2 A APRENDIZAGEM EM FOCO
2.4 A aprendizagem construtivista
2.4.1 Construir o conhecimento construído
2.4.2.3 A metodologia do aprender a aprender
Ao pesquisador, a metodologia proposta pelo “aprender a aprender” que Pedro De-
mo defende para os meios acadêmicos, encontra-se em situações dicotômicas. Uma a
simplicidade lógica da sua proposta e a outra o entrave burocrático que se apresenta nos
meios escolares. Como secularmente o professor tem sido visto como ator principal no
processo pedagógico, fica difícil para a classe dos docentes imaginar caminhos compar-
tilhados com os alunos e com os colegas. Uma metodologia que proponha envolvimento
e responsabilidade do aluno como construtor do seu próprio saber esbarra no papel cen-
tral do professor como dono da sala de aula.
Desfazer o mecanismo de o docente entrar no espaço escolar, fechar sua porta e
permanecer longas horas discursando seu conteúdo, torna-se tarefa inglória. A rejeição a
novos comportamentos pedagógicos alia-se pressão de alunos que gostam (ou estão
acostumados) a copiar a “receita”, decorar e repetir. A grande maioria ávida de buscar
novos conhecimentos não se adapta ao ritmo proposto e torna-se mal interpretada quan-
do desafia o docente a buscar novas práticas pedagógicas. Introduzir inovações que
busquem qualidade e atendam às exigências do mundo moderno demandam modifica-
ções radicais do que vem sendo proposto na grande maioria das universidades.
Demo propõem uma metodologia que enfatiza: “Mais que ver muita coisa pela via
da aula e sua cópia deve tomar temas e aprofundá-los exercitar aplicações do conheci-
mento, ensaiar deduções e induções, elaborar criativamente, argumentar com proprieda-
de, pesquisar sistematicamente. Despertar interesse científico desafio primordial para o
professor, a escola e o sistema como tal” (1994, p.87).
A proposição desta metodologia não apresenta receituários próprios para o docente
Pedro Demo propõe para a metodologia do “aprender a aprender”, optou-se por enfati-
zar alguns pressupostos significativos nesta nova proposta metodológica:
- Reduzir gradativamente o espaço das aulas, procurando utilizar o maior tempo
disponível para a pesquisa, a busca de informações, o acesso a banco de dados,
para instrumentalizar a construção de atividades e textos próprios.
- Envolver o aluno em trabalhos coletivos bem sistematizados, com responsabili-
dades definidas e produção individual e de grupo.
- Organizar atividades diferenciadas, de eventos que demandem criação, projetos
desafiadores que provoquem enfrentamento, diálogo com autores e construção
própria.
- Buscar resultados consensuais, nos seminários, nas discussões coletivas, nas
proposições de grupo, como exercício efetivo de cidadania. A instrumentalização
da vivência do voto e do consenso como ferramentas para a vida em comunida-
de.
- Provocar a utilização dos meios eletrônicos, de informática, de multimídia e de
telecomunicações. Aproveitar os recursos disponíveis no complexo escolar.
- Criar espaços compartilhados entre empresas e escolas para que os empresários
possam ajudar a enriquecer o espaço escolar, seja com recursos humanos, seja
com recursos instrumentais. Abrir o diálogo e a aproximação com as empresas.
- Valorizar mais a elaboração própria, a construção coletiva, a apresentação de
textos, as propostas criativas. Dar um peso muito menor a provas e questionários.
- Dinamizar o espaço escolar aproveitando os recursos de comunidade, a experi-
ência vivenciada dos alunos, dos pais e dos professores.
estudem, discutam e critiquem. “aprendendo a ler de modo questionador”, cons-
truindo argumentos e textos, e discutindo com seus pares os caminhos conquis-
tados.
- Ter a preocupação de demonstrar e valorizar o lado prático dos conhecimentos
propostos. Discutir enfaticamente os espaços onde os conteúdos serão utilizados.
