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A influência moderna em Aracaju

3. ÉRAMOS PALACE, O DOCUMENTÁRIO

3.1. A PESQUISA DO OBJETO

3.1.1. A influência moderna em Aracaju

O movimento intitulado como arquitetura moderna sempre esteve associado às ideias relacionadas ao desenvolvimento, refletindo as significativas transformações que ocorreram no final do século XIX e no decorrer do século XX. Internacionalmente, o movimento moderno foi marcado por produções de arquitetos como Mies Van Der Rohe, Frank Lloyd Wright, Walter Gropius, Le Corbusier, entre outros.

Os mesmos traziam em seus projetos diferentes ideias, seja pelas inovações presentes na escola Bauhaus – fundado por Walter Gropius -, na década de 1920, pela ousadia dos projetos realizados por Mies Van Der Rohe e Frank Lloyd Wright, ou pelos planos de cidades “futuristas” feitos por arquitetos como Le Corbusier. Estando estes sempre atrelados a ideia de

37 Tese esta que posteriormente se transformou em um livro, intitulado “Roteiro de documentário: da pré-produção

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que a arquitetura e o urbanismo precisavam acompanhar as mudanças trazidas pelas inovações da época.

No Brasil, a arquitetura moderna, atrelada à chegada das indústrias, consolidou uma fase referente a um grande avanço no país, marcando assim uma época de desenvolvimento cultural e econômico na nação. O feito da arquitetura moderna é tão presente no país, que o mesmo possui um considerável reconhecimento internacional pela qualidade inventiva dos projetos aqui realizados. A arquitetura moderna emerge no país, portanto, em uma época de efervescência política e cultural, onde o processo de urbanização brasileira estava em alta, ocasionadas pela recente industrialização, decorrente no período de Getúlio Vargas, no início dos anos 1930.

Na década de 1950, o processo de urbanização se intensifica em todo o país, marcado pelos planos de desenvolvimento do presidente Juscelino Kubitschek, onde muito se valorizou a construção de rodovias e a valorização do automóvel, é também neste período que se inicia a construção da nova capital do país, Brasília, símbolo da modernidade e do progresso presente na nação. Conforme Chaves (2016), o que retratava a modernidade nesta década eram as estradas e o sistema rodoviário, os automóveis, os viadutos, os edifícios altos e a arquitetura moderna; e todas estes pontos são ressaltados na cidade de Brasília, marcando este processo de modernidade.

Assim, projetos marcantes de arquitetos como Lina Bo Bardi, Vilanova Artigas e Affonso Reidy, realizados em diferentes cidades no país, bem como a criação da cidade de Brasília por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer registram a presente época.

Sendo um importante marco e estando ligado ao desenvolvimento da nação, o movimento moderno trouxe influências para as diferentes partes da nação, como é o caso de Sergipe, e mais especificamente a cidade de Aracaju.

Data-se que a fundação da cidade de Aracaju se deu em 1855, estando assim inserida dentro do período do Brasil Imperial, onde o país vivia um processo de modernização e crescimento. Com o decorrer dos anos a cidade foi se transformando conforme as influências dos acontecimentos que ocorriam no país. Com o transcorrer do tempo, Aracaju apresentou cada vez mais traços de desenvolvimento. Conforme CHOU (2002), a imagem de progresso em Aracaju foi se dando sempre atrelada a construções e as suas ruas. Dessa forma, a arquitetura moderna se consolida na cidade justamente atrelada a esta ideia de progresso e “modernidade”, de tal forma que a influência da arquitetura moderna na cidade de Aracaju é notável.

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É no início dos anos de 1950, com o processo de industrialização em constante desenvolvimento na cidade, e esta se consolidando como um centro econômico (SILVA,2009), que as primeiras edificações com traços modernos surgem em seu skyline. Sendo o Edifício Mayara (1951), com seis andares, a primeira edificação vertical presente na capital, dando início ao processo de verticalização na cidade (Figura 36). Conforme Menezes (p.43, 2008), até então o que se via de verticalização na cidade eram os sobrados das famílias mais abastadas que possuíam no máximo três pavimentos.

Neste mesmo período, se acentua o crescimento urbano de Aracaju, devido a crescente migração do campo para a cidade, em consonante com o gradativo aumento das rodovias que interligavam a capital com as outras cidades metropolitanas, como São Cristóvão e Laranjeiras; bem como o início da reestruturação da economia do Estado (NERY, 2003).

