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Aspectos sobre a criação, disseminação, transferência e armazenamento do conhecimento tem sido centro de discussão na literatura organizacional sobre gestão do conhecimento. A temática sobre conversão do conhecimento ficou mais conhecida com a obra de Nonaka e Takeuchi (1997) sobre “A Criação do Conhecimento na Empresa”, onde apresentam seu modelo de conversão do conhecimento, e a divisão e natureza do conhecimento em “conhecimento tácito” e “explícito”, pelas obras de Polanyi “Personal Knowledge” de 1958 e “The Tacit Dimension” de 1966.

Por sua vez, o conhecimento tácito é considerado para a gestão do conhecimento, como o mais importante para a competitividade das organizações e, a base de todo conhecimento onde as empresas deveriam operar a criação da memória organizacional, a partir das competências organizacionais estabelecidas.

Com relação ao conhecimento tácito, Sveiby (1994) entende que não se possa medir diretamente, porque pela sua natureza ele não pode ser expresso por palavras nem transmitido pela capacitação formal, quando expresso, passa a ser estático e observável não mais na sua forma original. O conhecimento tácito só pode ser observado por meio da ação. Geridos adequadamente, os ativos intangíveis podem acabar sendo a base de uma economia de retornos crescentes, em oposição a retornos decrescentes, típicos da economia industrial. Independentemente do mercado, especialidade ou tamanho da empresa, para se tomar consciência da importância de se adotar o paradigma do conhecimento o autor sugere como exercício, fechar os olhos e pensar quais as duas pessoas-chave na organização: aquelas pelas quais os clientes e fornecedores perguntam, as que sempre têm as soluções mais criativas, as que os funcionários tomam como referência. Depois imaginar que elas estejam anunciando o seu desligamento da empresa para iniciar um negócio próprio.

A epistemologia de Maturana e Varela (1997) coloca o conhecimento como um fenômeno biológico, implicando que para entender a cognição é necessário partir da compreensão da natureza da vida. Por meio do conceito de autopoiesis, autores se propõem repensar toda a história do conhecimento, centrando-a na idéia da autonomia dos sistemas vivos como sistemas cognitivos.

A epistemologia autopoiética leva a uma percepção fundamentalmente diferente quando se analisa o processo de “input” do sistema. Este “input” refere-se somente a dados. O conhecimento é privado, uma noção que se assemelha com o conceito de Polanyi (1983) de conhecimento “pessoal.” Os sistemas autopoiéticos são ao mesmo tempo abertos a dados e, fechados. São fechados à informação e conhecimento, que devem ser interpretados dentro do sistema. Os sistemas autopoiéticos são auto-referidos e dessa forma o mundo não é tido como objetivo e estático. O mundo é construído dentro do próprio sistema, impossibilitando assim a “representação” da realidade. Uma organização pode ser vista como um grupo de indivíduos que criaram entre si um emergente quadro de referência em comum.

A sua idéia principal garante que, aquilo que o homem observa como lhe sendo exterior não é nada além do que ele mesmo é. Não há separação entre produtor e produto, a unidade

autopoiética contém o ser e o fazer, esse é seu modo específico de organização. Sinaliza que a

ciência se baseia em desejos e interesses do observador. Os desejos e as emoções subsidiam as formulações das questões investigativas.

Polanyi (1983) defende o conteúdo do conhecimento tácito em um contexto filosófico, rompe com as dicotomias tradicionais entre mente e corpo, razão e emoção, sujeito e objeto, conhecedor e conhecido. Assim a objetividade científica não se constitui na única fonte de conhecimento. Nonaka e Takeuchi (1997) se apropriam do conceito de Polanyi (1983) e o expandem, aplicando-o para desenvolverem o modelo de conversão do conhecimento e uma estrutura teórica, indicando as dimensões epistemológica e ontológica da criação do conhecimento organizacional. Nonaka e Takeuchi (1997) e Von Krogh; Ichijo e Nonaka (2001) definem o “conhecimento como uma crença verdadeira justificada.”

Baseando-se em Polanyi (1983), Sveiby (1998, p. 44) define conhecimento como uma “capacidade de agir” (que pode ou não ser consciente). A ênfase da definição está no elemento ação: uma “capacidade de agir” somente poderá ser vista na prática. Cada indivíduo tem que recriar sua própria “capacidade de agir” por meio da sua experiência – uma visão que é similar ao construtivismo.

De acordo com Bhatt, (2000) é somente por meio do significado que a informação encontra vida e se transforma em conhecimento. Sem significado, conhecimento é informação ou dado. A distinção entre informação e conhecimento depende da perspectiva do usuário.

