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Área 1: Organização e Gestão do Ensino Aprendizagem

4.3. Realização

4.3.3. A jogada final das peças: O terceiro período

Nos jogos, nas histórias e na vida há sempre um princípio, meio e fim.

Sendo que já passei por dois momentos, o princípio que foi o conhecer da escola, da PC, dos meus colegas de NE e dos meus alunos. E também pelo meio, no qual coloquei em prática todas as estratégias que aprendi na teoria, estas que me fizeram refletir e questionar sobre todas as aulas que lecionei, como corroborado por Nóvoa (1992), a formação passa pela experiência, pela inovação, pelo ensaio de novos modos de trabalho pedagógico. E por uma reflexão crítica sobre a sua utilização. A formação passa por processos de investigação, diretamente articulados com as práticas educativas.

Deste modo, falta referir o fim, ou seja, o último período deste ano letivo, ambos os períodos anteriores foram diferentes, um foi presencial e o outro online, em que apliquei métodos e estratégias diferentes para o ensino-aprendizagem dos alunos. Esta última etapa foi presencial, sendo que vou referir o que realizei ao longo desta. No quadro seguinte (quadro 5) refiro os modelos e estilos de ensino utilizados, problemas encontrados, estratégias adotadas e as conquistas.

Quadro 5- Desenvolvimento Prático do 3º Período

Turma Modalidade Estilo/Modelo de

ensino Problemas encontrados Estratégias adotadas Conquistas

Turma Residente 10ºano

comando Níveis diferenciados de habilidade Aprendizagens por níveis Melhorias a nível técnico e tático

4.3.3.1. Jogadas ao ar livre: aulas no exterior

Neste período lecionei duas modalidades nas quais utilizei o espaço exterior para a sua prática, foram elas atletismo e orientação. Nas aulas de atletismo, dividi os alunos em quatro equipas, sendo que nos primeiros quarenta e cinco minutos de aula, duas destas equipas ficaram comigo a praticar a modalidade de atletismo e as outras duas equipas a praticar a modalidade de futsal, nesta última modalidade, havia um treinador em cada equipa, que tinha uma ficha com os respetivos exercícios e tinha que comunicar à equipa o que tinham que realizar, uma vez que só consegui lecionar duas aulas de futsal nas aulas de ensino à distância, decidimos em NE com a PC continuar a lecionar a modalidade.

As aulas de orientação, inicialmente foram elaboradas de modo que os alunos tivesse um mapa em formato de papel, no qual se guiavam pelo que estava indicado na folha e respondiam na mesma, depois de duas aulas, a dinâmica mudou, sendo que cada elemento da equipa tinha uma função específica para determinado ponto de paragem, assim os alunos tinham um mapa online elaborado no google maps (figura 15) com oito pontos de paragem e em cada ponto tinha uma pergunta ou desafio para realizarem, as respostas eram enviadas para o Instagram do xico.energy, no qual eu verificava as respostas e atribuía uma pontuação à equipa.

Figura 15- Exemplo de um mapa de orientação online

4.3.3.2. Os peões como sendo o centro da jogada: os alunos como agentes ativos no desenvolvimento da aula

Como já referi anteriormente, todas as semanas as aulas eram lecionadas em espaços diferentes, sendo que para este período foi decidido com a PC que no pavilhão interior iria lecionar a modalidade de voleibol, no pavilhão exterior atletismo e orientação e, por fim, tinha a sala de espelhos.

Uma vez que no segundo período só consegui lecionar duas aulas de dança, juntamente com a PC decidimos dar continuidade a esta modalidade.

Nas modalidades de atletismo, futsal, voleibol e orientação os alunos envolveram-se nos exercícios da aula, trabalharam sempre em equipa e estavam sempre motivados na realização das tarefas. Contudo, as aulas de dança foram as mais complicadas de lecionar, isto porque, os alunos tinham vergonha uns dos outros e não se envolviam nas tarefas da aula, encontrando-se desmotivados. Deste modo, na modalidade de dança, iniciei com aeróbica com todos os alunos e depois de lecionar os conteúdos, em conjunto com os alunos, escolhemos quatro passos de aeróbica e realizamos uma coregrafia, para facilitar escrevi tudo num quadro (figura 16) e coloquei de forma que todos os alunos conseguissem visualizar.

