3 NAVEGANDO À LUZ DA FENOMENOLOGIA CENTRADA NO FENÔMENO
3.2 A modalidade “F” como método e suas etapas da pesquisa
o ser humano ser sujeito, nos permitimos compreender os “fenômenos pela ótica do sujeito.” (MALHEIROS, 2011, p. 31).
Esquema 1 - Elementos centrais da Fenomenologia
Fonte: Elaboração própria (2020), com base em Martins e Bicudo (2005) e Merleau-Ponty (2011).
Então, experimentamos, refletimos, interpretamos, imputamos e compreendemos os sentidos com vistas à descrição da própria coisa emaranhada de significados, vividos cotidianamente, e intuição que torna latente aquilo que já está aí para melhor percebê-lo, a fim de atribuir-lhe novo significado e interesse epistemológico com suporte nas possibilidades sensíveis (NÓBREGA, 2010).
(2011)26, que apontam como elementos fundantes desta modalidade a interrogação, a descrição e a redução, conforme está expresso no Esquema 2.
Esquema 2 - Elementos fundantes da modalidade “F” como método de investigação
Fonte: Elaboração própria (2020), com base em Merleau-Ponty (2011), Espósito e Bicudo (1997), Martins e Bicudo (2005) e Bicudo (2011).
Ante esses elementos fundantes, Bicudo e Espósito (1997) apontam que a trajetória fenomenológica consiste em outros momentos que não sequencias, mas que se entrelaçam à descrição e redução: a) epoché, momento em que se põe em suspensão o fenômeno de quaisquer teorização, preconceitos e valorações do campo perceptual de quem opera a pesquisa; b) a própria redução, selecionando partes fundantes ao fenômeno experienciado, descrevendo o vivido; e c) a compreensão (interpretação) fenomenológica.
Em sequência a estas considerações, Martins e Bicudo (2005), com base nos pressupostos fenomenológicos de Husserl (1929;1949) e Maurice Merleau-Ponty
26 Maria Aparecida Viggiani Bicudo se tornou no Brasil uma das principais estudiosas do método fenomenológico, desde sua aproximação com professor Dr. Joel Martins, cujo memorável trabalho na pós-graduação brasileira é acessado num breve artigo por meio do endereço abaixo. Dentre os temas a que Maria Bicudo se dedicou, destacaram-se: Educação, Educação Matemática, Filosofia, da Educação Matemática. Este é o contexto em que o método fenomenológico esteve atrelado em seus estudos. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/26449/1/S1413-24782005000300003.pdf
(1980; 2004, 2006; 2011; 2014) dentre outros trabalhos não mencionados nesta tese, propõem didaticamente como a pesquisa qualitativa baseada na modalidade “F” deve ser conduzida, a qual há que observar as etapas contidas no Quadro 3: a situação da pesquisa; constituição dos dados; constituição do método e constituição da descrição.
Quadro 3 - Etapas da pesquisa na modalidade “F”
ETAPAS DA PESQUISA DESCRIÇÃO DA ETAPA
Situação da pesquisa
É a fase para interrogar sobre o fenômeno que se apresenta a pesquisadora, este deve respeitar suas dúvidas aparentes e se
movimentar lentamente, atento para que a situação da pesquisa possa emergir dos participantes, buscando a atitude
fenomenológica
Constituição dos dados
A etapa sugere a pesquisadora um olhar atento ao fenômeno sem deixar escapar o conjunto de significados quando os
sujeitos mostram suas percepções. Diz respeito ao compartilhamento das experiências vividas pelo sujeito
Constituição do método Constitui a sistematização da descrição incluindo a totalidade os significados
Constituição da descrição
Busca-se descrição bem organizada das experiências vividas pelo sujeito, podendo excluir dados sem importância e incluir
afirmações
Análise do Fenômeno Situado Análise ideográfica e nomotética
Fonte: Elaboração própria (2020), com base em Martins e Bicudo (2005).
Correlacionamos essas etapas constantes no Quadro 3 com os elementos fundantes da modalidade “F” – a saber, a interrogação, descrição e redução - para um melhor entendimento e representação visual de seus entrelaçamentos no Esquema 3, mais bem observados na próxima página.
