5.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.2.5 A interface com a gestão pública e as políticas públicas
Foi explorada a relação dos empreendedores de food trucks com a gestão pública, como é feita essa interação, se existe articulação e como é feita, o posicionamento dos representantes do setor diante de aspectos de regulamentação, burocracia e o papel das instituições públicas no seu desenvolvimento (Quadro 23). Da mesma forma, foi dada voz para esses atores públicos, com o mesmo objetivo. Com essas percepções, esperava-se compreender o cenário atual, onde está posicionado o setor em relação ao alcance das políticas públicas e dentro do escopo da EC.
Adicionalmente, buscava-se entender qual entendimento presente dos atores públicos em relação ao lugar que os food trucks ocupam na EC e dentro das ações e responsabilidades respectivas a cada um deles, como SEBRAE, Junta Comercial do Rio Grande do Norte (JUCERN), Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SEMSUR), Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Secretaria de Turismo de Natal (SETUR) e Fundação Cultural Capitania das Artes. Cultura e Arte (FUNCARTE). Durante as entrevistas, os empreendedores relataram manter relações cordiais com os órgãos municipais, embora o aparente distanciamento. Em resumo, depara-se com um cenário de impasses, pouca articulação política, tímida integração intrassetorial, e, certa acomodação.
A regulamentação da atividade começou a ser debatida em 2015 na Comissão de Saúde, Assistência Social e Defesa do Consumidor da CMN. Desde o início das discussões em torno do tema, foi apresentado um projeto de lei25, de autoria da vereadora Júlia Arruda, que estabelecia as regras para a comercialização de alimentos em vias e áreas públicas, além de padrões de higiene e segurança alimentar para a atividade. O seu objetivo principal era
24 Espaço Candelária e A Praça estabelecem regras para seleção dos produtos que serão comercializados no espaço. 25 Segundo o texto do projeto, a Concessão do Termo de Permissão de Uso deverá levar em consideração: I – A existência de espaço físico adequado para receber o equipamento e consumidores; II - Adequação do equipamento quanto às normas sanitárias e de segurança do alimento em face dos alimentos que serão comercializados; III – A qualidade técnica da proposta; IV – A compatibilidade entre o equipamento e o local pretendido, levando em consideração as normas de trânsito, o fluxo seguro de pedestres e automóveis, as regras de uso e ocupação do solo;V - O número de permissões já expedidas para o local e período pretendidos; VI – As eventuais incomodidades geradas pela atividade pretendida.
promover o empreendedorismo, proporcionar oportunidades de formalização do comércio de comida de rua e geração de emprego e renda, e ainda, difundir o uso democrático do espaço público, fazendo da gastronomia um instrumento de inclusão social. No entanto, desde que foi conduzido para a Comissão de Legislação, Justiça e Redação Final da CMN, para apreciação do texto, ainda em 2015, o projeto permanece estacionado, assim como os food trucks atualmente. Além da CMN, a JUCERN e o SEBRAE\RN também se engajaram à discussão. Embora levantada a existência de articulação entre secretarias municipais e instituições que atendem a esses empreendedores, as ações ainda são bastante limitadas.
De acordo com Yves Guerra, Gestor de Turismo do SEBRAE RN, a instituição se colocou como um contato para a intermediação com a Secretaria de Tributação do Município de Natal para o processo de regulamentação. Para além desse papel, o SEBRAE tem convidado os food trucks frequentemente para os eventos e grandes feiras realizadas pela instituição como a “Festa do Boi”, para compor a ala de serviços. Não existem oficinas ou capacitações destinadas especificamente ao público, mas o convite é estendido ao segmento.
Sâmya Bastos presidente da JUCERN, em nota declarou seu posicionamento em favor a regulamentação. Na visão dela, a simplificação do processo de registro empresarial incentivaria a legalização dos empreendimentos: “Sabemos que o pequeno empreendedor movimenta uma parcela significativa da economia no Estado. Então, é fundamental que conheça as vantagens de sair da informalidade e simplificando esse processo fica tudo mais fácil”.