Figura 16- Quadro de aeróbica

Depois de treinarmos a coreografia, para envolver os alunos na aula e motivá-los, decidi fazer uma competição, raparigas vs rapazes, no fim da aula senti que os alunos estavam motivados e que gostaram desta tarefa. Na aula seguinte, lecionei novos conteúdos e em seguida os alunos tiveram que realizar uma coreografia em equipa com oito passos diferentes e no final

estavam desmotivados, contudo dei sempre ideias diferentes a cada grupo e sinto que os motivei para realizarem a sua coreografia, no final as coreografias estavam bem organizadas e os alunos estavam motivados quando as apresentaram aos colegas.

Um desafio ainda maior que aeróbica foi expressão corporal, pois senti que os alunos não tinham vivências suficientes e não se conseguiam expressar com o corpo e ficavam parados. Deste modo, ao longo da aula, dizia palavras, como por exemplo tropeçar, cair, empurrar, puxar e assim consegui que eles se envolvessem mais na aula, em seguida coloquei objetos espalhados pela sala e tinham que se relacionar com o objeto e por fim formei duplas em que os alunos tinham que seguir a sombra um do outro, fazer espelho e marionetas.

Para mim foi uma das aulas mais complicadas de lecionar porque os alunos inicialmente estavam com vergonha e não se envolviam na aula. Na aula seguinte, os alunos tiveram que realizar uma coreografia em equipa, cujo tema foi “Violência no namoro”, em que tinham que expressar com o corpo aquilo que queriam transmitir, fiquei bastante admirada com o envolvimento das equipas e com o resultado final das coreografias.

Em suma, envolver e motivar os alunos na modalidade de dança foi um desafio para mim e sinto que foi a modalidade que mais me custou a lecionar, mas para mim foi um orgulho sentir que no final acabei por conseguir motivar os alunos e aumentar as suas vivências.

4.3.3.3. Os peões em diferentes casas: trabalhar por níveis na modalidade de voleibol

Neste terceiro período, nas aulas em que o espaço foi o pavilhão polivalente lecionei a modalidade de voleibol, ao contrário dos períodos anteriores neste período, a escola permitiu que nas aulas de EF se pudesse realizar situação de jogo 2x2, o que promoveu uma competição saudável entre as equipas.

Na primeira aula desta modalidade realizei a avaliação diagnóstica e no fim da mesma, conclui que a turma se encontrava em dois níveis distintos, uns no nível introdutório e outros no nível elementar. Em todas as modalidades as

dividi a turma em dois níveis: nível com mais dificuldade e o nível com melhor desempenho, os planos de aula para esta modalidade também foram realizados de modo a diferenciar os níveis.

O facto de ter lecionado as aulas desta forma, foi benéfico, pois assim os alunos conseguiram evoluir dentro das suas capacidades, o que provocou uma motivação de desafio ao longo das aulas. Os alunos que se encontravam no nível com mais dificuldade, tiveram aulas em que o objetivo inicial era fazer a manutenção da bola e realizar passe, sendo que só foi possível fazerem o passe, auto passe, manchete e serviço por baixo. Enquanto no nível com maior desempenho consegui lecionar todos os conteúdos uma vez que estes tinham uma melhor capacidade para a execução da modalidade.

Apesar de ter realizado aulas por níveis, consegui que as equipas continuassem com a pontuação MED, ou seja, dentro dos níveis formava pares da mesma equipa para competirem uns com os outros. Assim, consegui que eles estivessem sempre motivados para terem pontos, para consequentemente subirem no pódio.

4.3.4. As estratégias que apliquei ao longo de cada jogada: as estratégias