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A interoperabilidade e a sua implementação no Governo Electrónico

IV Estrutura da Interoperabilidade para o Governo Electrónico

IV.3 A interoperabilidade e a sua implementação no Governo Electrónico

É verdade que muitos dos sistemas de informação se foram implementando nos diversos sectores da administração pública e do governo ao longo do tempo de forma dispersa e ad hoc, utilizando as mais diversas tecnologias e metodologias. As aplicações informáticas foram desenvolvidas e implementadas, ou em parcerias com empresa externas, ou utilizando outsoursing ou desenvolvidas internamente pelos quadros das instituições. Algumas vezes as próprias aplicações informáticas foram desenvolvidas recorrendo ao voluntarismo e boa vontade de colaboradores autodidactas. Este tipo de desenvolvimento levou a que as instituições ficassem algumas vezes nas mãos dos fornecedores, outras vezes que os seus sistemas ficassem obsoletos e a funcionar com tecnologias descontinuadas, deixando as instituições em situações constrangedoras. A informatização foi e tem sido muitas vezes feita focando áreas muito específicas, tratando apenas nichos de negócio sem ter em consideração a instituição como um corpo único. Neste momento existem ilhas de tecnologia, comunicando, por vezes umas com as outras.

Para aumentar a produtividade, diminuir custo e diminuir a burocracia, é essencial implementar a interoperabilidade no sector público. Quantas vezes se dá a mesma informação a organismos diferentes, numa mesma janela de tempo? Não seria mais fácil que esta informação fosse transaccionada dentro própria administração pública?

“... a realidade é que hoje em dia estão a emergir “ilhas” de governo electrónico que estão disponíveis para interoperabilidade, resultantes de esforços descoordenados de

desenvolvimento de serviços, a todos os níveis da administração pública.” (Commission of the European Communities, 2003) O que não é claramente suficiente.

A implementação do governo electrónico e de sistemas de informação na administração pública tem sido feita com base na tecnologia, existindo a preocupação que os sistemas estejam disponíveis em linha. Mas, é pouco valorizada a facilidade de transacção e partilha de informação utilizando as tecnologias da Informação e Comunicação. Faz sentido a normalização da informação, transacções, estruturas tecnologias e processos.

É necessária uma estrutura de interoperabilidade nacional que seja seguida e utilizada pelas diversas instituições como prioritária. Esta estrutura deve ter em consideração os sistemas de informação existentes e conseguir coexistir com eles.

Só é possível implementar em pleno o governo electrónico utilizando uma boa estrutura de interoperabilidade, que seja escalável e que permaneça para além das alterações administrativas, legislativas e evoluções tecnológicas. O governo electrónico só será de facto uma realidade quando a administração pública estiver totalmente orientada para o cliente, as suas necessidades, as suas expectativas. O que implica sem dúvida alguma a necessária troca , partilha de informação dentro e através da administração pública.

“A junção dos processos administrativos, sejam estes do sector públicos ou privado, pode fazer com que as operações tenham um significativo aumento de eficiência e diminuição custos. A interoperabilidade é essencial para esta junção na administração pública, para a partilha e reutilização de informação administrativa e promoção de serviços e informação em múltiplos canais.” (Commission of the European Communities, 2003)

“Enquanto a interoperabilidade parece tão lógica e os requisitos para a interoperabilidade tão óbvios, a realidade, é que os sistemas de informação de hoje em dia não interoperam, como por exemplo: os telefones, ou o sistema de correios. Isto só acontece com o recente desenvolvimento e obiquidade das tecnologias ”tipo Internet”; baseadas em consensos de open standards e especificações universais, foi possível conseguir um alto grau de interoperabilidade tecnológica. A Internet é um bom exemplo disto, onde os computadores e todos os recursos de informação ao longo do mundo podem estar ligados, apresentando dados em formato que pode ser lido universalmente e trocar

correio electrónico respeitando simplesmente os protocolos TCP/IP, http e S/MIME.” (Commission of the European Communities, 2003)

“Interoperabilidade permite às organizações partilhar e reutilizar informação, tanto internamente, como externamente com os seus parceiros e seus processos de negócio cooperando na obtenção dos seus objectivos comuns, o que ajuda as organizações tanto no sector público ou como no privado para obter mais eficácia no alcance dos objectivos.”

IV.3.1 INTEROPERABILIDADE ENTRE ADMINISTRAÇÕES

“O Objectivo último da implementação da interoperabilidade entre os vários sectores da administração pública, é conseguir transparência e acesso integrado aos serviços do governo electrónico, mesmo que seja necessário aceder a mais que um corpo administrativo. Para partilhar a informação, possivelmente armazenada em múltiplos formatos e subsequentemente gerida por diferentes processos administrativos. É necessário implementar a interoperabilidade a vários níveis, com outras entidades administrativas atravessando fronteiras administrativas e quando necessário, com o sector privado.” (Commission of the European Communities, 2003)

Os serviços do governo electrónico frequentemente necessitam de se ligar e combinar conteúdos de múltiplos e diversos recursos de informação. A interoperabilidade de bases de dados, por exemplo, é um requisito chave para o desenvolvimento de serviços de valor acrescentado e serviços de informação do governo transversais. No entanto, a menos que as bases de dados sejam interoperaveis e as convenções para a descrição de informação sejam acordadas, será impossível combinar o conteúdo dos recursos a nível nacional, e muito menos a nível europeu. (Commission of the European Communities, 2003)

“No entanto, a interoperabilidade das bases de dados e a informação que contêm vão permitir à administração pública implementar o “valor acrescentado” dos serviços centralizados no cidadão, que não pode ser implementada com a informação desagregada. Estes serviços devem envolver, tipicamente a antecipação de serviços específicos para os clientes, que podem ser determinados quando os dados dos clientes

de diferentes fontes são agregados e avaliados como um todo.” (Commission of the European Communities, 2003)

IV.4 Conclusão

Os dois modelos apresentados têm essencialmente a mesma estrutura e directrizes. No entanto, têm âmbitos diferentes. Enquanto o primeiro se ocupa só com a interoperabilidade ao nível nacional, o segundo pretende a implementação de uma estrutura ao nível europeu. De certo modo estes modelos complementam-se. O modelo apresentado pelo eGovernment Working Group destina-se a seguir de guia para as estruturas de interoperabilidade a adaptar ao nível nacional, para cada um dos estados europeus. O modelo apresentado pela IDAdc faz a proposta de uma estrutura de interoperabilidade europeia, a considerar quando se parte para um possível modelo de interoperabilidade nacional.

O segundo modelo dá uma visão geral de todos os actores envolvidos e seus princípios mais relevantes ocupando-se depois de forma genérica e muito sucinta dos vários tipos de interoperabilidade que o compõem. Em oposição o primeiro modelo centra-se mais na arquitectura por camadas, dando mais ênfase às interoperabilidades organizacional, semântica e tecnológica.

V Proposta de Estrutura de Interoperabilidade