Em Natal\RN, a SEMURB26 e SEMSUR27 são os principais órgãos responsáveis pelo licenciamento para comercialização regular nas ruas do município. É por meio deles que os vendedores se adequam aos padrões exigidos, como a responsabilidade ambiental e condições sanitárias, obtêm os documentos necessários para a ocupação momentânea ou fixa dos espaços urbanos do município. Nesse contexto, os food trucks em Natal\RN são passíveis da aplicação de regras e normas que são comuns a qualquer tipo de comércio ambulante. No entanto, estas
26 No que diz respeito ao licenciamento desse tipo de atividade, é de competência da SEMURB no que se refere a licença: conceder alvará, certidão e “habite-se” para edificações no território do perímetro urbano do Município; realizar as atividades de análise, controle, fiscalização do uso, parcelamento do solo e da poluição e degradação ambiental, no Município; compatibilizar o desenvolvimento urbano com a proteção ao meio ambiente, mediante a racionalização do uso dos recursos naturais; exercer o poder de polícia, no âmbito de sua competência; promover o zoneamento ambiental, no Município de Natal, identificando, caracterizando e cadastrando os recursos ambientais com vistas à execução de uma política de manejo, tendo por base critérios ecológicos compatibilizados com as definições gerais do Plano Diretor do Município de Natal (NATAL, 2007).
27 Em relação ao licenciamento do comércio de rua compete a este órgão, SEMSUR: normatizar e fiscalizar o comércio ambulante, as bancas de revistas, quiosques, os trailers e demais serviços similares; implantar medidas que estimulem o comércio diretamente do produtor ao consumidor; adotar medidas preventivas, em conjunto com órgãos congêneres, relativas à saúde pública.
podem ser pouco adequadas às suas especificidades, dificultando o licenciamento ou tornando a fiscalização inócua, por situações da legislação que foram previstas para outros tipos de comércio de comida de rua. Igualmente, ainda não há uma legislação específica para esse tipo de estabelecimento no que se refere ao uso e ocupação de espaço público. Por isso, a falta de regulamentação pode ter contribuído para o processo de surgimento dos food parks, uma vez que esses espaços se tornaram como alternativas à incerteza dos proprietários em relação a sanções possíveis e falta de estímulos.
Quadro 23 – A percepção dos proprietários em relação a gestão pública
E16 Existe muita regra e muita regra que eu acho que tem que ser feita, sim, nós temos que conseguir regulamento e cumprir as leis, até pra não virar uma bagunça
(E12).
Olha, existe um distanciamento muito grande. Eu diria que existem instituições competentes e importantíssimos como SEBRAE, disposto a ajudar todas as pessoas que aqui estão a melhorar os seus trabalhos. Agora, eu acho que o governo omisso em muitos momentos. Às vezes a gente precisa de uma energia, a gente precisa da própria segurança, a gente é obrigado a contratar pessoas pra nos dar segurança. Eu acho que se os governos criassem mais políticas de incremento ao pequeno empresário, daria melhor condição
E06 A gente está na batalha para ter reconhecimento, pelo menos. Seria mais fiscalização, mais tudo. Mas os que não estão à altura de fazer o trabalho sairiam
E03
As pessoas estão começando a se antenar nisso. Por exemplo, a questão da licitação que a Prefeitura faz. Quando abre processo licitatório, exige alguns documentos, e os que contam pontos principalmente são os de aperfeiçoamento. Então muitas operações, para se capacitarem melhor, buscaram isso. Então ajudou. Quem não iria se preocupar, por exemplo, com certa especialização, começou a buscar por conta de uma exigência de edital
E07
Natal ainda não está adaptada para a área dos food trucks. A gente abriu uma associação, pegamos o projeto de lei de São Paulo, adequamos para Natal, colocamos na Câmara dos Vereadores. E até agora não foi aprovado. Aí então. A gente não pode ser abordado por legislação nenhuma, porque ainda não existe. O máximo que há é uma placa "Não Estacione". Mas a legislação, sanitária, tributária, não pode nos alcançar. A partir do momento que pudessem nos alcançar, eles estariam no permitindo funcionar
E17
As leis tem que nos ajudar. Por exemplo, com o espaço público liberado, volta todo mundo para a rua. Que é o que a gente acredita. Levar a comida para próximo ao cliente.
