CAPÍTULO 2. O BRINCAR NO HOSPITAL
2.2. Jogo
2.2.2. A importância dos jogos e brincadeiras para o
Brinquedos e brincadeiras não são apenas para divertir e distrair a criança, sadia ou doente, e as pessoas que com ela brincam. Brincar é também uma das maneiras principais de descoberta de si mesmo, dos outros e do mundo que a cerca.
Através da brincadeira, a criança aprende; exercita suas novas habilidades; percebe encantada, coisas novas; dirige medos e angústias; repete incessantemente o que gosta; explora e investiga o que há ao seu redor.
O brincar está implícito na criança desde o seu nascimento, quando suas primeiras brincadeiras são as de descobrir o seu próprio corpo. Brincando o bebê se descobre. Antes de brincar com qualquer tipo de objeto, o bebê brinca consigo mesmo.
O brincar para a criança é como o trabalho para o adulto. Através do brincar a criança se desenvolve por inteiro, fisicamente, psicologicamente e socialmente. A brincadeira prepara a criança para a vida. É através do brincar que a criança desenvolve sua personalidade, a qual a acompanhará pela vida afora.
A criança deve sempre brincar livremente, para que assim, ela possa expressar cada vez mais suas potencialidades e suas necessidades lúdicas.
Várias são as formas de brincar e, em todas elas existem o processo de criatividade e construção.
Para Cunha (1994) várias são as formas de se brincar como o brincar sozinho; brincar de faz-de-conta, brincar com outras pessoas; brincar em grupo; brincar correndo, saltando, jogando bola; brincar experimentando e desenvolvendo habilidades; brincar inventando; brincar aprendendo; brincar jogando e competindo, e brincar X trabalho.
• Brincar sozinho
A criança que brinca sozinho está, também, aumentando as possibilidades de lidar com sua afetividade e de descobrir seus interesses. Através deste processo, poderá chegar a encontrar uma vocação, o que é fundamental para a realização de todo ser humano. É um momento que deve ser respeitado, por ser um momento no qual estão sendo cultivadas qualidades importantes para a formação de hábitos, que irão influir na qualidade do seu futuro desempenho.
• Brincar de “faz-de-conta”
As situações imaginárias estimulam a inteligência e desenvolvem a criatividade da criança. Esta é uma forma de brincar mais fundamentais para um desenvolvimento infantil saudável, razão pela qual o “faz-de-conta” infantil deve ser tratado e subsidiado com seriedade.
• Brincar com outras pessoas
Brincar com outras pessoas é necessário para evitar que a criança fique sem o estímulo e a crítica que um parceiro pode proporcionar. Brincar com outras pessoas pode ser imitar gestos, fazer um desafio ou partilhar de um jogo ou brincadeira.
• Brincar em grupo
É uma aprendizagem muito enriquecedora e indispensável a uma boa integração social. Dentro do grupo, a atividade física gera entusiasmo, por essa razão é tão importante. Correndo, a criança fica alegre, aprende a partilhar, como também, ajuda a se conhecerem melhor e a fazerem novas amizades.
• Brincar correndo, saltando, jogando bola
Vencendo obstáculos, a criança desafia os próprios limites, gasta suas energias e desenvolve sua coordenação motora, adquirindo mais confiança em si e aprimorando seu equilíbrio.
• Brincar experimentando e desenvolvendo habilidades
Encaixar, empilhar, construir, montar quebra-cabeças são atividades que proporcionam exercício e desenvolvem habilidades. Estes jogos tornam as crianças mais aptas a desempenhar tarefas que, talvez, não conseguissem realizar se não estivessem em situação lúdica, livres de cobrança e de obrigatoriedade. Brincando a criança alcança níveis de desempenho bem mais altos porque não sente cansaço.
• Brincar inventando
Inventar e criar, todos podem, mas somente se tiverem sido estimulados a fazê-lo. É preciso haver alguma confiança na própria capacidade de criar ou, pelo menos, a certeza de que, mesmo que o resultado não seja bom, haverá boa aceitação do trabalho realizado.