Amarrar procedimentos teóricos e vivências práticas. Propor construção própria
de textos com os avanços detectados pelos estudantes em suas jornadas acadêmi-
cas.
- Criar para o aluno, e com o aluno, uma escola que apresente um ambiente inova-
dor, transformado e participativo, onde o aluno seja reconhecido como sujeito
capaz de propor e inovar.
Nesta perspectiva, o professor passa a ter uma nova proposição metodológica de tra-
balho, pois se torna o articulador e o orquestrador do processo pedagógico. Atua em
parceria com os alunos, propõe atendimento diferenciado, freqüenta biblioteca junto
com os estudantes, abre os laboratórios (historicamente chaveados no sistema escolar
vigente), torna a escola um espaço aberto para criação, provoca situações desafiadoras,
instiga o aluno a buscar e a investigar novos caminhos, acolhe os estudantes que passam
a freqüentam a escola também em horários alternativos, motiva a revolução nos meios
acadêmicos reprodutivos. Os subsídios fortes para o desenvolvimento desta metodologia
convergem com duas expectativas para mundo moderno:
“capacidade de informação crítica, uma das bases da organização do sujeito his-
tórico, habilitado a ler e a interpretar sua realidade e seu entorno com criativida-
de sempre renovada: capacidade de atualização incessante, sobre o fulcro do “a-
trumentalização subalterna. Tais perspectivas convergem os desafios de partici-
par e produzir, nos quais educação e tanto instrumentação informativa (qualidade
formal) quanto, sobretudo a finalidade de tudo (qualidade política)” (Demo,
1993, p.30).
A abrangência da proposição metodológica do “aprender a aprender, se alarga quan-
do ultrapassa a atitude milenar de reter o conhecimento e busca habilitar o estudante a
manejar, pesquisar e produzir conhecimento próprio.
A competência exigida dos profissionais que estão envolvidos na gestão da escola
torna-se inovadora, quando propõe a “elaboração de projeto pedagógico próprio”. Sub-
sidiado pela competência pedagógica e política, criar caminhos alternativos para a trans-
formação da sociedade.
Para tornar exeqüível tal proposta metodológica, haveria a necessidade de alterar al-
gumas normas seculares do sistema educativo. Um dos fatores mais significativos e que
exige restruturação o papel do professor (orientador) e o tempo de que o docente dispõe
para o atendimento destas exigências metodológicas. A renovação implica políticas pú-
blicas que valorizem o trabalho do professor (remuneração condigna) e oportunizem
maior tempo de permanência efetiva do docente nas escolas. Trata-se, no entanto,
de trabalho responsável, criativo, inovador, transformador, e que restabelece a figura do
professor que se apresenta como fundamental na sociedade do conhecimento.
O foco central da metodologia do “aprender a aprender”, aponta para a autonomia
produtiva de professores e alunos. As proposições metodológicas precisam de ferramen-
tas, como as instrumentações eletrônicas, e estes aparatos modernos devem estar ao al-
cance dos estudantes. A realidade da educação precisa ser reestruturadas, pois a maioria
A posição metodológica precisa ser marcada pela mudança no sistema educacional
como um todo. Não há mais o que esperar, torna-se necessário criar espaços para solidi-
ficar alternativas inovadoras. Neste contexto de reconstrução do espaço educativo, tor-
na-se urgente buscar alternativas para capacitação dos professores objetivando uma
formação continuada e processual que instrumentalizem esses professores para o enfren-
tamento do século XXI que vem se caracterizando pela sociedade do conhecimento.