Já para Marakas (1999, p. 264) “o conhecimento é dependente do contexto, porque o significado está relacionado às condições, ou seja, o conhecimento é um significado feito pela mente.”

A epistemologia cognitivista considera as organizações como sistemas abertos, os quais desenvolvem conhecimento formulando “representações” cada vez mais precisas do mundo. Nesse sentido, quanto mais dados e informações as organizações puderem acumular, mais precisa será esta representação. Assim, a epistemologia cognitivista correlaciona conhecimento com dados e informações.

Os autores Davenport e Prusak (1998, p. 6) definem “conhecimento como um mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e intuição, que permitem avaliar e incorporar novas experiências e informações.”

Stewart (1998), Sveiby (1998), Davenport e Pruzak (1998) tratam o conhecimento no contexto da organização como “intangíveis” importantes. São unânimes em dizer que o mundo no limiar de uma nova era, na qual o conhecimento é reconhecido como o principal ativo das organizações, e a chave para uma vantagem competitiva sustentável. A fonte de riqueza, e da competitividade que até então estava fortemente caracterizada pelos bens tangíveis como capital financeiro e estruturas físicas, passa a ser o próprio conhecimento.

Um consenso entre os diversos estudiosos é que o conhecimento reside na cabeça das pessoas é o resultado da experiência humana e reflexões baseadas em crenças e, é ao mesmo tempo individual e coletivo.

Nesse sentido, as atividades cognitivas humanas presentes no contexto organizacional podem transformar o volume de informação em conhecimento. A combinação entre o sentido de contexto, de memória pessoal e processo cognitivo define a compreensão e aplicabilidade de uma determinada informação transformando-a em conhecimento. Sendo que toda interpretação de informações está baseada na experiência, no contexto e contém nuanças das emoções.

Para Sveiby (1998, p. 47) “a informação e o conhecimento são diferentes, vê-los como semelhantes ou sinônimos é uma distorção de todo o conceito de gestão de ativos intangíveis.”

Para Davenport (1998), a informação serve de conexão entre dados e conhecimento. Segundo o autor, a conceituação destes termos é importante para o estabelecimento dos limites das ações e das expectativas de seus resultados. Assim ele propõe um comparativo das principais características de dados, informação e conhecimento, que pode ser visualizado no quadro 1.

Estes diferentes tipos de conceitos sugerem que a gestão do conhecimento saiba distinguir o que é estratégico, em termos de desenvolvimento de suas competências organizacionais, para formalizar a base da memória organizacional das organizações de conhecimento.

Davenport e Prusak (1998) afirmam que dados são transformados em informação por meio da:

a) contextualização: sabe-se qual a finalidade dos dados coletado;

b) categorização: conhece-se as unidades de análise ou componentes essenciais dos dados;

c) cálculo: os dados podem ser analisados matematicamente ou estatisticamente; d) correção: os erros são eliminados dos dados e

Dados Informação Conhecimento

Simples informação sobre o

estado do mundo Dados dotados de relevância e propósito Informação valiosa da mente humana Facilmente estruturado Requer unidade de análise Inclui reflexão, síntese, contexto. Facilmente obtido por máquinas Exige consenso em relação ao

significado

Difícil de estruturação

Freqüentemente quantificado Exige necessariamente a

mediação humana De difícil captura em máquina Facilmente transferível De difícil transferência

Freqüentemente tácito Quadro 1: Diferenças entre dados, informação e conhecimento.

Fonte: Davenport (1998).

Sveiby (1998) entende que o valor não está na informação armazenada, mas na criação do conhecimento de que ela pode fazer parte, e que, para tanto, há necessidade de investimento pesado. Nesse sentido, o autor acha que adotando a noção radical de informação: a informação desprovida de significado vale pouco, se estiver mais preparado para o futuro, e poupando dinheiro de empresas e governos e o sofrimento de funcionários e cidadãos.

Para Bhatt (2001), o conhecimento individual é necessário para o desenvolvimento da base do conhecimento organizacional, entretanto, o conhecimento organizacional não é a simples soma dos conhecimentos individuais.

O conhecimento organizacional se forma por meio de um padrão único de interações entre tecnologias, técnicas e pessoas, as quais não podem ser imitadas por outras organizações porque estas interações são exclusivas, resultantes da história e cultura da organização. Entretanto, só mais recentemente em função do desenvolvimento tecnológico, do fenômeno da globalização e a franca concorrência entre as organizações e o conhecimento, o conhecimento passou a ser considerado o principal ativo intangível, e um dos mais importantes elementos estratégicos para o aumento dos níveis de competitividade de uma empresa.