2. O CONCEITO DE LAICIDADE DO “CAMINHO DEMOCRÁTICO À DITADURA” (1958-1972)
2.4 A LAICIDADE E SEUS DEBATES POR MEIO DA IMPRENSA (1972)
[…] el tono apolítico, negador de nuestra tradición laicista primitiva, tiende a formar ciudadanos dóciles, conformistas, en vez de ciudadanos que contribuyan a lograr una sociedad más justa, un mundo mejor para todos. (FIORENTINO, 1973, p. 55)
Se, como analisa Koselleck, os conceitos impulsionam mudanças, geram esperanças de futuro, representam aspirações ou, contrariamente, pretendem ficar ancorados na experiência e conservar, os autores analisados neste item apresentam visões muito antagônicas sobre o sentido da laicidade.
Para Fiorentino, a laicidade é um conceito que tem como valor a mudança.
Para Ritter o valor da laicidade está na tradição em conservar, e, a expectativa de Fiorentino baseia-se na possibilidade de alcançar um outro horizonte.
Enquanto que para Ritter, o horizonte parece estar em manter, ou mais ainda, em voltar a um passado glorioso, o paraíso uruguaio da Suiça de América, que o comunismo extrangerizante e dogmático.
O debate sobre a laicidade não ficou restrito a livros ou publicações especializadas e acadêmicas senão que a imprenssa foi um veículo privilegiado na difusão e democratização dos diversos sentidos que o conceito poderia adquirir nesse momento de quebra, de acidente que representa o ano de 1972. No póximo item se apresentará esse debate.
2.4 A LAICIDADE E SEUS DEBATES POR MEIO DA IMPRENSA (1972)
Qué noción tenemos hoy de laicismo? En la lucha de la educación se ha replanteado la cuestión del laicismo de nueva manera. (MOURIGAN, 1971, p. 20)
Carlos Real de Azua é um dos intelectuais que mais se destaca na história do pensamento uruguaio do século XX. Ele conseguiu, em 1971, pensar, descrever e interpretar as mudanças no uso do conceito de laicidade, no mesmo momento em que estas aconteciam. O texto, publicado muitos anos depois (em 1992), trata da situação da Universidad de la Republica e sua tensa relação com o crescente autoritarismo que vivia o país. Desde 1958, a Universidade uruguaia é autônoma e não existe nenhuma participação do Poder Executivo no regimento, nem na eleição de autoridades. Justamente com uma longa tradição de pensamento crítico e muito vinculada a setores da
esquerda política, a autonomia foi muito atacada pelos governos de Pacheco e Bordaberry até sua “intervención”168
Em um contexto de crescente autoritarismo (“camino democrático a la dictadura”) o uso de um conceito, que é parte da matriz identitária dos uruguaios para atacar adversários políticos, permite ao governo impor “sua”
monopólica visão e denuncia como “não laica” qualquer oposição. Dito de outra forma, Real de Azua vira o jogo das análises e acusa os denunciantes, afirmando que a suposta imposição de valores, orientações e preferências dos comunistas termina por legitimar que o Governo proíba qualquer pensamento divergente (comunista ou não) e pretenda impor a sua visão doutrinária em todo o sistema educativo nacional. O rejeitamento, assim, é mais político do que pedagógico e deixava aberta a possibilidade de ser utilizado contra qualquer tipo de oposição o que levava Carlos Martínez Moreno a consultar
“quién maneja el peligrosímetro?” (MARTÍNEZ MORENO, 1973, p. 29) e, , já na ditadura, em outubro de 1973. Um dos mais reiterados argumentos para “atacar” a Universidade é “[…] la reivindicación de la noción de laicidad en una significación nueva aunque a mi juicio no ilegítimamente deducida” (REAL DE AZUA, 1992, p. 144)..
Essa “nova significação” da laicidade consistia segundo analisa Real de Azua, em uma tradução da:
secularización y relativización de los contenidos religiosos-dogmáticos que operaban en la vieja enseñanza tradicional de Occidente ahora parecía factible invocarla frente a lo que se denunciaba como el absolutismo y el dogmatismo de una imposición ideológica y concretamente, la del marxismo. (REAL DE AZUA, 1992, p. 144)
Assim, a constante denúncia, desde o início dos anos 60, sobre uma
“[…] teoría de la ‘infiltración’ de la ideología (comunista) que ha sido caudalosamente expuesta en documentos oficiales y en la prensa de apoyo como modelo de acción gestionado por una unificada y personalizada fuerza de marxismo internacional” (REAL DE AZUA, 1992, p. 145), que era agora traduzida e denominada de “violação da laicidade”.
