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A NOVA ECONOMIA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES

No documento Inovação e Empreendedorismo (páginas 173-184)

TÓPICO 3 — ECONOMIA DO EMPREENDEDORISMO

2.2 A NOVA ECONOMIA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES

A lógica da produção em escala, centralização de mercado e consumi-dores passivos já não encontra mais espaço na atual era, uma nova economia emerge marcada pela cooperação, compartilhamento, conectividade, flexibilida-de, sustentabilidade. Observe a imagem a seguir:

FIGURA 17– VELHA ECONOMIA X NOVA ECONOMIA

UNIDADE 3 — GESTÃO EMPREENDEDORA

Nessa nova era o conhecimento passa a ser revisto não apenas como mais um fator de produção, mas como fator essencial do processo de produção e geração de riqueza. Peter Drucker, enfatiza em seu livro "Post-Capitalist Society"

(1993), que "o fator decisivo de produção é o conhecimento "

Conforme Cavalcanti e Gomes (2000, p. 62):

o conhecimento, como aquele incorporado nos seres humanos ("ca-pital intelectual") e na tecnologia, sempre foi central para o desenvol-vimento econômico. Contudo, apenas nos últimos anos, quando as atividades econômicas se tornaram mais e mais intensivas/abundan-tes em Conhecimento, sua importância relativa foi reconhecida. Inves-timentos em conhecimento, tais como pesquisa e desenvolvimento, educação e treinamento, e abordagens inovadoras para o trabalho são consideradas a chave para o crescimento econômico.

As organizações nessa esfera têm buscado sua contemporaneidade em um novo modelo organizacional, autorrenovador, baseado no empreendedoris-mo, pois essa dá espaço para que indivíduos e equipes atuem de forma criativa como empreendedores internos, rumo à maior eficácia na busca de novas oportu-nidades e nos processos de inovação (TORQUATO; WILLERDING, 2015).

Aprenda mais sobre essa nova economia por meio da leitura a seguir.

TÓPICO 3 — ECONOMIA DO EMPREENDEDORISMO

LEITURA COMPLEMENTAR

OS SINAIS DA NOVA ECONOMIA FORAM MULTIPLICADO A PANDEMIA DO COVID-19 ACELEROU OS SINAIS DA NOVA

ECONOMIA

Francine Lemos Dario Neto

Crescendo pela dor

Os sinais da nova economia têm sido muitos e cada vez mais frequentes.

A nova declaração de propósito das empresas americanas, assinada no ano passado por mais de 180 CEOs do Business Round Table; a virada editorial do Financial Times voltada para um novo capitalismo; as frequentes cartas de Larry Fink do BlackRock ― a maior gestora de ativos financeiros do planeta ― falando sobre propósito; o olhar multistakeholder e critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) influenciando profundamente a grande agenda global de investimentos; a nova versão do manifesto do Fórum Econômico Mundial este ano em Davos direcionado para um capitalismo de stakeholders; e tantos outros.

A pandemia da covid-19 não trouxe algo novo nesse sentido. Ela é uma grande aceleradora e multiplicadora desses sinais. A nova economia chegou e veio para ficar. É uma tendência acelerada, infelizmente, pela dor. Não temos mais tempo e ampliamos a consciência global sobre isso da pior maneira.

Mudanças estruturais, não apenas circunstanciais

Nos últimos anos, temos observado uma grande mudança no perfil do consumidor, com a ampliação de uma geração inquieta, que questiona as práticas das empresas e olha com mais cuidado os processos e valores por trás de cada marca. De acordo com o estudo do Euromonitor, as principais tendências do consumidor moderno envolvem mudanças estruturais em grande escala, maior consciência sobre o que necessitamos em detrimento do que queremos e disposição para mudar hábitos em busca de um bem maior.

Por muito tempo acreditamos que a pressão do consumidor faria a mudança acontecer na direção de uma economia mais inclusiva e sustentável e prevemos que a crise pela qual estamos passando vai acelerar esse processo já em curso, mantendo a porta aberta para um nível de consciência mais elevado sobre o consumo. A pressão dos consumidores é importante, mas a atuação proativa de empresas conscientes sobre seu papel é igualmente necessária e cada vez mais

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acompanhar o pragmatismo, mas essa compaixão ― traduzida nos mais de cinco bilhões de reais de filantropia nos tempos de pandemia ― precisa ganhar contornos estruturais daqui em diante, e não apenas circunstanciais dado o momento em que vivemos.

Mercado de capitais – o protagonista da nova economia

Já está claro que o modelo atual de desenvolvimento econômico, pautado exclusivamente no curto prazo e na geração de valor para o acionista, culminou em uma crescente desigualdade social e na aceleração das mudanças climáticas que nos distanciam do Acordo de Paris, assinado em 2016. Sabemos também que o capital é um dos fatores que têm guiado as grandes transformações da sociedade.

