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CAPÍTULO 2 – A EVOLUÇÃO DO ATUAÇÃO RESPONSÁVEL® E DAS

2.2 A evolução daí Indústria Química e os processos de

2.2.13 A influência do mercado no comportamento dos gestores

Uma reflexão sobre as diversas formas de influencias sofridas pelos gestores em função das pressões econômicas e sociais talvez nos possa apontar para um maior entendimento desta dinâmica capaz de fazer com que o caminhar na direção das soluções desejadas ocorram de forma lenta. Como devemos então nos

comportar ou de que forma devemos agir para assegurar que a velocidade da mudança não seja lenta o suficiente para tornar a vida no planeta insustentável.

Eu acredito que a única alternativa real para esta nossa sociedade do “pegar, fazer, desperdiçar” esta em uma revolução da aspiração e da inspiração. A aspiração deve partir de nós, do mundo que pretendemos deixar para os nossos filhos e para os filhos deles. A inspiração virá da compreensão comum dos princípios de um sistema econômico coerente com o funcionamento da natureza e da visão de que ele é possível. (SENGE, 2006.p. 240)

Conforme Hawken et al (1999, p.4), uma economia requer quatro tipos de capital para funcionar adequadamente:

• capital humano na forma de trabalho e inteligência, cultura e organização

• o capital financeiro que consiste em dinheiro, investimentos e instrumentos monetários;

• o capital manufaturado, inclusive a infra-estrutura, as máquinas, as ferramentas e as fábricas.

• O capital natural, constituído de recursos, sistemas vivos e os serviços do ecossistema.

Será que os gestores da Responsabilidade Socioambiental Corporativa e do Atuação Responsável já conseguem vislumbrar ou mesmo entender que todas as teorias econômicas se baseavam na falácia segundo a qual o capital natural e humano tinham pouco valor na composição do produto final? Reintroduzir os princípios do “cuidado” e os conceitos do capital natural como um valor a ser considerado em todos os processos de mensuração contábil, sem dúvida é o primeiro passo para uma mudança perene rumo à sustentabilidade. Segundo HAWKEN et. al (1999, p.8-9), para a adoção do capitalismo natural e a possibilidade de um novo sistema industrial alicerçado em uma nova mentalidade e em uma escala de valores muito diferente das do capitalismo convencional, precisam ter como pressupostos básicos:

• O meio ambiente não é um fator de produção sem importância, mas um invólucro que contém, abastece e sustenta o conjunto da economia. • Os fatores limitadores do desenvolvimento econômico futuro são a disponibilidade e a funcionalidade do capital natural, em particular dos serviços de sustentação da vida que não têm substitutos e, atualmente, carecem de valor de mercado.

• Os sistemas de negócio e de crescimento populacional mal concebido ou mal projetado, assim como os padrões dissipadores de consumo, são as causas primárias da perda do capital natural, sendo que as três coisas devem tentar alcançar a economia sustentável.

• O progresso econômico futuro tem melhores condições de ocorrer nos sistemas de produção e distribuição democráticos baseados no mercado, nos quais todas as formas de capital sejam plenamente valorizadas, inclusive o humano, o industrial, o financeiro e o natural.

• Uma das chaves do emprego mais eficaz das pessoas, do dinheiro e do meio ambiente é o crescimento radical da produtividade dos recursos. • O bem estar humano é mais favorecido pela melhora da qualidade e do fluxo da prestação de serviços desejáveis que pelo aumento do fluxo total de dólares.

• A sustentabilidade econômica e ambiental depende da superação das desigualdades globais de renda e bem-estar material.

• Em longo prazo, o melhor ambiente para o comércio é oferecido pelos sistemas de governo verdadeiramente democráticos, que se apóiam nas necessidades das pessoas, não nas das empresas.

Conforme já apontado por Friedman (1982, apud GIVEL, 2006, p.8), a função primária das corporações seria produzir lucro e não desenvolver responsabilidade social corporativa que compense os impactos ambientais e sociais de suas atividades.

