2 REVISÃO DE LITERATURA 2.2 A IMPORTÂNCIA DOS ASPECTOS DE CRESCIMENTO Uma das tendências da Ciência Agronômica é gerar modelos de simulação de crescimento com objetivo de detectar os fatores que possam limitar o cultivo, influenciando no potencial produtivo das espécies, além de prever rendimentos em função das condições em que as plantas se desenvolvem. O fenômeno crescimento de planta, tanto em nível de manejo como de pesquisa, requer o conhecimento das respostas das plantas ao ambiente (HUANG, 1993). De acordo com Dourado Neto (1998), um modelo de crescimento e desenvolvimento de plantas visa, entre outras finalidades, buscar informações básicas das diversas interações planta x ambiente, maximizando o uso de recursos naturais de cada região, ou de uma determinada condição de cultivo. O conhecimento das relações entre os caracteres é de suma importância à bananicultura, possibilitando, ao produtor, estimar a produção do cacho de uma determinada planta a partir de outros atributos. Embora apresente trabalhos relacionando caracteres de componentes da produção em diferentes genótipos de bananeira (JARAMILLO, 1982; DADZIE, 1998), a literatura carece de informações que permitam uma estimativa do peso do cacho a partir de alguns atributos medidos na fase da colheita. No caso da cultura da bananeira, a etapa final do melhoramento genético, é a avaliação dos genótipos em áreas de produção (SILVA; MATOS; ALVES, 1998; SILVA et al., 2000). Os caracteres prioritários para a análise são: ciclo da cultura, porte, peso do cacho, número e comprimento dos frutos (MOREIRA; SAES, 1984; ALVES, 1990; LEDO; SILVA; AZEVEDO, 1997). As correlações entre os caracteres observadas nos ensaios experimentais são geradas por fatores genéticos e ambientais (VENCOVSKY; BARRIGA, 1992) e são estimadas com o propósito de mensurar a alteração em um caráter quando a seleção é praticada em outro. Segundo Siqueira (1984), atributos morfológicos que exerçam efeitos na produção podem ser definidos por meio das correlações entre caracteres do desenvolvimento vegetativo e caracteres do cacho na bananeira „Prata‟. De acordo com Turner (1980), a produtividade em bananeira é função da quantidade de frutos e do peso médio dos frutos da planta. Hasselo (1962) verificou que a correlação entre o peso do cacho e o diâmetro do pseudocaule na bananeira „Gros Michel‟ não é, normalmente, influenciada por fatores ambientais. Trabalhos relacionando caracteres encontrados nas fases vegetativa e fase produtiva em genótipos de bananeira relatam correlações positivas e significativas entre a produção do cacho e o diâmetro do pseudocaule. Iuchi et al. (1979) concluíram que o número de folhas no florescimento não tem relação com a produção do cacho na bananeira „Prata‟, entretanto, Siqueira (1984) notou correlações significativas entre os referidos caracteres. Entre os componentes de produção, o número de frutos e o número de pencas estão relacionados com o peso do cacho (FERNANDEZ-CALDAS et al., 1977; HOLDER; CUMBS, 1982). Holder e Cumbs (1982) observaram, na variedade „Robusta‟, que a produção de flores femininas está positivamente correlacionada com o diâmetro do pseudocaule. De acordo com Fernandez-Caldas et al. (1977), embora o número de pencas seja um bom índice para prever a produção, o diâmetro do pseudocaule apresenta uma correlação maior com o peso do cacho. Siqueira (1984) constatou, a partir de clones da bananeira „Prata‟, que dentre os caracteres relacionados ao desenvolvimento vegetativo, o diâmetro do pseudocaule, seguido pelo número de folhas no florescimento, foi o que mais se correlacionou positivamente com os caracteres da produção. Segundo o autor, é possível, na bananeira „Prata‟, selecionar genótipos menores sem prejudicar a produção, pois a altura da planta, na maioria dos clones avaliados, não se relacionou com nenhum caráter associado ao rendimento. Jaramillo (1982), estudando diversos caracteres em cachos da bananeira „Cavendish Gigante‟ com diferentes números de pencas, peso do cacho, peso das pencas, peso dos dedos, número de pencas por cacho e número de dedos por cacho, estimou equações de regressão e verificou que o número de pencas está fortemente correlacionado com o peso do cacho e com o número de frutos por cacho. Pádua (1978) também obteve