Investidores são os maiores interessados em criar as bases de um sistema mais estável e sempre foram os financiadores do mundo emergente. Desde o século XV, quando os cofres europeus financiaram o desbravamento do Novo Mundo ou no século XVIII, em que grandes banqueiros apoiaram a transição para uma sociedade industrial.

Se acreditamos em uma revolução do capitalismo em novas bases, assumindo de fato o Capitalismo de Stakeholders ― cujo objetivo principal é assegurar os interesses de todas as partes envolvidas ―, é preciso olhar com atenção para esse setor. Precisamos criar um modelo mais resiliente, preparado para a digitalização global e, sobretudo, mais sustentável. Para isso, o mercado de capitais deve ser um dos atores protagonistas da nova economia.

Grandes grupos de investimento, como JP Morgan Chase, que financia atividades relacionadas a combustíveis fósseis ― os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas ― felizmente já se veem pressionados por seus acionistas a dar uma resposta diferente. Em sua última reunião anual, 49,6% de seus acionistas votaram a favor de uma resolução que pressiona o banco a reportar se e como vai alinhar seus empréstimos ao Acordo de Paris, com o objetivo de manter o aquecimento global abaixo de 2ºC. Apesar da resolução não ter conquistado a maioria necessária para aprovar, o resultado evidencia a crescente pressão sobre o grupo bancário ― que investiu mais de um quarto de trilhão de dólares em combustíveis fósseis desde que o Acordo de Paris foi adotado ― para fortalecer suas políticas climáticas.

Na mesma direção, vemos a "retomada verde" ganhar força na Europa.

A União Europeia (UE) está prestes a anunciar o maior pacote de recuperação econômica para privilegiar o alcance dos objetivos do milênio, um alento de esperança em meio à maior crise que nossa geração já presenciou. O pacote pode incluir 60 a 80 bilhões de euros para impulsionar a venda de veículos elétricos,

TÓPICO 3 — ECONOMIA DO EMPREENDEDORISMO

Buscando um ótimo coletivo

Dentre os muitos sinais da nova economia que emerge, aqui no Brasil, a plataforma de investimento peer-to-peer CoVida20 nasceu para ofertar crédito a pequenos negócios de impacto positivo, apostando no que chamamos de sementes da nova economia. Por meio do apoio de doadores filantrópicos e grandes investidores, além de pessoas físicas, o programa estimula uma nova cultura de investimento em rede para que empresas alinhadas com um novo capitalismo mais consciente possam, não apenas sobreviver, mas seguir prosperando e gerando prosperidade econômica, social e ambiental de todos os stakeholders.

Seja pela pressão por parte de acionistas, dos consumidores ou por este novo contexto global emergente, precisamos apostar em um novo jeito de investir capaz de acelerar as transformações que queremos ver no mundo. Como a pandemia está nos ensinando, a nova equação de sucesso nos investimentos precisa considerar risco, retorno, liquidez e adicionar sempre o impacto que se gera. Que o curto prazismo e o foco exclusivo no acionista deem lugar a investimentos que considerem o ótimo coletivo e não apenas o individual.

FONTE: Adaptado de <https://www.ccbrasil.cc/post/sinais-nova-economia>. Acesso em: 6 out. 2021.

RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

CHAMADA

• Há duas linhas que se dedicam ao estudo do empreendedorismo, os comporta-mentalistas com foco nas características do indivíduo empreendedor e os eco-nomistas com foco no papel do empreendedor e seu impacto na economia.

• Os avanços tecnológicos aliados à intensificação da globalização causaram mudanças nos processos de inovação no século XXI e o deslocamento da

“Economia da Gestão” para a “Economia do Empreendedorismo”.

• A economia colaborativa possui como premissa o compartilhamento e o ganho mútuo. Refere-se a modelos de negócios baseados em trocas par-a-par (peer-to-peer – P2P), intermediados por uma comunidade on-line.

• O mercado de aplicativo é um aliado que conecta e viabiliza a economia colaborativa, são exemplos de economia colaborativa aplicativos como Uber, BlaBlaCar, DogHero, Airbnb.

1 A economia compartilhada representa uma mudança de mentalidade, uma nova forma de repensar o consumo e o meio ambiente. Com relação a um exemplo de economia compartilhada, assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) Udemy.

b) ( ) Ifood.

c) ( ) AirBNB.

d) ( ) Mercado livre.

2 (ENADE, 2018) A inovação disruptiva pode ocorrer em qualquer setor e pode surgir no contexto da economia compartilhada/economia do compartilhamento/consumo colaborativo. Esse tipo de relação econômica é baseado em produtos e serviços que estão sem uso ou subutilizados e que são trocados par a par normalmente por meio de plataformas digitalizadas.

