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ALTERNATIVA 1 (Pensando diretamente na informação relevante para o pesquisador): 5A Você conhece os Planos dos cursos Técnicos de Nível Médio na Forma Integrada em que

D. Na Metodologia e Formas/ Instrumentos de Avaliação discriminados; E Nas referências bibliográficas Básicas e Complementares.

6. Caminhos para elaboração de um currículo de Física no Ensino Médio Integrado

6.1 A necessidade de repensar os planos de curso

Quando avaliamos os planos de curso, no intuito de identificar elementos na organização do componente curricular da Física em que fosse possível perceber a integração da disciplina junto àquelas do núcleo tecnológico, percebemos que esse canal inexiste, ou quando está presente, se faz de forma genérica e pouco descritiva. Foram identificadas menções às habilidades e competências no documento dos campi de Eunápolis e Feira de Santana, e na Metodologia, no documento do campus Salvador. Corroborando com o fato, foi identificado que os docentes não estão de acordo com elementos pertencentes à descrição do componente curricular da Física, e não percebem um esforço desses elementos para a construção de um currículo integrado, sobretudo devido à falta de articulação da disciplina Física com o núcleo tecnológico.

Baseado nesse cenário, pontuamos a urgente necessidade de repensar os planos de curso. Nesse ínterim, nossa proposição se faz a respeito da organização curricular da disciplina de Física, ponto de análise da nossa pesquisa (inclusive sinalizada como parte integrante do PPC que os docentes tem maior conhecimento). Estabelecemos nosso diálogo a partir da

Organização dos conteúdos e da estrutura do planejamento dos componentes curriculares.

6.1.1 A organização dos conteúdos

Embora envolvam muitas questões adjacentes, a questão de escolher quais os conteúdos devem ser ministrados em determinada disciplina, sempre foi o ponto de onde decorrem as discussões sobre o fato de ela existir em determinado curso. No caso do currículo do Ensino Médio Integrado, isso apareceria de forma menos intensa, antes da nova reforma do Ensino Médio (lei nº 13.415/2017) para as disciplinas do núcleo básico, por elas já estarem consolidadas como áreas de conhecimento próprias a esse nível de ensino. Olhando especificamente para a disciplina de Física no EMI do curso de Edificações, temos uma imagem interessante que nos possibilita trazer alguns pontos pensando em formas de proporcionar essa integração.

Primeiro, é preciso pontuar que existe um inchaço de conteúdos em todos os planos de curso avaliados. Isso aparece de forma bastante intensa nos documentos dos campi de Barreiras e Salvador, além de todos trazerem conteúdos que são apresentados regularmente no Ensino Médio comum. Somado a isso, é na apresentação e disposição dos conteúdos da organização curricular que os professores percebem menor esforço para construção de um currículo integrado por parte da Física. Em segundo lugar, nossa análise revelou que para o curso avaliado em nossa pesquisa, há uma intersecção considerável de conteúdos que são comuns tanto à Física quanto a disciplinas do núcleo tecnológico.

Dito isso, é preciso colocar a necessidade de pensar um currículo de Física mais enxuto e com a mesma ou até melhor capacidade de formação, sem negligenciar o conhecimento fundamental da ciência Física. Nesse aspecto, não se trata apenas de definir se um determinado conteúdo é mais adequado de ser abordado na disciplina de Física, ou na disciplina do núcleo tecnológico. Para além de definir onde o conhecimento deve ser trabalhado, deve-se ter clareza de como aquele conhecimento contribui para a formação do sujeito profissional que constitui nosso egresso. Efetivamente, como pondera Ramos (2008) nenhum conhecimento existe por si só como específico ou de formação geral. É preciso dar significado a eles e entendê-los em sua completude, uma vez que

Nenhum conhecimento específico é definido como tal se não consideradas as finalidades e o contexto produtivo em que se aplicam. Queremos dizer ainda que, se ensinado exclusivamente como conceito específico, profissionalizante, sem sua vinculação com as teorias gerais do campo científico em que foi formulado, provavelmente não se conseguirá utilizá-lo em contextos distintos daquele em que foi aprendido. (RAMOS, 2008, p. 14)

Além disso,

Um conhecimento de formação geral só adquire sentido quando reconhecido em sua gênese a partir do real e em seu potencial produtivo. Esta última característica normalmente é considerada somente quando tratamos de conhecimentos da formação específica, com o objetivo profissionalizante. (RAMOS, 2008, p. 15)

Como destacado pela maioria dos questionários retornados, é possível garantir uma formação básica em Física, tomando por base, o eixo tecnológico da área de formação do curso técnico. Partindo dessa afirmativa, acrescentamos que além de dar ênfase ao que é essencial de ser trabalhado na Física como motivação explícita para uma dada formação, é

preciso definir o que seria conhecimento básico importante para formação de qualquer cidadão, de modo a se apropriar dos fundamentos dessa ciência. Assim, para pensar os conteúdos a serem trabalhados pela Física num determinado curso, a partir de uma dada realidade, é preciso: a) Definir uma base de Física, constituindo num currículo mínimo para qualquer formação técnica de nível médio; (essa base mínima inclusive é citada nas propostas de um dos professores participantes da pesquisa); b) elencar conteúdos da Física que se interceptam com aqueles presentes em disciplinas do núcleo tecnológico; c) definir quais conteúdos são mais apropriados de serem abordados na Física ou noutras disciplinas, ou por ambas, a partir de objetivos claros e definidos que orientem a prática docente.