estimativas positivas e altas para as correlações entre o diâmetro dos frutos e o peso das pencas, o diâmetro dos frutos e o peso do cacho, o comprimento dos frutos e o peso das pencas e o comprimento dos frutos e o peso do cacho em bananeira „Prata‟. Dadzie (1998), avaliando as características pós-colheita de um genótipo triplóide e de híbridos tetraplóides de bananeira, observou correlações predominantemente positivas e significativas entre a idade do cacho e o peso dos frutos, o comprimento dos frutos, o diâmetro dos frutos, a área do corte transversal e a relação entre a polpa e a casca. Em um estudo de sistema foliar de bananeira, se consideram 3 aspectos principais: 1º. O número de folhas emitidas até a época de floração; 2º. As características de cada folha segundo o período de formação; 3º. A velocidade de saída das folhas. A duração de uma folha funcional depende do estado de desenvolvimento da planta, do parasitismo existente e das condições nutricionais. A largura da lâmina foliar varia de 70 a 100 cm e o comprimento de 200 a 400 cm, mantendo uma relação aproximada de 4 entre largura e comprimento nos clones gigantes; para os clones anões esta relação é de 2. Esta relação constitui um fator morfológico muito definido que ajuda na classificação dos diferentes clones (SOTO BALLESTERO, 1992). Estudos realizados na Costa do Marfim empregando desflora, apontaram informação sobre a quantidade de folhas requeridas para obter uma inflorescência normal. Foi constatado que o número de folhas emitidas e o tempo de emissão são características fixas, e que, a manutenção de 8 folhas é suficiente para obter um desenvolvimento normal de cacho até a colheita (LASSOUDIÈRE, 1978a, 1978b, 1978c). Uma bananeira emite geralmente de 25 a 35 folhas, com uma frequência de emissão de uma folha a cada 7 a 10 dias em condições favoráveis, o que reflete num crescimento por volta de 7 mm.h-1, p ara os cultivares mais frequentes da zona tropical. Em casos de deficiências de minerais, de déficit hídrico ou trocas bruscas de temperatura, se observa que a frequência de emissão foliar pode ser de uma folha por mês ou mais (AUBERT, 1973). Em períodos de seca relativa, pode variar de 10 a 12 dias entre duas folhas sucessivas. Em geral, uma folha por semana é um bom índice de produção (SIMMONDS, 1973; LASSOUDIÈRE, 1978a). A circunferência pode ser medida a diferentes alturas do pseudocaule e se marca com relação ao solo, geralmente a 30 ou 100 cm. Como o diâmetro do pseudocaule varia com a altura, este autor sugere medir a circunferência do pseudocaule a um terço da altura da planta em qualquer estado de seu desenvolvimento e para qualquer clone. O diâmetro do pseudocaule se considera como um índice de grande valor para medir o vigor da planta, já que representa o número de folhas emitidas e o vigor das mesmas. A relação entre o crescimento diário na circunferência e a quantidade de folhas emitidas varia muito pouco, pelo que estas duas características podem ser relacionadas. Não acontece o mesmo com a altura, a qual tem comportamento diferente, já que seu crescimento parece relacionar-se com a luz (SOTO BALLESTERO, 1992). O perímetro do pseudocaule é importante no melhoramento genético da bananeira, pois está relacionado ao vigor da planta e reflete sua capacidade de sustentação do cacho, sendo que cultivares com maior perímetro do pseudocaule são menos suscetíveis ao tombamento (SILVA et al., 2000; 2002). O crescimento do sucessor aumenta entre a floração e a colheita da planta mãe, o que indica que existe uma influência do ciclo sobre a altura e a circunferência do pseudocaule (LASSOUDIÈRE, 1978a). Ao mesmo tempo, estudos feitos em bananas do clone "Valery" na República do Guiné, revelaram a existência de uma correlação linear entre o peso do cacho e a circunferência do pseudocaule medida a um metro do solo e no momento da floração essa correlação foi de + 0,57. O coeficiente de regressão foi quase independente da fertilidade do solo, densidade da plantação e do tipo de material vegetativo usado. A equação de regressão foi: Y = 5.96 + 0.46 x Onde: Y = Peso médio do cacho X = Diâmetro médio do pseudocaule medido em cm no momento da floração. Segundo Perez (1972) e Siqueira (1984) o diâmetro do pseudocaule é, provavelmente, o que mais se correlaciona