Deste modo, a interrogação corresponde à situação da pesquisa; a descrição, com a constituição dos dados, do método e da descrição; por fim, a redução, correspondente aos momentos de análise, mais bem detalhados no Quadro 6, na página 90.
Esquema 3 - Os elementos fundantes da fenomenologia e as etapas de pesquisa
Fonte: Elaboração própria (2020), com base em Martins e Bicudo (2005) e Merleau-Ponty (2011).
Com bengala nesta estrutura, mostramos, no segmento que vem, o modo como a pesquisa foi conduzida.
Situação da Pesquisa: atitude fenomenológica e a observação participante
Neste estudo, a fase compreendia como situação da pesquisa é delineada pela atitude fenomenológica à luz da observação participante, a fim de encontrar no campo empírico seus elementos fundantes, momento em que realizamos o diálogo com os moradores da Comunidade São Ciríaco do Urucurituba.
Segundo Martins e Bicudo (2005), atitude fenomenológica é estar atenta aos sinais dos sujeitos envolvidos na pesquisa. A fim de se colocar aberta a captar as evidências empíricas, precisamos recorrer à observação participante que, segundo Flick (2009), está associada ao “mergulhar de cabeça” na seara empírica, momento que experimentamos a sensação de choque cultural, dadas suas referências, mas
importante porque possibilita termos acesso à senda de estudo e às pessoas, bem como, alcancemos os aspectos essenciais para desenhar metodologicamente a pesquisa.
Relativamente àobservação participante, buscamos nos orientar por Goldenberg (2004), pois, assim, dessa forma aumenta a variação dos dados, amplia as interpretações sobre o contexto estudado e seleciona as categorias mais relevantes. A observação participante realizada por um longo período torna possível ao pesquisador participar na vida cotidiana dos interlocutores do seu estudo. Essa observação conjuga conversas a serem interpretadas, comparações e interpretações das respostas. Para isso, consideramos os seguintes passos: a) fazer uma observação descritiva orientada desde as perspectivas das pessoas envolvidas com a pesquisa, a fim de evidenciar pistas para encontrar o objeto e a temática de busca;
b) observação direcionada para elaborar os problemas pontuais e essenciais à questão da; e c) a observação seletiva, visando a apronfundar os relatos antes informados.
Esses passos são ações propriamente ditas que, em nosso entendimento, contemplam a atitude fenomenológica mencionada por Martins e Bicudo (2005), e descrita na seção 1, na qual evidenciamos: a delimitação do tema (corpo), objeto de estudo (as experiências vivenciadas na várzea com a sazonalidade do rio Amazonas e o fenômeno das terras caídas), locus (Comunidade São Ciríaco do Urucurituba) e os participantes (ribeirinhos moradores da comunidade). Partindo das evidências empíricas protagonizadas pelos sujeitos, formulamos o problema central e os objetivos da pesquisa gestados nas discussões do Grupo de Pesquisa PRÁXIS27 da Ufopa, e na relação com os moradores.
Em toda esta etapa atividade em campo28, utilizamos equipamentos audiovisuais e o diário de campo, como recursos para a constituição dos dados, sempre orientada por Goldenberg (2004) e Martins e Bicudo (2005), com vistas a conduzir este processo de observação participante com base na modalidade fenomenológica. Esses registros compõem parcialmente os dados do acervo descritivo sobre o contexto investigado, constante na seção 5, constituído com amparo
27 Sob coordenação da professora Dr.ª Tânia Suely Azevedo Brasileiro (PPSND/UFOPA), orientadora da tese.
28 Fase que ocorreu de dezembro de 2016 a junho de 2018.
nas nossas vivências, observações e percepção, acrescidas de informações dos moradores - dados que complementam as entrevistas fenomenológicas.
