2 A INTERDISCIPLINARIDADE COMO DINÂMICA NO PROCESSO
2.2 A INTERDISCIPLINARIDADE COMO NECESSIDADE NO PROCESSO
apreensão e veiculação para além da culpabilização da divisão do conhecimento como responsável pelos resultados questionáveis no que diz respeito à criação e à transmissão do conhecimento”. Desse modo, o debate acerca do interdisciplinar deve ocorrer também no viés epistemológico e não apenas no metodológico, buscando incorporar o ponto de vista de que é na materialidade histórica que é possível o processo de produção do conhecimento. Para tanto, não se “trata de destruir a interdisciplinaridade – historicamente construída e necessária – mas lhe emprestar uma configuração efetivamente científica, que, a nosso ver, seria possível por uma adequada utilização da concepção histórica da realidade.” (JANTSCH;
BIANCHETTI, 2011, p. 28). Assim, a disciplinaridade não pode ser entendida como uma doença a qual contribuiu significadamente para um avanço do conhecimento.
2.2 A INTERDISCIPLINARIDADE COMO NECESSIDADE NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
A interdisciplinaridade como necessidade na produção do conhecimento embasa-se no cunho dialético da realidade social, que é, ao mesmo tempo, una e múltipla, e também no aspecto de natureza intersubjetiva de sua compreensão.
(FRIGOTTO, 2011). Desse modo, a unicidade e a diversidade da realidade social exige que se reconheça os limites factuais dos indivíduos que investigam as fronteiras dos objetos estudados. Delimitar um determinado objeto, a fim de estudá-lo, não é o mesmo que fragmentá-lo de maneira arbitrária. Demarcar determinada questão não quer dizer que é necessário abdicar da sua constituição abrangente, visto que o próprio processo do conhecimento necessita de delimitações; o objeto se constitui indissociavelmente de uma totalidade. Nesse sentido, o problema é que se no pensamento humano
corresponde uma verdade objetiva não é um problema da teoria, e sim um problema prático. É na prática que o homem tem que demonstrar a verdade, isto é, a realidade, a força, o caráter terreno de seu pensamento. O debate sobre a realidade ou a irrealidade de um pensamento isolado da prática é um problema puramente escolástico. (MARX, 1999, p.5).
Para Marx há um vínculo entre o plano prático e o caráter objetivo de determinada verdade, ou seja, para conhecer é necessário agir. Segundo o filósofo não existe conhecimento sem a prática, o primeiro é elemento do segundo.
O trabalho interdisciplinar, portanto, não pode ficar isento dos conjuntos das relações e práticas sociais, essa tomada de consciência “decorre da própria forma de o homem produzir-se enquanto ser social e enquanto sujeito e objeto do conhecimento” (FRIGOTTO, 2011, p. 36), de tal forma que a socialização ou não da produção do saber não são destituídas das relações e das práticas que o ser humano produz em determinado espaço e tempo, pelo “contrário, nelas encontra- se sua efetiva materialidade histórica.” (FRIGOTTO, 2011, p. 36).
As ciências humanas e sociais possuem como objeto de conhecimento a apreensão e a elucidação da produção da existência humana. Nessa conjuntura, compreende-se que a divulgação e a edificação do saber estão intrinsecamente relacionadas com as relações antagônicas entre as classes sociais. Percebe-se que o processo do conhecimento humano se desdobra no âmbito abstrato da realidade social. Nesse ínterim, o desafio se coloca porque o que se quer conhecer é a própria prática humana, e o sujeito que busca investigá-la, nela está inserido. Aparece uma imprescindibilidade essencial de recuperar o movimento de conjunto pelo qual a sociedade capitalista se desenvolve.
Para Frigotto (2011, p. 38), no método da economia política, Marx coloca uma necessidade de “distinguir a esfera do conhecimento humano que se move no plano abstrato, da realidade social [...]”, em virtude de o empírico apresentar um pressuposto para o conhecimento que perpassa pelo uso das categorias teóricas como meio essencial. Mas não é suficiente para capturar as determinações as quais permeiam as relações humanas e que “nos permitem penetrar no tecido mais profundo que constitui a realidade investigada.” Nesse processo, para as categorias não perderem “a sua historicidade, necessitam ser reconstruídas, redefinidas e saturadas com as especificidades próprias da realidade investigada.” (FRIGOTTO, 2011, p. 38). Desse modo, o interdisciplinar é concebido no movimento do real e não no campo exclusivo da razão, pois
a dialética terá que dar lugar ao heterogêneo em seu interior e apresentar-se apresentar-sem ato de fazer-apresentar-se, inacabada, incapaz de fechamento e de totalização.