Ainda na década de 1950, outra edificação de grande porte é construída na cidade, dessa vez tendo como característica a construção de uma edificação residencial. Em 1957, é inaugurado o edifício Atalaia (Figura 38), com 11 pavimentos e projeto do engenheiro e desenhista Rafael Grimaldi, consolidando o início de obras de caráter moderno em Aracaju. Entende-se também que a construção do Atalaia - que causou dúvida entre a população da época devido a sua grandiosidade, pode ser explicada pela ideia de inovação que o mesmo traria (DINIZ, 2009).

Figura 38: O edifício Mayara na época de sua inauguração (esq.) Vista da Rua da Frente mostrando o edifício Atalaia (dir.)

Fonte: (esq.) Acervo da família Hora Oliveira (s/d). (dir.) Acervo IBGE (s/d).

No final dos anos 50, outras edificações de caráter moderno são inseridas na malha urbana da cidade, iniciando nesta época a construção do Hotel Palace (Figura 39), de 13 pavimentos, e no início dos anos de 1960 a inauguração do Terminal Luiz Garcia (Figura 39),

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ambos inaugurados em 1962 e trazendo o mesmo engenheiro e desenhista Rafael Grimaldi como responsável pelo projeto. Sendo, este e aquele, obras inauguradas na gestão do então Governador Luiz Garcia, juntamente com a iniciativa privada.

Figura 39: À esquerda, o Terminal Luiz Garcia. Ao fundo, o Hotel Palace.

Fonte: Cartão Postal - Paraná-Cart. - Fotografia: José Kalkbrenner Fº. (s/d)

As obras referentes a construção de um hotel e de uma rodoviária na capital sergipana, estão em consonante com as políticas de desenvolvimento presentes no então governo do presidente Juscelino Kubitschek; onde, segundo Chaves (2016), o presidente incluiu medidas para o desenvolvimento da região nordestina, como a criação da SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste -, em 1959, e atuando ativamente a partir do início da década de 1960. Bem como a consolidação das ações referentes a indústria do turismo. Assim, o Hotel Palace e o Terminal Luiz Garcia se consolidam como símbolos do progresso e da modernidade em Aracaju.

Também nos anos 60, Aracaju apresenta um intenso crescimento econômico, com a descoberta de Petróleo e a consequente construção da Petrobrás. Assim, diferentes investimentos públicos são efetuados na configuração do espaço urbano (SILVA, 2009). Aliado ao crescimento populacional e econômico, está a construção da Universidade Federal de Sergipe (1968) - o mesmo trazendo edificações com características Brutalistas, e a construção das sedes de grandes bancos nacionais, como o Banco do Brasil em 1968, em obra modernista localizada na praça General Valadão (Figura 40). Neste período também se intensificam a construção de residências modernas, localizadas principalmente nos bairros Centro e São José (Figura 41).

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Figura 40: O prédio do Banco do Brasil (esq.) e a fachada leste do Hotel Palace (dir.)

Fonte: Acervo Júnior Gomes, 196?.

Figura 41: (esq.) A residência José Gonçalves (1955), no bairro São José; (centro) A residência Hora Oliveira (1958), no bairro Centro; (dir.) A residência Wilson Sobral (196?) também no bairro São José.

Fonte: Acervo do Autor, 2018.

Assim, o crescimento econômico e populacional da capital sergipana, e consequentemente a sua intenção de crescer e se tornar uma metrópole, estão estritamente ligadas com o início e consolidação das edificações modernas na cidade, que ao longo da década de 1970 iria se estabelecer ainda mais com a inauguração de outras construções modernistas e de caráter público-privado, como o Edifício do Estado de Sergipe (Popularmente conhecido como Maria Feliciana) em 1970 (Figura 42), e a inauguração do prédio da Previdência Social (INSS), em 1971 (Figura 42).

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Figura 42: Em primeiro plano (dir.) o prédio do INSS; à (esq.) em segundo plano, o prédio do Estado de Sergipe ( Maria Feliciana).

Fonte: Acervo IBGE, 1971.

Dessa forma, estabelece-se que a arquitetura moderna foi de grande influência na consolidação de Aracaju como uma cidade que se desenvolveu através das construções que refletiam o progredimento e a ideia de modernidade no período em questão. E o Hotel Palace, se consolida como uma edificação que refletiu por muito tempo esse pensamento.

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