Novas empresas têm surgido com base nessa economia. (HAMARI, J.; SJÖKLINT, M.; UKKONEN, A. The Sharing Economy: Why People Participate in Collaborative Consumption. Journal of the American Society for Information Science and Technology. v. 67, n. 9, p. 2047–2059, 2016 (adaptado)).

Considerando essas informações e as plataformas digitais on-line como ferra-mentas fundamentais para a viabilização da economia do compartilhamento, avalie as afirmações a seguir.

I- As plataformas digitais on-line são importantes no mercado turístico, mas não modificaram a estrutura dele, já que nenhum fornecedor foi eliminado totalmente do processo e que as relações entre consumidores, mediadores e fornecedores continuam sendo as mesmas na maior parte das organizações.

II- A dinâmica de distribuição dos produtos turísticos foi alterada pela economia do compartilhamento, uma vez que as plataformas digitais on-line possibilitam o contato direto entre consumidores e fornecedores, o que afeta o papel mediador dessa relação exercido pelo agente de viagem.

III- As plataformas digitais on-line trouxeram ao mercado novos fornecedores que não se encaixam no perfil tradicional e qualquer indivíduo que possua algo e queira compartilhá-lo pode agora fazê-lo, não sendo necessária a formalização de um negócio.

É CORRETO o que se afirma em:

AUTOATIVIDADE

a) ( ) I, apenas.

b) ( ) III, apenas.

c) ( ) I e II, apenas.

d) ( ) II e III, apenas.

e) ( ) I, II e III.

FONTE: Adaptada de <https://bit.ly/3pwJI5b>. Acesso em: 28 set. 2021.

3 (ENADE, 2015) O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou que, até 2030, quase metade da população global terá problema de abastecimento de água. Isso vai acontecer porque, daqui a 17 anos, a demanda por água vai superar a oferta em mais de 40%. Com as mudanças climáticas e as necessidades das populações, que crescem e prosperam, os governos terão de trabalhar juntos para proteger esse recurso natural. Assim, apela-se por mais cooperação entre os países, pois, além de ser um recurso natural comum, a água é a chave para um desenvolvimento sustentável. Todos devem usá-la de forma mais inteligente e sem desperdício (FONTE: <http://

noticias.uol.com.br>. Acesso em: 27 jul. 2015).

Considerando o alerta feito pelo Secretário-Geral da ONU, o processo empreendedor pode contribuir para minimizar o problema mencionado por meio:

I- Da identificação e avaliação das melhores oportunidades que contribuam de forma positiva para a preservação dos recursos naturais e da utilização de fontes alternativas de recursos.

II- Do desenvolvimento de plano de negócios bem estruturado que contemple todas as etapas do negócio, o conceito de negócio, os recursos disponíveis e as fontes alternativas de recursos.

III- Da obtenção de recursos de financiamento junto a investidores anjos, dado que estes são os que mais se associam a causas voltadas para o empreendedorismo puramente social.

IV- Do gerenciamento da empresa sem comprometer os processos existentes, mantendo a atenção voltada às novas oportunidades e às constantes ameaças provenientes das mudanças climáticas.

Assinale a alternativa CORRETA:

a) ( ) A sentença I está correta.

b) ( ) A sentença III está correta.

c) ( ) As sentenças II e III estão corretas.

4 Uma pesquisa realizada pela Goldman Sachs com jovens da geração Y (nascidos entre 1981 e 2000) em 2013 mostrou que apenas 15% dos entrevistados achavam extremamente importante ter um carro e cerca de 40% consideravam importante ter uma casa, o que está saindo do radar dos jovens adultos, já que eles adiam cada vez mais o casamento e a saída de casa (30% ainda moravam com os pais, com tendência de aumento nesse número). Tendo em vista os resultados da pesquisa, disserte sobre os impactos causados por essas mudanças e sua relação com economia compartilhada.

FONTE: SARFATI, G. Prepare-se para a revolução: economia colaborativa e inteligência artificial. GV Executivo, [s.l.], v. 15, n. 1, p. 25-28, 2016.

5 A partir do final da década de 1970, observa-se gradativamente a redução da importância da economia de escala e um reposicionamento do papel das Micro e Pequenas Empresas (MPE) na forma como novos processos de inovação se desenvolvem, a partir desse período vivencia-se um deslocamento da “Economia da Gestão” para a “Economia do Empreendedorismo”. Dado esse contexto, disserte sobre as quatro mudanças, que caracterizariam a transformação da lógica da economia de um modelo de baseado na Gestão Tradicional para uma Economia Empreendedora.

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