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A INTERAÇÃO DAS COOPERATIVAS COM A COMUNIDADE

No documento SÃO PAULO 2022 (páginas 32-35)

O cooperativismo é concebido como um instrumento da comunidade e busca estar presente em todos os eventos. As cooperativas de crédito estão envolvidas em

projetos de desenvolvimento local e regional, com atenção especial para aqueles que contribuem para a geração de renda da população.

Por outro lado, ultimamente tem havido uma tendência de financiar mais projetos sociais do que antes. Um bom exemplo disso é o investimento realizado no grande projeto “A União Faz a Vida”3, que além de englobar o Sistema SICREDI, já foi implantado em 120 municípios com a implantação das associações com conselhos locais, cooperativas, sindicatos e outras associações.

Da mesma forma, as cooperativas estão envolvidas em atividades e projetos de apoio à conservação ambiental, em associação com outras cooperativas locais, como cooperativas de infraestrutura, cooperativas agrícolas e prefeituras. Na prática, esta atividade é uma evolução natural quer da pressão crescente da própria opinião pública a favor de ações que reduzam os graves impactos negativos no ambiente, quer do sétimo princípio que, respondendo à preocupação da comunidade, se situa no uma perspectiva de promoção do "desenvolvimento sustentável".

Um dos programas voltados para crianças, adolescentes e jovens é o “O Rio Grande Canta o Cooperativismo”, uma iniciativa conjunta do Sistema Ocergs (Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul) e o SESCOOP/RS (Serviço Nacional de Aprendizagem Cooperativo do Rio Grande do Sul).

No que diz respeito à participação feminina em cooperativas, segundo dados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), apenas 10% das cooperativas tinham mulheres em sua gestão em 2000. Em 2004, o percentual subiu para 12%. As cooperativas de crédito também apresentam vantagens nesse aspecto, principalmente as do Sistema SICREDI, das quais 20% dos associados e 50% dos colaboradores e empregados são mulheres.

No segmento de crédito, há uma expectativa especial de entrada de jovens graças ao projeto "A União Faz a Vida", voltado especialmente para crianças e pré- adolescentes, e pelo qual já passaram mais de 120 mil alunos durante seus primeiros 12 anos de validade.

3 Lançamos o Programa A União Faz a Vida em 1995, depois de nossos gestores perceberem como era importante promover a educação para termos um mundo mais cooperativo. Com pessoas educadas desde cedo em temas como cooperação e cidadania — e também interessadas em uma nova cultura, na qual o indivíduo e a comunidade pudessem juntos criar oportunidades de crescimento para todos — tanto o Sicredi como a sociedade poderiam evoluir e se desenvolver cada vez mais.

Em relação ao quadro de colaboradores das cooperativas, o sistema SICREDI realiza um trabalho especial de treinamento e qualificação que permite conhecer o diferencial cooperativo em relação às demais cooperativas no que se refere a valores, princípios e formas de estruturação e atuação empresarial, baseada na cooperação e não na competição.

De modo geral, admite-se que o efeito do processo de indução ao cooperativismo que busca difundir o cooperativismo na opinião pública, é inócuo. O Cooperativismo ainda não se deu conta de como e quando deve divulgar sua imagem perante o grande público.

E quando isso acontece, é muito embrionário e improvisado. No entanto, o tipo de associado candidato que baterá nas portas das cooperativas dependerá das imagens que forem construídas com o grande público.

Se fosse praticada a intercooperação de forma eficaz, eles ganhariam proporcionalmente. Entende-se que se referem a uma intercooperação não só dentro de um mesmo setor, mas também com outros setores do cooperativismo, criando-se gradativamente um ambiente de cooperativismo com um sistema especial formado por diferentes setores.

No setor de crédito, começam a aumentar as consultas às cooperativas de outros setores, com as quais também começam a ocorrer interações. Esta iniciativa é muito oportuna, pois nos permite enfrentar o avanço das empresas multinacionais, que começam a competir com as cooperativas por espaços e linhas econômicas.

Eles se preocupam com esses avanços e, por isso, observam que a saída será provocar mais processos de intercooperação, principalmente nesta era de globalização. Apesar de tudo, verifica-se que o cooperativismo não está bem organizado para enfrentar os desafios do mercado com mais coesão e integridade. A atitude "cada cooperativa pela sua parte!"

Pior ainda, frequentemente gera competição entre cooperativas, às vezes por

"razões prosaicas de vizinhança". Isso só os leva a se enfraquecerem, ao invés de tentarem assumir uma visão mais sistêmica e criar processos de sinergia cooperativa contra concorrentes fortes e agressivos nacionais e transnacionais. Nesse momento, muitas das cooperativas atuais carecem (por parte de seus dirigentes) de uma "visão mais holística" que transcenda as fronteiras de cada setor ou segmento. O movimento

cooperativo deve ser visto de uma perspectiva global, como um diferencial em relação ao sistema capitalista hegemônico, tanto ou mais exigente de racionalidade, eficiência e qualidade do que o sistema dominante, embora com objetivos diferentes e como forma de vida, trabalho e organização econômica e social diferenciada.

Apesar de tudo, ressalta-se a necessidade de abastecimento do mercado nacional e internacional e a urgência de se criar uma frente cooperativa comum de exportação. Se houver maior intercooperação, mais vendas serão geradas no mercado interno e externo. Com o sistema SICREDI consolidado em termos de estruturação e operação interna, órgão regulador e oferta consolidada de produtos e serviços, deve-se começar a programar medidas que visem penetrar de forma mais decisiva no plano internacional global.

A Confederação do Sistema SICREDI já se especializou na área tecnológica e em processos de gestão. Neste sentido, o BANCO SICREDI é especialista em introdução financeira e de produtos. Ambas as características são pontos positivos a serem desenvolvidos em benefício da interação com outros países.

Porém, com exceção do Sistema SICREDI, todos os demais setores percebem a falta de maior estruturação e integração sistêmica que lhes permita enfrentar a globalização de forma mais adequada. Há espaço aqui para um apoio mais explícito e sistemático do poder público. Sua ajuda é fundamental para que as cooperativas possam entrar no mercado global.

A médio e longo prazo deve haver maior continuidade e coerência nas decisões e políticas, de forma que seja possível verificar claramente uma sequência de passos progressivos que conduzam a uma integração efetiva em um mercado comum e, posteriormente, em uma plena união econômica e social.

No documento SÃO PAULO 2022 (páginas 32-35)

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