 (Human-Cen-tered Design for Interactive System), uma equipe de projeto deve ser composta por profi ssionais (CYBIS, BETIOL e FAUST, 2007:105):

Representantes de todos os tipos de usuários-fi nais do sistema;

Representantes de usuários indiretos, incluindo os gerentes do trabalho e os

compradores do sistema;

Representantes de especialistas no domínio do trabalho;

Conforme Molinari (2004:81), os projetos web devem ter, em suas equipes, pro-fi ssionais como: gerente de projeto, arquiteto de informação, designer de interface, engenheiro de usabilidade, especialista em conteúdo cliente, programador, ergono-mista, entre outros.

Apesar de existir norma para composição de equipes em Engenharia de Softwa-re e esta ser aplicável em projetos para web, alguns autoSoftwa-res acSoftwa-reditam que a equipe a ser formada depende do tipo de projeto a ser desenvolvido. Garrett (2006) explica que não existe um modelo específi co para um projeto, que não há fórmulas prontas.

Quando se fala em uma equipe ideal sempre estará se falando em casos particulares de produtos, em certos tipos de projeto. Garret declara que o desafi o, tanto para gran-des quanto pequenas organizações, é compreender os diferentes tipos de projetos e ser capaz de entender suas necessidades para compor equipes web de sucesso.

Ratifi cando Garret, sobre particularidades dos projetos de produtos para web, Preece, Roger e Sharp (2005:484), afi rmam que “nunca dois projetos são o mesmo; cada um enfrentará restrições, demandas e crises diferentes”, e que, para o projeto ser efi cien-te, necessitam-se de várias habilidades:

uma equipe de design dever ser criativa, bem organizada e informada a respeito da variedade de técnicas que podem ser utilizadas, se necessário (PREECE, ROGERS e SHARP, 2005:484).

De acordo com os autores citados, entende-se que essa equipe deve ser multi-disciplinar ou, pelo menos, compreender as técnicas que poderão ser utilizadas em cada etapa do projeto. Embora, a composição destas equipes pode chegar a não compreender todos os profi ssionais mencionados anteriormente, devido a fatores econômicos. Garrett (2003:56) esclarece que trazer a visão de um estrategista/analis-ta pode se tornar caro para o projeto. O autor pressupõe que essa especialidade no entendimento de alguns signifi ca não estar “diretamente envolvido na construção de cada peça do site” 25, talvez por essa razão, segundo ele, estes profi ssionais sejam os primeiros a serem cortados do orçamento do projeto. No entanto, questões estratégi-cas de projeto são atividades iniciais de desenvolvimento de um site, pois são peças-chave para a composição dos objetivos do site. De acordo com Garrett,

a razão mais comum para a falha de um web site não é a tecnologia. Nem tampouco a falta de experiência dos usuários. Web sites falham, frequen-temente, porque, antes da primeira linha de código ser escrita, antes do primeiro pixel projetado ou do primeiro servidor instalado, ninguém se pre-ocupou em responder: o que a organização quer conseguir com o site e o que os seus usuários desejam com o mesmo 26 (GARRETT, 2003:40).

No Brasil, freqüentemente, encontram-se casos de produtos fi nais que não se-guiram um projeto mantido por equipe multidisciplinar. Há acúmulo de funções e, em muitos casos, até mesmo, a omissão de etapas do projeto, sem levantamento de requisitos, sem análise, partindo logo para o desenvolvimento do código. Sendo a web um espaço novo de comunicação em relação aos outros meios de comunica-ção, práticas importantes ainda não são aplicadas. Segundo Memória (2005:40), “um ponto importante para a realidade do mercado brasileiro é que, ainda hoje, a maioria dos profi ssionais continua trabalhando praticamente sozinho, como na época dos we-bmasters27”.

25 [tradução da autora ] […] strategists aren´t directly responsible for building any piece of the site[…].

26 [tradução da autora ] The most common reason for the failure of a Web site is not technology. It´s not user experience either. Web sites most often fail because, before the fi rst line of code was written, the fi rst pixel was pushed, or the fi rst server was installed, nobody bothered to answer two very basic questions: What do we want to get out of this site? and what do our users want to get out of it?

27 Profi ssionais que possuíam diversas atribuições no desenvolvimento de um site, mas com pouca especialização na área de design. “Ele sabia um pouco sobre tudo, mas na verdade não sabia muito sobre nada”. Felipe MEMÓRIA. Design para a Internet: Projetando a Experiência Perfeita, p.09.

Contudo, em relação à formação de equipes com várias habilidades, Memória co-menta que “os projetos para internet passaram a ser mais profi ssionais [...]. O envol-vimento de pessoas com diferentes formações ganhou mais força com o passar dos anos, aumentando a característica multidisciplinar da web” (MEMÓRIA, 2005). Esta multidisciplinaridade esteve presente antes mesmo da web tomar forma, de acordo com Memória (2005:09) pesquisadores das áreas de Ciência da Computação, Educa-ção, Psicologia, Linguística e Design Gráfi co reuniram-se em uma primeira conferên-cia, na Califórnia, em 1987, para discutir hipertextos (MEMÓRIA, 2005:09).

Tal como a multidisciplinaridade, observou-se também a necessidade dos pro-jetos adquirirem técnicas apropriadas para o desenvolvimento das atividades. Neste aspecto, métodos que são utilizados com efi ciência no desenvolvimento de produtos poderiam auxiliar no desenvolvimento de portais.