CAPÍTULO 1 MANUAL DIDÁTICO E EDUCAÇÃO HISTÓRICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO
1.2 Educação Histórica
1.2.2 A importância de trabalhar com fontes e evidências
A investigação histórica exige que o pesquisador procure fontes. Cooper (2004) afirma que as pistas do passado contribuem para a descoberta de
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pensar, agir e reagir diante das situações cotidianas. Ou seja, os sujeitos que viveram no passado produziram artefatos e criaram símbolos. Estes permitem ao sujeito que vive no presente observar o passado, e desta forma compreender algumas ações do presente perspectivando o futuro.
Cooper (2004) categoriza as fontes em: a) concretas 5 objetos e
artefatos; b) visuais 5
fotos, quadros, vitrais; c) fontes simbólicas 5
diagramas
ou mapas e d) fontes escritas 5 documentos, literatura, leis, jornais. Todos
estes elementos estão disponíveis no presente. Segundo as pesquisas de Cooper é possível submeter crianças pequenas a essas fontes e conduzi-las a um trabalho semelhante ao dos historiadores. Os especialistas ao pesquisarem colocam-se diante do material disponível, a fonte, e elaboram questões. A partir das respostas conseguem fazer inferências e produzir narrativas acerca do passado e dos fatos que ocorreram tendo condições de observar as causas e os efeitos no decorrer do tempo. Ao mesmo tempo podem se deparar com diferentes pontos de vista para um mesmo fato, neste caso será possível perceber que a História tem múltiplas possibilidades dependendo de quem escreveu, quando, porque e sob que ideologia, chegando à conclusão de que tudo isso fez diferença na e para a elaboração da narrativa no passado.
Portanto, o papel do historiador é observar as fontes, analisar os dados
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cabe questionar e interpretar as fontes a partir de um determinado ponto de vista.
Mas como as crianças pequenas podem ser envolvidas em pesquisas?
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que se as crianças forem expostas a fontes históricas e estimuladas a fazer perguntas e procurar respostas, provavelmente levantarão hipóteses que poderão ser confirmadas ou não. Tais hipóteses auxiliarão no processo de desenvolvimento da linguagem, na ampliação do vocabulário, na elaboração de argumentos e consequentemente no uso efetivo de conjunções argumentativas (desde, porque, portanto).
Diante desse quadro, podemos afirmar que crianças podem ser pesquisadores. Para tanto Cooper (2006) esclarece como criar significado a partir de fontes. O primeiro e mais importante passo é fazer perguntas sobre e para as fontes. Por exemplo, no trabalho realizado por Cooper (2004) crianças de oito e nove anos foram ensinadas sobre a idade da pedra e do ferro, sobre os romanos e os saxões, sob a premissa de que as fontes nos dizem coisas sobre o passado e com o objetivo de perceber se as crianças elaborariam questões, levantariam hipóteses e fariam deduções. Cooper defende que
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a, as crianças aprendem a fazer uma série de sugestões válidas acerca de como as coisas foram feitas ou utilizadas e, assim, concluir o que significavam para as pessoas que fizeram e usaram
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isto é chamado por Cooper de imaginação histórica. E, é ela que permite ir ao passado, compreender e respeitar as pessoas, suas formas de pensar e viver, por isso, as fontes e as evidências são essenciais para o ensino de História, mesmo sabendo
que as fontes não podem nos fornecer um quadro completo do passado e porque não podemos saber sobre os pensamentos e sentimentos daqueles que as fizeram e as usaram, nossas respostas para essas questões devem ser hipóteses, adivinhações razoáveis, baseadas no que conhecemos sobre a humanidade e os tempos passados. Com a maturidade e maior conhecimento, as adivinhações das crianças tornam-se mais prováveis de serem válidas, de acordo com o que é conhecido e o que parece ser. (COOPER, 2006, p. 178)
As pesquisas de Cooper com fontes em sequência revelaram ser
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como as respostas aos desafios enfrentados. Outro ponto positivo é a ampliação do vocabulário, pois ao ser exposta a fontes, sejam elas de qualquer tipo ou categoria, a criança entrará em contato com vocabulário novo e alguns termos específicos da História, palavras novas para descrever formas de vida sobre as quais a criança ainda não conhecia, ou expressões regionais para
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os que ainda estão nos textos literários, nos ditos populares e na forma de descrever o cotidiano de uma pessoa ou grupo de pessoas que viveu no passado. A palavra fuso, por exemplo, deve ser conhecida por crianças de todos os países e culturas, mas pelo menos no Brasil, não é usada há muito tempo, contudo a criança sabe o que é e por vezes utiliza este vocábulo em situações apropriadas e de modo inesperado. Em sua pesquisa Cooper percebeu que
ao aprender a interpretar a evidência, as crianças aprendem a fazer uma série de sugestões validadas acerca de como as coisas foram feitas ou utilizadas e, assim, concluir o que significavam para as pessoas que fizeram e usaram esses objetos. (COOPER, 2004, p. 59)
Segundo Cooper (2004) a incorporação do processo de respostas históricas para uma determinada fonte está diretamente ligada à compreensão do processo como um todo e não apenas na abstração das fontes estudas.
Com relação à validade ou não das fontes, Rosalyn Ashby (2006)
trabalhou com o conceito de evidência8
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perguntas sobre o passado e é a natureza individual e específica dessas questões que determina o que serve como evidência na validação de qualquer
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A pesquisa com um grupo de mais de 300 crianças entre 7 e 14 anos revelou que existe uma ampliação gradativa da compreensão e da leitura da evidência por parte dos estudantes. À medida que as questões são feitas e as respostas suscitadas, os estudantes buscam argumentos na própria evidência para validá-las ou não. Ou seja, as perguntas feitas estão relacionadas à
evidência de diferentes maneiras e isso vai determinar o status da evidência em válida ou inválida. Em determinado ponto da pesquisa, Ashby percebeu que mesmo realizando raciocínios complexos as conclusões das crianças, em alguns momentos, foram inválidas, isto por que
desafiaram as informações fornecidas nas fontes através do apelo às provas (tratando-as como testemunhos), ainda assim enfrentaram dificuldades para reconhecer uma afirmação válida, porque o testemunho que era rotulado como de não confiança era consequentemente rejeitado, em vez de ser usado para validar outros aspectos da afirmação válida (ASHBY, 2006).
O conceito de evidência histórica discutido por Ashby é essencial para a compreensão histórica, por isso é fundamental que os alunos aprendam a interpretar as fontes, a realizar inferências, a ir além de uma análise superficial das fontes. As crianças que participaram da pesquisa coordenada por Ashby (2006) desenvolveram condições de elaborar perguntas, pois reconhecem
o fato de que nosso conhecimento do passado vem de materiais do passado que foram deixados para trás; eles todos também, frequentemente, aprendem rotinas de interrogação para lidar com fontes que pouco têm a ver com a compreensão dessas fontes enquanto evidências históricas (ASHBY, 2006).
A partir das observações e discussões sobre evidência e fonte histórica a pesquisadora Rosalyn Ashiby afirma que o ensino de História deve privilegiar
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Enquanto que Peter Lee (2011) ao discutir por que aprender História, sobre a importância da evidência histórica afirma que
aprender a usar a evidência histórica é talvez, acima de tudo,
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concernente à verdade, objetividade e assim por diante, que são essenciais para a operação dos procedimentos históricos @ é tanto uma das principais razões para a aprendizagem da história como uma parte central do que a aprendizagem histórica realmente implica. (LEE, 2011, p. 27)
Portanto, o trabalho com fontes e evidências históricas deve balizar o ensino de História.