A mesma lei, em seu artigo 5°, ainda define o Operador de Transporte Multimodal – OTM “como sendo pessoa jurídica contratada como principal, para a realização do Transporte Multimodal de Cargas da origem até o destino, por meios próprios ou por intermédio de terceiros”.
O OTM não precisa ser necessariamente um transportador, mas assume perante o contratante a responsabilidade pela execução do contrato de transporte multimodal, pelos prejuízos resultantes de perda, por danos ou avarias às cargas sob sua custódia, assim como por aqueles decorrentes de atraso em sua entrega, quando houver prazo acordado.
A Lei n° 9.611 também determina a emissão do documento de transporte multimodal de cargas, o qual evidencia o contrato e rege toda a operação. Nele, são mencionados os locais de recebimento e entrega da mercadoria, sob responsabilidade total do OTM.
O exercício da atividade do OTM depende de prévia habilitação e registro na ANTT – Agência Nacional de Transporte Terrestre. Caso o OTM deseje atuar em âmbito internacional, deverá também se licenciar na Secretaria da Receita Federal. Essas habilitações são concedidas por um prazo de 10 anos.
O Decreto Lei n° 3.411, de 12/04/00, que regulamenta a Lei n° 9.611, define os requisitos necessários para a obtenção das habilitações.
4.2 t
ransportem
Ultimodalxi
ntermodalA multimodalidade e a intermodalidade são operações que se realizam pela utilização de mais de um modal de transporte. Isto quer dizer exatamente: “transportar uma mercadoria do seu ponto de origem até a entrega no destino final por modalidades diferentes”.
A intermodalidade foi definida pelo artigo 8° da Lei n° 6.288 de 11/12/75 como sendo “o transporte de cargas onde são utilizados 2 ou mais modalidades em uma mesma operação utilizando vários documentos, sendo um para cada modal utilizado”. Mas esta lei foi revogada pela Lei n° 9611, que dispõe sobre o transporte multimodal e que caracteriza a intermodalidade “pela emissão individual de documento de transporte para cada modal, bem como pela divisão de responsabilidade entre os transportadores”. Aí está a grande diferença, pois na multimodalidade, ao contrário, existe a emissão de apenas um documento de transporte, cobrindo o trajeto total da carga, do seu ponto de origem até
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o ponto de destino. Esse documento é emitido pelo OTM, que também toma para si a responsabilidade total pela carga sob sua custódia.
Composição de cadeias multimodais ________________________________________________________
No transporte de cargas realizado por meio da multimodalidade pode-se fazer a composição de diferentes cadeias multimodais.
Existem dez combinações de cadeias multimodais interligando duas modalidades, conforme mos- trado a seguir: Ferroviário – Rodoviário
1.
Ferroviário – Hidroviário2.
Ferroviário – Aéreo3.
Ferroviário – Dutoviário4.
Rodoviário – Aéreo5.
Rodoviário – Hidroviário6.
Rodoviário – Dutoviário7.
Hidroviário – Aéreo8.
Hidroviário – Dutoviário9.
Aéreo – Dutoviário10.
Porém, utilizando mais de duas modalidades há a possibilidade de montagem de diversas combinações de cadeias multimodais. Por exemplo:
Ferroviário – Rodoviário – Hidroviário Ferroviário – Dutoviário – Aéreo
Rodoviário – Hidroviário – Aéreo – Dutoviário
Dutoviário – Ferroviário – Rodoviário – Aéreo – Hidroviário
Eis algumas das vantagens da utilização do transporte multimodal: contratos de compra e venda mais adequados;
melhor utilização da capacidade disponível da nossa matriz de transporte; utilização de combinações de modais mais eficientes energeticamente;
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melhor utilização das tecnologias de informação; ganhos de escala e negociações do transporte;
melhor utilização da infra-estrutura para as atividades de apoio, tais como armazenagem e manuseio; aproveitamento da experiência internacional tanto do transporte como dos procedimentos burocráticos e comerciais;
redução dos custos indiretos.
4.3. d
ocUmentose
xigidosnot
ransportedec
argasa) conhecimento de embarque
O conhecimento de embarque, como é chamado o documento fiscal de transporte de cargas, é o documento emitido pela companhia transportadora que atesta o recebimento da carga, as condições de transporte e a obrigação de entrega das mercadorias ao destinatário legal, no ponto de destino pré- estabelecido, conferindo a posse das mercadorias.
Geralmente, o conhecimento tem 3 vias: uma pertence ao transportador, outra ao embarcador e a última segue com a carga. É, portanto, ao mesmo tempo:
um recibo de mercadorias; um contrato de entrega;
um documento de propriedade.
Vamos conhecer agora o conhecimento utilizado para o transporte multimodal.
Conhecimento de embarque multimodal (Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas – CTMC) – Documento fiscal de uso exclusivo do OTM (Operador de Transporte Multimodal) utilizado na execução do serviço de transporte intermunicipal, interestadual e internacional. Evidencia o contrato de transporte multimodal e rege toda a operação de transporte desde o recebimento da carga até a sua entrega no destino, podendo ser negociável ou não negociável, a critério do expedidor.
Na prestação de serviço para destinatário localizado na mesma unidade federada de início do serviço, o Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC) será emitido, no mínimo, em 4 (quatro) vias, que terão a seguinte destinação: a 1ª via será entregue ao tomador do serviço; a 2ª via ficará fixa ao bloco para exibição ao fisco; a 3ª via terá o destino previsto na legislação da unidade federada de início do serviço; e a 4ª via acompanhará o transporte até o destino, podendo servir de comprovante de entrega.
Na prestação de serviço para destinatário localizado em unidade federada diferente daquela em que houve o início do serviço, o Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC) será emitido com uma via adicional (5ª via), que acompanhará o transporte para fins de controle do fisco do destino. Quando o serviço for prestado para a Zona Franca de Manaus, área de benefício fiscal, havendo necessidade de utilização de via adicional do Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas – CTMC, esta poderá ser substituída por cópia reprográfica da 1ª via do documento.
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Nas prestações internacionais poderão ser exigidas tantas vias do Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas, quantas forem necessárias para o controle dos demais órgãos fiscalizadores. Ainda poderá ser acrescentada via adicional, a partir da 4ª ou 5ª via, conforme o caso, a ser entregue ao tomador do serviço no momento do embarque da mercadoria, a qual poderá ser substituída por cópia reprográfica da 4ª via do documento.
A figura a seguir apresenta um modelo do CTMC.
Figura: Modelo de CTMC