Esse é o único modo de dar um lugar à diferença, ao acontecimento e à
subjetividade que não se encerre nos rígidos limites de razão abstrata e geral. (FOLLARI, 2011, p. 124).
A dificuldade, a complexidade e até mesmo a impossibilidade de abarcar a totalidade do real não podem desestimular a busca. Para Kosik (1995), só seria possível uma transformação no status quo com a dialética, pois as relações humanas são definidas por suas práticas concretas estabelecidas pelas relações sociais que, por vezes, ocultam uma relação de dominação; ou seja, o mundo real,
[...] não é o mundo das condições reais em oposição às condições irreais, tampouco o mundo da transcendência em oposição à ilusão subjetiva: é o mundo da práxis humana. É a compreensão da realidade humano-social como unidade de produção e produto, de sujeito e objeto, de gênese e estrutura. O mundo real não é, portanto, um mundo de objetos ‘reais’
fixados, que sob seu aspecto fetichizado levem uma existência transcendente como uma variante naturalisticamente entendidas das ideias platônicas; ao invés, é um mundo em que as coisas, as relações e os significados são considerados como produto do homem social; e o próprio homem se revela como sujeito real do mundo social. (KOSIK, 1995, p. 23, grifo do autor).
Percebe-se que a realidade está imbuída por relações fetichizadas. Assim sendo, a dialética presume uma visão integral do real, visto que é por meio dela que se busca compreender as formas distintas dos componentes sociais como interligados na mesma totalidade. O pensar e o agir sempre estarão, de certa maneira, comprometidos com o todo ou ao menos com um determinado aspecto das relações que o constituem. Nesse sentido, parecem existir diferentes graus no que concerne à totalidade, de tal forma que,
se eu estou empenhado em analisar as questões políticas que estão sendo vividas pelo meu país, o nível de totalização que me é necessário é o da visão de conjunto da sociedade brasileira, da sua economia, da sua história, das suas contradições atuais. Se, porém, eu quiser aprofundar a minha análise e quiser entender a situação do Brasil no quadro mundial, vou precisar de um nível de totalização mais abrangente: vou precisar de uma visão de conjunto do capitalismo, da sua gênese, da sua evolução, dos seus impasses no mundo de hoje. E, se eu quiser elevar minha análise a um plano filosófico, precisarei ter, então, uma visão de conjunto da história da humanidade, [...]. (KONDER, 1990, p.38, grifo do autor).
Outrossim, existem graus distintos nos níveis de totalização. Há totalidades mais extensas que necessitam de outras com uma dimensão menor, haja vista que a abrangência de uma totalidade se conecta ao nível de generalização auferido pelo pensamento humano e também aos objetivos do sujeito em cada caso em particular.
Sendo a totalidade então mais do que a reunião das partes, já que qualquer “coisa”
ou objeto que o sujeito possa vir a conhecer e conceber é sempre parte de um todo.
Em cada ação realizada, o sujeito se depara, necessariamente, com questões interligadas. Konder (1990) ressalta que a perspectiva de conjunto é permanentemente contingente e, em nenhum momento, pode-se pretender findá-la, pois a realidade sempre será mais opulenta do que qualquer conhecimento que dela se possa ter. No processo de conhecimento, algo sempre vai escapar no processo de síntese. A síntese é a “visão de conjunto que permite ao homem descobrir a estrutura significativa da realidade com que se defronta numa situação dada. E é essa estrutura significativa – que a visão de conjunto proporciona – que é chamada de totalidade.” (KONDER, 1990, p.37, grifo do autor). O autor supracitado ainda ressalta que, para se ocupar dialeticamente da concepção de totalidade, é imprescindível perceber qual é o grau de totalidade que o problema exige.