Recorremos à observação participante durante toda a pesquisa, desde o momento de sua autorização, ocorrido em dezembro de 2016, ao seu encerramento, em julho de 2019, período da última observação. Estivemos na comunidade em momentos pontuais, permanecendo no período compreendido de dois dias a uma semana29. Este nosso movimento foi orientado pela dinâmica sazonal de enchente, cheia, vazante e seca do rio Amazonas nos períodos de inverno e verão, a saber:
a) em 2016, registramos a seca;
b) em 2017, presenciamos as quatro estações sazonais;
c) em 2018, houve dois momentos de enchente e cheia. Nesta fase, ficamos na comunidade por um período de trinta dias, em julho, momento da pesquisa durante o qual realizamos as entrevistas com os participantes; por fim,
d) em 2019, estivemos na comunidade, contingencialmente, registrando o período de cheia.
Constituição dos dados baseados nas entrevistas
Nesta fase da constituição dos dados, prosseguimos com a observação participante, cujos dados continuaram a ser registrados em diário de campo e materiais fotográficos, mas a centralidade esteve primordialmente nas entrevistas que ocorreram durante todo o mês de julho de 2018, quando também realizamos uma imersão na comunidade, anunciada anteriormente. Nesse período e em todos os demais, ficamos hospedada na residência de uma família extensa que nos deu todo o apoio logístico e suporte para nos aproximar de outros moradores. A relação com eles foi empática e de elaboração paulatina de confiança, iniciada desde 2016. Nesse momento, já estávamos bem familiarizados com todos e com outros moradores.
Segundo Martins e Bicudo (2005), o investigador, ao desenvolver a entrevista, deve ter em vista a noção de que a objetividade é inerente à demanda científica, porém, pesquisas com seres humanos implicam uma relação que ele estabelece com o interlocutor, necessitando de sensibilidade e traquejo com as pessoas com quem mantém esse vínculo, sobretudo no momento da entrevista.
29 Com exceção em 2018, quando ficamos todo mês de julho imersa em campo.
Considerando, sempre, que o entrevistado se distanciou das temáticas elaboradas no roteiro, buscamos amistosamente retomar os eixos temáticos.
Conforme o dizer de Ranieri e Barreira (2010), a entrevista fenomenológica desenvolvida com os participantes deverá ser conduzida norteada por perguntas pré-definidas num roteiro, buscando que o sujeito reavive em sua memória vivências significativas e consiga relatar, detalhada e espontaneamente, suas vivências com o fenômeno investigado, possibilitando o acesso primeiro às experiências e percepções do sujeito. Em direção a esta orientação, optamos pela entrega prévia de nosso roteiro aos participantes, a fim de que não fossem pegos de surpresa com nossas perguntas e tivessem um tempo prévio para organizar suas ideias e pensamentos. Essa atitude se justificou porque entendemos que,
O sujeito é tido como um atribuidor de significados e não um repetidor de ideias mecanicamente adquiridas. O alvo da investigação é chegar aos significados atribuídos pelos sujeitos à situação que está sendo pesquisada.
Os dados obtidos são as situações vividas que foram conscientemente tematizadas pelo sujeito. Os significados são os aspectos do evento que o sujeito tematizou conscientemente. (MARTINS; BICUDO, 2005, p. 94).
Deste modo, entregamos, previamente, o roteiro com os temas aos participantes, fazendo fluir a entrevista, evitando preocupações ou quaisquer desconfortos. Assim, usufruímos de um momento dialogal com os participantes, quando expressaram conscientemente os assuntos e/ou situações relevantes em relação às suas experiências.
Os momentos que precederam a entrevista foram o agendamento de data e horário; e a entrega dos termos para leitura prévia com o mínimo de 24 horas de antecedência: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C);
autorização de publicação de imagens dos respondentes (APÊNDICE D); autorização de publicação de crianças e adolescentes (APÊNDICE E); e autorização de publicação de informações (APÊNDICE F); autorização de publicação de dados da entrevista (APÊNDICE G); e roteiro de entrevista, fenomenológico, mencionado anteriormente.
Todos os nossos procedimentos, tanto na primeira fase quanto nesta, foram norteados pela Resolução nº 466/12, do Comitê Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP), a qual regulamenta as diretrizes para o desenvolvimento de pesquisas com seres humanos (pesquisas in anima nobili), garantindo respeito e proteção aos
participantes, bem como assegurando que todo progresso e avanço da ciência e da tecnologia deve respeitar a dignidade, a liberdade e a autonomia do ser humano, garantindo os princípios éticos no desenvolvimento da pesquisa (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012), com vistas a assegurar os princípios de autonomia, justiça, não maleficência, beneficência e equidade.