E04
Digamos, hoje a gente tem essa discussão, que a JUCERN até entrou, sobre regulamentar. Que na verdade é mais um processo de formalização de empresas, mais interessado nisso. Porém isso aqui está relacionado à questão de uso do espaço público
E15
O Estado controla. Acho que esse papel é importante. Não acho saudável você ter operações de alimentos sem garantias de qualidade. Logicamente, quando a gente vai falar de Estado, tem várias outras nuances que fogem do que é o legal e do que é o moral e do que, né? E que muitas vezes inviabiliza o empreendedorismo não só de alimentos, mas de qualquer outro segmento
E16
Mas às vezes a regulamentação, ela traz muito mais cobranças que um estímulo a um determinado setor. Eu imponho que você siga tais regras, e aí eu te dou liberdade de operar. Mas eu não estou te dando, vamos dizer, um apoio para fomentar o seu trabalho
E09 Tem os eventos para participar através de edital... Inclusive, por exemplo, praça Augusto Leite, praça das Flores. Tem um apoio quase que nada da prefeitura
E11
O mais próximo que teve disso foi o Natal em Natal. Que tem os foodtrucks, a praça de foodtrucks, que tem o apoio da Prefeitura. Mas, além disso, não teve nada. Até agora também não tem legislação. Eles estão tentando implantar, mas ainda não tem nada concreto. A Prefeitura abre edital para foodtruck nos eventos, mas não oferece nada além de uma pequena estrutura de tenda
Fonte: Elaboração própria.
Parece haver o entendimento por parte dos proprietários de food truck que a regulamentação será importante para o reconhecimento da atividade, apesar de que para além dos benefícios esperados – não foram explicitados quais – seja acompanhada por processos burocráticos (registro, documentação, recolhimento de taxas, etc.) e implique na obrigatoriedade de cumprimento de legislação e regras, assim como qualquer outro negócio.
Não há uma clara oposição à burocracia e à cobrança de regras, pelo contrário, compreendem que sejam aspectos que podem impulsionar melhorias ao setor e suas práticas. No entanto, se queixam ações que não se limitem a questões jurídicas e de formalização, mas de fomento ao setor, sem especificar de que maneira.
Com base nos depoimentos dos empreendedores e da secretaria de turismo, Christiane Alecrim (CA), foi possível verificar que há uma interação limitada entre o órgão e o setor. E essa aparentemente tem sido uma das poucas portas de entrada a esses empreendedores a ações por parte da gestão pública. Segundo a secretaria, a aproximação da SETUR com o setor é predominantemente através do edital para a participação em eventos pontuais desde 2016. Os food trucks foram convidados para participar de um plano para conferir utilidade a um espaço comumente utilizado para feiras de artesanato:
Lá na Praça de Mirassol, onde tem o Natal. A feira onde acende a árvore de Natal. Ali era uma área que era meio que degradada. Meio que mercado persa, aquela coisa meio bagunçada. E aí em 2016, o secretário anterior, junto com o prefeito e o secretário da Secretaria de Cultura (SECULT), definiram que precisávamos ordenar aquele espaço e dar utilidade para ele fora do Natal. E aí foi lançado o edital, no final de dezembro de 2015, para começar a valer em janeiro de 2016. A partir daí a gente tem feito. E lá acontece tanto food trucks quanto empreendedor gastronômico. O edital é para organizar o espaço. A gente faz o cadastro, faz o edital, quem ganha, quem passa, quem é classificado tem a estrutura nossa. A estrutura de tenda, de banheiro, do espaço físico. Mas, por exemplo, o que é food truck mesmo, que tem o carrinho lá, o trailer. A gente faz o mapeamento da área e tem um espaço para ele estacionar. E daí essa estrutura de tenda é nossa. Ele leva os equipamentos dele.
Não há qualquer outro tipo de iniciativa, como capacitações, apoio jurídico, workshops, etc. Na perspectiva da SETUR, a atividade tem sua relevância, sobretudo na composição dos serviços de turismo em Natal, porém, a falta de regulamentação parece deixá-la ainda fora dos planos ou de ações mais concretas. Esses empreendedores permanecem invisíveis, posto que não há mapeamento dessa atividade.