Kosik (1995) sublinha que a dialética não busca o conhecimento de fora para dentro e nem de maneira imediata; para ele, o conhecimento é a própria dialética em uma das suas acepções; o conhecimento é a divisão do todo, assim o “‘conceito’ e a
‘abstração’, em uma concepção dialética, têm o significado de método” (KOSIK, 1995, p. 18). Segundo o autor, sem decomposição não é possível chegar ao conhecimento, pois a realidade e os fenômenos constituem parte de um todo complexo. Para compreender o objeto é preciso conhecer sua estrutura, identificar os diferentes aspectos e suas relações contraditórias e para isso é preciso separar o que é essencial (categorias filosóficas) e secundário (categorias empíricas).
Nesse contexto, para apreender a realidade, é preciso que o pensamento se esforce para capturar as objetivações do aparente, isto é, da vida material. Essa compreensão pressupõe que a realidade possui sua existência objetiva e que não depende da consciência do sujeito. O entendimento vem daquilo que lhe é exterior, a análise crítica deve partir da realidade. Portanto, a dialética não é uma instância verificada do conhecimento obtido, mas, é um método de transformação do conhecimento real mediante análise crítica do material concreto.
Desse modo, o conhecimento se dá pela separação do que é essencial daquilo que é secundário, em virtude de que somente por meio dessa divisão é possível perceber a especificidade de algo de sua coerência interna. Neste sentido há um
impulso espontâneo da práxis e do pensamento para isolar os fenômenos, para cindir a realidade no que é essencial e no que é secundário, vem sempre acompanhado de uma igualmente espontânea percepção do todo, na qual e da qual são isolados alguns aspectos, embora para a consciência ingênua esta percepção seja muito menos evidente e muitas vezes mais imatura. O ‘horizonte’ – obscuramente intuído – de uma ‘realidade indeterminada’ como todo constitui o pano de fundo inevitável de cada ação e cada pensamento, embora ele seja inconsciente para a consciência ingênua. (KOSIK, 1995, p.19, grifo do autor).
É preciso assinalar que a atitude humana frente à realidade não é a de um
“abstrato sujeito cognoscente” (KOSIK, 1995, p. 13), ou seja, de um ser pensante que apenas analisa teoricamente, mas, sim, que age de maneira prática, uma pessoa histórica “que exerce sua atividade prática no trato com a natureza e com os outros homens, tendo em vista a consecução dos próprios fins e interesses, dentro de um determinado conjunto de relações sociais.” (KOSIK, 1995, p. 13). Dessa maneira, a realidade não se mostra ao indivíduo no âmbito teórico e abstrato, mas se expressa como um “pensamento comum”, haja vista que os homens, na existência real, estão inseridos em uma atividade prática e utilitária, imposta pelo capital. Percebe-se que a compreensão do todo não se manifesta de maneira evidente no cotidiano, porque são gotejados apenas alguns pontos mais significativos do todo que orientarão as maneiras de pensar do sujeito. Na cotidianidade, o todo não é de fácil apreensão, por constituir um pensamento comum que tende a representar as coisas/objetos como se eles fossem dissociáveis de condições sociais e históricas. Esse comportamento acaba por rejeitar o movimento dialético dos fundamentos, no qual a totalidade existe e define as partes que a constitui, mesmo não sendo percebida.
Ao contrário da maneira do pensar comum, o pensamento dialético se propõe a buscar a “coisa em si”, edificando uma compreensão da realidade que entende a totalidade como exercício em contínua elaboração social. Ao pensar o todo, a dialética não nega as partes e também não abstém as partes abstraídas do todo; ela pensa tanto as diferenças entre as partes quanto a unidade entre si. A dialética é o esforço para a percepção das relações sociais e históricas (reais) dentre as diferentes maneiras que os fenômenos se apresentam. Para Marx e Engels (s/d, p. 49) a história
não é obrigada, como acontece à concepção idealista da história, a procurar uma categoria diferente para cada período, antes se mantendo
constantemente no plano real da história; não tenta explicar a prática a partir da ideia, mas sim a formação das ideias a partir da prática material;
chega portanto, à conclusão de que todas as formas e produtos da consciência podem ser resolvidos não pela crítica intelectual, pela redução à ,<<consciência de si>> ou pela metamorfose em <<aparições>>, em
<<fantasmas>>, etc., mas unicamente pela destruição prática das relações sociais concretas de onde nasceram as bagatelas idealistas. [...]. Esta concepção mostra que o objetivo da história não consiste em resolver em
<<Consciência de si>> enquanto <<Espírito do espírito>> mas que se encontrem dados em cada estágio um resultado material, uma soma de forças produtivas, uma relação com a natureza e entre os indivíduos, criados historicamente e transmitido a cada geração por aquela que a precede, uma massa de forças de produção, de capitais e de circunstâncias que são por um lado modificadas pela nova geração mas que, por outro lado, lhe ditam as suas próprias condições de existência e lhe imprimem um desenvolvimento determinado um carácter específico; por consequência, é tão verdade serem as circunstâncias a fazerem os homens como a afirmação contrária.