Atendendo aos preceitos dessa Resolução, entregamos aos participantes o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, para garantir total esclarecimento quanto aos procedimentos do estudo, além dos outros termos mencionados. Buscamos resguardá-los de constrangimentos, estabelecendo com eles uma relação amistosa, respeitosa e de convívio permanente para minimizar possíveis desconfortos decorrentes da pesquisa (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012). E, por fim, garantimos o anonimato dos participantes, utilizando codinomes.
Todas as entrevistas foram gravadas em equipamentos como gravador de voz do aparelho celular e/ou gravador de voz e/ou filmadora, com o objetivo de registrar os diálogos. Optamos por mais de um equipamento, pois, na comunidade, não há energia elétrica, de sorte que, caso algum dos equipamentos falhasse ou descarregasse, teríamos outras opções.
A entrevista foi norteada por um roteiro, dividido em quatro eixos temáticos, com duração aproximada de quarenta a sessenta minutos. Após o encerramento de cada uma, recolhemos todos os termos devidamente assinados e fizemos nossos agradecimentos pela colaboração com o nosso trabalho. Às pessoas que desistiram de participar da entrevista, pedimos apenas que assinassem as autorizações de publicação de imagens, pois havíamos feito registros fotográficos com elas e nos espaços de suas residências.
Nos dias das entrevistas, organizamos nossos materiais/equipamentos num ambiente escolhido pelo respondente em suas residências, reservado, tranquilo e sem interferências de outras pessoas, de modo que, em todas as entrevistas, pudemos até ouvir o canto dos pássaros. Estar nesses ambientes possibilitou aos respondentes naturalidade, espontaneidade e conforto, sinais expressados em sorrisos, choros e falas sobre suas intimidades, inclusive desconexas em relação aos objetivos da pesquisa, o que, vez por outra, nos solicitou o exercício de retomada do eixo temático de nosso roteiro.
Mostramos, no Quadro 4, na página seguinte e no APÊNDICE B, o roteiro de entrevista fenomenológico, dividido em quatro temáticas: sazonalidade; fenômeno
das terras caídas; razões da permanência dos moradores nesta comunidade; e contexto pessoal do respondente.
Quadro 4 - Roteiro da entrevista fenomenológica EIXO TEMÁTICO DAS
EXPERIÊNCIAS VIVIDAS PERGUNTAS NORTEADORAS
Sazonalidade
1. Como é sua experiência em morar na várzea?
2. Como você desenvolve suas atividades do dia-a-dia convivendo com os ciclos do rio Amazonas? Há diferenças na enchente, cheia, vazante e seca?
3. Tem alguma preferência por algum dos períodos? De enchente, cheia, vazante, seca?
4. Fale um pouco sobre as terras crescidas
Terras Caídas
5. Alguma situação que tenha marcado sua vida por morar na várzea? E como foi viver essa experiência?
6. O que é o fenômeno das terras caídas? Como é conviver com esse fenômeno? Como é morar aqui hoje e saber que a qualquer momento isso pode acontecer?
7. Tem outra situação que tenha lhe marcado?
Razões para permanecer na comunidade
8. Porque permanecer neste lugar? O que este lugar significa pra você?
Contexto pessoal 9. Você nasceu nesse lugar? Morou em outros lugares? Como você chegou aqui?
Fonte: Elaboração própria (2018).
Da primeira à quarta pergunta, os ribeirinhos falam de suas experiências vividas com a sazonalidade. Ao responderem à primeira, segunda e terceira indagações, descrevem as especificidades do cotidiano no inverno e verão no que concerne a pesca, agricultura, pecuária, locomoção, sistemas de água e energia. Na quarta, falam o que é o fenômeno das terras crescidas e como ele influência nas áreas de plantio e moradia.