168 A ditadura uruguia “interviene” a Universidad de la República em 28/10/1973. O decreto no seu artigo 4º agrega: “Dispónese el arresto de los miembros del Consejo Directivo de la Universidad de la República, hasta tanto se pronuncien los órganos jurisdiccionales competentes” (MARKARIAN; JUNG; WSCHEBOR, 2008, p. 33).
também, acusar afirmando que essa potestade estará nas mãos do jerarca político “y no se dice con el auxilio de qué asesoramientos técnicos”.
Uma das novas características do conceito de “laicidade” que, surge no início dos anos 70, resulta do fato de já não ser principalmente anticlerical e, sim, “antimarxista”. Esta substituição era possível de ser aceita e “entendida”
pela população através de um paralelismo entre dois “dogmas”, promovendo assim uma: “[…] identificación de las ideologías revolucionarias como
‘religiones seculares’ radicadas en la inminencia de la vida humana y terrestre pero con todas las características formales (totalidad, sistematicidad, integridad de significación, tensión, ortodoxia-herejia)” (REAL DE AZUA, 1992, p. 144), próprias das religiões reveladas.
O novo sentido do conceito de laicidade169
Outro importante pensador, Carlos A. Mourigan, integrante do Conselho de Redação da Revista de la Educación del Pueblo
, além de antimarxista, levava consigo, também, um “reclamo de ‘objetividad’, de ‘neutralidad’ e de exposición total de todas las doctrina, todas las posiciones, todos los aspectos de un problema” (REAL DE AZUA, 1992, p. 145). Esta concepção do saber como algo “técnico” e cético será questionada por Real de Azua e considerada
“ilusória” já que esta exigência de realizar uma exposição:
de posiciones tan completa como se pretende, (tiene) apremios de índole práctica que imponen que alguna conclusión positiva, útil, afirmativa pueda extraer el estudiante de una enseñanza que quiera ser otra cosa que una enciclopedia deshojar de margaritas. (REAL DE AZUA, 1992, p. 145)
Se mostrar todas as posições que existem sobre uma temática resulta ilusório, “mucho más complicado y hondo es el problema que plantea la alegre proclamación de la posibilidad de una enseñanza y una ciencia asequiblemente
‘objetivas’ y ‘neutrales’ sin más ni más y de buenas a primeiras” (REAL DE AZUA, 1992, p. 145).
170
169 Essa mudança do conceito permite deixar de ver a DSN “como invenciones únicamente defensivas o represivas” para prestar atenção no “trabajo ideológico y, en consecuencia, cultural que ellas pretendieron tener…necesitaron la consolidación de valores, la invención de tradiciones y la filtración de ideología mediante los métodos más sutilies que se tuvieron a mano” (GREISING, 2012, p. 535-536).
170 Publicação com forte presença de educadores militantes do Partido Comunista del Uruguay.
também analisou a mudança de sentido do conceito de “laicidade” no mesmo momento em que
esta acontecia. O seu “uso”, a partir do governo, é motivado pelo alto prestígio político que possui. Assim, Mourigan afirma que: “el laicismo es nominalmente mantenido por el reconocimiento del prestigio y fuerza de los ideales democráticos en las masas y del poder de ellas” (MOURIGAN, 1971, p. 23).
Mas se usa a “consigna” ao mesmo tempo “que se le niega […]” porque assim o governo tenta silenciar toda a discussão. Concordando com Real de Azua, em boa parte da análise, Mourigan sintentiza seu pensamento sobre o novo sentido da laicidade:
Apelando a los restos de la mentalidad liberal, a las supervivencias de las ideas de tolerancia y de no-proselitismo, especulando con el neutralismo ecléctico y la prescidencia relativa […] los sectores regresivos plantean el laicismo como:
oposición a toda propaganda política, a todo proselitismo de cualquier tipo; esto no es sino un ardid por el cual toda formación de conciencia social pueda ser impedida. Ocurre además que, al mismo tiempo que se dice defender el neutralismo, se transforma la enseñanza en un sentido político definido: no discutir y aceptar el orden establecido, aun en cuanto contradice el ordenamiento jurídico formal.
(MOURIGAN, 1971, p. 22)
Através da imprensa e em particular do jornal Acción, fica evidente que a ideia de “violar a laicidade” é substituída e passa a representar, na linguagem política, a ideia de “proselitismo marxista” nos centros educacionais.
