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4- A CULTURA NO ESPAÇO VIRTUAL

4.2. A INTERNET COMO FERRAMENTA DE PREPARAÇÃO DE PROFESSORAS E

Cabe ressaltar que os processos de EaD podem ser uma valorosa fonte de informação e de preparação d@s professor@s de qualquer área; nesse caso específico está-se tratando de professor@s de arte, onde a imagem ocupa um papel significativo, não só no processo de ampliação de conhecimentos do profissional, como também na educação d@s alun@s.

Já foi registrada nesta tese a importância da televisão, do vídeo e das imagens móveis, como instrumentos didáticos que podem também complementar as atividades de ensino na escola, oferecendo várias possibilidades tanto para @s professor@s quanto para @s alun@s. Caberá, então, neste item identificar as especificidades de um processo de EaD, pela Internet, em particular d@s professor@s de arte.

PORTELLA (2002) identifica a importância de se utilizar na educação, a Internet como ferramenta pedagógica, pela existência não só de páginas virtuais, que hospedam uma série de instrumentos que podem ser utilizados pel@s professor@s, como também

por acessos a importantes fontes de informações imagéticas e, ainda, pela presença de Museus Virtuais na rede. Esse conjunto de possibilidades para que @s professor@s tenham acesso e posteriormente possam utilizar como ferramentas com @s alun@s é decisivo no momento atual.

No espaço virtual pode ser construída uma série de processos de aprendizagens artísticas, não só para @s alun@s como também para @s professor@s. Com a existência de atividades educativas no espaço virtual há que se considerar uma mudança no processo de aprendizagem na escola. Neste caso, em que a navegação na Internet vai produzir uma mudança na cultura escolar, pois ambos, alun@s e professor@s, terão acesso a informações muito rápidas, muitas vezes em tempo real, onde as imagens estarão geralmente disponíveis em tempo real. Essas mudanças podem colaborar para que a escola constitua modos de interagir com os conhecimentos produzidos socialmente de forma mais rápida.

No campo do ensino da arte essas interatividades vão além das trocas entre o grupo e outras pessoas, uma vez que podem ser utilizados alguns acasos na produção artística. Atualmente a tecnologia que produz os acasos na obra de arte está restrita a grupos de pesquisa, porque sua produção exige uma ação conjunta de uma equipe multidisciplinar. No caminho de construção de novos processos de produção de arte interativa, desembocarão também experiências dest@s pesquisador@s para serem estudadas a partir da ação com crianças.

Garantindo o sucesso das ferramentas multimídia no cotidiano escolar de forma qualificada, e para tanto é necessário mais uma vez frisar a importância d@s professor@s nesse contexto, a escola poderá construir outras formas de comunicação não só entre si como com a sociedade, assim como ter acesso a informações que, com a mediação d@s professor@s, poderão tornar-se conhecimentos elaborados no espaço escolar.

FRAITAG posiciona-se em relação à era informacional identificando que se a escola não ampliar sua condição de inclusão na perspectiva de propiciar condições de acesso ao manuseio tecnológico, para amplos setores da população, haverá um:

(...) impacto da sociedade organizada em redes sobre os ¾ da população da era informacional, fração não atingida pela quarta revolução tecnológica (informacional) (...) O impacto, neste caso, traduz-se em aumento acelerado da pobreza (proporcional e absoluta) (2000: 29).

Diante da tarefa de inclusão informacional, porque hoje qualquer pessoa, até aquelas mais necessitadas que recebem auxílio de programas governamentais, o recebem a partir de um cartão eletrônico, este trabalho tem uma importância social ao propor um ensino de arte com base na educação de professor@s pela Internet, porque vai certamente ultrapassar @s professor@s e chegar até @s alun@s.