Na quinta pergunta - “alguma situação que tenha marcado sua vida por morar na vida?” - há três desdobramentos nas respostas: o fenômeno das terras caídas, os eventos extremos (cheia e seca), e as travessias e temporais. Dois participantes respondem primeiro sobre o fenômeno das terras caídas. Com estes, prosseguimos a entrevista com as questões seguintes e, ao final, indagamos se havia outra situação. Neste aspecto, eles nos trouxeram como respostas situações relacionadas a sazonalidade ou clima (chuvas fortes/temporais). Os outros dois indicam um evento extremo de sazonalidade, a seca de 2009. Ao término de seus
relatos, inquirimos se havia outra situação; eles mencionam o fenômeno das terras caídas, nesse contexto. Prosseguimos com as perguntas seis, sete e oito. Ao concluírem suas falas, interpelamos ainda se havia outras experiências marcantes.
Eles citaram eventos extremos, travessias e temporais.
Em suma, das perguntas cinco e seis, emergiram experiências vividas com a sazonalidade e clima e o fenômeno das terras caídas. E das perguntas sete e oito, são reveladas razões que levam os moradores a permanecer na comunidade, como suas reminiscências, as relações com as pessoas com as quais convivem, os bens que adquiriram, dentre outras; ou sair, motivados pelo medo que sentem de estar em um local inseguro. No último eixo de perguntas, os participantes falam livremente a respeito de seu contexto, de ordem pessoal.
Cabe destacar o fato de que, durante o desenvolvimento do estudo, foi ocorrendo a necessidade de modificação no objetivo geral da pesquisa em virtude das informações que fomos compilando do estudo in loco, norteada pela atitude fenomenológica. Esta alteração manteve a intenção de pesquisa e temática, não havendo dissonâncias entre o documento assinado e autorizado pelos participantes e a pesquisa realizada, pois mantivemos sua essência30.
Constituição do Método: a descrição das entrevistas
A fase de constituição do método ocorreu de agosto de 2018 a março de 2019, período em que estivemos atenta para ouvir as entrevistas e selecionar aquelas que respondam ao problema central da pesquisa, pois seus respondentes são susceptíveis de expressar em suas narrativas experiências não condizentes com a matéria que se investiga.
Segundo Martins e Bicudo (2005), nesta fase, o investigador deve manter como critério primordial o problema central da pesquisa, movendo-se na direção de falas significativas para responder à questão investigada, sendo este um rigor dessa modalidade de busca científica. Deste modo, prosseguimos para a descrição
30 Objetivo Geral assinado no termo: Descrever a percepção das experiências vividas pelos moradores da Comunidade São Ciríaco do Urucurituba em meio ao impacto ambiental do fenômeno das terras caídas e crescidas, e as características sazonais da várzea Amazônica.
Objetivo Geral e definitivo desta pesquisa: compreender os significados e sentidos e das experiências vividas pelos ribeirinhos da Comunidade São Ciríaco do Urucurituba em Santarém-Pará na relação corpo-natureza-cultura frente a sazonalidade do rio Amazonas e o fenômeno das terras caídas de moradores.
fenomenológica, momento em que são transcritas as experiências vividas, narradas pelos interlocutores e nos mantivemos em movimento de reflexão contínua sobre elas.
Em sequência, extraímos as entrevistas dos equipamentos e as transcrevemos integralmente para a escrita, respeitando a linguagem falada do sujeito, sistematizando-as em textos que continham de treze a dezesseis páginas, salvas em documento word e arquivadas em computador. É uma fase exaustiva e requer habilidades do operário-investigador de ciência.
Constituição da Descrição: releitura e organização sistemática das descrições.
Com as entrevistas transcritas em texto, segundo Martins e Bicudo (2005), nesta fase de constituição da descrição, buscamos uma releitura atenta para organizar sistematicamente as experiências vividas dos sujeitos, excluindo dados que não tivessem relação com a questão que se investiga. Este processo de leitura e exclusão de informações foi realizado três vezes, a fim de que mantivéssemos apenas as descrições concernentes a questão interrogante do fenômeno. Esta fase ocorreu no período compreendido de abril a dezembro de 2019.
Nesta fase, ocorreu a redução fenomenológica, mencionada por Merleau-Ponty (2011), a qual será abordada durante a análise do Fenômeno Situado. Na próxima subseção, nos reportaremos aos participantes.