2. Fundamentos teóricos: resenhas
2.2. Alguns assuntos atuais
2.4.4. A informação lexical ;
ma da informação lexical dos verbos. IMo primeiro, antes de re lacionar fatos que considera deverem ser levados em conta por "uma teoria completa da informação lexical", o autor assim defi, ne o léxicoj
... uma lista de descrições, redun dantes ao mínimo, das proprieda - des sintáticas, semanticas e fono lógicas de itens lexicais, acompa nhada por um sistema de regras/:qn cebíveis como um conjunto de ins truções sobre como interpretar as entradas lexicais. (p. 389)
Essa definição ainda mantém a expressão entrada le x i c a l ,da teoria standard, mas, no desdobramento dos itens, posições mais avançadas se evidenciam. Resumirei o que consta da p. 389 a 392:
Alguns tipos de fatos são relativos a informações idiossin cráticas, outros são gerais, atribuíveis a classes intèirás de verbos. Ao todo são arrolados dez itens:
P r i m e i r o ; há um sentido básico ou central do verbo. Assim, hit (bater) e touch ('. tocar ) são verbos de contacto de superfície; a diferença entre os dois reside na intensidade do i mpacto. Se g u n d o ; esse sentido básico do verbo contém papéis que são con ceitualmente inerentes, cuja natureza e número é preciso deter minar. Exemplo: o verbo break requer um Objeto que muda de esta d o .
T e r c e i r o ; certos verbos impõem a argumentos qua lhe são associa dos certos juízos ("understandings"). Por exemplo, o Dativo de Assassinate deve referir-se a uma "pessoa em alguma posição po lítica ou religiosa".
Q u a r t o ; com certos verbos nossa compreensão de um dos argumen tos é tão clara que o argumento em si mesmo não precisa ser men cionado. Por exemplo, de beijar não se precisa dizer que se faz cora os lábios, a não ser numa construção enfática, como "baijoij -a com lábios impuros". '
Q u i n t o ; há necessidade de indicar, na descrição dos verbos,quais os casos não-inerentes para a definição do seu sentido básico qu3 são compatíveis com eles, como, por exemplo, o Agente para o ve£ bo h i t .
S e x t o ; há necesádade de indicar quais os casos que devem ser ;o- brigatoriamente expressos e quais os que podem ser omitidos. Por exemplo, com h i t , o Instrumento pode ser omitido quando há um A g e n t e , ou mesmo o L u g a r , nas situações em que é facilmente iden tificável pelo contexto; The bullet h i t .
s é t i m o ; é preciso indicar quais os casos que podem aparecer como sujeito e quais, como objeto. R e n t , por exemplo, permite que en tidades diferentes apareçam como sujeito; o mesmo se dá em rela ção ao Ob.jeto com o verbo blame.
O i t a v o ; importa determinar as preposições usadas com os casoa que podem ser sujeitos ou objetos de superfície.
N o n o ; "é necessário, para alguns verbos, saber se há fatos semãn ticos que dete*rminam assuntos tais como a escolha do sujeito ou do objeto, "como nas frases seguintes;
(79) Harry sprayed paint on the luall (80) Harry sprayed the wall luith paint
As duas sentenças não são paráfrases. Na sentença (80), a e £ colha de wall como objeto indica que a parede é tomada na sua to talidade.
D é c i m o ; "é necessário saber que modificações no verbo são exigi das em conexão com a escolha do sujeito. "Por exemplo, com o ve£
s® o sujeito for o doadar("giver"), só se admite a voz ativa; ao contrário, a voz passiva admite a subjetivização tanto do "recebedor", como da "coisa doada".
Em seu 1959a, FILLMORE se detém especificamente no problema da informação lexical, associando à sua teoria de casos as suge^ tões da teoria do "speech act", como já foi dito acima. Assim, a maneira de visualizar a informação lexical recebe nova contribui ç ã o ;
Um léxico, visto^como parte do apa rato de uma gramatica gerativa^ dja ve tornar acessível a seus usuários,' para • cada item lexical:
(l) a natureza dos ambientes sintá ticos de estrutura profunda em qua o item pode ser inscrito;
(Xl) áe
as regras de gramática sao sensi - veis:
(lllj para um item que pode^ser u- s a d o »,como 'predicado', o número de 'argumentos' que ele conceitualmeh te exige;
(lU) o papel ou os papéis^que cada argumento exerce na à t u a ç ã o que ò item, como predicado, pode indicar;
(U) as pressuposições ou condições de 'felicidade^ para o ruso do i- tem, as condições que devem ser sa tisfeitas a fim de que o item seja apropriadamente usado;
(Úl) a natureza do relacionamento conceituai e morfológico^do itempa ra com outros itens 130 léxico;
(UII) sua significação; e
(VIII) as aparências fonológica ou ortográfica gue o item assume sob dadas condiçoes gramaticais, (p. 370) Depois de expor a teoria do "ato de linguagem", o autor,co mo no "paper" dnterior, passa a discutir as propriedades f u n d a mentais dos verbos, considerando o "sentido básico" da palavra como um "conjunto de componentes", alguns idiossincráticos, ou
tros atribuíveis, a uma classe de palavras, (p. 372-4)
Um desses componentes é o tem p o , que( permite, por exemplo , distinguir verbos m omentâneos, relacionados a "atividades encara das como necessariamente mudando no tempo", dos verbos contínuos, em que isso, ao contrário, não se dá. Os verbos contínuos admi - tem complemento que identifica o lapso de tem p o ; ele dormiu du - rante tres d i a s . A negação do verbo momentâneo resulta num esta do contínuo; "ele não acordou durante três d i a s ." Os verbos mo mentâneos que exprimem atos repõtíveis implicam iteração; " ele chutou o cão até as 5 horas". Isso, porém, não ocorre quando o verbo momentâneo indica mudança de estado, com objeto definido.
(8l)íKEle quebrou o vaso até as 5 horas.
A distinção dos significados de verbos podem envolver outros componentes como; jump e leap (ambos momentâneos) diferem no fa to de que o último implica mudança na posição horizontal e não só na vertical, como jump; a ausência desse deslocamento vertical(a fastamento da superfície) distinguirá, por sua vez, slide da leap; scuttle o p õ e -8Q a slide pela rapidez 0 pelo caráter descontínuoda
contacto corn a superficie; dart participa do traço r a p i d e z . mas contrasta com scuttle péla não~referência a contacto de super fície. A intencionalidade ou a não-intencionalidade constitui • outro componente:
(82) 3ohn means x by y
(83) Qohn understands x by y (84) Y means x to 3ohn
Na sentença (82) a associação entre x e y é intencional; em (83) e (84) é não-intencional.
2 . 4 . 5 — Semântica Gerativa x Semântica Interpretativa :