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3 AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM E COGNIÇÃO

3.5 A multimodalidade no ensino de língua estrangeira

A comunicação humana se dá por vários meios, dentre eles a linguagem verbal. Na aquisição da língua materna, o bebê utiliza inúmeras informações contextuais (gestos, expressões faciais, situação, artefatos culturais, etc) para construir seu sistema linguístico e comunicar-se. O aprendiz de L2 em situação de imersão experimenta situação semelhante, pois está exposto à língua em contexto de uso. Essa mesma multiplicidade de fontes de informação é desejável no ensino de L2 em contexto escolar.

Quando falamos em textos multimodais, indicamos a variedade de linguagens existentes, desde infográficos, fotografias, vídeos, filmes, tabelas, até os modelos mais tradicionais. A multimodalidade proporciona ao leitor a facilidade na visualização e identificação de informações, fazendo com que a experiência de leitura seja mais natural e fluente. O texto e a leitura fazem parte da vida das pessoas e são fundamentais para os processos comunicativos. Utilizar os mais diferentes elementos presentes nos textos multimodais é de extrema importância para o assessoramento nos eventos de leitura. Qualquer informação adicional que seja fornecida ao leitor tende a enriquecer as possibilidades de leitura e interpretação do texto.

Em busca de um aprendizado de línguas estrangeiras que dê conta das exigências pessoais, profissionais e acadêmicas têm sido necessária a busca pelos mais variados recursos. Apesar de ser comum a professores e estudantes de línguas estrangeiras, o uso de ferramentas que possibilitem o estímulo de nossos

recursos sensoriais tem apresentado resultados interessantes no aprendizado de uma segunda língua.

Pensando no enriquecimento do estímulo cerebral, professores utilizam os mais variados meios para proporcionar um aprendizado significativo e eficiente aos estudantes. Ao empregar recursos como vídeos, músicas e softwares que auxiliam na comunicação em língua estrangeira, são estimuladas novos modos de pensamento, de forma que os estudantes estabeleçam as mais variadas relações de sentido, que facilitarão o acesso às memórias da língua aprendida.

Goulart (2005, p. 53) destaca que “as novas tecnologias da informação se incorporam de várias maneiras ao espectro de conhecimentos dos diferentes sujeitos e de segmentos sociais, também de forma descontínua e heterogênea”.

Dentro das diversas camadas sociais e, consequentemente, das diferentes realidades dos estudantes, é possível perceber uma enorme gama de níveis de acesso à tecnologia da informação. Desde estudantes que nasceram “na era da informação” e usam o computador com facilidade extrema, até estudantes que nunca tiveram acesso a um computador ou não receberam instrução sobre seu uso.

Além de escolher adequadamente os recursos empregados, é importante que o professor instrua os estudantes sobre seu uso, de forma que os resultados da interação com a tecnologia em sala de aula sejam tão bons quanto o esperado.

Alguns dos recursos empregados nas aulas de língua estrangeira são os vídeos, as músicas e os quadrinhos, recursos que podem ser acompanhados com facilidade mesmo por pessoas que não têm muito conhecimento sobre a tecnologia.

No caso dos vídeos, há diversos sites na internet que possibilitam que os professores e estudantes tenham acesso a tais ferramentas. Quando os vídeos são utilizados com estudantes iniciais de língua inglesa pode haver maior dificuldade no entendimento do conteúdo do material, assim esses vídeos podem vir acompanhados de legendas.

O uso de legendas é muito discutido, já que o olhar do estudante para a legenda poderá se distanciar das imagens que são tão importantes para o recurso audiovisual. Leitores pouco proficientes precisam de mais tempo para realizar a leitura do material e processar a informação. Sendo assim, no caso de algum filme, pode haver uma deficiência no entendimento do sentido geral ou ainda de detalhes específicos de grande importância para o contexto geral.

Muitos estudantes utilizam os vídeos como ferramenta de apoio para o aprendizado de uma segunda língua. Alguns acreditam que inicialmente é interessante que se possa assistir aos vídeos na língua estrangeira e com as legendas em sua língua materna. Assim que o estudante tenha competência auditiva suficiente para observar claramente os elementos da língua estrangeira, as legendas podem ser modificadas para a língua estrangeira, a mesma utilizada na linguagem oral da transmissão. Mais tarde, após conquistada maior autonomia de comunicação pelo estudante, as legendas poderiam então ser descartadas ou reduzidas.

Podemos dizer ainda que a presença de legendas na mesma língua utilizada de forma oral no vídeo pode ser uma rica contribuição para a tomada de consciência de alguns sons e vocábulos da língua estrangeira alvo. À medida que o estudante ouve o falante nativo e pode visualizar a forma escrita das palavras, essas estruturas podem ser mais facilmente assimiladas e memorizadas.

Quando o material utilizado nas aulas for composto por fotos ou gravuras, é muito importante que seja considerado o contexto ao qual esse material pertence. A contextualização da informação facilita o processo de compreensão e permite que os alunos que precisam mais das imagens para consolidar o aprendizado possam ter sucesso nesse processo.

Hoje, vivemos uma digitalização massificada das informações e por mais que relutem, os professores têm necessidade de utilizar os mais variados recursos em suas aulas. Monte Mór (2010, p. 471) lembra que a incidência de utilização desses materiais não se trata de substituições, mas sim agregações, a busca pela contribuição que cada um desses recursos é capaz de dar ao ensino e consequentemente ao processo de aprendizagem. O estudante contemporâneo já entra no sistema de ensino esperando a influência da tecnologia, não consegue conceber outra realidade para a educação que não seja o uso de projetores multimídia, lousas interativas, softwares educativos. Por isso, Ribeiro (2005, p. 90) acredita que “a busca por uma ferramenta tecnológica deve ser vista como forma de se revitalizar antigas ferramentas, uma nova aparência para melhorar ou estimular as metas de aprendizagem”. Para o “novo” estudante, precisamos continuar o processo de adaptação aos “novos” materiais.

A sociedade de hoje não se contenta mais em realizar uma tarefa de cada vez, o cérebro humano busca cada vez mais a dinamicidade, impulsionado por

fatores externos, pensa e age em relação a vários acontecimentos ao mesmo tempo, precisa da rapidez e da liquidez para que possa acompanhar a velocidade e que se move a sociedade. A possibilidade de interligar diferentes conhecimentos traz para a educação a oportunidade de promover a interdisciplinaridade, abordando ao mesmo tempo aspectos teóricos e práticos da realidade dentro de uma visão ampla e inovadora. Esse movimento, segundo Santaella (2007, p. 25), tem denunciado o desaparecimento progressivo dos obstáculos materiais que bloqueavam a fluxo da troca de informação.

Enfim, podemos acreditar que já que existem tantos recursos didáticos e audiovisuais à disposição dos professores de línguas, esses devem ser utilizados sempre que possível. Professor preocupado com o real aprendizado dos discentes, busca descobrir como eles aprendem e o que pode tornar o momento de aprendizado mais prazeroso, significativo e eficiente.

Feita a revisão bibliográfica, é possível observar a necessidade e a importância do ensino de língua inglesa com objetivos claros e metodologia adequada, priorizando o emprego de estratégias de aprendizagem e de leitura em L2. Destacamos também o efeito da multimodalidade textual para o apoio à leitura, possibilitando maior número de inferências e melhor interpretação textual. Seguimos com a pesquisa empírica para refletirmos sobre o ensino de língua inglesa como L2 em cursos técnicos, buscando definir objetivos e prioridades no ensino de línguas estrangeiras, contemplando as especificidades do público alvo.