A história tem como alicerce o andamento do processo real e concreto da produção da vida, a sociedade e as relações que ela estabelece como fundamento nos seus diferentes aspectos. Para tanto é necessário suplantá-la com a prática cotidiana de se correlacionar com o mundo. A dialética procura o sentido do real no exercício da história, concreta e material, pois é nela que os homens dão significado e criam o mundo que os cercam. A dialética marxista não separa teoria e prática, sendo que a primeira não pode ser adotada como dogma, mas deve ter a incumbência de conduzir a ação, isto é, servir de modelo. Nesse aspecto, a prática deve ser o critério de “verdade” para a teoria, porque só há conhecimento por intermédio da prática, uma vez que “a teoria como guia da ação molda a atividade do homem, particularmente a atividade revolucionária; teórica na medida em que esta relação é consciente.” (VÁZQUEZ, 2011, p. 111). Portanto é na práxis que se encontra a realidade humana, sendo esta uma maneira de pensar e conceber o real, na qual a apropriação pessoal da realidade se dá por meio da síntese das práticas do homem, intercambiando a produção coletiva e individual. Ou seja, a construção/formação do sujeito é um ato de apropriação do que está posto na realidade, sendo uma prática histórica e social, já que
como vemos, são sempre indivíduos determinados, com uma atividade produtiva que se desenrola de um determinado modo, que entram em relações sociais e políticas determinadas. É necessário que, em cada caso particular, a observação empírica mostre nos fatos, e sem qualquer especulação ou mistificação, o elo existente entre a estrutura social e política e a produção. A estrutura social e o Estado resultam constantemente do processo vital de indivíduos determinados; mas não resultam daquilo que estes indivíduos aparentam perante si mesmos ou
perante outros e sim daquilo que são na realidade; isto é, tal como trabalham e produzem materialmente. Resultam, portanto, da forma como atuam partindo de bases, condições e limites materiais determinados e independentes da sua vontade. A produção de ideias, de representações e da consciência está em primeiro lugar direta e intimamente ligada à atividade material e 'ao comércio material dos homens; é a linguagem da vida real. As representações, o pensamento, o comércio intelectual dos homens surge aqui como emanação direta do seu comportamento material.
O mesmo acontece com a produção intelectual quando esta se apresenta na linguagem das leis, política, moral, religião, metafísica, etc., de um povo.
São os homens que produzem suas representações, as suas ideias, etc.
Mas os homens reais, atuantes e tais como foram condicionados por um determinado desenvolvimento das suas forças produtivas e do modo de relações que lhe corresponde, incluindo até as formas mais amplas que estas possam tomar. A consciência nunca pode ser mais do que o Ser consciente e o Ser dos homens é o seu processo da vida real. E se em toda a ideologia os homens e as suas relações nos surgem invertidos, tal como acontece numa câmera obscura, isto é apenas o resultado do seu processo de vida histórico, do mesmo modo que a imagem invertida dos objetos que se forma na retina é uma consequência do seu processo de vida diretamente físico. (MARX; ENGELS, s/d, p.24-26, grifo do autor).
