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Capítulo 4 Relações trigonométricas no triângulo retângulo Tábuas Naturais.

5.1 A MATEMÁTICA NAS PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DA EFPB

Nesse contexto, num primeiro momento, a EFPBV herda a estrutura curricular já organizada pela Unidade Integrada Monteiro Lobato. Em 1981, as propostas curriculares ainda estão em voga e ditam o conteúdo matemático a ser ensinado nas escolas da rede, e também no Magistério que, dentro dele, implanta o ensino de pré-escolar e de 1.ª a 4.ª séries, como classes de aplicação. Assim, o “Magistério” tem uma “escola de aplicação”, cujo objetivo é provê-la “de um organismo auxiliar na formação do professor de 1.ª a 4.ª séries, servindo de convivências deste com a criança pelo processo de ensino-aprendizagem64”.

Ainda em 1981, a EFPBV vivia um complexo problema de evasão e repetência escolar, o que gerou uma Proposta Pedagógica65 baseada no oferecimento de disciplinas semestrais, facultando aos estudantes “o direito de optar pela escolha das disciplinas que poderiam cursar, levando-se em conta as diferenças individuais, o trabalho, o tempo disponível etc.”

Essa Proposta começa a vigorar em 1982, quando foram realizadas as matrículas por disciplinas. O Curso de Magistério seria integralizado em seis semestres, “durante” três anos. Quatro disciplinas portadoras de saberes matemáticos e profissionais são verificadas. Na parte de Educação Geral, comparece a disciplina “Matemática”. Na formação instrumental, há “Elementos de Estatística” e a “Matemática Aplicada”. Nesta última são abordados aspectos que deverão ser estudados pelos alunos de 1.ª a 4.ª Séries do 1.º Grau, isto é, saberes a ensinar no nível de atuação do futuro professor. Ainda se fazem presentes as disciplinas Didáticas Especiais que aparentemente devem lidar com a formação profissionalizante.

64 Histórico da EFPBV anexo ao Oficio n.º 05/88/EFPBV. Anexo M.

No decorrer do período de 1982/85, a constatação de vários problemas destacados pela própria Escola:

1- Flexibilidade – a escola não pôde oferecer por motivo de não possuir recursos humanos com disponibilidade de tempo para atender; por exemplo, três ou quatro alunos que ficaram dependendo de uma disciplina;

2- Estancamento do curso – quando o aluno ficava reprovado em uma disciplina que era pré-requisito para continuação do semestre seguinte causava um estancamento; 3- Esfacelamento das turmas – Nem sempre todos os alunos de uma turma chegavam a cursar no semestre seguinte todas as disciplinas, razão porque muitas vezes no final do ano encontravam-se turmas de alunos onde trinta deles cursavam Língua Portuguesa e cinco, apenas Matemática;

4- Departamentalização das disciplinas – não havia entrosamento entre as disciplinas afins por razões que faziam com que o aluno cursasse, por ocasião de transferências, disciplinas correspondentes até três semestres;

5- Dificuldade na matrícula e controle de notas. (RORAIMA, 1988, f. 2)

Diante disso, há um retorno ao modelo de ofertas anuais, o que ocorre em 1986, não havendo mudanças significativas nas disciplinas com saberes matemáticos. De certa forma existem tentativas de resgate da formação do professor na perspectiva do Curso Normal, tais ideias adentram novamente à já estabelecida EFPBV. Alguns professores e formadores antenados com esse movimento nacional vão em busca de informações e estudos sobre os problemas do Magistério de 1.ª a 4.ª séries.

O curso de Magistério, finalidade principal deste estabelecimento, vem sendo alvo de críticas e discussões em todo o Brasil. Busca-se redefinir o papel do educador na sociedade brasileira, onde cada vez mais se radicalizam as diferenças, contradições e os consequentes conflitos. Nesse contexto, urge que se formem educadores capazes de ler a realidade onde estão inseridos e se comprometam com os anseios daqueles a quem se destinam seus trabalhos, visando formar cidadãos críticos e capazes de agir e transformar essa realidade (PEQUENINO et al, 1992, p. 97).

Segundo Pequenino et al (1992), em 1988 se intensifica a busca por mudanças curriculares questionando-se a articulação que a formação no Magistério deve ter com o nível de atuação do futuro professor, junto à realidade do aluno. As discussões sobre a formação do professor são cada vez mais dotadas de posturas filosóficas bem definidas, apontando para uma visão mais crítica da realidade. Ideias como a interdisciplinaridade conquistam espaço nas discussões e nas práticas de alguns professores, o planejamento integrado se faz presente. Como resultado desse longo processo, outras Propostas Pedagógicas se sucedem, são reestruturadas e aprovadas em 1992, 1994 e 1997.