Consideramos muito relevante ver essa mudança interna do jornal Acción já que se autodefine como representante do pensamento batllista e que agora, nos marcos da DSN, apresenta uma forte mudança conservadora que pode ser vista nos novos posicionamente perante aos usos do conceito de laicidade. Os intelectuais batllistas que realizavam suas intervenções políticas desde Acción inclivam-se para uma interpretação cada vez mais à direita nos debates que permeaiavam a vida social. Assim mudanças mais radicais no uso do conceito de laicidade, observadas através deste meio de imprensa, possui quantro aspectos centrais:
a) a laicidade mantém a ideia de “neutralidade” do Estado e, particularmente, dos centros educacionais, mas mudando a ênfase,
outorgando uma maior relevância a não transmitir nenhuma ideologia política (particularmente ao comunismo) além de doutrinas religiosas;
b) também fica acertado, como já era no “modelo batllista” a ideia de laicidade como antidogmatismo, mas como analisamos com o texto de Ritter (1972), muda também o foco, com maior destaque para a questão política-ideológica considerando, antes do catolicismo, o comunismo como grande dogma a ser combatido pelos “laicos”;
c) assim e, como síntese das duas características anteriores, a laicidade é utilizada no sentido de “não-marxista”;
d) por último, surge junto com a nova definição do conceito, uma proposta para garantir a permanência da laicidade nos centros educacionais: que o governo controle e decida tudo o que será ensinado por ser a única garantia de algo neutro, antidogmático e democrático (isto é não-marxista).
A laicidade, a partir o modelo batllista apresentou-se como neutra.
Assim, o Estado não devia tomar partido sobre as questões religiosas que pertenciam à parte íntima de cada cidadão. Agora a laicidade continua significando neutralidade ao Estado, mas não só e nem, principalmente, em matéria religiosa, contudo, em ideológica também. O jornal Acción, que representa no seu Editorial de opinião à posição política do “neobatllismo”
afirmava, ainda, no momento de transição de sentido do conceito que: “no hay laicismo cuando existe violencia física o intelectual: la neutralidad que debe ser el vehiculo transmisor de la ciencia, se ahoga ante la compulsión de la violencia” (FIN del..., 1969, p. 3). Essa neutralidade envolve a ideia de um saber que deve ser apolítico, isto é, técnico, cético.
Com uma linguagem própria do início dos anos 70, Mourigan, em uma análise, afirmava que:
[…] la clase dominante ha replicado retomando el concepto de laicismo a su manera. Ha lanzado a la circulación el vocablo en cuestión con el sentido más amplio de neutralismo político y religioso, pretendiendo una prescidencia ante la realidad que en verdad es un definido partidismo clasista, gubernista. Habla también de laicismo en el sentido de neutralismo tecnicista, porque es justamente el planteo objetivo de la realidad el que invalida su política, como la invalida el más elemental juicio valorativo. (MOURIGAN, 1971, p. 22)
Assim, apoiando-se na tradição do conceito e, em seu forte prestígio social, é possível observar, a partir de Acción, se estar falando o mesmo de sempre, sobre uma laicidade que se mantém “constante e pura” na sua essência: “[…] el pueblo uruguayo sabe muy bien lo que decimos cuando hablamos de defender el laicismo”. Desenvolve ainda, onde se lê que o povo:
[…] sabe bien que laicismo es neutralidad del Estado para la política interna […]. El país entero sabe que un local universitario como el Paraninfo no puede usarse por un grupo de clara militancia partidista para desarrollar un acto en ataque abierto al gobierno […]. (El LAICISMO es..., 1972, p. 4)
Em outro editorial de Acción, define-se as caracacterísticas desta neutralidade ao exigir “que el político haga política. Que el científico haga ciencia. El maestro que atienda su quehacer pedagógico en la escuela. Que el sacerdote cultivo lo sagrado en su esfera” (SUGO MONTERO, 1972, p. 4).
