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CAPÍTULO I DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E ASSENTAMENTO

1.2 Assentamentos Habitacionais Populares no Brasil

1.2.2 A Legislação e os Programas do Governo Federal

Em 10 de julho de 2001, foi aprovada a Lei nº 10.257, denominada Estatuto da Cidade que, “[...] estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental”, com o objetivo de coordenar o desenvolvimento da cidade de forma sustentável, garantindo o direito “[...] à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer”, conforme artigo 2º, inciso I (BRASIL,2001).

O Estatuto da Cidade propõe a participação popular na tomada das decisões relacionadas ao desenvolvimento urbano, buscando sempre atender aos interesses sociais e reduzir os danos do crescimento urbano e das consequências no meio ambiente. Uma das medidas para minimizar os problemas é a junção da União com o Estado e o Município em programas para a construção de moradias e melhoria das habitações existentes e do saneamento básico.

Quanto à execução de assentamentos habitacionais populares, o Estatuto da Cidade no artigo 39, assegura “[...] o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas [...]” (BRASIL, 2001). O Estatuto da Cidade visa alterações e controle no crescimento da cidade de maneira que atenda a todos moradores independente da localização, pois entende que a cidade pertence a todos.

Seguindo a preocupação prevista no Estatuto da Cidade, a Agenda 21 visa o desenvolvimento sustentável das cidades. A Agenda 21 é um acordo assinado em 1992 na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro e contou com a participação de 179 países. A Agenda 21 é um programa de ações que tem como meta promover um novo modelo de desenvolvimento, o desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2011).

No tocante à cidade e ao desenvolvimento proposto na Agenda 21, ficaram definidos instrumentos de planejamento que visam a questão ambiental, social e econômica para promover uma sociedade sustentável. Pelo caráter democrático da Agenda 21, a partir de 2003, foi implantada no Brasil, como instrumento de formação de políticas pública. No Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, as diretrizes da Agenda foram incorporadas no Plano de Governo, quanto as suas orientações estratégicas.

A Agenda 21 possui 40 capítulos que discutem sobre diversos pontos como: Combate à pobreza, Mudança dos padrões de consumo, Manejo seguro e ambientalmente saudável dos resíduos radioativos, Fortalecimento do papel dos trabalhadores e de seus sindicatos, entre outros, sempre focalizando a questão ambiental, social e econômica (BRASIL, 2011).

No capítulo 3 da Agenda 21 que trata o “Combate a pobreza”, propõe como base para ação a busca por medidas que visem o crescimento econômico sustentado e sustentável e a erradicação da pobreza a partir de programas de emprego e geração de renda. Para isso é preciso fornecer oportunidades e criar estratégias para gerar empregos e rendimentos. O entendimento da situação local é necessário para definir a abordagem que será implementada, e assim, estabelecer as condições para atingir os meios sustentáveis de subsistência como reconhecer as atividades do setor informal como consertos, serviços, pequeno comércio e reciclagem.

No capítulo 5, Dinâmica Demográfica e Sustentabilidade, prevê que haja o gerenciamento municipal; políticas com a preocupação nos fatores humanos e estratégias para minimizar o impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente. Quanto ao assentamento humano, no item 29, traz que nas políticas “[...] devem ser levadas em conta os recursos necessários, a geração de resíduos e a saúde dos ecossistemas” (BRASIL, 2011).

Quanto à implantação de assentamentos humanos, a Agenda destaca as necessidades de superar as questões econômicas e sociais, aplicar maiores investimentos e maior gasto com matéria-prima e energia para resolver a questão da habitação. No capítulo 7, item 4 tem-se:

O objetivo geral dos assentamentos humanos é melhorar a qualidade social, econômica e ambiental dos assentamentos humanos e as condições de vida e de trabalho de todas as pessoas, em especial dos pobres de áreas urbanas e rurais. Essas melhorias deverão basear-se em atividades de cooperação técnica, na cooperação entre os setores públicos, privado e comunitário, e na participação, no processo de tomada de decisões, de grupos da comunidade e de grupos com interesses específicos, como mulheres, populações indígenas, idosos e deficientes. Tais abordagens devem constituir os princípios nucleares das estratégias nacionais para assentamentos humanos. [...] Além disso, os países devem tomar as providências condizentes para monitorar o impacto de suas estratégias sobre os grupos marginalizados e não-representados, com especial atenção para as necessidades das mulheres. (BRASIL, 2011)

A política de urbanização deve promover análises dos empreendimentos para avaliar os impactos ambientais e aplicar o planejamento adequado às necessidades e características da cidade. Deve haver também a preocupação com a transição de um assentamento para outro e promover o desenvolvimento econômico a partir de pequenas atividades para que haja uma produção de renda local. O investimento no desenvolvimento sustentável proporcionará assentamentos com melhor qualidade de vida, o que reduzirá o custo do governo com saúde e programas sociais.

O transporte urbano também é uma preocupação da Agenda 21, o planejamento e manejo dos transportes urbanos deve promover a redução da necessidade de transporte, incentivar o transporte público e modais não motorizados.

A Agenda das Cidades para Construção Sustentável lista medidas arquitetônicas que podem ser empregadas para reduzir o impacto ambiental como: aplicação de projetos flexíveis com possibilidade de readequação; utilização de materiais com baixo impacto ambiental; meios para reduzir o consumo de água e energia. Medidas tais quais: a adaptação do empreendimento à topografia local; que privilegie o pedestre, acessibilidade e modais não motorizados; uso do solo diversificado e a criação de áreas para a integração da comunidade.

Para a edificação, ações como projeto em conformidade ao local onde será construído para que haja correta iluminação e ventilação; acessibilidade; o emprego de materiais construtivos da região e com possibilidade de reciclagem. O saneamento básico com tratamento e o uso consciente da água também são pontos para a construção sustentável.

A criação de leis e a implantação da Agenda 21 como política pública demonstra a preocupação do Governo Federal com o desenvolvimento sustentável das cidades. A criação do PAC tem o intuito de atingir esse desenvolvimento e o Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das medidas do programa e tem como principal objetivo reduzir o déficit habitacional.