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6 TRIBUNAL CONSTITUCIONAL PLURINACIONAL E A

6.2 A INTERCULTURALIDADE NO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

No site do Tribunal Constitucional Plurinacional, na aba “sistematización de la jurisprudência constitucional Plurinacional 2012 – 201534”, foi feita a pesquisa do termo ‘interculturalidad’. Como resultado,

tivemos 104 decisões, que nos levam ao universo amostral de: (1) 37 decisões em 2012, perfazendo (36%) do total; (2) 42 decisões em 2013, perfazendo (40%) do total; (3) 16 decisões em 2014, perfazendo (15%) do total; (4) 9 decisões em 2015, perfazendo (9%) do total.

Tais dados podem ser especificados da seguinte forma no gráfico abaixo:

Gráfico 1: quantidade de sentenças que trabalham com interculturalidade divididas por ano.

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

34Disponível em: < http://www.tcpbolivia.bo/tcp/ > Acessado em 14 nov 2016.

36% 40% 15% 9%

104 sentenças

2012 2013 2014 2015

Sobre estas sentenças coletadas, adotamos as seguintes categorias de análise:

(1) Debate sobre interculturalidade; (2) Debate sobre vivir buen;

(3) Se favorável ao reclamante.

Assim, selecionando os dados - desprezando as sentenças “revisoras de sentenças já prolatadas e as repetidas” - obtivemos 81 sentenças. Para facilitar a análise, optamos por tratar como totalmente favoráveis, as sentenças que foram favoráveis em parte.

Destas 81 sentenças selecionadas, as que, de fato, versam sobre o debate da interculturalidade são 33, cujo percentual corresponde a 41% do total; contra 48 que não fazem nenhum debate, correspondendo a 59% dessas sentenças.

Gráfico 2: sentenças que de fato debatem a interculturalidade

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

Já das sentenças que debatem o vivir buen, observamos que 24 debatem, de fato, a temática, correspondendo a 30% dos casos; ante 57 que não trabalham a questão, perfazendo um total de 70% das sentenças.

41% 59%

81 sentenças

Gráfico 3: sentenças que de fato debatem vivir buen

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

Com relação à procedência das sentenças, - se favoráveis ou não ao reclamante - constatamos que 51 foram procedentes, o que corresponde a 63% do montante; e 30 improcedentes, ou seja, 37% do total das demandas. O que é demostrado no gráfico seguinte:

Gráfico 4: sentenças procedentes ao pedido do reclamante

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

30% 70%

81

sim não 63% 37%

81

sim não

Desta análise inicial de dados, observamos que 19 sentenças foram procedentes, quando debatiam a interculturalidade; e 13 sentenças foram procedentes, quando debatiam o vivir buen. Deste total, apenas 10 sentenças coincidiam, quando debatiam efetivamente a temática de interculturaidade e

vivir buen na mesma peça. O que traz outra conclusão: 3 (três) sentenças

foram procedentes somente baseadas no vivir buen.

Concluímos, assim, que 29 das 51 sentenças procedentes não fizeram debate algum sobre interculturalidade ou vivir buen, apenas foram “jogados” estes termos na decisão do magistrado ou da magistrada. Isto demonstra que, muitas vezes, apenas são ventilados os conceitos de interculturalidade ou vivir

buen na sentença, mas não os trabalham de forma efetiva para verificar a

procedência da demanda.

A conclusão desta análise numérica revela ainda, nesta seara, que o fato de um magistrado ou magistrada trabalhar esses conceitos de forma não tão aprofundada não determina, por si só, se a sentença será procedente ou improcedente ao requerente. Todavia, é espantoso o dado que apenas 22 sentenças procedentes aprofundaram a temática (intercultural e de vivir buen) de forma mais detalhada.

Contudo, para estudar ainda mais o comportamento dos magistrados e magistradas do TCP, resolvemos analisar 9 (nove) sentenças de forma mais pormenorizadas. A escolha foi realizada considerando o universo de 81 sentenças já trabalhadas e aplicando o critério aleatório, além da proporcionalidade referente a cada ano. Escolhemos este teto de 9 (nove) sentenças por representar o menor número de decisões existentes em um único ano (2015). Foram excluídas, como fizemos acima, as sentenças “revisoras de sentenças já prolatadas e as sentenças repetidas”.

Assim, estas 9 (nove) sentenças coletadas entre 2012 e 2015, subdividem-se em 3 (três) sentenças de 2012; 3 (três) sentenças de 2013; 2 (duas) sentenças de 2014 e 1 (uma) sentença de 2015.

