NOTA INTRODUTÓRIA
3. A NECESSIDADE DE CLASSIFICAR A INTERACÇÃO HOMEM-COMPUTADOR
do modo como a sua privacidade e segurança serão geridas.
3. Opção por multimodalidade de input e de output, com vista a maximizar as capacidades cognitivas e físicas, assim como as preferências de utilização dos vários utilizadores.
4. Recurso a uma terminologia consistente, apresentação e funcionamento do interface.
5. Feedback constante ao utilizador por parte do interface, de modo a que este tenha noção do ponto de utilização em que se encontra e conheça as possibilidades e canais de interacção disponíveis a cada momento. 6. Prevenção e gestão adequada de erros do sistema e do seu utilizador,
disponibilizando modos destes serem conscientemente corrigidos.
3. A NECESSIDADE DE CLASSIFICAR A INTERACÇÃO HOMEM-COMPUTADOR
A multimodalidade é um dos desafios mais importantes no âmbito da HCI, necessitando a sua compreensão de se debruçar sobre o universo de todas as modalidades utilizáveis (Blache et al, 2007). Para tal, é necessária a adequada análise das situações e dimensões em que cada uma das modalidades de um interface multimodal é efectivamente superior aos típicos interfaces gráficos de utilizador (Cohen et al, 1998).
Um utilizador deve ter a liberdade de recorrer a uma combinação de modalidades ou de optar por utilizar apenas aquela que considera mais adequada às características da tarefa ou ao ambiente de interacção em que se encontra (Oviatt et al, 2000).
A multimodalidade possui o potencial de aumentar a usabilidade, a flexibilidade e a efici-‐‑ ência do acesso aos serviços de informação (Sturm, 2005). Apesar dos recentes desenvolvi-‐‑ mentos tecnológicos no âmbito da HCI (baseados no reconhecimento da mensagem e do entendimento dos processos de comunicação) a falta de compreensão de como os modos de interacção podem ser combinados no interface do utilizador (UX) origina, frequentemente,
soluções de deficiente usabilidade (Sturm, 2005; Bourguet, 2009).
Esta falta de compreensão pode apenas ser superada através de um conhecimento ade-‐‑ quado de soluções disponíveis e de um sistema coerente de categorização. Poucas foram, no entanto, as tentativas de descrição da interacção multimodal homem-‐‑computador aos níveis qualitativo e quantitativo, sendo este um campo de análise que necessita de sério desenvol-‐‑ vimento (Bourguet, 2009).
Nos últimos anos, a investigação em HCIs multimodais tem sido focada na análise e cria-‐‑ ção de interfaces mainstream. Neste contexto, Reeves et al (2004) consideram ser necessário o desenvolvimento de estudos empíricos adicionais que permitam determinar as combinações de input e de output mais intuitivas e eficientes para os utilizadores, aplicações e contextos de utilização, assim como a melhor forma destas modalidades serem integradas.
Por sua vez, Bernsen e Dybkjær (2003) alertam para o perigo de se exagerar na promoção da interacção multimodal, nomeadamente quando a agregação de modalidades não promo-‐‑ ve qualquer acréscimo de eficiência na comunicação homem-‐‑computador, devendo ser sem-‐‑ pre valorizados os resultados da interacção. A este propósito, censuram, por exemplo, a ba-‐‑ nalização da investigação em agentes conversacionais animados mais ou menos elaborados, quando estes ocupam espaço valioso de ecrã e recursos de processamento, em comparação com o simples output discursivo. Ainda que estudos empíricos manifestem que os utilizado-‐‑ res alteram a sua atitude e expectativas face ao sistema informático quando confrontados com um agente conversacional animado mais ou menos realista, assumindo a postura de uma interacção mais próxima da comunicação humana.
Hyde (1998) considera que os sistemas interactivos multimodais se encontram contami-‐‑ nados pelo desejo dos designers em aplicar novas tecnologias sem que tal traduza um real aumento de usabilidade e que o sucesso do interface é aferido tendencialmente através de abordagens empíricas. Por essa razão, afirma não existir um sistema de notação adequado à descrição da actividade multimodal.
Também Bernsen e Dybkjær (2003) consideram que o campo da HCI multimodal é prolí-‐‑ fero em estudos empíricos, centrados em torno de generalizações pouco fundamentadas e frequentemente contraditórias, para além de uma falta de variedade de teoria aplicável que não encontra paralelo em nenhum outro campo de investigação. Por tudo isto, sugerem a
necessidade simultânea de se adaptar teoria proveniente de outras áreas de investigação e de se criar enquadramento teórico novo e específico.
Por exemplo, referem que as teorias do discurso entre humanos não são adequadas ao es-‐‑ tado actual de desenvolvimento tecnológico, uma vez que os sistemas informáticos não pos-‐‑ suem capacidade de integrar esse tipo de discurso muito livre e pouco direccionado para o cumprimento de objectivos (por oposição ao tipo de discurso relevante na interacção ho-‐‑ mem-‐‑computador contemporânea). Concluem reconhecendo que os estudos empíricos, no âmbito da HCI multimodal, encontram maior proximidade aos processos de engenharia — de facto, esses testes empíricos, a valorização sistemática e a avaliação fazem parte integrante desses processos — do que ao desenvolvimento de teoria sustentada em palpites, assunções, extrapolações, transferência não testada de outros cenários de aplicação, grupos de utilizado-‐‑ res, ambientes, etc.
O desafio à abordagem da multimodalidade, segundo Sinha e Landay (2002) é crescente mas a ausência de ferramentas que sirvam de suporte aos designers de interfaces é um cons-‐‑ trangimento que é necessário resolver.
Bailey (1994) define classificação, na sua forma mais simples, como a ordenação de enti-‐‑ dades em grupos ou classes com base na sua similitude, procurando a mínima variação den-‐‑ tro de um mesmo grupo e a máxima variação entre diferentes grupos. Considera que um sistema de classificação é a base principal a partir da qual uma teoria se pode desenvolver e que sem este não é possível qualquer tipo de conceptualização, raciocínio, linguagem ou análise de dados (Idem).
A este propósito, Bailey (1994) associa dez vantagens ao desenvolvimento e aplicação de um bom sistema de classificação:
1. Providencia uma listagem de tipos exaustiva e, eventualmente, definitiva. 2. Reduz a complexidade e atinge parcimónia.
3. Identifica similaridades entre entidades e permite que um conjunto seja analisado através da inclusão ou exclusão de outras entidades.
4. Identifica diferenças, permitindo a separação de entidades distintas para análise. 5. Apresenta uma listagem exaustiva de dimensões ou características.
7. Gere e organiza tipos de entidades.
8. Permite a especificação de hipóteses relativas a relações entre classes de entidades e a posterior identificação de casos empíricos.
9. Os tipos podem ser utilizados como critério de medida, de tal modo que um tipo possa ser utilizado como o ponto de referência em relação aos outros. 10. Providencia versatilidade, servindo muitas necessidades e revelando
diferentes aspectos dos dados.
Atente-‐‑se, ainda, que os sistemas de classificação são ubíquos à condição humana, extra-‐‑ vasando o mero contexto académico. A este propósito, recorda-‐‑se, por exemplo, a teoria do desenvolvimento cognitivo de Piaget (1959) onde a capacidade de nomear e identificar con-‐‑ juntos de objectos com base na sua aparência, tamanho ou uma qualquer outra característica (incluindo a noção de que um conjunto de objectos pode incluir um outro) são marcos essen-‐‑ ciais no desenvolvimento de uma criança. A necessidade de classificar e ordenar é conside-‐‑ rada uma característica intrínseca da espécie humana.