Muito se pesquisou sobre aprendizagem, e muito ainda o será, as inovações tecnoló-
gicas, o avanço das comunicações e os conceitos globalizados sobre o conhecimento;
oferecem ao indivíduo múltiplas possibilidades na absorção e transformação deste co-
nhecimento, seja ele construído ou reconstruído. Significativo certamente o será, pois
nada é irrelevante, dependerá da Mediação de bons profissionais da educação, treinados
e equipados, para motivar os alunos neste processo educativo. A utilização dos meios
eletrônicos de coleta e troca de informações certamente contribuirá muito para o incre-
mento deste contexto. O próximo capitulo abordará algumas formas disponíveis de se
3 INTERNET
Com inúmeras inovações tecnológicas acontecendo em nossa volta, é impossível e-
ximirmos de participar delas. Entre essas inovações , uma das que mais se destacam é a
internet, a qual rompe as fronteiras internacionais e abre um grande leque de possibili-
dades jamais imaginadas. A qualquer momento do dia e da noite é possível se comuni-
car com pessoas de diferentes países e de qualquer continente, passear por museus, fazer
compras, verificar as notícias dos principais jornais, assistir à “trailers” dos últimos
lançamentos do cinema, tomar nota dos rumos da moda, copiar programas antes mesmo
de termos de comprá-los.
Seria quase impossível escrever em poucas linhas as grandes vantagens e oportuni-
dades que podemos ter com a internet. Tudo isso é possível a um custo de ligação tele-
fônica local, sem pagar passagens aéreas, sem pegar congestionamento no transito, sem
custos de hotelaria. Para ter acesso à internet, basta ter um micro computador, uma linha
telefônica, um modem e estar associado a algum provedor (empresa que comercializa
acesso à internet).
A Internet é o nome reduzido de “Internetwork system” (sistema de interconexão de
rede de comunicação). É considerada a rede das redes, pois interliga redes de comunica-
ções diferentes onde varias organizações dirigem-nas e operam-nas interligadas, inter-
conectadas umas as outras para formar a Internet. De forma simples, a Internet pode ser
definida como uma rede mundial de computadores, ou seja, uma rede que envolve mi-
lhares de outras redes.
Uma rede de computadores é composta por um computador central (servidor), e ou-
tros computadores (cada um sendo uma estação de trabalho) que funcionam trocando
os computadores de ambas redes trocando dados (bits) entre si, como se fosse uma úni-
ca rede.
As pessoas que desejam acesso à Internet precisam mais do que um modem ou al-
guma conexão. Os usuários de computador precisam ter acesso há um servidor. O servi-
dor permite acesso para a Internet, conectando um grupo de computadores individuais,
através de redes de servidores se faz a troca digital de informações.
A internet é a mídia que mais cresce em todo o mundo. Hoje, dezenas de milhões de
pessoas em todo o planeta que se beneficiam dos serviços oferecidos por ela e os aces-
sam. A internet está promovendo mudanças sociais, econômicas, e culturais. Estamos
diante da revolução digital, revolução com tantos atributos que chega a ser comparada
com a revolução industrial. Estamos diante de novos paradigmas, de novas formas de
produção, de novos empregos, de novas formas de comunicação e a escola também será
atingida por essa revolução binária e digital.
A Internet torna-se assim, segundo Gibson (1994), gradativamente, um meio usual
de trocas de informações de forma rápida, de acesso a especialistas em inúmeras áreas,
de formação de equipes para trabalho cooperativo, independentemente de distâncias
geográficas e de acesso a várias formas de arquivos e repositório de informações. De
forma diferente de inovações tecnológicas surgidas nos últimos anos, a Internet:
- rompe as barreiras geográficas de espaço e tempo;
- permite o compartilhamento de informações em tempo real; e
- apoia cooperação e comunicação, também, em tempo real.
Muitos problemas ainda existem para uma plena utilização da Internet no Brasil. A-
lém das dificuldades de compatibilidade entre os sistemas em uso, existe o problema
que se busca aperfeiçoar é a possibilidade de transferência de imagens via Internet e,
com isso, a viabilização de um maior uso da multimídia. Desta forma as limitações da
rede e de navegação também devem ser consideradas na hora de se desenvolver pro-
gramas de aprendizagem pela internet.