Através da arte contemporânea recebeu-se, no circuito das artes, forte contribuição tecnológica. Já nas décadas finais do século XX, os artistas puderam contar com ferramentas possíveis de serem articuladas com seus objetos artísticos, contribuições principalmente surgidas da televisão e do computador. Este, por sua vez, chegou na produção artística brasileira mais próximo do final da década de 1990. Evidentemente estes fatos trouxeram à tona o mito da obra de arte única e vários preconceitos quanto ao seu uso surgiram no contexto das interlocuções entre os artistas.

DOMINGUES (2002) vai conceituar a Ciberarte como uma das possibilidades de nomear a produção artística originada do encontro entre a arte e as ferramentas tecnológicas e a multiplicidade de códigos diferenciados que surgem a partir da relação desta linguagem tecnológica, que possibilitam resultados diferenciados daqueles surgidos diretamente entre artista e “matéria-prima”. Nesse cenário fica em evidência não somente o objeto produzido, mas principalmente as possibilidades do processo de construção desse trabalho, bem como, as relações comportamentais que podem surgir a partir dos encontros entre o artista e a linguagem computadorizada ou numérica, como utiliza a autora.

Qualquer área preocupada com a ampliação de conhecimentos de seus profissionais está pensando nos aspectos informacionais. As áreas que menos levariam a identificar relações com a tecnologia como, por exemplo, programas de computador em uma granja para aumentar a produção e diminuir a perda de frangos e ovos, são hoje consideradas por uma série de produtores em Santa Catarina. Então falar de informática e suas relações com a arte e seu ensino na verdade seria quase uma obviedade, não fosse o descaso dos órgãos responsáveis pela arte e os artistas e pela educação e @s professor@s no Brasil.

CALLEGARO (2002) identifica que a linguagem informacional proporciona novas ações na cultura atual, pois cria comunidades artísticas para a produção eletrônica,

possibilita a identificação de grupos interculturais nas relações que se estabelecem a distância e podem relacionar-se a partir dos códigos e modos de se identificar na Internet. Como a exemplo da arte contemporânea, o objeto não é a principal ênfase, o processo invade o contexto do ciberespaço e passa a ser o produto ou, melhor dizendo, o processo é que é lido como produção artística.

A autora afirma ainda que:

A educação da Arte na Internet insere-se na mudança do paradigma da educação, da ciência e da Arte, que sai da análise do objeto e vai para as suas relações e conexões com outros eventos e objetos da vida; que sai da hierarquia para uma rede de relações, da estrutura para o processo (2002:143).

No desafio da educação continuada está a percepção de que a educação de professor@s precisa necessariamente passar por uma apropriação crítica da Internet como ferramenta do ensino, como produção humana e que, como qualquer outra das maravilhas descobertas pelos homens e mulheres deste tempo, necessita de uma apropriação crítica, para que possa ser utilizada nas escolas como fonte de pesquisa, lida e percebida a partir de seus diversos contextos.

Várias crianças sentem-se atraídas pelas possibilidades de interatividade com a Internet, é esse atributo que faz com que ela exerça o poder de cativar adultos e crianças por um longo tempo, a possibilidade de navegar em diversas áreas do conhecimento. A Internet talvez represente hoje uma das principais fontes de informação dentre aqueles que tem acesso aos computadores.

Aprendizagens que levam em consideração a capacidade ativa dos indivíduos, adultos ou crianças, acabam tendo mais sucesso, pois atingem seus objetivos de forma mais ampla. Assim, os mecanismos de aprendizagem que exigem a colaboração do aprendiz têm mais sucesso na ampliação de conhecimentos, pois trabalham a partir do desejo de aprender.

Ainda buscando articular alguns pontos deste trabalho vale ressaltar que a Internet é uma importante ferramenta à disposição d@s professor@s, pois através de projetos de trabalho desenvolve uma educação interativa, por partilhar com @s alun@s as descobertas e a crítica sobre os conteúdos construídos e pesquisados na e pela Internet.

5- EDUCANDO PROFESSORAS E PROFESSORES DE ARTE A DISTÂNCIA: