A licença-maternidade é um benefício que tem por objetivo manter a mãe ao lado do recém-nascido nos primeiros meses de vida. Recomendável que os cuidados maternos nessa primeira fase de desenvolvimento influenciam consubstancialmente no desenvolvimento da criança. Além disso, vale salientar que a legislação brasileira apresenta diferentes períodos de licença-maternidade, podendo ser de quatro a seis meses (empresas optantes e que se enquadrem a legislação), de forma remunerada. No âmbito do direito comparado a legislação apresenta diferentes períodos para que a mãe possa permanecer com o recém- nascido.
Essa possibilidade não é encontrada em todos os países, nos Estados Unidos uma lei federal estabelece a concessão da licença-maternidade em 12 semanas, e não é remunerada, e a empresa ainda pode se recusar a dar o benefício. Toda essa situação resulta em várias interpretações e aplicações, a licença-maternidade pode virar um motivo de barganha na hora de fechar o contrato de trabalho trabalhista. Dessa forma, a licença-maternidade, de 12(doze) semanas pode ser recusada e não remunerada, ou seja, nesse caso, nem empregador nem previdência irão arcar com valores.
Em matéria do Senado notícias (Da redação, 26/03/2007), titulada de “Vários países concedem licença-maternidade mais longa que o Brasil.” Países esses, que
seguiram orientações da OIT, na convenção 103, que trata sobre o amparo à maternidade. Deste modo, em países como a Dinamarca, a Noruega, a Venezuela e, em Cuba a licença é de 18 (dezoito) semanas. Adotando parâmetros brasileiros os superiores elencados, Rússia 140 (cento e quarente dias), Ucrânia 126 (cento e vinte seis) dias e Suécia 480 (quatrocentos e oitenta) dias.
A matéria ainda trata do caso da Suécia país pioneiro a conceder o maior período de licença a ambos os pais. Da redação (2015, s.p.)
A Suécia é um caso à parte, pois, a partir de 1974, tornou-se o primeiro país do mundo a transformar a licença-maternidade em um benefício remunerado para ambos os pais, com o objetivo de estimular os homens a assumirem um papel mais ativo na criação dos filhos e propiciar ainda uma divisão mais igualitária das tarefas domésticas. Segundo a legislação sueca, até o terceiro mês a licença é para o pai e para a mãe e, a partir dessa data, o casal tem que optar sobre qual dos dois continuará de licença, mesmo que a mãe ainda esteja amamentando. Esse período pode ser ainda alternado, para que tanto pai quanto mãe possam se revezar na licença- maternidade.
Em se tratando de período de concessão de licença maternidade para os países da América da Latina, Da redação (2015, s.p.) assim delineia:
Nos países que compõem as Américas, a concessão da licença- maternidade também é bastante variável. Entre os que ultrapassam as 16 semanas (120 dias) concedidas no Brasil estão: Canadá (17 a 18 semanas), Chile, Cuba e Venezuela, todos com 18 semanas. Nos demais países do continente americano, esse período pode variar de oito semanas - caso da Bolívia - a 14 semanas - situação do Panamá. Mas a maioria segue o sistema adotado nos Estados Unidos, que concede 12 semanas. Entre eles, estão Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai, República Dominicana e Uruguai.
Na África:
Os países do continente africano estão entre os que menos respeitam o direito das mães de ficar mais tempo com seus filhos. Em Angola e na Etiópia, a licença-maternidade é de 90 dias, mas em Guiné Bissau, Quênia, São Tomé e Príncipe, Sudão e Moçambique, esse período é de apenas 60 dias. Mais crítica ainda é a situação do Egito (50 dias) e da Tunísia (30 dias).
Importantes discussões suscitaram nesses países a fim de estabelecer um desenvolvimento humano, nesse sentido Nascimento (2013, p. 31) discorre,
A primeira diferença que salta aos olhos certamente consiste na inexistência da distinção entre licença-maternidade e licença-paternidade nos países referidos, sendo predominante um sistema de licença remunerada para ambos os pais, a qual será designada doravante como licença-parental. Esse modelo foi primeiramente adotado pela Suécia, em 1974, tendo sido seguido por Noruega e Finlândia (1978), Islândia (1980), Dinamarca (1984) e, no início da década de 1990, por Austrália, Holanda, Japão, Áustria e diversos outros países, que criaram legislações semelhantes à época (FARIA, 2002, p. 179). Segundo dados coletados em estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE (1995, pp. 175-176), dentre vinte países pesquisados, apenas dois (Turquia e Reino Unido) adotavam restrições de gênero à fruição da licença por nascimento de filho, limitando-a, à semelhança do que ocorre no Brasil, somente às mulheres.