Mas ser neutro e, por isso, laico, na definição “oficialista”, se parece muito com apoiar o governo, assim como ser opositor passa a ser um sinônimo de “não ser laico”. Na difícil redefinição que a laicidade uruguaia experimenta no início dos anos 70, em Acción, observa-se que:
Cualquiera entiende, el más modesto de los ciudadanos, que no puede encajar en ningún concepto de laicismo la realización de actos políticos adentro de la Universidad o la divulgación de textos contrarios a las instituciones democráticas y dirigidos inequívocamente a llevar al educando la sensación de que este es un país devorada por el imperialismo y en manos de una oligarquía expoliadora. Como comprende cualquiera, que nunca en el laicismo cabrá el empelo de carteleras en las Facultades para colocar las proclamas terroristas o el uso de la libertad de cátedra para denostar la institucionalidad democrática nacional y demostrar que ni las elecciones constituyen un procedimiento democrático. (Acción. El laicismo es…, 1972, p. 4)
Uma publicação – de irregular aparição – foi a revista Laicidad, publicada entre 1949 e 1974, pela Alianza por la Educación Laica (APEL). O primeiro Redator Responsável foi Francisco Gomez Haedo (h)171
171 (h) significa hijo, isto é filho.
. O extenso
período de sua edição e a diversidade de posições ideológicas entre seus integrantes é muito interessante no sentido de analisar a mudança conceitual e os debates que o conceito gerava entre os contemporâneos. Assim, a temática da neutralidade no ensino gerou um debate entre dois integrantes da APEL, Alfredo Alambarri e Luis Villemur Triay172
Porque la disyuntiva es muy clara: o educación comprometida
que é publicado na edição nº 64 da revista Laicidade, datada de abril de 1971.
No debate, Alambarri, se opõe à ideia de neutralidade na tarefa dos docentes das Escolas Públicas, argumentando que “neutralidad significaría un magisterio frio y ‘pasteurizado’ reducido a un simple informante de doctrinas, habilitado, únicamente para formar un alumnado homogeneizado e esteril”
(ALAMBARRI, 1971, p. 4-5). Contrariando essa posição, Villemur Triay nos permite visualizar que para o governo, neutralidade significava:
El educador debe ofrecer al educando todos los elementos de información de todas las fuentes existentes, inclusive de aquellas que contraríen su propio modo de pensar […] él (Alambarri) considera neutralidad como omisión y frialdad;
nosotros creemos que es la única forma de respetar la mente y la personalidad del educando. (VILLEMUR TRIAY, 1971, p. 5-6).
Com um ataque direto, embora, sem fazer referência ao marxismo, agrega:
173
Outro aspecto que define a laicidade no Uruguai do século XX, a partir do modelo batllista, é o antidogmatismo. Conforme analisamos no capítulo
que ahoga la expontaneidad y la libertad del educando formando futuros hombres para una sociedad pensada y reglada por sus antecesores. Serán rebaño de los resuelto por otros. O educación para la libertad que estimula la expontaneidad y la libertad del educando, formando futuros hombres para una sociedad pensada y reglada por ellos, coincidente o no con la que pensaron y reglaron sus antecesores. (VILLEMUR TRIAY, 1971, p. 5-6)
172 Ambos militantes batllistas. No clima de Guerra Fria Alambarri (que chegou ser Diretor do Consejo del Niño) durante o governo de Batlle Berres passou a apoiar ideologias mais vinculadas com a esquerda, pro-socialistas. Enquanto que Villemur Triay optou por uma posição claramente anticomunista.
173 “Comprometida” era usada no sentido de militante de esquerda: “comprometida” com as causas sociais, “comprometida” com a militância”, “comprometida” com a revolução, etc.
anterior, o processo secularizador com caracterítisticas anticlericais do modelo batllista foi sucedido na disputa e o conceito de laicidade tranformou-se em parte da identidade nacional. Mourigan denomina este período “laicismo en sentido estricto”174
En un principio surgió para preservar la libertad individual contra la imposición de dogmas religiosos y garantizar de ese modo una información objetiva como fundamentos de las , onde a aceitação do princípio foi “generalizada”, deixando
“livre” o conceito e a disposição para poder ser usado com outros fins que não os secularizadores da primeira metade do século XX.
Antidogmático, continuará sendo usado, mas o dogma opositor mudará do catolicismo para o marxismo. Atalaya escrevia em Acción, no início do ano escolar de 1973, que:
desde el punto de vista critico el laicismo rechaza todo dogmatismo, los procedimientos que conducen a imponer ideas y las técnicas psicológicas que generan una actitud de odio o desprecio por los que profesan otras ideas a quienes esclavizan moral espiritualmente. (ATALAYA, 1973, p. 03)
E, posteriormente, dirige seus ataques contra o comunismo: “el laicismo es por eso la filosofía educacional de los Estados democráticos, el dogmatismo la de los Estados predemocráticos o totalitarios” (ATALAYA, 1973, p. 03).