Para os autores, a premissa primeira é de que em toda história é pressuposta a existência de “seres humanos vivos”, sendo que a primeira condição real é estabelecida “pela complexidade corporal desses indivíduos e as relações que ela obriga com o resto da natureza” (MARX; ENGELS, s/d, p. 18). Desse modo, toda
“historiografia deve necessariamente partir dessas bases naturais e da sua modificação provocada pelos homens no decurso da história”. (MARX; ENGELS, s/d, p. 19). É a partir das condições históricas que se edifica o processo de vida real, pois a construção de representações está perpassada e intercambiada pelo aspecto material, e o pensamento é um “produto” da realidade que se passa no mundo exterior. A história deve ser compreendida como luta rotineira dos indivíduos para elaborar suas condições materiais de existência na relação com a natureza mediada pelo trabalho, logo, à maneira como eles interpretam tal relação.
O procedimento de análise na concepção da dialética materialista não se estabelece em “uma espécie de ‘metrologia’ dos fenômenos sociais, que nas perspectivas que aqui denomino de metafísicas é tomada como garantia da
‘cientificidade’, da objetividade e da neutralidade”. (FRIGOTTO, 2010, p. 84). Na acepção materialista histórica, o método está ligado a uma concepção de mundo, de realidade e de vida no seu conjunto. Logo, nesse âmbito, a postura é anterior ao método, uma vez que “este se constitui em espécie de mediação no processo de apreender, revelar e expor a estruturação, o desenvolvimento e transformação dos fenômenos sociais.” (FRIGOTTO, 2010, p. 84). Portanto, para se instaurar o método
dialético de investigação, é preciso que se rompa com a maneira de pensar dominante, levando em conta as diferentes realidades construídas socialmente e culturalmente27. Para Gramsci (1978, p. 12), é
pela própria concepção de mundo que pertencemos sempre a um determinado grupo, a de todos os elementos sociais que partilham de um mesmo modo de pensar. Somos conformistas de algum conformismo, somos sempre homem-massa ou homens coletivos. O problema é o seguinte: qual o tipo histórico do conformismo e do homem-massa do qual fazemos parte? Quando a concepção de mundo não é crítica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa, nossa própria personalidade é composta de uma maneira bizarra: nela (se)encontra elementos dos homens das cavernas e princípios da ciência mais moderna e progressista; [...]. O início da elaboração crítica é a consciência daquilo que somos realmente, isto é, um ‘conhece a ti mesmo’ como produto do processo histórico até hoje desenvolvido, que deixou em ti uma infinidade de traços recebidos sem benefício no inventário.
Nesse sentido, para Frigotto (2010), a não compreensão do método relacionado à acepção da realidade e o não inventário rigoroso dela não só elucida nitidamente o horizonte positivista que separa o sujeito do objeto, a consciência da realidade, como também assinala que vários trabalhos de investigação que caracterizam como críticos e dialéticos, na prática seguem o padrão positivista. O autor grifa que não há método que seja indiferente a uma acepção de realidade.
Para uma compreensão do que é o método dialético materialista é preciso perguntar: como um fenômeno social é constituído concretamente? Ou ainda: quais são as forças reais, leis históricas e sociais que o compõem? Estas perguntas indicam “ao mesmo tempo, no âmbito das ciências humano-sociais, o caráter sincrônico e diacrônico dos fatos, a relação sujeito-objeto, em suma, o caráter histórico dos objetos que investigamos.” (FRIGOTTO, 2010, p. 86).
A dialética materialista é concomitantemente um método de investigação, uma postura e uma prática, um movimento de transformação e superação. Existe, portanto, um “movimento de crítica, de construção do conhecimento ‘novo’, e da nova síntese no plano do conhecimento e da ação.” (FRIGOTTO, 2010, p. 86). A partir dessa concepção, um aspecto a ser ressaltado é o fato de a dialética ser um predicado da realidade e não do pensamento.
27Principalmente “nas concepções religiosas, nos diferentes sensos comuns, especialmente o da concepção positivista da ciência.” (FRIGOTTO, 2010, p. 84).
A dialética trata da ‘coisa em si’. Mas a ‘coisa em si’ não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar à sua compreensão, é necessário fazer não só um certo esforço, mas também um détour. Por esse motivo o pensamento dialético distingue entre representação e conceito da coisa
A dialética trata da ‘coisa em si’. Mas a ‘coisa em si’ não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar à sua compreensão, é necessário fazer não só um certo esforço, mas também um détour. Por esse motivo o pensamento dialético distingue entre representação e conceito da coisa