Quanto ao aspecto da remuneração, segue a descrever,
Deve-se ressaltar que licença pelo nascimento de filho nos referidos países, diferentemente do que se verifica no Brasil, não é necessariamente remunerada, sendo observada uma ampla variedade de formas de concessão do benefício. A constatação é importante pois permite inferir que não há um consenso de que os custos da concessão da licença devam ser suportados exclusivamente pelo empregador ou pela sociedade, por meio de instrumentos de seguridade social, mas também pela própria família, parcial ou integralmente. De acordo com a OCDE (1995), as legislações de Austrália, Estados Unidos, Turquia, Portugal e Espanha, a despeito da previsão da licença, não concedem qualquer benefício aos pais, que suportam integralmente os custos de seu afastamento. Na maior parte dos países pesquisados, contudo, há remuneração durante o período de licença, normalmente paga por meio de um valor fixo, independente da remuneração do trabalhador licenciado, ou por meio de proventos proporcionais aos que recebia quando em atividade. (NASIMENTO, 2013, p. 32).
A concessão da ampliação da licença maternidade figura como política pública, pois é requisito que a partir de criteriosa análise e discussão permeia uma sociedade de valores, oportuniza a família uma ampla assistência para que possam ter reflexos positivos no decorrer da vida da criança. Faz-se necessárias essas análises para que se possa vislumbrar o desenvolvimento que almejado pelos brasileiros, busca-se a compreensão das possibilidades de acesso para um consolidado desenvolvimento humano.
A priori os países que possibilitam que pais permaneçam por mais tempo com seus filhos, o fazem por entender que essa proximidade entre pais e filhos são requisitos basilares para uma sociedade mais justa, igualitária e de paz.
Não obstante a variabilidade verificada nas legislações de outros países sobre licenças pelo nascimento de filhos, algumas tendências podem ser
apontadas. Em primeiro lugar, a extinção da distinção entre licença- maternidade e licença-paternidade, para dar lugar a uma licença-parental, usufruível por ambos os pais, independentemente de gênero. Em segundo lugar, a franca expansão do período de duração dessas licenças. Com efeito, a maior parte dos países desenvolvidos ostenta legislações que preveem no mínimo um ano de licença pelo nascimento de filho, o que se coaduna com as necessidades da família e da infância. Em terceiro lugar, a remuneração e divisão social dos custos, ainda que parcial, desse período de licença. Sobressai dessa tendência que existe um interesse público na educação das crianças pelos próprios pais, na promoção de especial atenção á primeira infância - período de vital importância para o estabelecimento de vínculos afetivos e desenvolvimento das crianças -, razão pela qual os custos para cumprimento de tal objetivo devem ser socializados, ao menos parcialmente. Por último, pode-se observar uma incipiente tendência de flexibilização da forma de fruição da licença. Conquanto a maior parte dos países estudos não a admita, são cada vez mais comuns legislações que possibilitam o gozo da licença de forma fracionada e até mesmo por meio de jornadas de trabalho reduzidas, o que representa grande avanço nessas políticas. (NASCIMENTO, 2013 p. 33).
Para repensar o benefício de forma à concretização de valores sociais,
Segundo a OIT, uma série de providências podem ser tomadas para se erradicar a discriminação entre homens e mulheres no tocante à responsabilidade parental, dentre elas: i. revisão legislativa de cada país para o fim de se determinar expressamente previsões acerca da licença- maternidade e da licença-paternidade; ii. promoção da conscientização entre empregados e empregadores dos direitos previstos legalmente; iii. adoção de medidas para se promover a importância do auxílio paternal na criação dos filhos, bem como a necessidade de que o período de afastamento do pai seja devidamente remunerado; e iv. o aperfeiçoamento do ambiente de trabalho por meio de programas instrutivos em relação à saúde reprodutiva e ao planejamento familiar. (CLEO, 2014, p. 44).