É uma atividade ainda que não está formalizada. Mas a gente entende que agrega. Hoje é mais uma opção, tanto para o cidadão quanto para o turista. Tanto para o cidadão local quanto para o turista que vem. Tanto para conhecer a culinária local, a gastronomia que a gente tem, quanto experimentar culinária do mundo todo (CA).
Especificamente se tratando da Economia Criativa, segundo a secretaria, não há qualquer projeto, pois estes fazem parte do escopo de outras secretarias, como explicou Christiane Alecrim, “Economia criativa na Prefeitura parte da Funcarte e SEMTAS. Na verdade, hoje Funcarte e SECULT na questão musical, cultural. E o artesanato voltou para a SEMTAS.”
Para conhecer a perspectiva dos agentes públicos acerca do tema se considerou fundamental obter a posição do principal órgão quando se trata de Economia Criativa e as políticas ligadas a cultura em Natal, a SECULT e a FUNCARTE, representada pelo chefe do Departamento de Atividades Culturais da Funcarte, Josenilton Tavares (JT).
A exemplo da entrevista com membro da SETUR, foi confirmado que existe um meio de interação entre a prefeitura e os representantes do setor de food trucks, que são os editais para participação dos eventos públicos organizados pelos órgãos municipais responsáveis, como as feiras de artesanato e gastronomia, como explica Josenilton Tavares:
Nós temos feiras de arte e gastronomia oficiais na nossa cidade. Tem festival gastronômico. Tem feira na Praça Cívica. [...]são projetos continuados. Inclusive feiras que são patrocinadas pelo incentivo fiscal municipal. Eles procuram, geralmente a Secretaria de Turismo e a Secretaria de Cultura. Então o edital sai pela Secretaria de Turismo. O que que acontece? Eles procuram, se faz uma plenária, se convida os interessados, se discutem os critérios que podem estar nos editais, e as regras do que pode, o que não pode. [...]. Os credenciados selecionados passam a fazer parte da feira. A feira é montada pela SECULT ou pela SETUR. Então existe lá determinação de espaços, de regras de bombeiros, essas coisas todas. Cumprimento da... tem que acrescentar toda a documentação, a vigilância sanitária. Isso aí é tudo através de edital”.
O entrevistado enfatiza a importância da iniciativa de aproximação e diálogo por parte do setor, para apresentar demandas que de fato os atenda. Igualmente destaca a reação de
atores que se opõe a atuação do setor, sugerindo pressões contrárias a regulamentação do setor que levaria ao seu reconhecimento.
A inclusão [...]Depende da organização do próprio setor. Do próprio segmento. Não adianta, o poder público querer impor muita coisa. Só que ele precisa dar as condições para que o setor realmente vá se desenvolvendo. Mas quem tem o know-how, de identificar desde a matéria-prima ao processo metodológico de como faz, é quem vivencia realmente.... Então o poder público também não pode ter esse dirigismo em relação a isso. Mas daí quando chega um especialista, essa troca de experiências, intercâmbio, é quando a gente percebe como tem coisas a serem feitas. Por sua vez, existem movimentos organizados, que se pudessem já teriam colocado normas para acabar com qualquer comida de rua. Porque, supostamente, eles acham que o poder público, ao incentivar o mercado informal, principalmente de comida, por mais critério que possa ter, eles acham que tem muito rigor para os restaurantes, que tem um custo enorme para se manter. Mão de obra, questão trabalhista, se adequar, as cozinhas, a higiene. E, no entanto, o poder público termina, com esses editais, com essas feiras, incentivando[...]. (JT)
Quanto aos instrumentos especificamente voltados para a Economia Criativa, segundo Josenilton, ainda não há uma oferta, para além dos pré-existentes ao PSEC (Lei Djalma Maranhão, Lei Rouanet, Fundo de Incentivo à Cultura, e, demais editais).