positivamente com as características de produção. O aumento da massa vegetal da planta matriz durante a fase de desenvolvimento vegetativo leva ao aumento do diâmetro do pseudocaule, o que possivelmente explica a correlação entre diâmetro e rendimento da bananeira, como foi verificado por Iuchi et al. (1979) e Siqueira (1984). A velocidade de crescimento do pseudocaule do sucessor durante o período Floração-Colheita da planta mãe é primordial; quando cresce muito em altura, com certeza terá uma inflorescência grande. Uma velocidade de crescimento de 8 a 10 cm em 10 dias, em geral, é necessária. A relação entre altura e número de folhas emitidas em um determinado momento é muito importante, quando tem inflorescências pequenas se nota sempre um desequilíbrio entre ambas e as plantas têm entrenós falsos mais curtos, apresentando aparência arrepolhada (SOTO BALLESTERO, 1992). O número de dedos por palma e por cacho é determinado no momento da diferenciação floral. Maior ou menor número de dedos será consequência do desenvolvimento da planta e das condições ecológicas e de cultivo que ocorram em períodos anteriores a esta diferenciação. O número de dedos por palma ou por cacho determina o seu tamanho e peso no momento da colheita. O número de dedos por cacho para frutas de diferentes tamanhos foi estudado por Jaramillo (1982). A influência do clima durante o intervalo entre floração e colheita, é primordial sobre o incremento diário no diâmetro dos frutos e esta ação pode prolongar-se ao período que antecede a floração. O peso do cacho é dado pelo número, comprimento e diâmetro dos dedos, assim como pela relação polpa-casca e o peso específico de cada uma das partes (SOTO BALLESTERO, 1992). Como o crescimento é avaliado em variações em tamanho de algum aspecto da planta, geralmente morfológico, em função da acumulação de material resultante da fotossíntese líquida, esta passa a ser o aspecto fisiológico de maior importância para a análise de crescimento. Exceções ocorrem como, por exemplo, o alongamento de caule por alta atividade auxínica, sobre condições de ausência de luz (estiolamento), conforme citado por Robinson (1996), de que um elevado número de folhas pode resultar em autossombreamento das plantas, o que faz com que o número de folhas nem sempre esteja associado a aumento nas assimilações líquidas. A análise de crescimento permite avaliar o crescimento final da planta como um todo e a contribuição dos diversos órgãos no crescimento total. A partir dos dados de crescimento pode-se inferir atividade fisiológica, isto é, estimar-se de forma bastante precisa, as causas de variação de crescimento entre as plantas geneticamente diferentes ou entre plantas crescendo em ambientes diferentes. A análise de crescimento pode ser muito útil no estudo do comportamento vegetal sob diferentes condições ambientais, incluindo condições de cultivo, de forma a também selecionar cultivares ou espécie que apresente características funcionais mais apropriadas, além de que, a análise de crescimento para previsão de produções tem sido adotada na elaboração de diversos modelos. Do ponto de vista biológico, a análise de crescimento é uma ferramenta indispensável para o melhor conhecimento das plantas como entidades biológicas que são, independentes de exploração agrícola. O crescimento caracteriza-se por aumento de tamanho e/ou peso, mas grande parte desse crescimento é irrelevante para novo crescimento, já que é constituído de material inerte, ou seja, não envolvido diretamente no crescimento. Nas plantas superiores, somente os meristemas têm relação direta com o crescimento, pois este é função do número e tamanho de células, e somente nos meristemas se dá multiplicação de células. A análise de crescimento tem por finalidade interpretar analiticamente o crescimento de uma planta. Este tipo de análise pode ser estendido, com algumas modificações, a populações ou comunidades vegetais. Com esta análise, pode-se avaliar a produção líquida das plantas, derivada do processo fotossintético, que é o resultado do desempenho do sistema assimilatório durante um determinado período de tempo. No documento FRANCISCO AGÉLIO SILVA BARRETO DE MEDEIROS RELAÇÕES ENTRE CARACTERÍSTICAS DE CRESCIMENTO E A PRODUÇÃO DE BANANA PACOVAN IRRIGADA (páginas 27-33)