A ampliação à concessão do benefício à licença-maternidade traz benesses no todo, ganham os pais, a criança e toda a sociedade:
A Europa tem criado um novo padrão no qual a licença parental passa a ser norma e cada vez mais os pais são incentivados ou obrigados a usufruir dos dias que lhes cabem. A sociedade toda ganha, pois a política estimula a participação feminina no mercado de trabalho o que, consequentemente, aumenta o recolhimento de impostos sobre a renda. Ainda, melhora a saúde da criança, que pode ser cuidada por mais tempo dentro do lar; ser amamentada por um período mais longo; ser acompanhada com regularidade em consultas médicas; receber todas as vacinas antes de precisar conviver com outras crianças e, dessa forma, diminuindo a taxa de mortalidade infantil e gastos gerais da sociedade com a saúde. (MELO, 2016, p. 115)
A fase de construção do desenvolvimento da criança, amparada por uma fonte de proteção e segurança, que ocorre com a presença dos pais, reverte em reflexos positivos a curto e em longo prazo. Importante é a consciente compreensão
no aspecto formador do cidadão, que se insere no ambiente de paz, culminando em reconhecimento do outro, tendo oportunizado a referência familiar, e é esse vínculo que vai imperar ao longo de toda vida.
As situações que se permeiam ao longo do processo histórico numa reversão em mudança de paradigmas, são difíceis, especialmente no que tange ao setor econômico, sendo assim, priorizar a ampliação à licença-maternidade é fomento de política pública, imprescindível para que a efetiva proteção à criança se reverta na diminuição de conflitos em sociedade.
CONCLUSÃO
Viver em sociedade desafia a compreender o quão importante é o exercício social que cada indivíduo tem a cumprir. Trata-se de reconhecer-se enquanto sujeitos de direitos e deveres. Pertinente na construção de uma sociedade democrática e igualitária.
A forma com que a sociedade vem se constituindo ao longo dos tempos tem trazido à baila importantes reflexões. Situações que amplamente tem desencadeado discussões não apenas no campo das relações interpessoais, nas de cunho social e principiológico, não comportam ser excluídas da esfera do reconhecimento de indivíduos.
Dentro da perspectiva de uma sociedade voltada aos princípios da dignidade da pessoa humana, a relação afetiva tem ganhado espaço cada vez mais significativo. Cada cidadão desempenha um papel fundamental na busca por uma sociedade com cultura de paz. Importante e necessário estabelecer modos de vida que permeiam a construção de vínculos afetivos saudáveis, para que cada um possa reconhecer no outro a si mesmo, e com o passar dos anos, o vínculo afetivo romperia a barreira frente à indiferença com o outro.
Assim como o indivíduo é parte da sociedade, a recíproca também é verdadeira. Importa então compreender a necessidade de proteção do indivíduo no seio da família, com concretude do amparo da sociedade. Dessa forma, a proteção à família se dá com a ampliação à concessão da licença-maternidade. Faz-se necessário reconhecer que é na família que o vínculo afetivo se estabelece de forma valorativa, com esse vínculo intrínseco ao sujeito, novas relações afetivas serão
efetivamente estabelecidas, criando-se assim, uma diminuição de conflitos na sociedade.
Neste liame, está a proteção à criança e o efetivo direito ao afeto. O estudo analisou a constituição federal, a CLT, basilares ao ordenamento jurídico, além de várias interpretações de autores que abordam sobre o tema, e dessa forma conclui- se que o Estado tem o dever de fornecer o bem estar do cidadão, a qualidade de vida, o trabalho digno, o respeito a sua dignidade a seus direitos, entre eles, está à disposição legal da concessão da licença-maternidade.
Vale destacar ainda, o reconhecimento legal dos novos arranjos familiares, conceder a licença-maternidade é romper as barreiras do preconceito, numa perspectiva de fortalecimento, ao Estado democrático de Direito. É a promoção do desenvolvimento social, a valorização do sujeito com a possibilidade de inserção na esfera jurídica, de ter direito a licença-maternidade. É estabelecer o vínculo afetivo que une mãe, pai e filho, com projetos e propósitos de vida em comuns, independente da forma de constituição da família (uniões homoafetivas, heterossexuais, pais separados, solteiro ou outras uniões) e de quem será o responsável por acompanhar a criança na fase inicial de sua vida.
Os vínculos de afetividade se fortalecem quando mãe e filho permanecem mais tempo juntos. A falta de afeto interioriza a violência, logo, é necessário estabelecer políticas públicas que visam o enfrentamento das barreiras do conflito. Se na primeira infância a criança cria vínculos de afeto, amizade, respeito e desenvolve sua personalidade num ambiente de aconchego, tudo isso, será intuitivamente benéfico e influenciará positivamente o futuro da mesma. A ampliação da licença- maternidade é requisito basilar para uma sociedade mais justa, igualitária e de paz.
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