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A mobilização para o conhecimento

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5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 A mobilização para o conhecimento

A observação dos estudantes de que mesmo após a escovação habitual continuavam com os dentes sujos, representou um passo importante no processo de aprendizagem (PEREIRA, 2012), despertando a curiosidade que leva à busca pelo conhecimento. Foi interessante perceber que o conhecimento dos escolares estava em construção, associando os novos conhecimentos aos já existentes (KRÜGER; ENSSLIN, 2013), isso ficou evidenciado nas falas:

“Por quê meus dentes estão rosa?” (Alice) “Isso é sujeira?” (Mickey)

“Vai ficar assim para sempre?” (Branca de Neve) “Pintou” onde está com cárie?” (Anjinho)

Ao questionar sobre a mudança de cor nos dentes, Alice demonstrou que se encontrava diante de um problema que precisava de respostas. Mickey questionou sobre a natureza do problema, em uma tentativa de associar causa e consequência (DEWEY, 1979). Branca de Neve questionou se o problema poderia evoluir para melhor ou para pior, enquanto que Anjinho se aventurou ao tentar traçar uma hipótese de causa. Observa-se assim que os escolares foram induzidos a perceber um problema, conforme proposto por Berbel (2005).

“O dente ficou mais limpo” (Margarida). “Tudo está limpo” (Luluzinha).

“O dente ficou roxo, porque não escovei o dente outro dia e o dente ficou sujo” (Donald).

“O dente ficou roxo porque tava sujo” (Clara).

“Achei que minha boca tava sangrando, tava roxo” (Cascão).

No entanto, nem todos os escolares tiveram a mesma percepção do problema. Alguns acharam que seus dentes pareciam mais limpos e outros associaram a coloração ao fato de não tê-los escovado em dias anteriores. Segundo Cardoso (2009), ao entrelaçar os novos saberes e os preexistentes, pessoas diversas diante de um mesmo problema podem chegar a conclusões diferentes. O meio social em que vivem, ou seja, o acesso à informação, a influência familiar, a renda familiar, questões culturais estão associadas aos hábitos e também à leitura da realidade de cada um. Assim, Berbel (2005), afirma, a percepção diferenciada da realidade resgata o problema a partir da vivência.

Essa fase de problematizar a realidade permite ao escolar/participante mover o pensamento para identificar a suas necessidades e a partir delas elaborar questões do seu cotidiano que o ajuda na organização do processo de aprendizagem (VASCONCELLOS, 1994).

Os próprios estudantes refletiram sobre as questões apresentadas, por meio da observação da realidade e dentre os problemas em discussão, foram capazes de identificar os pontos chaves de sua realidade, quanto aos hábitos de higiene e mudanças que precisam ser realizadas (BERBEL, 2005).

Os desenhos apontam a impressão dos alunos no momento da aproximação com o conhecimento que tinham a respeito de higiene bucal. Esse conhecimento é formado a partir de experiências pessoais do estudante, acumuladas em seu convívio familiar, na mídia, no ambiente escolar ou na relação com profissionais de saúde (CASTRO, 2006).

Por tratar-se de um conhecimento baseado no senso comum, podem-se observar erros e acertos em relação aos alimentos cariogênicos e nas práticas adotadas para reduzir a incidência de cárie. Isso aponta que as metodologias ativas resgatam o conhecimento empírico e a partir dele proporciona o contato com o saber científico (BUSTAMANTE; PRIETO; TORRES, 2012).

Nas figuras abaixo, observa-se que os escolares tinham conhecimento sobre a importância do fio dental, do enxaguante bucal, da escova e do creme dental. Os escolares associam a causa da cárie a alimentos, como chocolates, hambúrguer, balas e sorvetes.

Figura 3 - Desenhos confeccionados na etapa da elaboração dos pontos-chaves.

Fonte: Pateta

Fonte: Mônica Fonte: Alice

Ao comentarem os desenhos, demonstram a capacidade de perceber os pontos mais importantes do problema verificado e explicitam os conhecimentos e as lacunas existentes que forneceram ao orientador/pesquisador o ponto de partida para a teorização.

“Eu fiz um cigarro porque a fumaça suja os dentes. Também desenhei um bombom de chocolate porque tem açúcar, que provoca cárie” (Alice).

“Desenhei Coca-cola, batom, que é um chocolate, porque todos têm açúcar” (Minnie).

“Não é só doce que suja os dentes. Arroz, feijão e pizza também” (Branca de Neve).

“O segredo é escovar os dentes” (Luizinho). “Enxaguante bucal tira o mau hálito” (Luizinho). “Não sei usar fio dental com aparelho” (Huguinho). “Trident protege porque não dá bafo” (Branca de Neve).

“Bafo é ruim. Comer causa bafo. Bafo é ruim para beijar” (Zezinho).

Barros (2007) também associa a halitose à higiene bucal, apesar de existirem outros problemas associados, conforme destaca Dal Rio (2007). Os escolares possuem noção das boas e más práticas de higiene bucal, mas demonstram alguns mitos quanto a alimentos cariogênicos e também uma preocupação social quando trazem a questão da halitose e a interferência nos relacionamentos (MEZZARI, 2011).

As informações coletadas durante a identificação dos pontos-chaves foram usadas para a composição de uma música, com o apoio de um rapper profissional, e com o suporte técnico das pesquisadoras (APÊNDICE E). Essa música foi usada nas etapas seguintes como uma das estratégias de aprendizagem.

em grupo, além de evidenciarem os pontos, onde seria necessário intervir com ações educativas, cumpriram a função da conscientização das necessidades de aprendizagem. Segundo Anastasiou e Alves (2003) aprendemos aquilo que temos necessidade e a partir de um conhecimento pré-existente.

Ficou evidente que o problema levantado pelos escolares foi a ocorrência de placa bacteriana, associada à cárie e halitose. Nesse sentido, eles vincularam esse problema à higiene bucal inadequada, estando, portanto, motivados a buscar uma solução.

Essa fase de ver e discutir o problema em grupo e de forma dialógica com a mediação do orientador/pesquisador mobilizou para o conhecimento, que segundo Vasconcellos (1994), compõe um momento fundamental da aprendizagem.

A mobilização para o conhecimento possibilitou ao escolar/participante um direcionamento para o processo pessoal de aprendizagem e cabe ao orientador/pesquisador desafiar e estimular a articulação desse objeto de aprendizagem, em algum nível que atenda a suas necessidades, auxiliando-os a tomar consciência de suas necessidades sociais (ANASTASIOU, 2003).

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