• Nenhum resultado encontrado

O museu quando cria o seu sistema de informação, utilizando documentos que formalizam aspectos informacionais do acervo, além da base de dados, servindo para catalogar os seus objetos. Para a utilização correta destes documentos, é necessário

70 Em anexo, p. 164.

71 Em anexo, p. 164.

72 A necessidade em padronizar a linguagem vem da necessidade da Museologia em conhecer e desenvolver as suas terminologias. Diana Farjalla Correia Lima, no artigo Museologia, Informação, comunicação e terminologia: pesquisa termos e conceitos da museologia (UNIRIO), apresenta a importância de estudo e pesquisa sobre a terminologia museológica, traçando paralelo com as experiências do ICOM e com a pesquisa realizada na UNIRIO, “com vistas à normalização terminológica”. Segundo Lima “O fio condutor de investigação terminológica reconhece, em virtude da configuração da Museologia compartilhando com outras disciplinas modelos e práticas manifestadas no seu espaço a ocorrência de mudanças significativas ligadas aos diferentes ambientes sociais e culturais de uso.” In:LIMA, Diana Farjalla Correia M. Museologia, informação, comunicação e terminologia:

pesquisa, termos e conceitos da museologia. Mast Colloquia. Vol 10. Documentação em Museus, 2008, p. 184. Disponível em: <http://www.mast.br/livros/mast_colloquia_10.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2013

padronizar a linguagem documental73. É uma forma de sistematizar as informações, tornando-as mais claro, objetivo e fácil de encontrar. Para tanto, é preciso que o museu tenha um vocabulário controlado. Este vocabulário norteará os termos a serem utilizados no processo de documentação, principalmente no momento de catalogação do acervo.

Uma importante ferramenta do vocabulário controlado é o tesauro. Atualmente, como já mencionado, o Brasil possui um único tesauro para acervos museológicos, o Thesaurus para Acervos Museológicos das autoras Ferrez e Bianchini. No entanto, algumas instituições optam em produzir o vocabulário controlado, vinculado as suas especificidades74, o que não é um problema. Aqui, apresentamos alguns aspectos conceituais sobre o tesauro.

Um thesaurus é um conjunto de conceitos ordenados, de modo claro e livre de ambiguidade, a partir do estabelecimento de relações entre os mesmos e que pode ser definido segundo sua função ou estrutura. Do ponto de vista de sua função, é um instrumento de controle terminológico adotado por sistemas e/ou centros de informação e bibliotecas com o objetivo de tornar a indexação do conteúdo temático de documentos textuais/bibliográficos mais consistente e, consequentemente, garantir maior precisão na recuperação de informações75.

Segundo Robredo76, “um tesauro pode ser definido levando em consideração sua função ou sua estrutura. Considerando sua função, um tesauro é um instrumento de controle terminológico que permite traduzir a linguagem natural dos documentos, dos indexadores e dos usuários”. O autor reitera que o tesauro “é um vocabulário controlado

73 Segundo Scheiner, “É a linguagem que nos permite ‘dizer’ o mundo, através de sistemas combinatórios e multifuncionais de signos, que operam na interface entre os planos mental e sensorial,

traduzindo-se por meio de gestos, sons, imagens, movimentos (entre os quais destaca-se a fala).” In:

SCHEINER, Teresa C. M. Termos e Conceitos da Museologia: contribuições para o desenvolvimento da Museologia como campo disciplinar. Mast Colloquia. Vol 10. Documentação em Museus, 2008, p. 202.

Disponível em: <http://www.mast.br/livros/mast_colloquia_10.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2013.

74 Em e-mail, Helena Ferrez, quando questionada sobre a utilização do livro Thesaurus para acervos museológicos para catalogar obras de Arte Contemporânea, ela responde: “O Thesaurus para acervos museológicos, certamente, não é de utilidade para obras de arte contemporânea. Ele foi construído para nomear objetos que possuem uma função primeira definida, o que não ocorre com obras de arte. Você pode definir e nomear sua técnica, seus materiais, sua temática, quando não abstrata, mas não sua função.

O que se pode construir, e acredito que já existam várias, são terminologias próprias para indexar o conteúdo temático de obras de arte figurativas”. Cabe aqui, no caso de museus de arte, o desenvolvimento de um vocabulário controlado específico, com a possibilidade de utilização do Thesaurus produzido pelas autoras Ferrez e Bianchini. (em anexo, p. 164)

75 ROBREDO, Jaime. Documentação de hoje e de amanhã: uma abordagem revisitada e contemporânea da Ciência da Informação e de suas aplicações biblioteconômicas, documentárias, arquivistas e museológicas . 4. ed. Brasília: Ed. do Autor, 2005

76 Id, 2005.

e dinâmico de termos relacionados semântica a genericamente, que cobre um campo específico de conhecimentos77”.

