4. Realização da Prática Profissional
4.6 A Imprevisibilidade
A imprevisibilidade foi uma constante durante todo o ano letivo, tanto nas condições espaciais como no número de alunos que se apresentava para realizar aula prática.
O primeiro desafio surgiu logo na primeira unidade didática a ser lecionada, a unidade de natação. Minutos antes das aulas desta modalidade, foi habitual, existir algum contratempo que me obrigava a modificar o planeamento feito antecipadamente.
“Minutos antes de entrar para a piscina municipal a professora cooperante informou-me que nesta aula apenas poderia usufruir de duas pistas para a lecionação da mesma, contrariamente às três pistas da aula transata. (…) Consequência disso, em pouco tempo e com a ajuda da professora cooperante, organizei os grupos para que a aula fosse passível de ser realizada. Sendo assim, dividi o nível dois em dois grupos distintos para metade desses alunos partilharem a pista com o nível um e a outra metade partilhar a pista com o nível três.” (Reflexão nº6)
O primeiro impacto relativamente a esta imprevisibilidade, foi muito constrangedor, uma vez que tinha de conseguir em breves minutos, arranjar uma alternativa que proporcionasse condições de aprendizagem aos alunos. Contudo, com a ajuda da professora cooperante foi possível proporcionar novas e adequadas condições de aprendizagem aos alunos. Uma vez, que eram as primeiras ocorrências de imprevisibilidade tornou-se fundamental consultar a professora cooperante para saber a sua opinião relativamente às novas propostas para a aula.
Ainda relativamente à imprevisibilidade de instalações, esta aconteceu várias vezes durante o período do ano letivo, em que o espaço exterior era o meu espaço e as condições climatéricas não permitiam que a aula se realizasse. Nesta fase, uma vez que já tinha alguma experiência do primeiro
89
período, a estratégia passava por realizar um planeamento alternativo para as instalações anexas. Este planeamento passava essencialmente por exercícios de condição física, pois era o que o espaço permitia. Estas alterações das condições espaciais da aula, estão bem visíveis nas reflexões das aulas 17 e 19.
“Este tipo de situações será uma constante neste final de período devido à imprevisibilidade do estado do tempo, o que me leva a planear em todas as aulas exercícios para serem lecionados na bancada e que sempre que possível tentem cumprir o máximo de objetivos propostos para a aula.” (Reflexão nº17)
“Aqui utilizei o plano alternativo que já tinha planeado com antecedência e com exercícios consoante os objetivos da aula, pois deve-se privilegiar sempre a aula prática em detrimento da aula teórica e indo no sentido de alcançar os mesmos objetivos planeados inicialmente, mesmo que sejam utilizados exercícios diferentes.” (Reflexão nº19)
Contudo, houve ainda situações em que nestas condições, existia um espaço livre deixado por um professor ausente e que podia ser aproveitado para realizar a aula. Nestas situações, o professor deve procurar cumprir ao máximo os objetivos a que se propôs no planeamento inicial e apenas, se isso não for possível, propor outros objetivos a serem cumpridos.
A maior imprevisibilidade, verificada durante todo o ano letivo, foi relativamente ao número de alunos que realizavam aula prática. Se inicialmente se devia ao facto de alguns alunos estarem num processo de decisão de mudança de turma ou de escola, no resto do ano letivo, os pedidos de dispensa da aula ou faltas, foram uma constante. Assim, nas primeiras ocorrências em cada unidade didática senti algumas dificuldades em reorganizar as aulas, uma vez que para além do planeamento não ser o mais ajustado aos alunos porque não tinha o conhecimento total das suas capacidades, o tempo que tinha para o fazer revelava-se bastante reduzido. Estas dificuldades estão expostas na reflexão a seguir transcrita:
“Mais uma vez nesta aula fui obrigada a realizar algumas alterações na planificação devido à ausência de alguns alunos na aula. Assim, a transição para o torneio foi mais demorada do que o planeado, uma vez que tive de
90
realizar ajustes na constituição dos grupos. Este caso começa a ser recorrente nas aulas, pois em quase todas se apresentam alunos dispensados ou a faltar.” (Reflexão nº37)
No entanto, após ter-me apercebido que este facto se verificava na maioria das aulas, rapidamente aprendi a lidar com as situações de imprevisibilidade, usando como estratégia a realização de um planeamento de aula em que era possível reajustar os alunos rapidamente. Pois como afirma Moretto (2007), ser capaz de improvisar perante as inúmeras adversidades que ocorrem num contexto real de aprendizagem, é de facto importante para o professor. No entanto será ainda melhor, se o professor for capaz de prever esses mesmos imprevistos.
Estes ajustes eram possíveis porque a constituição dos grupos e a distribuição dos alunos no campo eram feitas incorporando uma alternativa para o caso de algum elemento faltar. Para isto, tentei sempre aproveitar o tempo de aquecimento, em que os alunos se tornam mais autónomos, para realizar os ajustes necessários de modo a comtemplar apenas os alunos que estavam presentes na aula.
Deste modo, posso concluir que um bom planeamento em que se antecipam aspetos que podem colocar em causa o bom funcionamento da aula, permite-nos ter maior segurança e pertinência na tomada de decisões em ocorrências de imprevisibilidade. Para além disso, permite que a aula decorra com maior fluidez e que não se perca tempo de prática dos alunos por constrangimentos organizativos.