Um editorial de Acción intitulado Defender la libertad, voltava a falar mais uma vez que: “El laicismo fue una de las conquistas fundamentales de nuestra enseñanza y es necesario legislar adecuadamente para preservar este valor, hoy tan venido a menos” (1972, p. 4). Sempre os ideólogos da DSN colocam sempre entre seus objetivos manifestos o cuidado dos valores morais ou espirituais (sempre ameaçados pelo comunismo), a regeneração moral da Nação e se autoconsideram herdeiros legítimos das virtudes nacionais e do carácter nacional. Assim, o editorial continuava a realizar uma brevíssima historização do conceito de laicidade dizendo:
174 “A fines del siglo XIX […] que se empleara la educación para la afirmación de los Estados nacional y el afianzamiento de su unidad nacional, y en casi todos los países, en formas diversas, se plantearon problemas de coordinación y orientación con las confesiones religiosas establecidas; la noción de laicismo de laicismo tuvo en este período referencia a estas relaciones. En este respecto el vocablo refería más a los requerimientos políticos por encima o al margen de la religión, a las actitutedes prescindentes, neutralistas o pluralistas que al presunto ateísmo del período anterior imputado al enciclopedismo (MOURIGAN, 1971, p. 21).
opciones personales. Se ha logrado al respeto un status razonable: cada religión puede adoctrinar libremente, pero la educación debe ser laica. (DEFENDER la libertad, 1972, p. 4)
A frase “se ha logrado o respeto” sobre a não imposição de questões religiosas, que afirma Acción, na citação anterior, apresenta a ideia de que o tema religioso está “fechado” e, por isso, o foco central da laicidade não é mais a questão religiosa, mas a política como no passado acontecia com a religião e seus dogmas:
Algo similar ocurre en los países libres con los partidos políticos. Cada cual tiene sus posibilidades de expresión propia, a través de sus periódicos y de su propia actividad externa e interna. Se garantiza asi la posibilidad de que cada corriente de opinión – incluso aquellas decididamente adversas al sistema democrático – cuenten con la posibilidad de expresar su pensamiento y de formar sus cuadros militantes.
(DEFENDER la libertad, 1972, p. 4)
Assim, o Partido Comunista pode oferecer cursos sobre marxismo nos seus clubes partidários, onde o Estado não exigirá que sejam objetivos nas suas abordagens, como não se exige que na paróquia se coloque em dúvida a existência de Deus. A neutralidade deve haver nos lugares públicos e, particularmente, nas Escolas: “porque no puede ser que esta se transforme en un campo de militancia política y de adoctrinamiento a favor de posiciones antidemocráticas” (DEFENDER la libertad, 1972, p. 4)175. Dessa maneira, em pleno contexto do debate sobre a Lei de educação que Sanguinetti impulsionava, Acción exige que: “será la tarea que el gobierno deberá encarar con la mayor energía” (DEFENDER la libertad, 1972, p. 4)176
175 Na mesma temática Atalaya agrega que: “El laicismo no se opone al conocimiento de las ideas de Marx ni de ninguna doctrina política menos ún, al conocimiento objetivo, científico de las condiciones socio-económicas del país. Lo que rechaza la filosofía del laicismo es que se transforme los establecimientos públicos de de enseñanza en centros de reclutamiento político o en ‘templos’ donde se dogmatice, es decir, se ‘domestique’ las rebeldías de la juventud para ponerlas al servicio de una dictadura ideológica como acontece en los Estados totalitarios marxistas”. “Laicismo y marxismo” (El DIA, 31 de agosto de 1971, p. 04).
176 “Debatendo com Alambarri na revista Laicidade (20 de setiembre. Dia del librepesamiento.
No 59 noviembre de 1969) afirmava que: “Coincidimos en que la Laicidad, tal como lo ha señalado en nuestro país hace ya doce años nuestro malogrado Nestor A. Piriz no puede ser antinada, por lo tanto n o puede ser anticatólica, anticomunista, ni anti etc […]. Pero también si quiere seguir siendo Laicidad, deberá pugnar con todas sus fuerzas por impedir la predominancia del catolicismo, del comunismo y de cualquier otra posición dogmática tanto en sus filas, como en las de la educación, como en las del gobierno del país”.
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O discurso que o laicismo radical tinha utilizado contra as trevas do catolicismo agora era dirigido contra os marxistas. O marxismo transforma-se
O discurso que o laicismo radical tinha utilizado contra as trevas do catolicismo agora era dirigido contra os marxistas. O marxismo transforma-se