2.4 O entendimento nos tribunais trabalhistas – jurisprudências
2.4.1 A jurisprudência do Tribunal Regional do Trabalho
Efetuadas buscas de jurisprudências junto ao Tribunal Regional do Trabalho pode-se constatar que é possível encontrar decisões que majoritariamente contemplam o reclamante.
Neste sentido, foi feito um breve comentário do acórdão da ementa abaixo, o qual relaciona-se com o tema discutido, onde veremos o posicionamento do Tribunal Regional do Trabalho e como este enfatiza e fundamenta a questão.
A decisão que segue foi fundamentada no quesito culpa por parte do empregador.
ACIDENTE DE TRABALHO. CULPA DO EMPREGADOR POR NÃO ENTREGAR EPI E POR NÃO FISCALIZAR E EXIGIR O EFETIVO USO DE EPI ENTREGUE. OBRIGAÇÃO DE REPARAR OS DANOS CAUSADOS AO EMPREGADO. Na forma do artigo 157, I, da CLT, artigo 19, §1º, da Lei nº 8.213/91 e NR 6, cabe às empresas cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho, fornecer, fiscalizar e exigir o efetivo uso de EPI e orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação. Assim, se, no curso do contrato, o empregado sofre acidente de trabalho pela não utilização de EPI adequado, que não foi entregue pela empregadora, resta plenamente caracterizada a culpa do empregador. Nesse sentido, havendo danos morais e estéticos ao
empregado, decorrentes do acidente de trabalho, deve o empregador reparar tais danos, mediante pagamento de indenização (artigo 7º, XXVIII, da Constituição Federal e artigo 927 do Código Civil) (BRASIL, 2016. Grifo do autor).
O acórdão em questão trata de um recurso interposto pelo recorrente, o qual não se conformou com a sentença que julgou improcedente a ação por ele movida. O recorrente na oportunidade aduziu que o acidente de trabalho não ocorreu por negligência, imperícia e imprudência de sua parte, porém se tratou de um evento acidental, conforme conclusão da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. O recorrente ressaltou ainda que a empresa ora reclamada não forneceu os equipamentos de proteção necessários, adequados e de uso obrigatório para prevenir os riscos existentes da atividade por ele elaborada, o que ficou subentendido através de esclarecimentos feitos pelo perito.
Segundo consta no relatório do acórdão, o acidente ocorreu em virtude de um curto- circuito que se originou no painel da sala de abate e que consequentemente atingiu a mão e o rosto do reclamante. Durante a análise do acidente os peritos constataram que o reclamante não usava os equipamentos de proteção adequados para a prática de seu serviço. Deste modo, concluíram que a empresa, ora reclamada, não entregou ao reclamante todos os equipamentos de proteção considerados necessários para a prática do serviço, assim, descumpriu o previsto no Art. 157, da CLT. Além disso, restou evidente que a reclamada descumpriu sua obrigação legal de fiscalizar e de exigir o uso dos equipamentos que foram entregues ao reclamante, ora empregado.
Neste sentido, complementa-se o que fora exposto no estudo realizado anteriormente, no que condiz a obrigação do empregador, expressa no Art. 157, inciso I, da CLT, com relação à fiscalização e a exigência do uso adequado dos equipamentos de proteção fornecidos aos seus empregados.
O julgador do presente acórdão ressaltou que o reclamante, ora empregador, foi negligente ao não utilizar o equipamento de proteção lhe oferecido, porém a parte reclamada também o foi, pelo simples fato de não ter realizado a devida fiscalização, bem como não ter exigido o efetivo uso do equipamento fornecido, o que comprovou que a reclamada agiu com culpa.
Com relação aos danos estéticos e morais pleiteados pelo reclamante, a perita concluiu o seguinte: que o acidente de trabalho ocasionou alteração da cor da pele, o que gerou/causou danos estéticos aparentes ao reclamante. Que o acidente de trabalho sofrido pelo reclamante trouxe para este uma carga de sofrimento, abalo psicológico, o qual merece ser indenizado por danos morais.
Do que fora exposto no acórdão em estudo deu-se provimento parcial a demanda do reclamante, com fulcro nos Art. 5º, X, 7º, XXVIII, da CF/88 e 186 e 927 do Código Civil. Considere-se ainda que o julgador entendeu cabível a indenização por dano moral, fixando deste modo o pagamento da importância de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), bem como condenou-se ao pagamento da importância de R$ 10.000,00 (dez mil reais) por danos estéticos.
Precede-se a apresentação de um segundo acórdão, do mesmo Tribunal:
RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR, DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. CARACTERIZAÇÃO. O Art. 186 do novo Código Civil determina que para que haja a reparação do dano é necessária a presença de três requisitos específicos, a lesividade do ato apontado, a verificação do dano e o nexo de causalidade entre o dano e o ato lesivo. Configurado nos autos que a recorrida contribuiu culposamente para a configuração do acidente de trabalho que vitimou o reclamante, causando lesão, dano estético na mão esquerda deste último, deve reparar o dano causado ao obreiro, pagando indenização respectiva Recurso do reclamante a que se dá parcial provimento. (TRT-6 – RO: 267200631206002 PE 2006.312.06.00.2, Data de Publicação: 16/05/2007) (BRASIL, 2016).
O reclamante recorre ordinariamente da decisão proferida pelo MM. 2ª Vara do Trabalho de Caruaru – PE, que julgou procedente os pedidos da recorrente e que consequentemente indeferiu o pleito relativo às indenizações por danos e lucros cessantes, formulados em face do acidente de trabalho do qual foi vítima.
Conforme relatório, na peça inicial o reclamante alegou ter sofrido um acidente de trabalho, no exercício de suas atividades laborais, fato que resultou as múltiplas fraturas em sua mão esquerda. A reclamada por sua vez confirmou a ocorrência do acidente, porém aduziu que o mesmo só veio a ocorrer por culpa do empregado, o qual não tomou os devidos cuidados para a prática de sua atividade e que sempre orientou seus empregados quanto ao uso dos EPIs.
Porém, destacou-se que o fato é incontroverso e que entende que a empresa contribuiu para a caracterização do acidente. O julgador ressaltou ainda para que seja configurada a responsabilidade civil por dano material ou moral exige-se a relação de causa e efeito entre o dano sofrido e a ação ou omissão que foi provocada.
Contudo, o autor da presente ação sempre insistiu que a empresa foi a responsável pelo acidente de trabalho que sofreu, pelo fato de exigirem que realizasse sua atividade laboral com máquina perigosa e sem o devido treinamento, além de não ter fornecido os equipamentos necessários.
O julgador então entendeu que o acidente de trabalho que vitimou o recorrente ocorreu por culpa da recorrida, restando, deste modo, configurada a responsabilidade civil desta. Diante disso, deu-se parcial provimento ao recurso, para julgamento parcialmente procedente à ação, condenando a reclamada ao pagamento de indenização, na importância de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).