Ferrez e Bianchini ressaltam que o tesauro possui “relações de equivalência, relações genéricas (gênero-espécie), relações associativas e relações partitivas”. Estas relações existem para reduzir o risco de ambiguidade entre os termos. Segundo Helena, 26 anos depois da criação do Thesaurus para acervos museológicos, os

[...] tesauros são linguagens documentárias, isto é, linguagens artificiais, construídas para serem utilizadas quando da indexação, sobretudo, de trabalhos científicos. Cumprem o mesmo papel, por exemplo, das listas de cabeçalhos de assunto, isto é, indicam a terminologia que o profissional que está classificando e catalogando um item documental poderá usar para representar o seu conteúdo e, desta forma, garantir que a recuperação desse mesmo item documental atenda plenamente ao que foi solicitado pelos usuários em suas consultas/buscas. Portanto, ao contrário da linguagem natural, é uma linguagem controlada que norteia aquele cuja função é determinar e nomear os assuntos tratados nos documentos.

Composto de descritores (termos permitidos) e não-descritores (termos proibidos) organizados em categorias/classes, os tesauros ainda estabelecem inúmeras relações entre os termos (gênero-espécie, todo-parte etc.) que nos ajudam, dentre outras coisas, a compreender o seu significado, em caso de dúvida. Posto isso, é interessante observar que, o Thesaurus para acervos museológicos, de autoria de Maria Helena S. Bianchini e minha, não foi construído para ser utilizado na nomeação do conteúdo de documentos e sim, para nomear os objetos criados pelo homem, existentes no Museu Histórico Nacional-MHN e nos demais da antiga Fundação pró-Memória. E mais difícil do que controlar as diferentes maneiras de nomear estes objetos, foi como classificá-los. Tínhamos que ter um único critério e, no MHN, os objetos do acervo ora estavam classificados pelo seu material (ex. prataria), ora pela disciplina que os estudava (ex. numismática), ora pelo coletivo (ex.

mobiliário, armaria), ora pela função (ex. meios de transporte). Foi quando nos deparamos com a preciosa obra de autoria de Robert G. Chenhall, que se encontra atualmente na sua terceira edição "Nomenclature for Museum Cataloging: A Revised and Expanded Version of Robert G. Chenhall's System for Classifying Man-Made Objects", onde os objetos estão classificados pela sua função. De acordo com Chenhall, todo objeto possui uma função primeira ao ser criado, mesmo que depois ele passe a cumprir outras. Hoje, por exemplo, nossas casas estão repletas de objetos que passaram a ter uma função decorativa e que no passado tinham outra totalmente diferente78.

Portanto, o museu precisa compreender os termos que perpassam as funções primárias do seu acervo para que, no momento da catalogação, possam interpretar as informações de seus objetos e que tornem as informações, depositadas em um sistema, acessíveis. A funcionalidade de uma linguagem padronizada é fundamental para o

77 ROBREDO, Jaime. Documentação de hoje e de amanhã: uma abordagem revisitada e contemporânea da Ciência da Informação e de suas aplicações biblioteconômicas, documentárias, arquivistas e museológicas . 4. ed. Brasília: Ed. do Autor, 2005.

78 Em anexo, p. 164.

sistema de informação dos museus e dos processos de documentação museológica destes. Para Scheiner:

O desenvolvimento de pesquisas sobre terminologia vem comprovando que a ideia original, de produzir um Thesaurus completo, é mais complexa e ambiciosa do que se imaginava, mesmo com as facilidades trazidas pelas novas tecnologias. No presente, os estudos desenvolvidos pelos especialistas do ICOFOM vêm-se concentrando nos trabalhos por idioma, com resultados muito positivos. O grupo de trabalho original intitula-se agora Grupo de Trabalho do Thesaurus (Thesaurus Research Group) e divide-se em subgrupos, por matriz idiomática79.

Assim, é importante que os profissionais e os pesquisadores da Museologia se debrucem sobre as terminologias utilizadas na área, corroborando para o fortalecimento do campo e para uma melhor adequação dos sistemas de informação adotados em instituições museais.

79 SCHEINER, Teresa C. M. Termos e Conceitos da Museologia: contribuições para o desenvolvimento da Museologia como campo disciplinar. Mast Colloquia. Vol 10. Documentação em Museus, 2008, p.

202-233. Disponível em: <http://www.mast.br/livros/mast_colloquia_10.pdf>. Acesso em: 03 jun. 2013.