6.1.2 A estrutura do planejamento dos componentes curriculares

Atualmente, a estrutura do planejamento dos componentes curriculares é regida pela

INSTRUÇÃO NORMATIVA PEDAGÓGICA PARA REFORMULAÇÃO CURRICULAR DOS CURSOS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO, FORMA INTEGRADA (IFBA, 2016). Nela a

disposição dos componentes curriculares fica discriminada por Ementa, Objetivos,

Habilidades, Objetos do conhecimento, Metodologia, Avaliação, Bibliografia Básica e Bibliografia Complementar.

A partir da constatação de que não há menções significativas que prezem por uma formação integrada na descrição do componente curricular da Física nos planos de curso analisados, nossa proposição engloba o aperfeiçoamento na descrição desses itens e inclusão de um, chamado de “Canais de Integração” que se faz necessário, de modo a contribuir para reflexão do professor.

De início, é imprescindível que a participação dos professores de Física na definição dos conteúdos e objetivos dessa área de conhecimento nos cursos técnicos de nível médio na forma integrada (seja no processo de construção ou reformulação) passe a acontecer a partir de uma discussão entre os professores da área de Física junto aos professores das áreas técnicas, diferentemente do que foi identificado na nossa pesquisa, na qual foi apontado que são consultados professores com formação na área de Física para emissão de parecer e definição dos conteúdos e objetivos referente a disciplina de Física. Isso é importante pois para pensar a Física é necessário ter o conhecimento do todo, e isso só é feito a partir da

escuta dos demais professores e da apropriação do que vem a ser o curso e qual tipo de profissional pretende-se formar. Caso contrário, corremos o risco de termos disciplinas como pequenas ilhas que jamais se completam no todo. Acreditamos que esse trabalho conjunto é capaz de trazer para o componente curricular da Física Ementa, Objetivos, Habilidades que atendam uma aproximação entre conhecimento básico em Física e a formação profissional técnica.

Em termos de Objetos do conhecimento, já o discutimos no tópico “6.1.1” no qual apontamos como principal indicativo a necessidade de se ter currículos mais enxutos (resguardado conhecimentos básicos e fundamentais da ciência Física) com a mesma ou até melhor capacidade de formação.

Na Metodologia, é necessário pensar de que forma os métodos utilizados se articulam com os objetivos preconizados para a disciplina no curso, o que deve vir a acontecer de forma posterior à escrita desse elemento. A ideia das questões aplicadas trazidas no plano de curso do campus Salvador como uma pesquisa bibliográfica sobre temas de aprofundamento do curso técnico do aluno, contribui, mas não deve ser a única forma, nem tem condições de ser aplicada para toda as etapas da disciplina de Física no curso técnico, já que as condições de cada curso são muito particulares. Em Avaliação, uma vez que foi identificada a possibilidade de quantificar o percentual dedicado a atividades de laboratório, por exemplo, devemos quantificar uma parcela a algo próprio para a formação técnica profissional, sobretudo acerca de temas que se interceptem com o núcleo tecnológico. Uma consequência imediata é a busca de referências que extrapolem o conhecimento da Física e possibilite esse intercâmbio entre o conhecimento básico da ciência Física e as suas aplicações numa determinada formação.

Além dos elementos abarcados na instrução que define a construção dos componentes curriculares no IFBA, sugerimos a inclusão do tópico “CANAIS DE INTEGRAÇÃO”. Nossa proposição advém de fomentar um diálogo dos membros responsáveis pela elaboração/ reformulação dos planos de curso junto ao professor de Física, pensando olhar a sua disciplina em ressonância a todas as demais naquele período letivo. Dessa forma, esse tópico pretende resgatar em cada série (após repensar o currículo, como já colocado no item anterior) áreas afins que podem trabalhar em conjunto, ou mesmo identificar aqueles conhecimentos que se

interceptam, mas que foram julgados necessários terem sua abordagem em duas disciplinas distintas. Partindo disso, serão apontadas possibilidades de trabalho daquela disciplina de forma conjunta a outra (motivadas por problemas da formação profissional, mas que podem por exemplo serem articuladas entre duas disciplinas do núcleo comum), obviamente em tom propositivo; ou quando não identificados esses elementos de convergência no momento de construção/ reformulação do plano de curso, descrito que Não foram pensados canais de

integração aparente para a disciplina Física nessa série letiva junto a outras disciplinas, não excluindo a possibilidade de outros trabalhos interdisciplinares por parte do professor

(proposição nossa).

É claro que a perspectiva de integrar o conhecimento básico junto ao profissional técnico nem sempre será possível de se fazer para todo o percurso formativo, mesmo porque, existem conhecimentos que mesmo quando não trazem aplicação direta na área técnica, são importantes para a formação do sujeito. Uma vez que os “Canais de Integração” são dados de forma propositiva para a reflexão do docente, em cada ano letivo em curso, os docentes poderiam propor inferências pensado no seu público, que podem, sem perda de validade do documento PPC, ser abarcados pelos seus planos de ensino, provocando quando o PPC passar a não mais atender aos interesses do grupo, uma reformulação deste.

6.2 O trabalho interdisciplinar como forma de proporcionar a integração curricular