• Brincar aprendendo
A curiosidade é natural a toda criança e o brinquedo proporciona o aprender-fazendo e brincando. Através de jogos e brincadeiras, a criança pode
aprender novos conceitos, adquirir informações e até mesmo superar dificuldades de aprendizagem.
• Brincar jogando e competindo
Uma das principais características do jogo é a necessidade de parceiro. Ainda que em postura de adversário, a parceria é um estabelecimento de relação. Jogar, competir e participar de atividades comuns são excelentes oportunidades para que a criança viva experiências que irão ajudá-la a amadurecer emocionalmente e a aprender uma forma de convivência mais enriquecedora.
• Brincar X trabalhar
Brincando a criança pode aprender a trabalhar porque, brincando, aprende a estar em atividade e descobre o prazer de estar ocupada, de estar operando, engajando-se por livre e espontânea vontade. No brinquedo, terá a oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis à sua futura atuação profissional, tais como atenção, o hábito de permanecer concentrado outras habilidades perceptuais e psicomotoras. Brincando, a criança torna-se operativa. Brincar e trabalhar não são atividades opostas, podem chegar quase a ser sinônimas, se o prazer na atividade for preservado.
Atualmente é grande o número de estudiosos e educadores preocupados com o quanto é importante brincar e que a ludicidade é o processo de construção mais saudável que um ser humano pode ter para o seu pleno desenvolvimento humano.
A brincadeira proporciona à criança muitas formas de expressar sua realidade, de se descobrir, descobrir o mundo, e encontrar respostas aos acontecimentos cotidiano.
Fröebel in Santos (1997, p.27) defende o brincar como responsável pelo desenvolvimento físico, moral, cognitivo e os dons ou brinquedos como objetos que subsidiam as atividades. Autores como Cunha (2001), Santos (1997) e kishimoto (1998) afirmam que BRINCAR É VIVER.
Se as crianças brincam é porque esta é uma necessidade básica, assim como a nutrição, a saúde, a habitação e a educação (Santos, 1999, p.115).
As crianças dos dias de hoje brincam pouco ou quase não ocupam seu tempo livre (se é que tem), brincando.
Cunha (2001, p.16) afirma que (...) brincando a criança está nutrindo sua vida interior, descobrindo sua vocação e buscando um sentido para sua vida, a ausência de tempo e oportunidade para brincar aparece como fortemente nocivo ao desenvolvimento infantil.
Brincar é uma forma de sonhar, é uma forma de se realizar, de poder entender e exteriorizar sua realidade, ajudando assim, na resolução dos conflitos inerentes à sua idade.
As crianças que não brincam ou não aprendem a brincar com outras crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos podem estar sofrendo uma grande perda cultural ou folclórica das brincadeiras existentes nos tempos passados e que vem sendo passadas de geração para geração. Acreditamos, ainda que crianças que brincam mais estão menos propensas a doenças porque ocupam seu tempo livre de forma saudável.
Santos (1999, p.114) confirma a função terapêutica do brincar com sendo atividade essa, em que a criança pode exteriorizar seus medos, angústias, problemas internos e revelar-se inteiramente, resgatando a alegria, a felicidade, efetividade e o entusiasmo.
Neste sentido considera-se que o brincar tem uma grande significância para o desenvolvimento da criança.
A criança frente a situações lúdicas desenvolve o funcionamento do pensar e a leva a alcançar níveis de desempenho que só através da estimulação e do brincar conseguem.
É essencial que a criança brinque. Brincando, cantando, girando, se expressando, contando, brincando com as histórias ou simplesmente ouvindo-as, ela estará se desenvolvendo como um ser integral. Brincar é a atividade mais séria da criança. Ao brincar a criança está “vivendo”.
Conscientes da importância da atividade lúdica para as crianças,, alguns pesquisadores chegaram a um consenso: devemos abrir ou ampliar espaços, afim de que as crianças de hoje brinquem. Espaços como um hospital!
Para Piaget (1975), a criança pode reagir pelo jogo contra um medo ou realizar pelo jogo o que não atreveria a fazer na realidade tornando-se este, então, catártico. Para ele, na presença de situações penosas e desagradáveis a criança pode apresentar um tipo de jogo simbólico caracterizado de combinações liquidantes em que a criança procura reviver a situação mediante transposições simbólicas.