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ARREPENDIMENTO PARA A VIDA

A NATUREZA DO ARREPENDIMENTO

1. O arrependimento não é obra que se faça, a fim de se salvar. Isto entraria em conflito com muitos versículos das Escrituras

que ensinam a salvação sem ser por obras (Efésios 2:8-10, Tito 3:5, II Timóteo 1:9 e muitos outros). O arrependimento não se faz com as mãos, mas se sente na alma. Não é um ato benevolente, embora a bene-volência seja fruto do arrependimento. Certo homem zombava do arre-pendimento como se fosse uma coisa feita de caridade e por isso ridí-cula e inútil. Esta zombaria pelo arrependimento e a afirmação de que se pode arrepender através de obras de caridade são totalmente contra o que a Bíblia ensina. Quem nunca chora seu pecado, não vai se regozi-jar nunca em Cristo como Salvador.

2. O arrependimento não é um exercício corporal. É interno,

ao invés de externo; a atitude interior da alma e não o exercício exterior do corpo. Jó sentou-se sobre cinzas ao se arrepender, mas sentar-se sobre cinzas não é arrependimento. O publicano batia no peito ao se arrepender, mas bater no peito não é arrependimento. O sentar-se sobre cinzas e bater no peito são sinais externos de como estes homens se sentiam na alma. O pecado era uma coisa atroz para os dois.

3. O arrependimento não é uma tristeza interna que serve como preço da salvação. Não existe mérito nenhum; pelo contrário, é

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a falta de mérito consciente. Ao se arrepender, o pecador diz realmente: “Não trago nada nas mãos, apenas me agarro à Tua Cruz”. Arrepender-se é esvaziar-Arrepender-se de toda a autoconfiança, confiando apenas em Cristo como única base para a salvação. Não há limite específico de tempo, durante o qual se arrepender, nem certo grau de tristeza a se sentir. Isto porque a tristeza não é o preço da salvação. A pessoa se entristece ao ver sua condição como perdido. Ela se entristece por não ser salva e não a fim de se salvar. O pecador não pode ser salvo através da tristeza que sente. A tristeza revela seu interesse na salvação, mas não fará por onde merecê-la. Vamos ao médico fazer um check-up só como medida de precaução. Ele faz um exame geral e lhe diz que está com câncer. Com certeza, isto causa dor e ansiedade. Mas toda a tristeza que sentir não contribuirá em nada para sua cura. Suponha que o médico lhe assegure que você pode ficar bom, sem cirurgia. Se acreditar no médico, terá paz de espírito sem igual. Porém, se continuar agoniado, mostrará que não confia nele. Do ponto de vista do pecador, não existe necessidade nenhuma de ficar todo tempo arrasado por causa do pecado. Assim que ouvir sobre sua perdição e sobre a salvação eterna em Cristo, ele deve confiar em Cristo e parar de ficar triste. Um pastor (pregador) nunca deve dizer ao pecador aflito para continuar triste. Pelo contrário, deve dizer-lhe para crer no Senhor Jesus Cristo e ser salvo. Contudo, do ponto de vista soberano de Deus em lidar a este respeito, muitas vezes Ele permite que o pecador sofra e lute contra o pecado durante muito tempo, antes de mostrar-lhe a suficiência de Cristo como Salvador.

4. O arrependimento não é a autotortura do corpo. Isto é

con-fundir arrependimento com penitência, que é algo meritório. O monge faz penitências ao dormir no chão ou usar um hábito rústico que coça. Lutero a fazia subindo “de quatro” uma escadaria em Roma. Quando Anselmo de Canterbury morreu, suas roupas estavam cheias de tapu-rus, aos quais mantinha, a fim de mortificar a carne.

Deixemos um católico romano nos dizer o que é penitência. Vamos citar o Dr. Chaloner no “Catholic Christian Instructed” (O Cristão Católico Instruído). Pergunta: O que quer dizer com sacramento da pe-nitência? Resposta: uma instituição de Cristo, pela qual nossos pecados são perdoados, quando caímos após o batismo. Pergunta: Em que a penitên-cia consiste? Resposta: por parte do penitente, consiste de três coisas; contrição, confissão e satisfação. A satisfação significa uma execução fiel

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da penitência prescrita pelos sacerdotes (padres).

Chama-se a penitência de segunda tábua da salvação após o nau-frágio. É o modo de se salvar pela segunda e subsequentes vezes após a primeira salvação. Através do sacramento do batismo. É assim que a Igreja Católica ensina.

5. O arrependimento não é um termo difícil, imposto por Deus, para a salvação. Isto tornaria inconsistente a salvação de Deus,

que não é difícil, mas fácil. Se a salvação fosse difícil, ninguém podia ser salvo, pois a natureza humana não tem força para fazer o bem. Se a salvação é pela graça, por meio da fé; se é sem dinheiro e sem preço; se é um dom de Deus, como se pode dizer que é difícil? Sem dúvida quem a torna difícil não é Deus, mas sim o orgulho do coração pecaminoso. É o orgulho e a autossuficiência que leva a pergunta: que bem devo fazer para obter a vida eterna? Com certeza temos que porfiar por entrar pela porta estreita, mas esta luta não é com o Salvador que está disposto a salvar e sim contra uma natureza (a pecaminosa) que quer ter espaço para se vangloriar. Tudo em nossa natureza egoísta e autoconfiante luta contra a salvação pela graça, por meio da fé.

6. O arrependimento bíblico é em relação a Deus. Alguém pode

se arrepender em relação aos pais. Um jovem rebelde fugido de casa, e que deixou em pedaços o coração dos pais pela vida triste em que vive, pode chegar às lágrimas ao ouvir falar do lar antigo e da tristeza dos pais já velhinhos. Talvez até mude de ideia em relação aos pais e volte para casa, a fim de cuidar deles no fim da vida. Porém, este não seria o arrependimento bíblico nem evangélico.

7. O arrependimento para a vida inclui a fé no Senhor Jesus Cristo. Diz respeito a Cristo como Salvador e a Deus como Legislador

(doador da lei). Não acaba em desespero, mas sim em esperança. Judas se arrependeu e enforcou-se. Este não foi o arrependimento bíblico e uma palavra diferente, no grego, é usada para descrevê-lo. No arrepen-dimento bíblico percebe-se o pecado; aborrece-se o pecado e abandona-se o pecado no coração, quando a pessoa vai a Cristo para a salvação. O crente nunca poderá, nesta vida, parar de pecar, mas em seu coração ele o quer. Alguém já chamou arrependimento de repúdio ao pecado. No arrependimento verdadeiro há não somente o desejo de se escapar das consequências do pecado, mas também de se livrar dele, como algo que desagrada a Deus. O tão-chamado arrependimento (que não é

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deiro) pode ser ilustrado na oração, de uma menininha: “Ó Deus, faz-me boazinha. Não bem boazinha, mas boazinha o bastante para não levar uma surra”. O arrependimento verdadeiro é a graça permanente que habita na alma. É uma atitude que pertence à vida cristã inteira, em relação ao pecado e ao Salvador. À medida que se cresce na graça, o pecado se torna cada vez mais odioso e Cristo se torna mais e mais precioso.