A leitura mediada de textos se apresenta como alternativa à leitura em que um único sentido possa ser considerado como o do texto, é uma atividade em que o professor lê um texto com a classe e, durante a leitura, questiona os alunos sobre as pistas linguísticas que possibilitam a produção de tais ou quais sentidos, não respondendo às demandas sobre os textos com compreensões definitivas ou respostas únicas. Esse procedimento didático para o trabalho de formação de leitores favorece a discussão sobre a identificação de pistas que facilitam a compreensão, permitem a confirmação de hipóteses, anteriormente levantadas pelo grupo e abre espaço para que os estudantes exponham os procedimentos utilizados para a produção de sentidos na leitura do texto. Esse exercício permite conferir as predições levantadas, em momento anterior à leitura do texto, confirmar ou negar inferências feitas pelos leitores, a partir do suporte do texto, de imagens, datas ou outros elementos que oferecem pistas para uma leitura que construa significados.
A primeira característica de um leitor competente seria a clareza sobre o porquê ele realiza a leitura, uma vez que o modo de realizar a leitura de um texto será diverso, dependendo do motivo pelo qual estamos lendo. A postura do leitor será uma, se ele lê para escrever um texto e, certamente, outra se o motivo de sua leitura é buscar conhecimentos sobre determinado assunto ou, ainda, se lê simplesmente pelo prazer um poema ou qualquer outro texto. E quase sempre ao aluno
não é dada essa distinção, quando ele lê, não recebe antecipadamente o objetivo de sua atividade e nem discutirá, em muitas situações, sobre essas várias maneiras de ler, para que possa estar com um texto consciente de como se posicionar frente a ele.
O ensino da leitura mediada aos estudantes auxilia para que utilizem seus conhecimentos prévios, para que identifiquem o que não compreendem e também para confirmarem as expectativas levantadas num primeiro momento, quando o texto está em suas mãos, pois o leitor competente aprendeu a ler e adota esse aprendizado cotidianamente, não necessitando de realizar os procedimentos conscientemente.
Importante observar que, em muitas ocasiões, o professor do ensino fundamental, ao receber seus alunos, pressupõe que foram alfabetizados e sabem ler, o que nem sempre corresponde à realidade. É importante que os professores dos anos seguintes aos da alfabetização se conscientizem de que aprender a ler é um processo contínuo e o ensino da leitura também se estenderá pela vida escolar de cada um. Solé (1998, p. 70) traz um caminho, quando diz que a leitura mediada é um procedimento e, acrescenta, que se procedimentos são conteúdos, então as mediações também são conteúdos. O objetivo da autora é comprovar aos professores que as crianças e os adolescentes precisam ser ensinados sobre os caminhos que possibilitem a compreensão dos textos. As habilidades não surgirão espontaneamente na vida dos estudantes e não acontecerão com o amadurecimento cronológico dos mesmos. Elas devem ser ensinadas e treinadas para que se tornem hábito e sejam utilizadas pelos leitores em suas construções de competências leitoras.
E Solé (1998) ainda nos diz o aprendizado escolar da leitura não é acompanhado de tarefas que exijam essa competência, da leitura como construção de sentidos numa interação entre autor- texto-leitor, mediada, de acordo com a autora pelo professor. Os professores ainda questionam a necessidade do ensino da leitura ao longo do período de escolarização e não somente na alfabetização, para que os estudantes deem conta dos textos imprescindíveis para realizar as novas exigências que vão surgindo ao longo do tempo.
No momento da leitura, utilizamos recursos que nos auxiliarão na compreensão, como os conhecimentos prévios, hipertextualidade, por exemplo. O que foi vivido, o apreendido pelo leitor, ao longo de sua vida, contribuirá para que haja a compreensão do que está sendo lido, assim como essa leitura assimilada estará presente na compreensão da próxima. Cada leitura transforma e acrescenta esse acervo interno que, por sua vez, participará da compreensão de um próximo texto. É, a partir desses conhecimentos, que o leitor poderá fazer inferências sobre o que vai ler e que construirá hipóteses, preenchendo lacunas deixadas pelo texto. Tanto mais abrangentes serão suas hipóteses quanto maiores forem seus conhecimentos prévios e a produção de sentidos na leitura,
mais facilmente acontecerá, quanto maiores forem as informações que o leitor armazenou. Também os PCN trazem as técnicas de leitura a que o leitor experiente recorre para ser bem sucedido em sua atividade.
A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de dificuldades de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no texto suposições feitas (BRASIL,1998, p. 69-70).
Neste trabalho de dissertação, temos que pensar na importância da presença de um professor leitor, que será o leitor mais experiente a compartilhar com seus alunos os estratagemas por ele mesmo utilizados, pois sendo esses procedimentos parte do cotidiano escolar, serão progressivamente assimilados pelos alunos em suas práticas leitoras.