A primeira delas responde às lutas encampadas nacionalmente e já listadas acima, por conta da mobilização nacional em reestruturar a educação no país, como se pode ver na Proposta de Reformulação do Curso de Magistério, documento aprovado pelo Parecer 07/92

de 6 de fevereiro daquele ano.

Na presente proposta a metodologia busca a construção do conhecimento partindo da vivência dos educandos para chegar aos conceitos formalizados, respeitando-se o acervo cultural e o desenvolvimento cognitivo do educando, tomando-se como base a articulação entre as disciplinas, sem perder as especificidades de cada uma delas (RORAIMA, 1992, f. 6).

Na continuação, assume que a Proposta tem a finalidade de “propiciar (...) maior embasamento teórico-prático para o exercício do Magistério nas séries iniciais”, propondo “a ampliação do curso de três para quatro anos, representando uma alteração de carga horária de 3.180 para 3.852 horas” (RORAIMA, 1992). Dentre outras disciplinas de Educação Geral, a Matemática é afetada, incidindo a ampliação da carga horária, que tem presença nos três primeiros anos com 4 aulas semanais. A disciplina Didática da Matemática comparece na quarta série, com duas aulas semanais. Um interessante modelo se mostra: dois anos de matemática de cultura geral, mais um ano de matemática a ensinar no nível de atuação do futuro professor, somados a um ano de saberes para ensinar instituídos na Didática da Matemática.

Outras mudanças correm em 1994, sem afetar diretamente a carga horária da disciplina Matemática, mas definitivamente “o elenco de disciplinas que visam à formação especial do futuro professor” (RORAIMA, 1994), dentre as quais, a disciplina Didática da Matemática passa a ser chamada de Metodologia da Matemática, com a ampliação de carga horária, passando de 144 para 216 horas. Para se entender a mudança é necessário perceber que o Parecer N.º 14/94, de 29 de novembro de 1994 justifica a mudança, pela necessidade de distinção entre Prática de Ensino e Estágio Supervisionado, diz o Parecer que:

[...] segundo a Escola 'a prática de ensino, conforme entendemos, caracteriza-se pela situação de espaço e de tempo em que o professor, agindo na prática, adquire experiências, as quais não podem ser ensinadas num curso, mas adquiridas e acumuladas pelo profissional no decorrer da própria atuação'. Por outro lado, o estágio supervisionado é um recurso pedagógico incluído nos cursos de Magistério como forma de oportunizar ao aluno, a compreensão por meio de atividades diversas, de estrutura, organização e funcionamento da escola de 1.º Grau (RORAIMA, 1994, p. 2)

Por esse entendimento, pode-se dizer que a disciplina Metodologia da Matemática tem uma componente que visa momentos de “prática de ensino”, conferindo estatuto que comporta saberes práticos e experienciais66 na formação matemática do futuro professor.

66 Lima (2008, p. 54) amparado em Tardif (2003) diz: “os 'saberes experienciais é o conjunto de saberes

atualizados, adquiridos e necessários no âmbito da prática da profissão docente e que não provêm das instituições de formação nem do currículo'. Os professores de matemática acabam por adquirir ao longo dos

Nessa analogia, pode-se dizer que a prática de ensino comporta aquisição de saberes que não provêm das instituições de formação.

O ano de 1997 marca o retorno da duração do curso para 3 anos, já amargando o peso da LDB 9.394 de 1996, a EFPBV está prestes a iniciar o processo de desativação progressiva.

Em certa medida, quanto ao ensino de matemática no âmbito da formação do futuro professor, há um movimento elástico na carga horária, e na organização dos saberes a e para

ensinar matemática que compõem as disciplinas do curso. Primeiro, se estabelece um núcleo

curricular da seguinte forma: 1) “Matemática” do 2.º Grau presente no 1.º Ano Básico e por vezes, comparece também no 2.º Ano; 2) “Matemática do 1.º Grau”, com variação de nomenclaturas, oferecidas em certos momentos na 2.ª série e em outros, na 3.ª série; 3) uma disciplina dedicada à Didática/Metodologia do Ensino de Matemática, com mais frequência na 3.ª série.

Esse quadro das transformações das Propostas Político-pedagógicas do curso de formação de professores revela trajetórias das disciplinas que comportam os saberes a e para

ensinar matemática na EFPBV. As próximas seções tratarão da matemática nessas disciplinas,

utilizando como fontes 242 diários de classe da EFPBV, compreendendo o período de 1986 a 1999, esperando construir representações sobre as práticas dos professores sobre a formação nos primeiros anos escolares.