A assertiva de Friedman (1982, apud GIVEL, 2006, p.8) nos leva a concluir que, muitos não mais exercem seu direito a análise crítica do ser na terra, do ser no mundo, do ser no social e das suas interações, simplesmente segue-se a onda, qual um barco a deriva. Embora a assertiva, no nosso entender, possa ser questionada em alguns aspectos, consideramos relevante que, no contexto proposto, seria oportuno analisar de que forma as energias antagônicas provenientes da força do mercado, coíbem fortemente o desenvolvimento de ações de responsabilidade socioambientais, por considerar ser a obtenção de lucro, interesse maior dos acionistas, a prioridade maior na gestão de organizações privadas, como é o caso das indústrias químicas. Refletindo sobre o que foi apresentado acima, conforme Lisboa (2002, p.134):

É necessário que se faça uma reflexão sobre a cultura ocidental maniqueísta onde é muito difícil compreender o paradoxo, a ambigüidade, a coexistência de elementos contraditórios: onda e partícula, razão e emoção,

sapiens e demens, cooperação e competição, público e privado, ser e não

Faz-se necessário entender, portanto, as forças que permeiam e conduzem o comportamento dos gestores organizacionais e como se dá a formação da representação social inerente de cada setor social. A partir desta compreensão acreditamos poder revelar a necessidade da quebra do paradigma que nos leva a cair no erro da concretude injustificada. O constante exercício da auto-análise, o desenvolvimento de uma forma de exercício constante para o autoconhecimento, correlacionados com uma visão sistêmica do mundo e de suas interações e, especialmente, das respostas que se dá aos diversos inputs decorrente da crise social e ambiental moderna, talvez nos leve ao insight, ao eureka, capaz de revelar a urgência da tomada de atitude, por uma ação socioambiental séria e comprometida , pela urgência do fugir ao pensamento redutor e unilateral.

Assim como o mercado não pode prescindir de algum grau de confiança mútua, também na ação solidária sempre se encontra presente algum grau de interesse. Nenhuma ação humana é puro calculo estratégico, ou apenas pura gratuidade, mas, de acordo com Caillé, uma mescla de quatro pulsões irredutíveis e fundamentais da existência social: prazer; interesse; dever; doação (LISBOA, 2002, p.123).

Os avanços na cosmovisão ocidental em função de alguns avanços científicos podem auxiliar no processo evolutivo que nos tornam flexíveis, resilientes frente às mudanças. Por exemplo, com o princípio da incerteza sabemos que a energia é matéria, que onda e partícula são duas expressões da mesma realidade.

[...] não cabe mais firmar a polarização absoluta e totalizante ente capital e trabalho, que este seja o antagonismo determinante de toda a sociedade. Não se trata de afirmar que não existem classes e conflitos entre as mesmas, mas entender que a velha interpretação da sociedade dividida entre burguesia e trabalhadores é cada vez mais insuficiente para dar conta da complexa sociedade onde a profunda divisão de trabalho amplia a heterogeneização da classe trabalhadora e torna incontornável a dissociação entre as mesmas (LISBOA, 2002, p.124).

As sociedades não modernas garantiam os meios materiais para a satisfação das necessidades através do mecanismo da reciprocidade (trocas dentro de um sistema tribal ou de parentesco), ou redistribuição (através de um controle centralizado dos recursos). O princípio da permuta, quando existia, ocupava um lugar subordinado a um dos outros dois princípios. Novamente, cabe aqui, registrar a oportunidade, na nossa ótica, de se levar a alta administração de uma empresa refletir na necessidade da quebra de alguns paradigmas, exercitando e retornando à ação solidária, o desenvolvimento de jogos cooperativos dentro das ações de

Responsabilidade Social e Ambiental, onde todos ganham. Esta missão, na nossa percepção, cabe especialmente aos gestores dos programas de responsabilidade socioambiental, resta conhecer quais são seus conhecimentos, habilidades e suas atitudes frente a este desafio, os quais irão demonstrar sua competência para legitimar a empresa em que trabalha como social e ambientalmente responsável, por desenvolver práticas efetivas de responsabilidade socioambiental sustentáveis.

2.2.14 Pressupostos para uma nova representação social no contexto do