5. A evolução e diferenças entre alunos
5.3. A influência do Conhecimento do Professor
Relacionada com o planeamento feito pelo professor, os professores estagiários sentem mais dificuldade em planear no 2º período do que no 1º período, devido às mudanças do processo de ensino-aprendizagem (Teixeira & Onofre, 2009). No entanto, não considerei ser uma dificuldade, mas sim algo mais complexo, principalmente ao nível da organização. Deve-se muito pelo meu conhecimento prévio de vários aspetos. O conhecimento base para o ensino é uma codificação de agregação de conhecimento, competência, compreensão, técnológico, ético e disposição de responsabilidade coletiva, sendo que a aprendizagem inicia-se com o professor a entender o que tem de ensinar e como é que vai ensinar (Shulman, 1987).
As categorias do nosso conhecimento base, como referi no início deste relatório, são (Shulman, 1987): conhecimento do conteúdo; conhecimento pedagógico geral; conhecimento do currículo; conhecimento pedagógico do conteúdo; conhecimento dos alunos e as suas características; conhecimento dos contextos educativos; e o conhecimento dos fins educacionais, propósitos e valores.
Ainda, é possível identificar 4 pontos chave do conhecimento para uma avaliação formativa correta (Heritage, 2007): 1) domínio do conhecimento – os professores devem conhecer as conceções, conhecimentos e competências que têm que ser ensinadas; 2) conhecimento pedagógico do conteúdo – os professores devem conseguir dar instruções corretas para uma boa avaliação das aprendizagens; 3) conhecer as aprendizagens passadas dos alunos; 4) conhecimento de avaliação – conhecer as estratégias formativas para maximizar as aprendizagens.
36 É claro que o conhecimento pedagógio do conteúdo é a categoria que mais influência tem na qualidade do ensino (Shulman, 1987). Os resultados da avaliação inicial, foram eficazes para uma adequada aprendizagem e evolução dos alunos, bem como o estudo autonomo prévio dos programas e dos documentos do departamento de EF.
Ao longo do ano letivo, a minha maior dificuldade em termos de conhecimento pedagógico do conteúdo foi a matéria de futebol, com mais ênfase no nível elementar da matéria estipulada pelos PNEF (2001). Para colmatar esta dificuldade, inicialmente, fi-lo através do apoio e conversas com professores do departamento mais especializados na matéria. Ao contrário do que indicam os estudos (Teixeira & Onofre, 2009), recorri aos colegas mais experientes com mais frequência, sendo que os estudo indicam o recurso a estes em apenas 17% como forma de colmatar as suas dificuldades. A semana do professor a tempo inteiro, foi fulcral para treinar a observação deste nível. Conhecendo os critérios e indicadores de observação, consegui entender e reconhecer a dinâmica do jogo. Contudo, não consegui ser interventiva e fornecer feedback. Mas, o transfer para uma intervenção clara e focada na minha turma de lecionação foi eficiente. Ainda, a observação de outras turmas nesta matéria, a forma de intervenção dos professores e os feedbacks fornecidos aos alunos, contribuiu em grande parte para aumentar o meu conhecimento pedagógico do conteúdo da matéria de futebol. Consegui colmatar as minhas dificuldades pelas 4 fontes do conhecimento base (Shulman, 1987): 1) o estudo do conteúdo da disciplina; 2) materiais e estruturas educacionais (currículo); 3) entender os processo da educação; 4) sabedoria da prática. Então, tive que necessariamente compreender o conjunto de ideias a ser ensinadas (Shulman, 1987), para depois ensinar.
No DE, a minha dificuldade não era o conhecimento do jogo ou dos gestos técnicos, ou seja, do conhecimento do conteúdo mas sim como inovar em termos de exercícios para desenvolver as competências nas alunas. Colmatei esta dificuldade muito pelo acompanhamento da professora responsável do grupo-equipa. O conhecimento pedagógico do conteúdo que esta tem da modalidade, permitiu-me a mim observar, discutir e refletir em novas formas de ensinar as competências necessárias. Ainda, a abordagem do nível elementar da matéria de voleibol durante as minhas aulas, observação das aulas dos meus colegas e de outros colegas mais experientes evoluir no ensino e acompanhamento da equipa.
Um aspeto essencial no conhecimento pedagógico do conteúdo é a forma como ensinamos (Shulman, 1987). Para tal, conhecer os diferentes estilos de ensino é essencial. O Espectro de Estilos de Ensino de Mosston e Ashworth (2008), delinia as
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opções de ensino-aprendizagem. Fornece aos professores, o conhecimento fundamental para desenvolver um reportório de comportamentos profissionais que englobam todos os objetivos necessários para conector com os alunos e educar os alunos (Mosston & Ashworth, 2008). A forma como o professor planeia, seleciona e sequencia o conteúdo, sente perante os alunos e ambiciona experiências de aprendizagem de sucesso não é acidental: reflete o conhecimento do professor (Mosston & Ashworth, 2008).
Estes dois autores, apresentam-nos então um espectro que se baseia entre dois tipos de estilos de ensino: convergentes e divergentes. Os estilos de ensino convergentes, centram-se mais no professor, sendo que este apresenta a tarefa e o objetivo. Os estilos de ensino divergentes, centram-se mais no desafio do aluno descobrir qual o objetivo. Os estilos de ensino convergentes são: comando, tarefa, recíproco, auto- avaliação e inclusivo. Os estilos de ensino divergentes são: descoberta guiada, divergente e programa individual.
A utilização de cada um destes estilos de ensino vai depender do nosso processo de decisão. Isto é, o processo de decisão será o primeiro aspeto, para saber o comportamento a adotar perante: como organizar os alunos, como organizar a matéria, como gerir o tempo, espaço e materiais, como interagimos com os alunos, como selecionar o nosso discurso, como construimos o clima socio-afetivo da sala de aula, e como criar e conduzir todas os processos cognitivos com os alunos (Mosston & Ashworth, 2008).
Refletindo sobre todo o meu ano de estágio, entendi que a aplicação destes estilos de ensino nunca são puramente como descritos, mas sim em conjunto com os outros estilos de ensino, tendo um que prevalece. O facto de estes diferentes estilos de ensino, fazerem parte integrante do meu conhecimento pedagógico foi uma ferramenta ao longo de todo o ano. Inicialmente, o foco era totalmente nos estilos de ensino convergentes por diversos fatores: necessidade de controlo, não conhecer os alunos, não estar segura para que os alunos tivessem mais autonomia e liberdade no seu processo de ensino-aprendizagem. Ao longo do ano, direcionando o foco nos alunos, já foi possível aplicar estilos de ensino divergentes de forma a que eles conseguissem regular as suas próprias aprendizagens.