Então o edital em si, é apenas um canal, um instrumento. Dentre isso aí, você pode ter especificamente um edital de economia criativa. Mas não foi ainda focado um edital exclusivo para economia criativa. Ele entrou agora no PPA, o plano plurianual, de 2008 a 2021. Ele entrou agora. Então nós vamos ter uma categoria específica de recurso para economia criativa que nos outros editais até agora está implícita. criativa. Quer dizer, empreendedorismo cultural, essas questões. Quem tem um edital específico em economia criativa é o SEBRAE. Eu tenho até o plano da economia criativa aqui, mas sem esse recorte específico. Vai ter agora. Mas, sob pressão, nós temos os editais que terminam contemplando o artesanato, a música, a literatura, a arquitetura. (JT)
Especificamente em relação a Economia Criativa, Yves Guerra, explica que já está integrada as ações do SEBRAE, o que inclui um edital para seleção de projetos de fomento e difusão com apoio da instituição, inclusive financeiro. No entanto, conforme levantado, o edital está restrito a alguns setores, exclusivamente artísticos, e, não contempla a gastronomia.
Foi levantado que há um plano municipal de cultura em trâmite na Câmara Municipal de Natal, orientado por diretrizes nacionais, que aponta as prioridades e destaca as demandas para a área da economia criativa, da arte e da cultura em si para os próximos dez anos, “Nós temos o capítulo da economia criativa no Plano Municipal de Cultura. Que obviamente segue as diretrizes da política nacional para a economia criativa. Mas isso na prática, é um processo ainda em curso, e ele é um pouco lento. Depende de recurso, depende da viabilidade técnica”,
afirmou Josenilton Tavares. Ainda segundo o mesmo, o município ainda está conhecendo o potencial da área (EC), o que a constitui, e aonde há percepção de valor:
E o Brasil mistura tudo, né? É cultural mesmo. Mistura tudo. Você pode vir com tudo arrumadinho, mas você vai ver umas bifurcações, uns arranjos, sabe? É meio maluco. Aí começa a criar sub-conceitos. Eu confesso a você que a gente fica no convencional, porque ainda está se propagando. Mas o que a gente precisa focar é no conceito. [...], pensar no que seja o valor de troca. Nós temos alguns recortes, mas como eu digo, geral. Se você quiser a economia criativa você tira daí aquelas áreas e aqueles segmentos específicos, moda, arquitetura, artesanato, design. (JT)
Porém, desse processo de conhecimento, advém outras dificuldades pela própria característica do país, inclusive a exigida formalização é colocada como obstáculo a ser superado, mas que dependem da mudança de cultura dos próprios em relação a aspectos burocráticos, ressalta Josenilton Tavares:
Mas agora eles estão credenciando. As pessoas estão querendo saber o tamanho e quem é. Para poder liberar, para ter um vendedor autônomo em um determinado show, uma feira dessas. Então estão sendo credenciados. E isso complica muito a vida deles. Por que? Porque apesar de ter já a alternativa do micro-empreendedor individual, traz uma formalidade para eles, existe uma cultura ainda de não se organizar para isso.
Ainda na visão de Josenilton Tavares, a auto-identificação não é evidente, os atores não compreendem o conceito ou se percebem como parte de um conjunto de atividades econômicas ou um setor econômico propriamente dito:
Tem gente que está dentro da área de economia criativa mas não entende favas de relação com a economia criativa. Entende o processo como uma coisa mecânica, quase massificada. Mas ela não tem compromisso nenhum com o setor. Só com retorno e consumo. No entanto, você não tem um trabalho ainda de percepção e até de discussão mesmo, de sensibilização, no tocante ao conceito, à ideia de ter a economia criativa. Eles vivenciam isso, às vezes até por necessidade, né? Mas eles não se percebem inseridos dentro de um contexto de um segmento em si.
Segundo o mesmo, há pressão por parte de alguns setores (sem citar quais) para que sejam considerados como parte da EC. No entanto, ao elaborar o Edital, a posição é seguir o entendimento de organismos internacionais já consolidado, “Agora, se a gente fosse fazer um edital de economia criativa, aí era específico para as áreas que fazem parte, segundo a UNESCO, o Banco Mundial, do rol da economia criativa”, afirma Josenilton Tavares.
A respeito da intersecção entre a gastronomia dos food trucks e a Economia Criativa, na opinião do representante da Funcarte, é possível identifica-la entre a de modo a inseri-la nas
políticas culturais do município, porém isso depende da perspectiva assumida. Em seu depoimento, ele destaca o “saber-fazer”, a técnica, o caráter de criatividade e inovação, entre