Tais sentenças foram agrupadas com as categorias de análise que foram estabelecidas na pesquisa:

Tabela 3: Sentenças analisadas no estudo

1= sim 0= não

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

Destas 9 sentenças selecionadas, percebemos que 8 (oito) debatiam a temática da interculturalidade e 1 (uma) apenas referendava uma Carta Constitucional de uma comunidade indígena, copiando seus artigos, sem maiores debates e nem aprofundamentos sobre inconstitucionalidades. Assim, da análise, percebemos que 8 (oito) das 9 (nove) sentenças (89% das selecionadas) têm algum debate sobre a questão intercultural e 1 (uma) (11% das selecionadas), não possui correlação com o tema. Desta forma, temos o seguinte gráfico:

Gráfico 5: sentenças que debatem interculturalidade do universo de 9 selecionadas

DECISÕES JULGADORES TEMÁTICA DEBATE SOBRE

INTERCULTURALIDADE DEBATE SOBRE VIVIR BIEN FAVORÁVEL AO RECLAMANTE

1422/2012 Ligia Mônica Velásquez Castaño Ação de liberdade 1 1 1

1624/2012 Ligia Mônica Velásquez Castaño Ação de amparo constitucional 1 1 1

1714/2012 Ligia Mônica Velásquez Castaño Ação de inconstitucionalidade concreta 1 1 1

0014/2013 Carmen Silvana Sandoval Landívar Ação Popular 1 1 1

0698/2013 Soraida Rosario Chánez Chire Conflitos de competências jurisdicionais 1 1 1

2170/2013 Tata Gualberto Cusi Mamani Ação de inconstitucionalidade concreta 1 0 0

0173/2014 Tata Gualberto Cusi Mamani Ação de Amparo Constitucional 1 1 1

0778/2014 Ligia Mônica Velásquez Castaño Ação de amparo constitucional 1 1 1

0079/2015 Macario Lahor Cortez Chávez

Controle prévio de constitucionalidade de projetos de estatutos autonômos ou cartas orgânicas de entidades territoriais autônomas

0

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

A temática do vivir bien também foi bastante usada na fundamentação das sentenças selecionadas. As magistradas e os magistrados, nas sentenças analisadas, sempre usavam tal conceito ao se referirem à interculturalidade para atingir uma foma de vida saudável e harmônica para a população, ou seja, o vivir bien.

Das sentenças analisadas, 7 (sete) das 9 (nove) (78% das selecionadas), se preocuparam em analisar o vivir bien e sempre o interrerelacionado com a interculturalidade. Apenas 2 (duas) das 9 (nove) sentenças (22% das selecionadas), não adentratam neste debate. Uma delas, a de 2015, não debateu a temática por ser apenas uma homologação de uma Carta Orgânica; e a outra não entrou na temática, por questões subjetivas da magistrada.

Assim, de forma sistemática, podemos observar o gráfico abaixo:

Gráfico 6: sentenças que debatem o vivir bien do universo de 9 selecionadas 89%

11%

9

Elaboração própria. Fonte: http://www.tcpbolivia.bo/tcp/

Já com relação à procedência das ações no âmbito do TCP, observamos que a maioria foi procedente. Uma delas, a de 2015, não se tratava de jurisdição e, por isso, foi excluída da análise. Assim, 7 (sete) das 8 (oito) decisões (87,5% das selecionadas) julgaram procedente a demanda apresentada pelos requerentes; apenas 1 (uma) das 8 (oito) sentenças (12,5% das selecionadas) julgou procedente, em parte, o pedido. Não constatamos nenhum julgado totalmente improcedente. Desta forma, como adotamos acima, as sentenças julgadas parcialmente procedentes serão consideradas como totalmente procedentes, o que perfaz 8 sentenças procedentes, trazendo como dado que 100% das sentenças foram procedentes.

É importante esclarecer que a análise destas decisões tem como foco entender como o TCP está decidindo sobre a interculturalidade. Ou ainda de que argumentos se utiliza ao se defrontar com a temática no caso concreto.

Ao selecionar tais julgados, procuramos traçar uma linha comparativa entre as temáticas abordadas pelo TCP (interculturalidade e vivir buen) e as formas de resolução de seus problemas processuais em geral, a fim de evidenciar se há um critério de decisão sobre interculturalidade ou apenas citações do texto constitucional para fundamentar as decisões. Além disso, queremos observar se a interculturalidade, prevista na Constituição, é utilizada de forma concreta e literal ou se há valores e princípios que são utilizados na

78% 22%

9

sua fundamentação. E, por fim, chegar à conclusão se há uma ligação entre o conceito de vivir buen e interculturalidade com a procedência da demanda.